GramáticaNoções de Morfologia.

Tema 4: Vogais e consoantes. Formação da sílaba.

By 1 de janeiro de 2010 5 Comments

LIÇÕES DE PORTUGUÊS

ROTEIRO DE ESTUDO 4

I – TEMA: Sílaba. Formação da sílaba. Separação de sílabas. Encontros vocálicos: ditongo, tritongo e hiato. Vogais e semivogais: ditongo crescente e decrescente. Encontro consonantal: dígrafo.

II – PRÉ-REQUISITO:  1. Ler compreensivamente.

2. Ter concluído, com êxito, os estudos do Roteiro n° 3.

III – META: As atividades deste roteiro foram organizadas com o objetivo de oferecer condições de aprendizagem das noções relativas aos encontros vocálicos, consonantais, dígrafos e divisão de sílabas das palavras.

IV – PRÉ-AVALIAÇÃO: Se você já estudou alguma coisa a respeito do assunto de que trata este Roteiro, você pode verificar o que realmente aprendeu, respondendo à Auto-avaliação que se encontra no final deste livrinho. Se você obtiver um mínimo de 80 pontos, parabéns! Você não precisa estudar esta lição. Caso contrário, aconselho-o a ler com bastante atenção os textos dos anexos, procurando entender as explicações dadas, referentes às questões que você não respondeu corretamente.

V – ATIVIDADES DE ESTUDOS: Ler com entendimento é pré-requisito para se aprender qualquer coisa. Por isso é que, a partir deste roteiro, passaremos a treinar este entendimento através das INTERPRETAÇÕES DE TEXTOS. Embora o estudo dos anexos em si seja também interpretações de textos, eles são voltados para uma finalidade mais específica que é a aprendizagem dos conceitos gramaticais. Você terá outros textos mais genéricos que servirão de treinamento para a sua compreensão geral da língua. Portanto, faça o seguinte:

1. Tenha um dicionário de Português à mão para consultá-lo sobre as palavras que você desconhece o significado;

2. Leia sem pressa. Procure um lugar sossegado para ler os textos e fazer os exercícios. Lembre-se: a pressa é inimiga da perfeição! Aquilo que você entender, jamais esquecerá!

3. Leia primeiro o texto; faça os exercícios logo em seguida; compare  suas respostas com o gabarito; veja o que você errou e retorne ao texto para verificar o porquê do erro.

VI – PÓS-AVALIAÇÃO: Após ter feito a leitura compreensiva dos textos e feito os exercícios, responda às questões propostas na Auto-Avaliação. Creio que você agora acertará todas. Caso isso não aconteça, consulte as orientações dadas nas Atividades Suplementares.

VII – ATIVIDADES SUPLEMENTARES: Se você não conseguiu alcançar 80 pontos na Pós-Avaliação, não desanime. Volte à leitura dos textos. Sem pressa. Leia também o texto da Leitura Suplementar. Tenha ao seu lado um dicionário para consultar algumas palavras que você não conhece. A leitura com compreensão é a base da aprendizagem.

ANEXO A – INTERPRETAÇÃO DE TEXTO.

O texto abaixo está com os seus parágrafos numerados para facilitar a localização dos conceitos, palavras e expressões.

IMPORTÂNCIA DA NORMA CULTA

1.      Diálogo difícil do professor de Português com os alunos é convencê-los a falar e a escrever conforme as normas da língua culta.

2.    Para muitos representantes, esses padrões são uma imposição das classes dominantes e devem ser, como outras formas de opressão, abolidos, em benefício do povo brasileiro.

3.    Existe em tal argumento uma convergência de elementos heterogêneos. Ressalve-se, de logo, que a língua, toda língua, é sempre uma propriedade coletiva, um bem socializado, um patrimônio nacional. Nenhuma classe é donatária exclusiva do idioma.

4.    Mas a grande confusão está mesmo no entendimento deficiente do processo de comunicação. Vivendo em comunidade, todo falante é naturalmente entendido pelos parentes. Há, porém, outros estratos na vida social: a escola, a igreja, o clube, o trabalho que proporcionam momentos informais e formais. O falante civilizado não deve se expressar, em toda a parte, em todo momento, com a linguagem da tribo ou do clã. Seria uma inadequação a ser repelida pela sociedade como um comportamento inconveniente.

5.    Ao usufruir o estudante, no manejo oral ou escrito, das modalidades cultas, não está o professor de Português impondo-lhe um código arbitrário, mas simplesmente habilitando-o a que, em qualquer situação, possa utilizar o extraordinário instrumento que é uma língua de civilização.

6.    O conhecimento do idioma é então necessário como o de outras normas de convivência social.

7.   Se não se aceitam as normas de educação, de higiene, de trânsito, etc…, o recurso é o retorno às selvas. Mas, ainda nesse caso extremo (porque o homem não vive isolado), sempre haverá alguma regra a ser seguida.

8.  O acesso à língua culta, por ser esta uma certidão de cidadania, constitui-se numa aspiração legítima. Cumpre ao professor de Português assegurar aos seus alunos esse direito.

(Jairo Dias de Carvalho, Jornal dos Sports – 20/11/1992)

Responda às questões de acordo com o texto, assinalando apenas uma alternativa:

1. Segundo o texto, o conhecimento do idioma, em seus diferentes registros é:

a. (   ) privilégio das classes de maior poder econômico.

b. (   ) imposição tanto das classes dominantes quanto dos professores de Português.

c. (   ) domínio exclusivo dos detentores de “status” intelectual.

d. (   ) fator tão importante quanto quaisquer outras normas sociais.

e. (  ) necessidade menos relevante do que algumas regras de convivência social.

2. A resposta certa da questão 1 está evidenciada no parágrafo:

a. (   ) 1 e 2       b. (   ) 5       c. (   ) 6      d. (   ) 7      e. (   ) 8

3. O autor afirma, no 3º parágrafo, que existe uma “convergência de elementos heterogêneos”. Assinale a opção que apresenta equivalência semântica com essa expressão:

a. (   ) influência de elementos semelhantes para fins variados.

b. (   ) associação de alguns elementos para o mesmo fim.

c. (   ) mistura de diversos elementos para fins variados.

d. (   ) divisão de vários elementos para o mesmo fim.

e. (   ) concorrência de elementos diversos para o mesmo fim.

4. O texto aponta algumas razões relativas à dificuldade de diálogo entre o professor de Português e os alunos. Assinale a opção que identifica, na visão do autor, a razão fundamental para essa dificuldade:

a. (   ) Imposição das classes dominantes.

b. (   ) Carência econômica da população brasileira.

c. (   ) Falha no entendimento do processo de comunicação.

d. (   ) Fragilidade das normas de convivência social.

e. (   ) Pouca familiaridade dos alunos com os autores clássicos.

5. A resposta certa da questão 4 está evidenciada no parágrafo:

a. (   ) 1 e 2     b. (   ) 4     c. (   ) 5    d. (   ) 6 e 7     e. (   ) 8

6. Da leitura do texto, conclui-se que, na visão do autor, o conhecimento da norma culta da língua:

a. (   ) é  um direito do cidadão

b. (   ) revela-se mais importante do que outros conhecimentos

c. (   ) contribui para a ascensão social do indivíduo.

d. (   ) representa uma imposição das classes dominantes.

7. A resposta certa da questão 6 está evidenciada no parágrafo:

a. (   ) 1 e 2      b. (   ) 3    c. (   ) 4     d. (   ) 6 e 7     e. (   ) 8

GABARITO: 1. (d)     2. (c)     3. (e)      4. (c)      5. (b)       6. (a)         7. (e)

ANEXO B – SÍLABA. FORMAÇÃO DA SÍLABA. SEPARAÇÃO DE SÍLABAS.

Quando escrevemos, às vezes temos a necessidade de partir a palavra, ao passar de uma linha para outra do caderno. Portanto, precisamos saber partir corretamente as palavras.

A divisão silábica, muitas vezes, nos deixa em dúvida. Por isso é muito importante conhecermos as noções básicas sobre a divisão silábica. Nos Roteiros 2 e 3 você deve ter aprendido sobre os sons utilizados na formação das palavras. Ao pronunciarmos uma palavra, movimentamos a boca, emitindo um grupo de sons de cada vez. É a sílaba.

Tomemos como exemplo a palavra PORTUGUÊS. Temos os fonemas:

/p/, /o/, /r/, /t/, /g/, /u/, /ê/, /s/.

Ao pronunciarmos esta palavra emitimos, num só jato de voz, os fonemas:

/p/, /o/, /r/ = por /t/, /u/ = tu /g/, /u/, /ê/, /s/ = guês

Portanto, cada vez que movimentamos nossa boca para emitirmos um som estaremos pronunciando uma sílaba, que pode ser formada por um fonema ou por vários fonemas. Na escrita, utilizamos um traço (-) chamado hífen, para separarmos as sílabas.

A regra básica para a separação das sílabas das palavras é agrupar os fonemas que são pronunciados de uma só vez, nas palavras. Entretanto, algumas palavras não obedecem a esta regra geral. Por isso, vamos fazer um breve intervalo neste assunto, porque, antes, é necessário que você conheça como são formadas as sílabas, em português.

Vejamos se você entendeu a noção básica de sílaba. Pronuncie pausadamente as seguintes palavras, prestando atenção às emissões da sua voz. Depois, divida-as em sílabas, usando o hífen.

A. 1) infelizmente _________________     2) amigo ____________             3) esperar _____________________

4) pelos ______________________      5) trânsito _______________  6) idioma ____________

7) sábia ____________________           8) sabia _____________            9) sabiá ____________________

10) transmitir __________

GABARITO:  1) in-fe-liz-men-te     2) a-mi-go      3) es-pe-rar     4) pe-los     5) trân-si-to      6) i-di-o-ma         7) sá-bia                                    8) sa-bi-a                     9) sa-bi-á      10) trans-mi-tir

ANEXO C – FORMAÇÃO DAS SÍLABAS. ENCONTRO VOCÁLICO. DITONGO, TRITONGO, HIATO.

Em português, as sílabas são formadas por vogais (V) e consoantes (C).

A vogal é o fonema de presença obrigatória na formação da sílaba. As consoantes fazem parte da sílaba, mas não possuem o peso fonêmico que as vogais exercem. Podemos construir palavras só com vogais, mas não podemos fazê-lo só com consoantes. Veja os exemplos:

Oi!     Ei!     Ai!       Ui!       Eu ia ao iate.

Das palavras acima, apenas uma (iate) possui uma consoante: /t/.

Agora veja esse exemplo:

O Brasil faz fronteira com o Paraguai e o Uruguai.

Quantas palavras, nesta frase, só possuem consoantes? Nenhuma! Para tirar a dúvida, procure neste livro uma palavra que seja formada só por consoantes. Não tem! Isto quer dizer que as vogais exercem papel fundamental na nossa língua.

Vimos no Roteiro 3 que os sons vocálicos, em português, são 12 (incluídos os nasais), mas sua representação gráfica é conhecida apenas através de 5 letras: a, e, i, o, u. Vimos também que:

. um som pode ser representado por uma ou duas letras: am, em, im, om, um, ch, nh, lh;

. uma letra pode representar vários sons: cinto, casa;

. um som pode ser representado por letras diferentes: cinto/sinto; chave/xícara; caçar/cassar; azar/asa/ exemplo

Isto tem se constituído numa dificuldade ao ensino do ler e escrever na nossa língua. Vejamos, agora, o que ocorre a determinados fonemas quando agrupados. Observe as palavras:

Uau!  Au-au!   Ui!   Ai!   Ei!    Eia!   Oi!   Eu,  ia,  ao,   ou.

Todas são formadas por vogais. Quando numa palavra há uma seqüência de vogais temos um encontro vocálico. A seqüência de vogais pode se dar dentro de uma mesma sílaba ou em sílabas diferentes. Exemplos:

baía = ba-í-a        Paraguai = Pa-ra-guai      baile = bai-le

Temos aí, uma seqüência de vogais, embora na 1ª palavra as mesmas façam parte de sílabas diferentes e na 2ª e 3ª pertençam a uma sílaba apenas. Então, não importa se as vogais façam parte ou não da mesma sílaba. O que caracteriza o ENCONTRO VOCÁLICO é a sequência de vogais dentro da palavra.

Como vimos nos exemplos acima, os encontros vocálicos podem aparecer na mesma sílaba ou em sílabas diferentes. Esses fatos da nossa língua recebem nomes especiais. Voltemos aos exemplos dados. Na palavra baile = bai-le. Temos aí, uma sequência de duas vogais na mesma sílaba. É o chamado DITONGO.

Ditongo é o encontro de duas vogais na mesma sílaba.

Na palavra Paraguai = Pa-ra-guai. Temos uma sequência de três vogais na mesma sílaba. É o chamado TRITONGO.

Tritongo é o encontro de três vogais na mesma sílaba.

Na palavra baía = ba-í-a. Temos uma sequência de três vogais, mas ao pronunciá-las, fazêmo-lo em sílabas diferentes. Neste caso, temos dois hiatos. A vogal só será hiato quando forma sílaba sozinha ou seguida de consoante. Exemplos: país = pa-ís cruel = cru-el aorta = a-or-ta

Hiato é uma sequência de vogais pronunciadas em sílabas diferentes e que formam sílabas sozinhas ou seguidas de consoante.

Mas, atenção!     Na palavra  Aproximação,  por exemplo, temos  hiato? Não.   Temos ditongo? SIM.

Por que o “a” não é hiato? Porque esta vogal, apesar de estar sozinha, não faz parte de uma sequência de vogais, na palavra.

Agora, vamos fazer alguns exercícios para fixar os conceitos estudados.

A) Assinale as palavras que apresentam encontro vocálico:

1.(   ) ensine             7.(   ) lagoa                 13.(   ) noite

2.(   ) alguma            8.(   ) banheira            14.(   ) inteira

3.(   ) lição                9.(   ) imensurável       15.(   ) mergulho

4.(   ) proveitosa      10.(   ) tamanho            16.(   ) sereno

5.(   ) com               11.(   ) onde                 17.(   ) banho

6.(   ) silêncio          12.(   ) lua                     18.(   ) ruivo

B. Assinale as palavras que apresentam ditongo:

1.(   ) diante             11.(   ) atire             21.(   ) fale

2.(   ) da                  12.(   ) calhaus         22.(   ) pouco

3.(   ) noite               13.(   ) nos              23.(   ) queixe

4.(   ) não                 14.(   ) outros          24.(   ) espalhe

5.(   ) acuse              15.(   ) jamais          25.(   ) bênçãos

6.(   ) as                   16.(   ) desespere     26.(   ) incompreensão

7.(   ) trevas              17.(   ) pense          27.(   ) dói

8.(   ) no                   18.(   ) muito          28.(   ) respeite

9.(   ) caminho           19.(   ) medite        29.(   ) tudo

10.(   ) pedregoso        20.(   ) mais            30.(   ) se

C. Assinale as palavras que possuem hiato:

1.(   ) siga                10.(   ) caído           19.(   ) ferir

2.(   ) adiante           11.(   ) ampare        20.(   ) orientar

3.(   ) ore                 12.(   ) doente         21.(   ) próximo

4.(   ) confiante         13.(   ) possuir        22.(   ) amorosamente

5.(   ) seja                14.(   ) saúde          23.(   ) para

6.(   ) leal                 15.(   ) reter            24.(   ) reino

7.(   ) tenha              16.(   ) valioso         25.(   ) da

8.(   ) paciência         17.(   ) ensinar         26.(   ) compreensão

9.(   ) levante            18.(   ) não              27.(   ) paz

GABARITO: A) 3, 4, 6, 7, 8, 12, 13, 14, 18

B) 3, 4, 12, 14, 15, 18, 20, 22, 25, 26, 27, 28

C) 2, 4, 6, 8, 10, 12, 13, 14, 16, 20, 26


ANEXO D – VOGAIS E SEMIVOGAIS. DITONGOS ORAIS E NASAIS, CRESCENTES E DECRESCENTES. ESTRUTURA DA SÍLABA.

Observe como pronunciamos os ditongos nestas palavras:

P a i =  vogal “a” de som mais forte;    vogal “i” de som mais fraco

M ã e   = vogal “ã” de som mais forte;     vogal “e” d e som mais fraco

Q u a –  dro:  na primeira sílaba (qua), a vogal mais fraca é “u” ; a vogal mais forte é “a”

A vogal de som mais fraco é chamada de SEMIVOGAL. As semivogais são representadas pelos fonemas /i/, /u/, quando, juntos a uma vogal, (a, e, o), fizerem parte de uma sílaba. Esse som (timbre) mais forte ou mais fraco das vogais é uma característica das sílabas em português e em algumas palavras é fator de diferença entre elas. Ex: sábia – sabia.

Já falamos, linhas atrás, que as sílabas são formadas por consoantes (C) e vogais (V): CV. Quando pronunciamos as sílabas de uma palavra, os fonemas são emitidos ora de forma mais forte, ora mais fraca.

Veja o exemplo: ca+dei+ra.

A estrutura de uma sílaba apresenta três parte: pico ou núcleo, que é o som mais forte da sílaba; é geralmente ocupado por uma vogal. As outras duas partes (zona periférica), têm o som mais fraco, às vezes são opcionais, e são preenchidas por consoantes. No exemplo dado, as sílabas possuem no seu núcleo (o som mais forte) uma vogal (a, e, a). As outras partes (o som mais fraco) são preenchidas por consoantes. Mas a segunda sílaba, dei, possui um ditongo. Se você prestar atenção à maneira como são pronunciados, verá que esse ditongo começa com o som forte no “e” e vão como que “descendo uma ladeira” com o “i”. É como se o som fosse diminuindo, decrescendo. A esses ditongos assim formados damos o nome de DITONGO DECRESCENTE porque são formados por uma vogal (e) + uma semivogal (i).

Agora veja esse outro exemplo: Már + cia.

O ditongo existente, “ia”, começa com o som fraco no “i” e vai como que “subindo a ladeira”. É como se o som fosse aumentando, crescendo. É um DITONGO CRESCENTE porque é formado por uma semivogal (i) + uma vogal (a).

O /a/ sempre ocupa a posição de vogal; o /i/ e o /u/ ocupam a posição de semivogal. Mas as semivogais podem ocupar a posição de vogal. Ex: ruivo, viu.

O “e” e o “o” poderão ser semivogais quando aparecerem com o som de /i/ e /u/. Ex: magoa = /mágua/   tênue = /tênui/

O mesmo princípio é aplicado para os ditongos nasais e os tritongos. Ex: mãe, Paraguai.

Vamos, agora, aos exercícios!

A) Complete o quadro, destacando os elementos indicados, se existirem na palavra dada:

Palavra Ditongo oral crescente Ditongo oral decrescente Ditongo nasal crescente Ditongo nasal decrescente Tritongo oral Tritongo nasal Hiato oral Hiato nasal
matreiro
murmurou
vai
cordeiro
ilusão
ouvir
malícia
perdoar
crueldade
averigüei
necessário
exigências
mágoas
ódio
Antônio
faísca
oito
saguão
européia
Irapuã
Orleãs
guardiã

GABARITO

Palavra Ditongo oral crescente Ditongo oral decrescente Ditongo nasal crescente Ditongo nasal decrescente Tritongo oral Tritongo nasal Hiato oral Hiato nasal
matreiro ei
murmurou ou
vai ai
cordeiro ei
ilusão ão
ouvir ou
malícia ia
perdoar ar
crueldade el
averigüei uei
necessário io
exigências ia
mágoas oa
ódio io
Antônio io
faísca is
oito oi
saguão uão
européia éi a
Irapuã ã
Orleãs ãs
guardiã ã

ANEXO E – ENCONTROS CONSONANTAIS. DÍGRAFOS.

Vamos ver, agora, outro tipo de encontro de fonemas.

Observe nas palavras abaixo que elas apresentam uma seqüência de consoantes. Veja:

Bloco  –  palavra  –  atrás  –  objetivo  –  característica

Quando numa palavra aparecer uma sequência de duas ou mais consoantes, temos aí um encontro consonantal.

Encontro consonantal é o agrupamento ou sequência de consoantes numa palavra.

O encontro consonantal pode acontecer na mesma sílaba ou em sílabas diferentes.

Como já dissemos anteriormente, as letras são sinais gráficos que representam os sons, isto é, os fonemas. Portanto, é importante dizer que não devemos confundir letras com fonemas, pois, como já vimos, um fonema pode ser representado por duas letras ou uma letra pode representar dois fonemas.

Assim é que na palavra pássaro, as letras “ss” representam o fonema [s]. Veja os exemplos:

Socorro   –      S, o, c, o, r, r, o = 7 letras                [s], [o], [k], [o], [h], [u] = 6 fonemas

chave  –    c, h, a, v, e = 5 letras              [∫], [a], [v], [i] = 4 fonemas

Nessas palavras não existe encontro consonantal, porque a sequência de consoantes aí existente (rr, ch) representam apenas um som. Para que exista encontro consonantal é necessário a existência de dois fonemas consonantais seguidos. Para esses grupos de letras que representam um só fonema, damos o nome de dígrafo.

Dígrafo é um grupo de letras que representam um só fonema.

Entre os dígrafos devem ser incluídos as combinações das letras:

. ch – que representa o fonema [∫]  (ver alfabeto fonético no Roteiro 3)    Ex: chave – [‘∫a.vi]

. lh – que representa o fonema [   ]        Ex: malha – [‘ma.   a]

. nh – que representa o fonema [   ]       Ex: ninho – [‘ni.   u]

. rr – que representa o fonema [h]        Ex: carro – [‘ka.hu]

. ss – que representa o fonema [s]        Ex: assado – [a.’sa.du]

. gu / qu – antes de “e” e “i” porque representam o som [g] e [k]      Ex: guitarra – [gi.’ta.ha]         queda – [‘k   .da]

. sc, sc, xc – que representam o som [s]       Ex: nascer  [na.’seh]      desça – [‘de.sa]     exceder – [e.se.’deh]

. am, an, em, en, im, in, om, on, um, um – quando as consoantes “m”, “n” servirem apenas para dar som nasal à vogal, equivalente a um til (~).       Ex: campo – [‘kã.pu]       tanto – [‘tã.tu]       comum – [ko.’m   ]

Observação importante: Não há encontro consonantal entre um dígrafo terminado em “m” ou “n” e seguido de outra consoante, pelo fato de que o “m” ou “n” representam o som nasal da vogal.

Ex: campo – “mp” não é um encontro consonantal porque o “m” representa o som nasal do “a” da sílaba cam = [cãpu]

Vamos aos exercícios!

a) Complete o quadro, destacando os elementos indicados, quando existirem na palavra dada:

Palavra Encontro consonantal Dígrafo
1. quadro
2. transporte
3. adjetivo
4. supersticioso
5. discurso
6. subsecretária
7. plano
8. Acre
9. tecla
10. nascente
11. manhã
12. característica
13. pinheiro
14. Brasil
15. encontra
16. sertão
17. nordestino
18. onde
19. nasce
20. barro
21. discussão
22. queijo
23. guilhotina
24. portuguesa
25. obtuso

GABARITO:

Palavra Encontro consonantal Dígrafo
1. quadro dr
2. transporte tr – sp – rt an
3. adjetivo dj
4. supersticioso rst
5. discurso sc – rs
6. subsecretária bs – cr
7. plano pl
8. Acre cr
9. tecla cl
10. nascente sc – en
11. manhã nh
12. característica ct – st
13. pinheiro nh
14. Brasil Br
15. encontra tr en – on
16. sertão rt
17. nordestino rd – st
18. onde on
19. nasce sc
20. barro rr
21. discussão sc ss
22. queijo qu
23. guilhotina gu – lh
24. portuguesa rt gu
25. obtuso bt

ANEXO F – SEPARAÇÃO DE SÍLABAS

Agora, vamos retornar ao assunto da divisão de sílabas, pois os conceitos vistos nos Anexos anteriores são básicos para se separar corretamente as sílabas, em português.

RECORDEMOS:

Sílaba é um grupo de fonemas que faz parte da palavra e que é pronunciado em uma só emissão de voz.

A regra básica para a separação de sílabas é: agrupar os fonemas que são pronunciados de uma só vez, nas palavras, separando-os com hífen (-).

Entretanto, nem todas as palavras obedecem a esta regra básica.

Os encontros vocálicos (ditongos, tritongos e hiatos) seguem a regra básica. Ex: ru – í – na   /   lei – te    /  in – dús – tria   /   quais – quer

Entre os encontros consonantais há os que, na divisão silábica, são inseparáveis e há os que podem ser separados.

São INSEPARÁVEIS:

1. os encontros consonantais cuja segunda consoante da sequência é “l” ou  “r”.

Ex: bl blo-co     drdro-ga       grgra-de         br – a-bri-có           fl – a-fli-to       plplu-ral        clcla-ra

fr – náu-fra-go      pr pra-ça        cr – es-cra-vo    gl – a-glu-ti-nar    tl – a-tlân-ti-co        tr – es-tra-da

vlVla-di-mir         vr – pa-la-vra

2. uma sequência de consoantes no início da palavra:

Ex: pneumonia = pneu-mo-ni-a            gnomo = gno-mo           Psicologia = psi-co-lo-gi-a

São SEPARÁVEIS:

1. os encontros consonantais formados por letras iguais (inclusive os dígrafos rr, ss).

Ex: occipital = oc – ci – pi – tal;   infecciooso = in – fec – ci – o – so;    barro = bar – ro;      girassol = gi – ras – sol

2. os dígrafos sc, sç, xc, xs.

Ex: nascer = nas – cer;     desço = des – ço;      excelente = ex – ce – len – te;     exsudar = ex – su – dar (suar)

3. as consoantes denominadas “mudas”, quando aparecerem no meio da palavra.

Ex:  advogado = ad – vo – ga – do;     ritmo = rit – mo;       digno = dig – no

Vamos aos exercícios!

A) Separe as sílabas das palavras abaixo:

1 Vôo – 21 Subjugar –
2 Encontro – 22 Administrar –
3 Caatinga – 23 Maior –
4 Vegetação – 24 Aeroporto –
5 Característica – 25 Saguão –
6 Sertão – 26 Européia –
7 Nordestino – 27 Intuito –
8 Pinheiro – 28 Perspicácia –
9 Domina – 29 Atmosfera –
10 Brasil – 30 Ficcional –
11 Lugar – 31 Centeio –
12 Onde – 32 Transatlântico –
13 Nasce – 33 Paraguaia –
14 Chama – 34 Cláudio –
15 Cursista – 35 Transcrever –
16 Coordenou – 36 Supérfluo –
17 Trabalho – 37 Gratuito –
18 Grupo – 38 Paupérrimo –
19 Exposição – 39 Tórax –
20 Artesanato – 40 Gnose –

Gabarito:

1. vô – o                                           11. lu – gar                                 21. sub – ju – gar              31. cen – teio

2. en – con – tro                           12. on – de                                 22. ad – mi – nis – trar    32. tran–sa–tlâ–ti-co

3. ca – a – tin – ga                       13. nas – ce                               23. mai – or                         33. pa – ra – guai – a

4. vê – ge – ta – ção                     14. cha – ma                             24. a – e – ro – por – to    34. Cláu – dio

5. ca – rac – te – ris – ti – ca     15. cur – sis – ta                      25. sa – guão                       35. trans – crê – ver

6. ser – tão                                      16. co – or – de – nou            26. eu – ro – péi – a           36. su – pér – fluo

7. nor – des – ti – no                    17. tra – ba – lho                    27. in – tui – to                   37. gra – tui – to

8. pi – nhei – ro                             18. gru – pó                             28. pers – pi – cá – cia     38. pau – pér – ri – mo

9. do – mi – na                               19. ex – po – si – ção            29. at – mos – fe – ra       39. to – rax

10. Bra – sil                                    20. ar – te – sa – na – to      30. fic – ci – o – nal         40. gno – se

PRÉ/PÓS-AVALIAÇÃO    –     Após ler o texto, faça o que se pede.

Carta de Jorge Amado ao editor Martins, apresentando-lhe TEREZA BATISTA, do romance Tereza Batista Cansada de Guerra, do mesmo autor.

Querido Martins, a portadora é Tereza Batista, receba-a com amizade. Acusam-na de arruaceira, atrevida e obstinada, de não respeitar autoridade e de se meter onde não é chamada. Mas tendo com ela convivido longo tempo, praticamente juntos dia e noite de março a novembro neste ano de 72, sei de suas boas qualidades. Nasceu para a alegria e lutou contra a tristeza, não esconde o pensamento, gosta de aprender e um pouco aprendeu nas cartilhas, muito na vida. De tão doce e terna, o doutor, homem fino, só a tratava de Tereza Favo-de-Mel.

Comeu do lado podre da vida com fartura e não se desesperou. Cansada de tanto guerrear, um dia pensou-se terminada, resolvendo ensarilhar as armas e nas prendas domésticas se enterrar. Bastou, porém, soprar a viração do golfo, ouvir o som do búzio no apelo do marujo, para erguer-se inteira e velejar.

Moça de cobre, usa dente de ouro e um colar de contas roxas, xale florado sobre os cabelos negros. Dizê-la formosa é dizer pouco, louvar-lhe a competência no ofício basta para explicar-lhe a sedução. Conto algumas das suas peripécias, desenho-lhe o perfil e me pergunto se não restaram traços obscuros. Saí perguntando a meio mundo e à própria Tereza interroguei. Viver paga a pena e o amor compensa, disse-me ela, nos olhos de um fulgor de diamante.

Certa vez lhe mandei, caro Martins, a moça Gabriela, feita de cravo e canela, tirada de uma moda de cacau, por onde anda? O personagem só pertence ao romancista enquanto permanecem os dois na labuta da criação, barro amassado com suor e sangue, com ódio e com amor, embebido em sofrimento, salpicado de alegria. Depois é dos outros, de quem dele se aposse nas páginas do livro e lhe dê um pouco de si, enriquecendo-o. A moça Gabriela, de Ilhéus, anda mundo afora, sei lá em quantas línguas. Tantas, já perdi a conta.

De outra feita, em prova de amizade lhe enviei dona Flor, solteira, casada, viúva, depois feliz com seus dois maridos, propondo uma adivinha mágica da Bahia, prisioneira que rompeu as grilhetas da moral corrente e libertou o amor dos preconceitos. Mansa criatura, quem a diria capaz de agir como ela agiu? De repente surpreendeu-me. Pensava conhecê-la e não a conhecia. É outra cujo destino escapou de minha mão, ainda agora neste novembro, anda de roupa nova nas ruas de Paris, vestida de francesa por Stock. Com esses gringos fanáticos por mulher bonita, seus dois maridos, Vadinho e doutor Teodoro Madureira, correm perigo.

Não há dois sem três, dizem por aqui. Assim sendo, receba agora Tereza Batista para formar o trio. Mulherzinha persistente: me perseguiu durante anos, quis escapar-lhe, meter-me em empresa menos braba, não consegui, ela me teve e durante este ano todo fui seu escravo. Agora você é seu senhor.

Despeço-me dela com saudade, me ensinou a acreditar ainda mais na vida e na invencibilidade do povo mesmo quando levado às últimas resistências, quando restam apenas solidão e morte. No final da história me dei conta que nem tudo no mundo é ruim como a princípio imaginei ao me afundar nos atropelos de Tereza. A maldade quase sempre é miséria ou ignorância. Frase digna do Conselheiro Acácio, não a coloco na boca de Tereza. O que houver de bom no livro a ela se deve. O resto é meu, desacertos e limitações, trovador de rima pobre.

Há mais de trinta anos trabalhamos juntos, você e eu, escrevendo e fabricando livros. Eu, parindo gente, você, criando com carinho esse meu povo rude e irredutível. Pois cuide de Tereza Batista e a apresente a Edith. Vai com recomendação de Zélia e o abraço afetuoso de seu velho amigo

Jorge

( Esta carta consta na orelha da capa do romance de Jorge Amado, Tereza Batista cansada de guerra. São Paulo, Martins, 1972).

Retire do texto, palavras que possuam os elementos indicados, completando o quadro:

Palavra com Escreva a palavra, destaque o elemento pedido e faça a divisão silábica.
1 Ditongo crescente oral
2 Ditongo decrescente oral
3 Ditongo decrescente nasal
4 Tritongo oral
5 Tritongo nasal
6 Hiato oral
7 Hiato nasal
8 Dígrafo oral
9 Dígrafo nasal
10 Encontro consonantal

inseparável

11 Encontro consonantal separável

GABARITO: As palavras escolhidas devem estar de acordo com os conceitos estudados. O texto não apresenta palavras com tritongo oral ou nasal. As palavras interroguei, perseguiu, enviei não possuem tritongo, e sim, ditongos, combinados com dígrafos.

In-ter-ro-guei = guei > gu (dígrafo) + ei (ditongo oral decrescente)

Per-se-guiu = guiu > gu (dígrafo) + iu (ditongo oral decrescente)

En-vi-ei = o primeiro “i” faz parte da silaba anterior; “ei” é ditongo oral decrescente

Marque 2,4 para cada palavra escolhida corretamente;

2,4 para o elemento indicado corretamente;

2,4 para a separação correta das silabas.

Se você alcançou um mínimo de 80 pontos, parabéns! Estude o próximo Roteiro. Caso contrário, consulte as Atividades Suplementares para saber o que deve fazer.

LEITURA SUPLEMENTAR

PASSEIO ORTOGRÁFICO     –        (Monteiro Lobato – Emília no Pais da Gramática)

No bairro da ortografia os meninos encontraram uma dama de origem grega, que tomava conta de tudo.

– Bom dia, minha senhora! – disse Quindim fazendo uma saudação de cabeça muito desajeitada. – Trago aqui sobre o meu lombo dois meninos e uma boneca, que desejam conhecer a vida deste bairro.

– Às ordens! – exclamou a grega. Desçam e venham ver como lido com as letras, na formação escrita das palavras.

Os meninos desceram pela escadinha de corda e rodearam-na. Emília, lambetissimamente, tomou-lhe a bênção.

– Deus te abençoe, bonequinha – disse a ORTOGRAFIA sorrindo.

Por onde começar? Narizinho teve a idéia de inquirir por que motivo ela se chamava Ortografia.

– Meu nome é grego e formado por duas palavras gregas – ORTHOS e GRAFHIA. Orthos quer dizer “correta” e Grafhia quer dizer “escrita”. Sou, portanto, a Escrita Correta, ou a que ensina a escrever corretamente.

– Pois a senhora precisa trabalhar muito – disse Emília – porque  a maior parte das gentes ainda não sabe escrever na regra. Eu mesma, que sou marquesa, erro às vezes…

– Marquesa? – repetiu a Ortografia, admirada. – Marquesa de quê?

– Marquesa de Rabicó, para servir, minha senhora! – respondeu Emília, de mãos na cintura e queixo erguido.

Narizinho confirmou o titulo da boneca e narrou várias passagens da sua vidinha, inclusive o casamento e o divórcio com o Marquês de Rabicó. A Ortografia espantou-se grandemente com tais prodígios. Em seguida falou da sua vida ali.

– Antigamente o sistema de escrever as palavras era o SISTEMA ETIMOLÓGICO, o qual mandava escrevê-las de acordo com a origem. Isso trazia muitas complicações e dificuldades. Por esse sistema a palavra cisma, por exemplo, escrevia-se scisma, com uma letra inútil, mas justificada pela origem. A palavra tísica escrevia-se phthísica, com três letras inúteis, sempre por causa da origem. Ditongo escrevia-se diphthongo. De modo que havia uma enorme trabalheira entre os homens para decorar a forma das palavras – e trabalheira inútil, porque ninguém ganhava coisa nenhuma com isso.

– Só os tipógrafos – lembra Narizinho. – Esses engordavam…

– Sim, só os tipógrafos – confirmou a Ortografia. – Todos os mais perdiam tempo e fósforo cerebral. Em conseqüência disso ergueu-se um movimento para mudar – para acabar com a Ortografia Etimológica, e por em lugar dela outra mais fonética, isto é, que só conservasse nas palavras as letras que se pronunciam. Esse movimento venceu, afinal, sendo sancionado por um decreto do Governo, depois de muito estudado pela Academia Brasileira de Letras.

– Quer dizer que agora ninguém mais erra? – disse Pedrinho.

– Está muito enganado, meu filho. Há regras que tem de ser seguidas, e os que se afastarem dessas regras, erram. Mas tudo se tornou mais simples e lógico. Eu gostei da mudança, confesso – mas a minha amiga, a velha Ortografia Etimológica, está furiosíssima. Não se conforma com a simplificação das palavras.

BIBLIOGRAFIA

CUNHA, Celso Ferreira da – Gramática da Língua Portuguesa

SILVA, Thais Cristófaro – Fonética e Fonologia do Português, Editora Contexto

OLIVEIRA, Cândido de – Curso Objetivo de Português, vol. 2, Edições Florença Ltda.

LOBATO, José Renato Monteiro – Obras Completas – Emília no País da Gramática, vol. 2, Editora Brasiliense S.A. 12a. edição, 1972, São Paulo

5 Comments

Leave a Reply