Noções de Sintaxe

SINTAXE 1 – Porque estudar Sintaxe. Frase, oração, período.

By 28 de março de 2010 27 Comments

1 – TEMA: Noções de Sintaxe. Frase, oração, período. Importância do estudo da sintaxe.

2 – PRÉ-REQUISITO: Ler com compreensão. Ter noções de morfologia.

3 – META: Este roteiro foi elaborado com o objetivo de:

. desenvolver habilidades de interpretar textos

. conscientizar o aluno da importância do estudo da Sintaxe da Língua Portuguesa

. proporcionar condições para estabelecimento dos conceitos de frase, oração e período.

4 – PRÉ-AVALIAÇÃO: O objetivo da pré-avaliação é diagnosticar o quanto se tem conhecimento de um as­sunto. Para isso, basta que você responda à Auto-avaliação que está no final deste Roteiro, antes de ler qualquer texto existente nele. Se você alcançar um resultado igual ou superior a 80 pontos, não precisa es­tudar o assunto, pois você já o domina suficientemente. Caso contrário, vá direto para as Atividades de Es­tudo.

5 – ATIVIDADES DE ESTUDO: Ler com entendimento é pré-requisito para se aprender qualquer coisa atra­vés da leitura. Por isso, leia o texto do Anexo A para treinar sua interpretação. Embora a leitura dos anexos em si seja também interpretação de texto, ela é voltada para uma finalidade mais específica que é a apren­dizagem dos conceitos gramaticais. O texto do Anexo A é mais genérico e serve de treinamento para a compreensão geral da língua. Portanto, faça o seguinte:

a) Tenha um dicionário de Português ao seu alcance, para consultá-lo sobre as palavras que você desco­nhece o significado;

b) Procure um lugar sossegado para os textos e fazer os exercícios;

c) Leia primeiro o texto; faça em seguida os exercícios; compare suas respostas com o gabarito e veja o que errou; retorne ao texto para verificar o porquê do erro.

6 – PÓS-AVALIAÇÃO: Após ter feito o estudo dos textos e os exercícios, responda às questões propostas na Auto-avaliação. Creio que você agora, acertará todas. Caso isso não aconteça, consulte as orientações dadas nas Atividades Suplementares.

7 – ATIVIDADES SUPLEMENTARES: Se você não conseguiu alcançar 80 pontos na Pós-avaliação, volte à leitura dos textos, agora com mais atenção. Sem pressa. A leitura com compreensão é a base da aprendi­zagem.

ANEXO A – INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

A  FUGA          (Fernando Sabino)

1.         Mal o pai colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo do um barulho infernal.

2.          – Para com esse barulho, meu filho – falou, sem se voltar.

3.          Com três anos já sábia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.

4.          – Pois então para de empurrar a cadeira.

5.          – Eu vou embora – foi a resposta.

6.          Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa? – a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.

7.         A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente, o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até ao portão:

8.        – Viu um menino saindo desta casa? – gritou para o operário que descansava diante da obra do outro lado da rua, sentado no meio-fio.

9.          – Saiu agora mesmo com uma trouxinha – informou ele.

10.        Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de bis­coito e – saíra de casa prevenido – uma moeda de 1 cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho, abriu a correr em direção à Avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia à distância.

11.        – Meu filho, cuidado!

12.        O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como a um ani­malzinho:

13.        – Que susto você me passou, meu filho – e apertava-o contra o peito, comovido.

14.        – Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.

15.        Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas:

16.        – Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.

17.        – Me larga. Eu quero ir embora.

18.       Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala – tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.

19.        – Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.

20.        – Fico, mas vou empurrar está cadeira.

21.         E o barulho recomeçou.

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I – Marque com um X a alternativa  correta:

1. Em: “Mal o pai colocou o papel na máquina…” (par. 1), a palavra em negrito pode ser substituída por:

a. (    ) à medida que       b. (    ) assim que        c. (    ) uma vez que          d. (    ) depois que

2. Em: “A calma que baixou então na sala…” (par. 7), as palavras em negrito significam, respectivamente:

a. (    ) silêncio/passou                            b. (   ) calor/ameaçou

c. (    ) silêncio/espalhou-se                    d. (   ) tristeza/esbarrou

3. Em: “… era vagamente inquietante.” (par. 7), a palavra em negrito refer-se àquilo que:

a. (   ) causa desconforto                       b. (   ) provoca medo

c. (   ) causa intranquilidade                   d. (   ) provoca tristeza

4. Em: “… caminhando cabisbaixo…” (par. 10), a palavra em negrito pode ser substituída por:

a. (   ) com o rosto entristecido                      b. (   ) com a cabeça baixa

c. (   ) com o rosto voltado para trás              d. (   ) com os cabelos no rosto

5. Em: “… saíra de casa prevenido…” (par. 10), a palavra em negrito significa:

a. (   ) avisado        b. (   ) antecipado        c. (   ) atordoado           d. (   ) preparado

6. Em: “… o menino, assustado, arrepiou carreira.” (par. 12), a expressão em negrito significa:

a. (   ) parou imediatamente               b. (   ) suou frio

c. (   ) voltou correndo                        d. (   ) ficou com os cabelos eriçados

7. Em: “O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço…” (par. 12), as formas verbais assinaladas significam, respectivamente:

a. (   ) correu para a frente / recolheu          b. (   ) desorientou / afastou

c. (   ) pulou para trás / procurou                 d. (   ) desequilibrou / segurou

8. Em: “Irresoluto, o pai pensava…” (par. 15), a palavra em negrito significa:

a. (   ) alterado          b. (   ) pálido          c. (   ) tranquilo         d. (   ) indeciso

9. O fato de o menino ter começado a empurrar a cadeira no momento em que o pai colocou o papel na máquina indica que o menino:

a. (   ) não gostava do barulho da máquina de escrever

b. (   ) queria chamar a atenção do pai para si

c. (   ) era um menino muito brincalhão

d. (   ) queria aproximar-se da máquina para ver o pai

10. Ao dizer que o menino reagira à injustiça do pai, o narrador compara a attitude da criança à:

a. (   ) de uma pessoa adulta                                    b. (   ) de uma criança mais velha

c. (   ) de outra criança da mesma idade                  d. (   ) de um adolescente

11. Ao dizer “Eu vou embora…” (par. 5), menino estava pensando em:

a. (   ) sair da sala        b. (   ) fugir de casa       c. (   ) ir para a escola      d. (   ) ir para o quarto

12. No texto há quatro momentos distintos no que se refere às atitudes do pai para com o filho. São eles, por ordem de acontecimento:

a. (   ) preocupação,  remorso, impaciência, atenção      b. (   ) desatenção, aflição, zanga, precaução

c. (   ) zanga, indiferença, remorso, precaução                d. (   ) remorso, indiferença, zanga, aflição

13. A frase “… onde diabo meteram a chave da despensa? “(par. 6) indica a fala:

a. (   ) do menino          b. (   ) do pai do menino         c. (   ) da mãe do menino      d. (   ) do narrador

II – Responda, comprovando as respostas com trechos do texto:

14. Como o pai percebeu que o menino não estava mais na sala?

15. Qual era o estado de espírito do menininho ao fugir de casa?

16. Ao final do texto lemos (parágrafos 19 a 21):

“ – Fique aí, quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.

– Fico, mas vou empurrar está cadeira.

E o barulho recomeçou.

Isso significa que tudo iria começar novamente, pois a criança queria mesmo era chamar a atenção do pai. Há, no entanto, uma ação na história que não se repetirá. Qual é essa ação e por que não se repetirá?

III – Reescreva as frases abaixo, substituindo as palavras grifadas por outras de sentido equivalente (escolha entre as que estão no quadro), fazendo as modificações, se necessário.

Reuniu – uniu – economizou – associou – reduziu – apressou –Espremeu – ajustou – abraçou – recobrou – observou – consertou
  1. O pai não reparou que o menino juntou ação às palavras.
  2. O menino juntou as suas coisinhas.
  3. Ele juntou duas cadeiras para formar uma cama.
  4. O menino juntou um dinheirinho para comprar uma bola.
  5. O menino apertou o passinho.
  6. A costureira apertou várias roupas para mim.
  7. Quando ele apertou a fruta, o caldo escorreu no copo.
  8. Ele apertou as despesas porque estava em dificuldades.
  9. O pai apertou o filho contra o peito, comovido.
  10. O pai reparou que o menino havia ficado triste.
  11. O pedreiro já reparou o muro.
  12. Ele só reparou as forças porque parou um pouco.

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GABARITO

Questão I – 1. B     2. C     3. A     4. B     5. D     6. C     7. A     8. D      9. B     10. A     11. B     12. B      13. C

Questão II – 14. O pai percebeu que o menino já não estava mais na sala porque se fez um grande silêncio. (Ver par. 7)

15. O menino estava triste, aborrecido, desanimado. (Ver par. 10)

16. A ação que não se repetirá é a fuga do menino porque o pai fechou a porta da rua com a chave. (Ver par. 18)

Questão III – a) … associou…       b) … reuniu…        c) … uniu…              d) … economizou…

e) … apressou…      f) …  ajustou…      g) … espremeu…     h) … reduziu…           i) … abraçou…

j) … observou…       k) … consertou…   l) … recobrou

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ANEXO B – A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA SINTAXE

Alguns alunos, às vezes, questionam os professores sobre gastar tempo estudando alguns assuntos que, segundo eles, não vão usar no dia-a-dia da vida profissional. Um desses assuntos é a SINTAXE. Mas, o que é mesmo isso? Do que trata? Qual o seu valor para o exercício profissional, qualquer que seja ele?

Primeiro temos que saber que a língua constitue-se de um todo quando a usamos para nos comu­nicar. É verdade que, ao falarmos com alguém, não vamos nos “ ligar ” se estamos usando um substantivo, verbo, se a palavra é masculina ou se está no plural. Não nos preocupamos com a classificação gramatical. O que nos preocupa, no momento da comunicação, é se aquele que nos ouve ou lê, entende o que estamos informando. Mas, de repente, o nosso ouvinte ou leitor pode ficar bravo conosco, porque entendeu diferente o que foi informado. É o que costumamos classificar como “ruído na comunicação”.

Às vezes, esses “ruídos” acontecem porque o comunicador da mensagem não a construiu dentro dos padrões da língua, por pura falta de conhecimento desta língua. E naturalmente, quanto mais se conhece um instrumento, mais sucesso teremos em manejá-lo. Assim também acontece com a Língua Portuguesa. Quanto mais você souber a respeito dela, mais sucesso você terá, ao usá-la.

Não há nenhuma área da vida profissional que dispense o uso da língua. Em qualquer situação de sua  profissão você a usará, seja para escrever um relatório, para ler ou dar uma informação, para escrever  uma receita médica ou uma receita culinária, a língua vai estar presente, falada ou escrita.

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ANEXO B – A DIVISÃO SISTEMÁTICA PARA SE ESTUDAR A LÍNGUA PORTUGUESA

Para melhor estudarmos o Português, os estudiosos desta língua (os gramáticos) estabeleceram como estudar sistemáticamente os elementos que a constituem: é o que chamamos de GRAMÁTICA.

A Gramática classifica e sistematiza os fenômenos da língua, fixando regras que, de acordo com a época, representam o ideal da expressão correta. Quando dizemos “de acordo com a época”, queremos dizer que, por a língua ser dinâmica, ela evolui, altera-se, muda. É por isso que, de vez em quando, ouvimos falar em reforma ortográfica da língua.

O estudo da Gramática se divide em três grandes partes: a Fonética, a Morfologia e a Sintaxe.

A Fonética ocupa-se dos sons da língua. Descreve e classifica os sons produzidos e usados na fala, fixando a pronúncia correta das palavras.

A Morfologia se ocupa da estrutura e classificação das palavras e do tipo de relacionamento entre o ser e a palavra que o representa.

A Sintaxe trata do arranjo das palavras e da construção das frases. É o estudo do valor que uma pa­lavra tem em relação às outras que a acompanham. A Sintaxe procura verificar qual é a importância que cada palavra tem dentro da frase e o melhor lugar em que cada uma deve ficar para melhor expressar nosso pensamento.

Portanto, estudar Sintaxe nos habilita a usar a língua portuguesa de maneira correta, eficaz e ele­gante. Um dos pré-requisitos para estudar Sintaxe é sabermos distinguir bem as classes das palavras. Para isso você precisa estudar Morfologia.

O estudo da Sintaxe também nos ajuda a interpretar melhor os textos. Por isso, se você tem alguma dificuldades na interpretação de textos, você precisa se esforçar e deixar de lado a indisposição para o estudo da Sintaxe. Você verá que o estudo desta área da língua só lhe trará benefícios e não vai gastar tempo à toa.

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ANEXO C – FRASE, ORAÇÃO, PERÍODO. DIFERENÇAS.

Você já deve ter ouvido muito falar em frase, oração e período. Mas você sabe qual é a diferença en­tre elas? Vamos começar nosso estudo fazendo uma pergunta: o que é frase? Observe os exemplos abaixo:

1 – Tenha cuidado com os espinhos, meu filho!

2 – Cuidado com os espinhos!

3 – Cuidado!

Nos exemplos, há uma mesma mensagem estruturada de várias maneiras, o que não impede que cada uma delas transmita a ideia completa, ou seja, que cada uma delas comunique alguma coisa. Pois bem, cada um dos exemplos acima é uma frase. Então, nossa resposta à pergunta é:

Frase é todo enunciado suficiente em si mesmo para estabelecer comunicação.

É a expressão de um pensamento, por meio de uma ou várias palavras. A frase sempre tem um sen­tido completo. Então, todos os exemplos acima são frases, porque transmitem uma mensagem de sentido completo.

A frase tem sempre um sentido intencional, isto é, exprime aquilo que temos intenção de dizer. O sentido intencional que damos a nossas palavras, faz com que as pronunciemos com um determinado tom de voz, isto é, com uma certa entoação ou melodia. Assim, cada frase possui uma entoação própria.   Considerando a entoação das frases, podemos classificá-las em:

DECLARATIVAS – quando declaram alguma coisa. Ex.: Eles vão ao cinema.

EXCLAMATIVAS – indicam surpresa, alegria, tristeza. Ex.: Eles vão ao cinema!

INTERROGATIVAS – indicam uma pergunta. Ex.: Eles vão ao cinema?

Você percebeu a diferença existente entre frases acima? Elas estão compostas das mesmas palavras, mas, por causa da entoação da voz que deve ser usada, a mensagem não é a mesma.

Também, pela simples entoação, podemos diferenciar a fala de um português da de um brasileiro e entre os brasileiros, a de um carioca, nordestino, gaúcho ou mineiro. Entretanto, na escrita, essas marcas melódicas não podem ser distinguidas a não ser através do uso da linguagem usada pelos falantes e os sinais gráficos usados para indicá-los. Mas, mesmo assim, só ouvindo os falantes é que vamos distingui-los.

Vamos, agora, analisar as frases quanto a sua estrutura.

1º exemplo: Tenha cuidado com os espinhos, meu filho!

Aqui, a frase é formada por um grupo de palavras entre as quais há um verbo. Você sabe: verbo é a palavra que exprime ação, estado ou fenômeno.

2º exemplo: Cuidado com os espinhos!

Aqui, retiramos algumas palavras (o verbo) que apareciam na primeira frase, entretanto a mensagem continua sendo transmitida.

3º exemplo: Cuidado!

Aqui, há apenas uma palavra que expressa a ideia contida nas duas primeiras frases, mas não é um verbo.

Na primeira frase, a ideia é que alguém:  meu filho;   faz uma ação: ter;   que resulta em algo: cuidado com os espinhos.

Nessa estrutura, a ideia está expressa por palavras que apresenta alguém que faz a ação (sujeito) mais o verbo indicativo da ação e seus complementos (predicado). Quando a estrutura da frase aparece assim, dizemos que esta frase é uma oração.

Portanto, a oração é uma frase que obrigatoriamente apresenta um verbo na sua estrutura em volta do qual gravitam outras palavras que lhe completam o sentido.

Já as frase 2 e 3, embora expressem ideias completas, não apresentam verbo na sua estrutura.

A oração é a frase onde encontramos um sujeito e um predicado que podem ser claramente separados ou identificados. O exemplo abaixo é uma oração:

A sala está suja.

pois temos o sujeito (a sala) e o predicado (está suja).

Mas, se dissermos:    Que sala suja!  –  é apenas uma frase e não uma oração, porque não podemos distinguir ou identificar claramente o sujeito e o predicado.

Há certas orações que podem não apresentar o sujeito Ex.:   Chove lá fora.

Assim, o fator indispensável para que haja uma oração é a presença do verbo na frase. É por isso que afirmamos:

toda oração é uma frase, mas nem frase é uma oração.

E o que é um período? Período é uma frase organizada com uma ou mais orações. O período termina sempre por uma pausa bem definida, que se marca, na escrita com um ponto, ponto de interrogação, ponto de exclamação, reticências e, às vezes, com dois pontos.

Ex.: 1. A excursão durou cerca de meia hora.

2. Lia comentou o ocorrido e calou-se em seguida.

O sentido das frase apresentadas é completo. Mas observe que existem verbos (durou, comentou, calou-se). Na frase 1 temos apenas um verbo: durou. Já na frase 2 temos dois verbos: comentou e calou. No primeiro exemplo temos um período simples: é formado apenas por uma oração. No segundo exemplo, temos um período composto: é formado por duas orações.

RESUMINDO:

FRASE – é um enunciado de sentido completo com ou sem verbo.

ORAÇÃO – é um enunciado de sentido completo onde deve aparecer obrigatoriamente um verbo.

PERÍODO – é um enunciado com sentido completo formado por uma ou mais orações.

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Vamos aos exercícios.

1. Classifique as frases conforme a entoação:

a) Que lugar bonito! __________________     b) O dia amanheceu lindo. _____________________

c) Que lindo dia! _________________________  d) Confira sempre o troco. _____________________

e) De que está falando? ___________________  f) Deus o acompanhe. ________________________

g) Seja feliz. ____________________________   h) Ele veio? ________________________________

2. Sublinhe os verbos nas frases abaixo (quando houver) e classifique-as como:

1. para frase que não é oração            2. Para frase que é oração ou período.

a. (   ) O menino empurrava a cadeira.               b. (   ) Nós trabalhamos aqui.

c. (   ) Nós estudamos e trabalhamos.                d. (   ) Trabalhem em silêncio!

e. (   ) Silêncio, crianças!                                     f. (   ) As crianças correm, pulam e brincam.

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GABARITO

Questão 1-

a) exclamativa    b) declarativa     c) exclamativa     d) declarativa   e) interrogativa     f) declarativa        g) declarativa      h) interrogativa

Questão 2.

a.  2       b. 2      c. 2     d. 2       e. 1      f. 2

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LEITURA REFLEXIVA

PÁ, PÁ, PÁ

A americana estava há pouco tempo no Brasil. Queria aprender o português depressa, por isto prestava muita atenção em tudo que os outros diziam. Era daquelas americanas que prestam muita atenção.

Achava curioso, por exemplo, o “pois é”. Volta e meia, quando falava com brasileiros, ouvia o “pois é”.

Era uma maneira tipicamente brasileira de não ficar quieto e ao mesmo tempo não dizer nada. Quando não sabia o que dizer, ou sabia mas tinha preguiça, o brasileiro dizia “pois é”. Ela não aguentava mais o “pois é”.

Também tinha dificuldades com o “pois sim” e o “pois não”. Uma vez quis saber se podia me perguntar uma coisa.

–        Pois não – disse eu, polidamente.

–        É exatamente isso! O que quer dizer “pois não”?

–  Bom. Você me perguntou se podia fazer uma pergunta. Eu disse “pois não”. Quer dizer, “pode, esteja à vontade, estou ouvindo, estou às suas ordens…”

–  Em outras palavras, quer dizer “sim”.

–  É.

–  Então por que não se diz “pois sim”?

–  Porque “pois sim” quer dizer “não”.

–  O quê?!

–  Se você disser alguma coisa que não é verdade, com a qual eu não concordo, ou acho difícil de acreditar, eu digo “pois sim”.

–  Por quê?

– Porque o “pois”, no caso, dá o sentido contrário, entende? Quando se diz “pois não”, está-se dizendo que seria impossível, no caso, dizer “não”. Seria inconcebível dizer “não”. Eu dizer não? Aqui, ó.

–  Onde?

–  Nada. Esquece. Já o “pois sim” quer dizer “ora, sim!”. “Ora, se eu vou aceitar isso.” “Ora, não me faça rir. Rá, rá, rá.”

–  “Pois” quer dizer “ora”?

–  Ahn… Mais ou menos.

–  Que língua!

Eu quase disse: “E vocês, que escrevem ‘tough’ e dizem ‘tâf’?”, mas me contive. Afinal, as intenções dela eram boas. Queria aprender. Ela insistiu:

–        Seria mais fácil não dizer o “pois”.

Eu já estava com preguiça.

–        Pois é.

–        Não me diz “pois é”!

Mas o que ela não entendia mesmo era o “pá, pá, pá”.

–        Qual o significado exato de “pá, pá, pá”.

–        Como é?

–        “Pá, pá, pá”.

–        “Pá” é pá. “Shovel”, Aquele negócio que a gente pega assim e…

–        “Pá” eu sei o que é. Mas “pá” três vezes?

–        Onde foi que você ouviu isso?

– É a coisa que eu mais ouço. Quando brasileiro começa a contar história, sempre entra o “pá,pá,pá”.

Como que para ilustrar nossa conversa, chegou-se a nós, providencialmente, outro brasileiro. E um brasileiro com história:

– Eu estava ali agora mesmo, tomando um cafezinho, quando chega o Túlio. Conversa vai, conversa vem e coisa e tal e pá, pá, pá…

Eu e a americana nos entreolhamos.

– Funciona como reticências – sugeri eu. – Significa, na verdade, três pontinhos. “Ponto, ponto, ponto.”

– Mas por que “pá” e não “pó”? Ou “pi” ou “pu”? Ou “etcétera”?

Me controlei para não dizer – “E o problema dos negros nos Estados Unidos?”.

Ela continuou:

–        E por que tem que ser três vezes?

–        Por causa do ritmo. “Pá, pá, pá.” Só “pá, pá” não dá.

–        E por que “pá”?

–        Porque sei lá – disse, didaticamente.

O outro continuava sua história. História de brasileiro não se interrompe facilmente.

–        E aí o Túlio com uma lengalenga que vou te contar. Porque pá, pá, pá…

– É uma expressão utilitária – intervim. – Substitui várias palavras (no caso toda a estranha história do Túlio, que levaria muito tempo para contar) por apenas três. É um símbolo de garrulice vazia, que não merece ser reproduzida. São palavras que…

– Mas não são palavras. São só barulhos. “Pá, pá, pá.”

– Pois é – disse eu.

Ela foi embora, com a cabeça alta. Obviamente desistira dos brasileiros. Eu fui para o outro lado. Deixamos o amigo do Túlio papeando sozinho.

(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se Ler na Escola)

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