GramáticaNoções de Morfologia.

TEMA 21. Noções de Morfologia. Pronomes: possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relativos.

By 29 de agosto de 2010 9 Comments

ROTEIRO N° 21

1 – TEMA: Noções de Morfologia. Pronomes: possessivo, demonstrativo, indefinido, interrogativo e relativo.

2 – PRÉ-REQUISITO:

  1. Ler com compreensão.
  2. Ter concluído, com êxito, o Roteiro 20 desta série.

3 – META: Ao final do estudo, você deverá ser capaz de:

. identificar e classificar o pronome de acordo com suas diversas características;

. empregar corretamente o pronome, de acordo com o padrão culto da língua.

4 – PRÉ-AVALIAÇÃO: O objetivo da pré-avaliação é diagnosticar o quanto se tem conhecimento de um assunto. Para isso, basta que você responda à Auto-avaliação que está no final deste Roteiro, antes de ler qualquer texto existente nele. Se você alcançar um resultado igual ou superior a 80 pontos, não precisa estudar o assunto, pois você já o domina suficientemente. Caso contrário, vá direto para as Atividades de Estudo.

5 – ATIVIDADES DE ESTUDO: Ler com entendimento é pré-requisito para se aprender qualquer coisa através da leitura. Por isso, leia o texto do anexo A para treinar sua interpretação. Embora a leitura dos anexos em si seja também interpretação de texto, ela é voltada para uma finalidade mais específica que é a aprendizagem dos conceitos gramaticais. O texto do Anexo A é mais genérico e serve de treinamento para a compreensão geral da língua. Portanto, faça o seguinte:

a) Tenha um dicionário de Português ao seu alcance, para consultá-lo sobre as palavras que você desconhece o significado;

b) Procure um lugar sossegado para ler os textos e fazer os exercícios;

c) Leia primeiro o texto; faça em seguida os exercícios; compare suas respostas com o gabarito e veja o que errou; retorne ao texto para verificar o porquê do erro.

6 – PÓS-AVALIAÇÃO: Após ter feito o estudo dos textos e os exercícios, responda às questões propostas na Auto-avaliação. Creio que você agora, acertará todas. Caso isso não aconteça, consulte as orientações dadas nas Atividades Suplementares.

7 – ATIVIDADES SUPLEMENTARES: Se você não conseguiu alcançar 80 pontos na Pós-avaliação, volte à leitura dos textos, agora com mais atenção. Sem pressa. A leitura com compreensão é a base da aprendizagem.

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ANEXO A – Interpretação de texto.

SAIA JÁ DA JAULA, BICHO-HOMEM!

1.          Existem atualmente 193 espécies de macacos e símios, todos com o corpo coberto de pelos, com uma única exceção: o símio pelado que, modéstia à parte, intitulou-se HOMO SAPIENS.

2.          Quando as tensões da vida moderna, do progresso que criou, tornam-se fortes demais, o bicho-homem refere-se às grandes cidades onde vive como a selva de concreto. Nada mais errado: nos seus ambientes naturais os animais selvagens não se mutilam, não atacam os próprios filhos, não sofrem de úlceras de estômago, não se tornam fetichistas, não sofrem de obesidade, não matam a não ser para comer, não sofrem desvios sexuais, nem ficam neuróticos. Presos numa jaula, os animais passam a ter um comportamento estranho, igual ao do homem na cidade grande.

3.          Em resumo: nossas cidades não são uma selva de asfalto e concreto; são enormes zoológicos humanos, onde vivemos em condições que não são naturais para a nossa espécie, e onde corremos perigo também de enlouquecer de tensão, de adoecermos de civilização, pelo nariz, pela boa, pelos ouvidos.

4.          Você, por exemplo, respira de 20 mil a 30 mil vezes por dia, inspirando de cada vez mais ou menos meio litro de ar. Cerca de 30 por cento desse ar enche 350 milhões de minúsculos alvéolos, no pulmão, onde o sangue troca o venenoso dióxido de carbono por oxigênio, sem o qual a vida é impossível.

5.          Nas grandes cidades, o ar contém centenas de toxinas que prejudicam o desenvolvimento normal das células. Os gases que escapam dos veículos, a gasolina, por exemplo, impedem a perfeita oxigenação do sangue e provocam alergias, doenças do coração, câncer. O monóxido de carbono é assimilado pelos glóbulos vermelhos 200 vezes mais depressa que o oxigênio. E o chumbo, derivado do tetraetileno de chumbo, é prejudicial acima de 100 milionésimos de grama por metro cúbico de ar, concentração que já existe em qualquer cidade de tamanho médio no Brasil.

6.          E a água que bebemos? Os rios, principais fontes de água potável, são usados como canais de esgoto e de despejo. A vida animal, na maior parte dos rios que abastecem as grandes cidades, já não existe, porque a vida é impossível, não está para peixe. Esse líquido clorado, recuperado, da nossa era higiênica, tem pouca coisa a ver com a água potável, de nascente, digna de peixe e de homem. Estações de tratamento, filtros, toda a química disponível não consegue esconder que estamos bebendo um liquido que supre as nossas necessidades vitais, mas que é chamada de água apenas por hábito.

7.          Além de tudo, estamos ficando surdos. Em cada cem cariocas (ou paulistas, ou gaúchos) dez têm problemas de audição e cinco foram vítimas da poluição sonora. Hoje em dia há duas vezes mais pessoas surdas que há dez anos passados e a gente da cidade só ouve sons a partir de 30 decibéis, 10 na melhor das hipóteses, enquanto que o homem do campo ouve ruídos de um decibel. Dor de cabeça, fadiga excessiva, nervosismo, distúrbios de equilíbrio, afecções cardíacas e vasculares, anemias, úlceras de estômago, distúrbios gastrintestinais, neuroses, distúrbios glandulares, curtos-circuitos nervosos, tudo isso pode ser provocado pelo barulho das grandes cidades. E nem é preciso que seja barulho excessivo, porque, na maior parte das vezes, ele já é incômodo e contínuo.

8.          Enjaulados, enquanto não fizermos desse zoológico um jardim mais verde, mais limpo, mais saudável, menos neurótico, a única solução é sair de vez em quando para respirar ar puro, beber água de verdade, ouvir o silêncio, sentir os cheiros da vida e reconquistar a tranquilidade perdida.

(LUIZ LOBO, Revista Turismo em Foco, Ano IV, n° 19)

I – Compreensão das palavras do texto.

A. Complete as frases com a palavra adequada:

1. Símio é o mesmo que __________________

2. A expressão “de símio” equivale ao adjetivo  ______________

3. Retire do 2o. parágrafo a palavra que significa “privar de, cortar algum membro do corpo”: __________________

4. Substitua a expressão “minúsculos alvéolos” (par. 4) por outra equivalente: _________________________

5. Água poluída é água __________________________________________

6. Água potável é água __________________________________________

7. Água clorada é água __________________________________________

8. Água recuperada é água ______________________________________

9. No parágrafo 6, lemos”: “… supre as nossas necessidades vitais”. Diga a mesma coisa com outras palavras: _______________

10. Asfalto é um tipo de _________________ usado em ruas e estradas.

B. Procure, no 4o. e 5o parágrafos, as palavras ou expressões que correspondam aos significados abaixo:

11. Um dos elementos gasosos do ar, indispensável à vida _____________

12. Gás nocivo que expelimos no ato da expiração ____________________

13. Processo pelo qual o organismo efetua a troca do gás venenoso (dióxido de carbono) pelo oxigênio _____________________

14. Substâncias venenosas que tornam o ar poluído ___________________

15. Hipersensibilidade do organismo humano a determinadas substâncias e agentes físicos ____________________________

16. Unidade fundamental que compõe os seres vivos _________________

C. Dê o significado das palavras em negrito de acordo com a frase:

17. Acreditarei, depois que você me apresentar um fato concreto.

18. O edifício foi construído todo em concreto.

19. Ele inspirou mais ou menos meio litro de ar.

20. Aquela cena inspirou o poeta.

21. Aquele menino está com um comportamento estranho.

22. Um estranho bateu à minha porta, hoje, pela manhã.

II – Compreensão da mensagem do texto.

D. Responda de acordo com o texto:

23. Quem é, segundo o autor, o único símio que não tem o corpo coberto de pelos? ________________

24. O nome de HOMO SAPIENS (par. 1) foi dado a esse símio:

a. (   ) pelo próprio homem            b. (   ) pelo autor do texto             c. (   ) por um poeta

25. A expressão  “modéstia à parte” (par. 1) significa que:

a. (   ) o autor não faz parte do grupo de Homo Sapiens.

b. (   ) o autor também se considera um Homo Sapiens.

c. (   ) a modéstia é um animal que não faz parte do grupo Homo Sapiens.

26. “Ouvir o silêncio” (par. 8) é uma expressão:

a. (   ) absurda           b. (   ) poética         c. (   ) lógica

27. Enumere três fatores que, segundo o autor, são determinantes de tensão da vida moderna:

_____________________________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________

28. O autor concorda com a expressão “selva de concreto”?

a. (   ) sim          b. (    ) não       c. (   ) em parte

Transcreva a parte do texto que justifica sua resposta.

_________________________________________________________

29. Identifique, no texto, os parágrafos em que são abordados os seguintes assuntos:

a. poluição do ar  _______________________

b. poluição da água _____________________

c. poluição acústica ______________________

30. Quais as soluções apontadas pelo autor para combater a tríplice poluição?

____________________________________________________________

____________________________________________________________

GABARITO

Questão A :

1. macaco         2. Simiesco     3. Mutilar           4. Minúsculos compartimentos ou cavidades        5. água suja

6. Água que se pode beber      7. água que contem cloro       8. água que passou por tratamento

9. satisfaz ou preenche as exigências básicas e indispensáveis à vida          10. revestimento ou material

Questão B:

11. oxigênio    12. dióxido de carbono   13. oxigenação    14. toxinas    15. alergia   16. Célula

Questão C:

17. real, verdadeiro     18. Cimento armado     19. Introduziu no pulmão, aspirou      20. estimulou      21. Esquisito

22. Desconhecido

Questão D:

23. o homem      24. A      25. B        26. B

27. A agitação das grandes cidades; a falta de contato com a natureza; as diversas formas de poluição.

28.  Não.  No 3o. parágrafo ele diz: “Em resumo: nossas cidades não são uma selva de asfalto e concreto; são enormes zoológicos humanos, onde vivemos em condições que não são naturais.” Em outras palavras, o ser humano nas grandes cidades, vive estressado, respira, dorme e come mal, tem medo de tudo e de todos.

29. a – Parágrafos 4 e 5          b – Parágrafo 6          c – Parágrafo 7

30. a) tornar as cidades mais verdes, isto é, plantar mais árvores;

b) conservar as cidades mais limpas e saudáveis

c) respirar ar puro (não poluído por fumaças e outros gases poluidores)

d) beber água de verdade, isto é, potável

e) ouvir o silêncio, isto é, acabar com o barulho desnecessário

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ANEXO B  – Pronomes possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relativos.

Vimos no Roteiro n° 20 desta Série, sobre o pronome pessoal e suas íntimas relações com as pessoas do discurso.

Veremos agora, outros tipos de pronomes que também se relacionam com as pessoas do discurso, porém possuem características próprias, que os identificam.

1. PRONOME POSSESSIVO

Observe as frases:

a) Nosso serviço foi útil.

b) Minha caneta está falhando.

c) Tua mãe está aqui.

d) Sua casa é linda.

As palavras em negrito estão acompanhando os substantivos serviço, caneta, mãe, casa, respectivamente. Ao acompanhar os substantivos, essas palavras dão a idéia de posse,  indicando as pessoas gramaticais a quem pertencem os objetos ou com os quais se relacionam. Veja:

Nosso serviço = 1a pessoa do plural (nós)

Minha caneta = 1a pessoa do singular (eu)

Tua mãe = 2a. pessoa do singular (tu)

Sua casa = 3a. pessoa do singular (ele, ela)

No quadro abaixo, apresentamos os pronomes possessivos que estão ligados a cada pessoa gramatical.

Pessoa gramatical Pronomes possessivos

Singular

1a. – eu

2a. – tu

3a. – ele, ela

Meu, minha, meus, minhas

Teu, tua, teus, tuas

Seu, sua, seus, suas

plural

1a. – nós

2a. – vós

3a. – eles, elas

Nosso, nossa, nossos, nossas

Vosso, vossa, vossos, vossas

Seu, sua, seus, suas

Concluímos que:

Pronome possessivo é aquela palavra que dá idéia de posse, concordando com a pessoa, o gênero e o número do substantivo a que se referem.

No Roteiro 20, explicamos sobre o pronome adjetivo e o pronome substantivo. Os pronomes possessivos também possuem essa característica. Veja o exemplo:

Meu livro é melhor que o teu.

Pronome possessivo                        pronome possessivo

com função de adjetivo                      com função de substantivo

Meu está acompanhando o substantivo livro e indicando a quem ele pertence. Teu, além de dar idéia de posse e indicar a quem pertence, também representa o substantivo livro. Isto acontece porque o substantivo não está presente na frase.

Vamos aos exercícios.

A) Identifique os pronomes possessivos com função de substantivo com um traço embaixo e coloque entre parênteses os pronomes possessivos com função de adjetivo.

  1. Seu chapéu é de palha e o meu é de pano.
  2. Sua voz está rouca.
  3. Meus livros de história estão emprestados.
  4. A tua coleção de discos está completa?
  5. Nossas opiniões não combinam.
  6. Aquele é o meu professor de Matemática.

_______________________________________________________________

GABARITO

  1. (Seu) chapéu é de palha e o meu é de pano.
  2. (Sua) voz está rouca.
  3. (Meus) livros de história estão emprestados.
  4. A (tua) coleção de discos está completa?
  5. (Nossas) opiniões não combinam.
  6. Aquele é o (meu) professor de Matemática.

________________________________________________________________

2. Uso do Pronome Possessivo.

Ao utilizarmos os pronomes possessivos relacionados à 3a. pessoa (seu, sua, seus, suas) é necessário termos em mente a clareza da mensagem. Observe a frase:

João disse a Carlos que seu carro ia para a oficina.

Nesta frase, temos o pronome possessivo “seu”, que se refere a 3a. pessoa (ele), mas não está claro quem é o dono do carro. É de João? É de Carlos?

Nessas construções de frase, o melhor será evitar o uso do pronome possessivo (seu, sua, seus, suas) por causa da ambiguidade que provoca. Melhor será dizer:

O carro de João foi levado para a oficina, o que foi informado a Carlos.

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ANEXO C – PRONOME DEMONSTRATIVO

Vamos agora estudar sobre outro tipo de pronome. Primeiro, leia o texto abaixo:

Mário e Raul estão na lanchonete da escola. Mário olha para a rua e vê, do outro lado da calçada, seu professor. Ele diz para o amigo:

– Olhe, aquele é o meu professor de Matemática. Ele é muito bom professor!

– O meu também é muito bom! responde Raul.

– Quem é ele?

Raul chegou mais perto de Mário e falou baixinho:

– É esse aqui ao lado!

O objeto do nosso estudo está nas frases:

  1. Olhe, aquele é o meu professor de Matemática.
  2. É esse aqui ao lado!

Mário está falando de uma pessoa que está longe dele e do seu amigo. A palavra “aquele” identifica de qual pessoa estão falando e a posição (perto, próximo ou longe) do professor em relação ao lugar onde os amigos estão. O professor encontra-se longe deles, do outro lado da calçada.

Na frase: “É esse aqui ao lado”, a palavra destacada também identifica uma pessoa, só que ela se encontra próxima dos dois amigos. A essas palavras damos o nome de pronomes demonstrativos. Podemos concluir que:

Pronome demonstrativo é a palavra que identifica o substantivo demonstrando a posição deste, no tempo e no espaço, em relação à pessoa que fala (eu/nós).

No quadro abaixo, apresentamos as formas usuais do pronome demonstrativo.

Pronomes demonstrativos
variáveis Invariáveis
masculino feminino

isto

isso

aquilo

Sing. Plural Sing. plural
1. este

2. esse

3. aquele

estes

esses

aqueles

esta

essa

aquela

estas

essas

aquelas

Podemos estabelecer que:

  1. este(s), esta(s), isto indicam o tempo presente e o que está perto da pessoa que fala.

Ex: Esta noite vou dormir sossegada.

Estes lençóis estão sujos.

Quem colocou isto aqui?

2. esse(s), essa(s), isso indicam o tempo passado ou futuro não muito distante e o que está próximo da pessoa que fala.

Ex: “Esses seus cabelos brancos, bonitos, esse seu olhar tão puro” (Roberto Carlos, cantor brasileiro)

Isso foi dito para interromper o tumulto que se formou na sala.

3. aquele(s), aquela(s), aquilo indicam um afastamento considerável (longe) no tempo e no espaço em relação à pessoa que fala.

Ex: Aquele ano foi de muito trabalho e fadiga.

Aquele prédio está abandonado.

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Vamos exercitar.

1) Identifique os pronomes demonstrativos existentes nas frases, classificando-os em pronomes demonstrativos substantivos ou pronomes demonstrativos adjetivos.

a) Este livro é meu. De quem é aquele?

b) Aquela bicicleta é minha.

c) Isso é seu?

d) Aquilo não foi correto.

e) Aquele menino é filho da Lúcia.

f) Aquelas árvores embelezam a rua.

2) Preencha as lacunas com o pronome demonstrativo adequado, de acordo com a situação em cada frase:

a) Você está estudando com outro colega e precisa usar a borracha que está com ele. Você dirá: empreste-me ________ borracha (esta, essa, aquela)

b) Você está trabalhando com uma tesoura. Ao referir-se a ela, você dirá:_______ tesoura está enferrujada. (esta, essa, aquela)

c) Você e Lúcia estão precisando consultar alguns livros que estão guardados em outra sala. Você pede: Lúcia, por favor, vá pegar ________ livros de Língua Portuguesa. (estes, esses, aqueles)

d) Lúcia volta com os livros, dizendo: _______ vão nos ajudar bastante. (estes, esses, aqueles)

_____________________________________________________________

GABARITO

1. a) este – pronome demonstrativo adjetivo              aquele – pronome demonstrativo substantivo

b) aquilo – pronome demonstrativo substantivo

c) aquela – pronome demonstrativo adjetivo

d) isso – pronome demonstrativo substantivo

e) aquele – pronome demonstrativo adjetivo

f) aquelas – pronome demonstrativo adjetivo

2) a. essa     b. esta       c. aqueles      d. estes

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ANEXO D – PRONOMES INDEFINIDOS

Os pronomes indefinidos se relacionam com a 3a. pessoa do discurso (aquela de quem se fala) e expressam a idéia de indefinição, indeterminação, imprecisão. Veja os exemplos:

  1. Ninguém sabe a resposta, não é?
  2. Certas pessoas falam demais.
  3. Alguém quer falar com você.

As palavras em destaque são pronomes indefinidos porque não dizem exatamente quem são as pessoas a quem se referem: quem é ninguém, certas ou alguém?

O pronome indefinido também assume o papel de substantivo. Veja o exemplo:

–        Nenhuma criança compareceu à aula.

–        Nenhuma mesmo?

Na primeira frase “nenhuma” acompanha o substantivo “criança”; é, portanto um pronome adjetivo. Na segunda frase, “nenhuma” representa o substantivo “criança”; é, um pronome substantivo.

Apresentamos abaixo, os principais pronomes indefinidos:

Variáveis Invariáveis
Algum, alguns, alguma(s)

Nenhum, nenhuns, nenhuma(s)

Todo(s), toda(s)

Outro(s), outra(s)

Muito(s), muita(s)

Pouco(s), pouca(s)

Certo(s), certa(s)

Vário(s), vária(s)

Tanto(s), tanta(s)

Quanto(s), quanta(s)

Qualquer, quaisquer

Alguém

Ninguém

Tudo

Nada

Cada

algo

É preciso ter em mente o conceito de pronome indefinido porque a mesma forma (palavra) pode assumir o papel de substantivo, pronome, adjetivo, advérbio, dependendo de como aparece na frase. Veja os exemplos:

Certas(1) pessoas não chegam na hora certa(2), mas em certas(3) horas.

Em (1) e (3) a palavra “certas” é um pronome indefinido; em (2) é um adjetivo (está qualificando a palavra hora).

LOCUÇÃO PRONOMINAL INDEFINIDA

São expressões que equivalem a um pronome indefinido. As principais são:

Cada um, cada qual, alguma coisa, qualquer um, quem quer que, o que quer, seja quem for, seja qual for, a maior parte, a maioria.

O USO DO PRONOME INDEFINIDO NAS OBRAS LITERÁRIAS

Vários escritores da Língua Portuguesa souberam usar com maestria esta característica do pronome indefinido. Veja o trecho abaixo, da obra “Auto da Lusitânia” (1532), de Gil Vicente, autor português do período Humanista da Literatura Portuguesa, onde ele utiliza o pronome “todo” e “ninguém” para designar personagens e faz um trocadilho interessante. (“Auto” eram peças teatrais onde os personagens representavam tipos sociais e Gil Vicente criou uma galeria formidável de personagens. Para saber mais, visite o site www.passeiweb.com ).

“Todo o Mundo – Folgo muito de enganar / E mentir nasceu comigo

Ninguém             – Eu sempre verdade digo / Sem nunca me desviar.

(Belzebu para Dinato)

Belzebu                 – Ora escreve lá, compadre, / Não sejas preguiçoso!

Dinato                 – Quê?

Belzebu                – Que Todo o Mundo é mentiroso /  E Ninguém diz a verdade.”

_______________________________________________________________________

Vamos exercitar.

1) Consulte o quadro dos pronomes indefinidos e preencha as lacunas com os pronomes adequados.

a) Batem à porta. Deve ser ___________ que tem fome ou frio.

b) Na vida _________ passa.

c) _________ coisa lhe aconteceu?

d) _________ está errado?

e) Estarei a sua disposição a ____________ hora.

f) ________ fizeram o que pedi.

2) Reescreva as frases, substituindo os pronomes indefinidos grifados por outros de sentido contrário:

a) Pedi pouco açúcar, mas você colocou muito.

b) Na sala há muitas alunas.

c) Nada me desanima.

d) Alguém me contou tudo.

3) Preencha as lacunas das frases com a forma singular ou plural do pronome indefinido QUALQUER:

a) Com a fome que estou, _____________ comida é saborosa.

b) Em ____________ lugar a gente encontra criança carente.

c) Procure-me para _______________ informações complementares.

d) Não traga um doce ____________, pois seu irmão é exigente.

e) Não posso aceitar _____________ argumentos sem comprovação.

f) Por você enfrentarei ______________ obstáculos.

g) Não pesam sobre ela ______________ suspeitas ou acusações.

_________________________________________________________________

GABARITO

Questão 1:        a) alguém       b) tudo     c) alguma     d) Algo/tudo/nada     e) qualquer/toda     f) Todos/todas

Questão 2.

a) Pedi muito açúcar, mas você colocou pouco.

b) Na sala há poucas alunas.

c) Tudo me desanima.

d) Ninguém me contou nada.

Questão 3.    a) qualquer    b) qualquer     c) quaisquer     d) qualquer     e) quaisquer    f) quaisquer     g) quaisquer

___________________________________________________________

ANEXO E – PRONOMES INTERROGATIVOS

Pronomes interrogativos são aqueles usados para formular perguntas diretas ou indiretas. Veja os exemplos:

1. Quem chegou?                          2. Que livro preferes?

3. Diga-me quem chegou.         4. Perguntou-me que livro prefiro.

As frases acima, embora de estrutura diferente, são perguntas. As duas primeiras, chamadas de interrogação direta são marcadas pelo ponto de interrogação (?); a 3 e 4, chamadas de interrogação indireta são marcadas pelo ponto (.). Podemos afirmar que os pronomes interrogativos podem ser usados tanto na interrogação direta quanto na indireta.

No quadro abaixo, apresentamos os pronomes interrogativos e suas características:

Invariáveis

Variáveis

que

quem

Só em número

Em gênero e número

qual – quais

quanto – quantos

quanta – quantas

Observações:

1. O pronome interrogativo também pode ser antecedido da palavra “o”.

Ex: O que aconteceu com você?

2. Os pronomes interrogativos podem ser usados em frases exclamativas para expressar surpresa, admiração, revolta.

Ex: Quem diria! Era ele o ladrão.

Que beleza de vestido!

Qual queridinha, qual nada! Você tem é de se explicar!

___________________________________________________

Exercícios.

1. Sublinhe e classifique os pronomes existentes nas frases.

a) Minha filha mora na França.

b) A Bíblia contem todos os ensinamentos morais.

c) Façamos nossas orações.

d) Isto é desagradável!

e) Aquele livro é ótimo.

f) Nenhum aluno foi reprovado.

g) Respeita teus superiores.

h) Quem chegou mais cedo?

i) Diga-me quem esteve aqui.

j) Quantos livros já compraste?

2. Relacione os pronomes grifados nas frases com a classificação dada:

1 – Pronome demonstrativo

2 – pronome possessivo

3 – pronome indefinido

4 – pronome interrogativo

5 – pronome de tratamento

6 – pronome pessoal

a. Meu (   ) caderno está todo (    ) rasgado.

b. Aquela (   ) moça está chamando você (   ).

c. Teus (   ) exercícios estão certos.

d. Alguém (   ) chegou antes de mim (   ).

e. Nossos (   ) professores já estão aqui.

f. Todos (   ) falam, mas ninguém (   ) se entende.

g. Esses (   ) alunos estão bastante adiantados.

h. Seus (   ) filhos já saíram.

i. Todos (   ) aprenderam a lição.

j. Quem (   ) ainda não fez o exercício?

__________________________________________________________________

GABARITO

Questão 1.

a) Minha filha mora na França. Pronome possessivo

b) A Bíblia contém todos os ensinamentos morais. Pronome indefinido

c) Façamos nossas orações. Pronome possessivo

d) Isto é desagradável! Pronome demonstrativo

e) Aquele livro é ótimo. Pronome demonstrativo

f) Nenhum aluno foi reprovado. Pronome indefinido

g) Respeita teus superiores. Pronome possessivo

h) Quem chegou mais cedo? Pronome interrogativo

i) Diga-me quem esteve aqui.      me – pronome pessoal oblíquo;    quem – Pronome interrogativo

j) Quantos livros já compraste? Pronome interrogativo

Questão 2.

a. Meu (  2 ) caderno está todo (  3 ) rasgado.

b. Aquela (  1 ) moça está chamando você ( 5  ).

c. Teus (  2 ) exercícios estão certos.

d. Alguém ( 3  ) chegou antes de mim (  6 ).

e. Nossos (  2 ) professores já estão aqui.

f. Todos (  3 ) falam, mas ninguém (  3 ) se entende.

g. Esses ( 1  ) alunos estão bastante adiantados.

h. Seus ( 2  ) filhos já saíram.

i. Todos ( 3  ) aprenderam a lição.

j. Quem ( 4  ) ainda não fez o exercício?

_______________________________________________________

ANEXO F – PRONOME RELATIVO

Esses pronomes são assim chamados porque se referem a um termo que vem antes deles – o termo antecedente. Ex:

“Eu sou a mosca que pousou na sua sopa.” (Raul Seixas)

Na frase, o “que” se refere, se relaciona à palavra “mosca”. Por isso é chamado de pronome relativo.

Apresentamos abaixo os pronomes relativos:

VARIÁVEIS

INVARIÁVEIS

masculino

feminino

singular

plural

singular

plural

(o) qual

cujo

quanto

(os) quais

cujos

quantos

(a) qual

cuja

quanta

(as) quais

cujas

quantas

Que

Quem

Onde

O pronome “onde”, quando antecedido das preposições “a” e “de”, aglutinam-se com elas, produzindo as formas:

De + onde = donde         a + onde = aonde

Ex: A casa aonde vou fica muito longe daqui. ( para a qual )

O lugar donde venho não tem telefone. ( de + o qual )

1. COMO RECONHECER PALAVRAS COM A MESMA FORMA, MAS DE CLASSE GRAMATICAL DIFERENTE.

a) Que = pronome relativo     X     que = conjunção

É preciso não confundir o “que” – pronome relativo com o “que” – conjunção. É a mesma forma, porém com funções e características diferentes.

O “que” será pronome relativo quando, na frase, puder ser substituído por “o qual” ou “a qual”, sem prejuízo do sentido da frase. Caso contrário, estamos diante de uma conjunção. A conjunção será objeto de estudo mais adiante.

Ex. “O anel que tu me deste era fino e se quebrou; o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou.” (cantiga de roda popular)

Quero que você venha comigo. (este que não pode ser substituído por “qual”, portanto não é um pronome relativo)

b) onde = pronome relativo     X    onde = advérbio de lugar

O mesmo cuidado devemos ter com a palavra “onde” – pronome relativo e “onde” – advérbio de lugar. Veja os exemplos:

  1. A casa onde moro é grande. (podemos substituí-lo por “na qual”, portanto é pronome relativo)
  2. “Tão longe, de mim distante, onde está, onde está teu pensamento?” (este onde não pode ser substituído por “o qual”)

Observe que na 1a frase, o “onde” se refere à palavra “casa”, que o antecede. Já na 2a frase, não existe nenhuma palavra com a qual o “onde” se relacione, se refira diretamente.

A palavra “qual” é genuinamente um pronome relativo, por isso, todas as vezes que você tiver dúvida sobre a classificação do “que” e “onde” que aparecerem nas frases, aplique o recurso da substituição para se certificar se é pronome relativo ou não.

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AUTO-AVALIAÇÃO

A. Classifique os pronomes destacados no período abaixo. Para melhor identificação de sua resposta os pronomes estão numerados:

O guia que(1) te(2) destinaram conhece muito bem nossa(3) cidade. Ele(4) te(5) levará a qualquer(6) lugar que(7) pedires. Quem(8) poderia desejar melhor companhia? Sabes o(9) que(10) disseram os(11) que(12) foram ciceroneados por ele(13)? Todos(14) quantos(15) tiveram este(16) jovem como guia elogiaram seus(17) conhecimentos históricos.

B. Informe se o pronome destacado é substantivo ou adjetivo:

1. Encontrei nosso companheiro de infância. ______________________

2. Enviamos tudo pelo correio. _________________________________

3. Aquelas terras são improdutivas. _____________________________

4. Alguém acaba de chegar. ___________________________________

5. Certas pessoas são inconvenientes. ___________________________

C. Coloque nas lacunas os pronomes demonstrativos adequados: este, esse, aquele, fazendo a concordância correta.

1. José de Alencar e Castro Alves foram os que mais sobressaíram na época romântica da Literatura Brasileira; ______________ , na prosa; _______ na poesia.

2. Guarde bem _________ palavras que acabo de dizer.

3. _________ mala que trago comigo pertence ao Fernando.

4. Anote ________ recomendação: fechar o portão às dez horas.

D. Classifique as palavras em destaque usando o seguinte código:

1 – artigo        2 – pronome      3 – numeral

1. Resolveu arrumar um(   ) parceiro para as(   ) aulas de dança de salão.

2. Dos três rapazes apenas um(   ) concordou em dançar com ela.

3. Levou-a(   ) para o(   ) centro do salão; todos os(   ) observavam, esperando um(   ) passo mais ousado.

4. Um(   ) ou outro amigo parava para um(   ) breve descanso; em seguida voltavam ao embalo da música.

5. Tocaram muitas, mas apenas uma(   ) agradou a todos os bailarinos.

6. Não quero ouvir o(   ) disco que está na estante, mas o(   ) que ficou no armário do quarto.

7. Mandei-a(   ) sair.

E. O texto abaixo apresenta pronome relativo empregado inadequadamente. Faça o que se pede:

1. Diga em que consiste essa inadequação.

2. Reescreva o texto, tornando-o mais claro.

LIXEIRO É MORTO POR PEGAR DOCE COM A MÃO

“O lixeiro Olívio Martinho de Souza foi morto com dois tiros nas costas anteontem por ter posto a mão em um doce em uma lanchonete que não ia comprar. O assassino seria o dono da lanchonete Vinícius Gennari, 65 anos, que, segundo a policia, estava foragido até a noite de ontem.”     (Folha de São Paulo).

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GABARITO

Atribua 2 pontos para cada acerto nas questões A, B, C, D.  Para a questão E, atribua 10 pontos para cada acerto. Se você alcançou 80 pontos, considere-se aprovado neste assunto. Caso contrário, siga as orientações das Atividades Suplementares.

Questão A.

1. pronome relativo                    2. Pronome pessoal oblíquo        3. Pronome possessivo           4. pronome pessoal reto

5. Pronome pessoal oblíquo    6. Pronome indefinido                 7. pronome relativo                   8. Pronome interrogativo

9. Pronome demonstrativo     10. pronome relativo                     11. Pronome demonstrativo    12. Pronome relativo

13. pronome pessoal reto        14. Pronome indefinido               15. Pronome relativo                 16. pronome demonstrativo

17. Pronome possessivo

Questão B.

1. Pronome adjetivo        2. Pronome substantivo    3. Pronome adjetivo        4. Pronome substantivo       5. pronome adjetivo

Questão C.

1. aquele; este        2. estas        3. Esta        4. Esta

Questão D.

1. Resolveu arrumar um( 3 ) parceiro para as( 1 ) aulas de dança de salão.

2. Dos três rapazes apenas um3 ) concordou em dançar com ela.

3. Levou-a( 2 ) para o 1 ) centro do salão; todos os2 ) observavam, esperando um 3 ) passo mais ousado.

4. Um( 2 ) ou outro amigo parava para um( 3 ) breve descanso; em seguida voltavam ao embalo da música.

5. Tocaram muitas, mas apenas uma3 ) agradou a todos os bailarinos.

6. Não quero ouvir o( 1 ) disco que está na estante, mas o( 2 ) que ficou no armário do quarto.

7. Mandei-a2 ) sair.

Questão E.

  1. Na frase: “… ter posto a mão em um doce em uma lanchonete que não ia comprar.”, a inadequação consiste na colocação errada do “que”, causando a interpretação dúbia  da frase: o homem não ia comprar o doce ou não ia comprar a lanchonete? O “que”, neste caso, refere-se ao doce e não à lanchonete.
  2. A melhor construção do texto seria:

O lixeiro Olívio Martinho de Souza foi morto com dois tiros nas costas por ter posto a mão em um doce que não ia comprar, em uma lanchonete.

Outras alternativas podem ser usadas, desde que fique claro o não pagamento do doce pelo lixeiro.

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LEITURA PARA REFLEXÃO

OS PRONOMES NO CONGRESSO

No Congresso, o senador Jorge Bornhausen, recorrendo a clássica violência verbal (“cale a boca!”), impôs silêncio a Luiz Francisco de Souza, Procurador da República.

O incidente desconcertou os presentes, deixando perplexos também aqueles que ouviram ou assistiram ao episódio, transmitido pelo rádio e pela televisão, ou leram notícias e comentários em jornais e revistas. O público sempre soube que Luiz Francisco de Souza não tem papas na língua. E nem na escrita. Frequentemente acossa altas figuras, fazendo graves denúncias.

Língua viva, este o nosso assunto. A língua pode ser afiada, comprida, venenosa, de palmo, de trapo, de sogra, negra, suja, viperina, etc. O interlocutor, achando insuportável a fala do outro, pode ainda recorrer a ordens como “dobre a língua” ou “cale a boca”.

Os parlamentares, porém, servem-se da língua como principal instrumento de trabalho. E sabem que é preferível um contexto em que ninguém receba ordens assim grosseiras. Entretanto, há momentos em que as regras de cortesia, no calor da hora, tomam o rumo da cucuia. Cucuia, aliás, é variante que se consolidou como norma.

A expressão “ir para a cucuia” nasceu de Cacuia, antigo cemitério na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. É o equivalente urbano ou suburbano do “fim da picada”, caminho aberto a facão, na selva. Quando termina a picada, o jeito é voltar, pois o caminho terá ido para a cucuia. No caso das discussões exaltadas, voltar ao bom senso.

Os habituais pronomes de tratamento, de tanta delicadeza no português, ainda mais no recinto onde aconteceu o bate-boca, não satisfizeram as duas ilustres personalidades. Outrora os dois já foram meninos. E caso tivessem aquele tipo de comportamento em casa, na escola ou na rua, provavelmente educadores – usualmente, pais, irmãos, vizinhos ou amigos – tratariam de admoestá-los. E o que diriam? Provavelmente as recomendações seriam as seguintes: “não é assim que se faz”, “respeite seu amiguinho”, “papai do céu não gosta”, enfim algumas formas fixas que a tradição luso-brasileira consagrou ao longo dos séculos e para as quais outras culturas, incluindo a de índios e negros, deram sutis e complexas contribuições, ensinando que o convívio requer o respeito mútuo.

Vindos da Península Ibérica, influenciados pela Igreja e pelas Cortes, os pronomes de tratamento chegaram ao Brasil, sobreviveram à queda da Monarquia e chegaram à República. Uns poucos feneceram, como é o caso de Vossa Alteza e Vossa Majestade. Outros, muito mais estranhos aos tempos republicanos, como Magnífico, para qualquer reitor, continuaram. Ou a abreviatura de Vossa Santidade, que uma instituição de crédito, por desconhecer as sutilezas do tratamento pronominal, já usou em centenas de agências, certa de que estava abreviando Vossa Senhoria.

Entre os políticos tem prevalecido pronomes que espelham respeito e consideração, de que são exemplos Vossa Excelência, Sua Excelência, Vossa Senhoria, o senhor. O senhor presidente, o senhor ministro, a senhora ministra, o senhor deputado, a senhora deputada, a senhora secretária, eis outros modelos fixos de redobradas cortesias. Até doutor, madame e amigo foram deslocados para a segunda pessoa. Eis alguns flagrantes de falas corriqueiras: “O amigo aceita um café?” , “A madame não se preocupe, o motorista deixará o pacote onde a senhora quiser.” , “Encho o tanque, doutor?”

Às vezes, no Congresso, elegantes pronomes de tratamento entram em recesso, substituídos por ameaças verbais e dedos em riste. Menos mal que sejam os pronomes e não o Senado e a Câmara que entrem em recesso. Antes parlamentares exaltados que parlamentares silenciados, calados à força.

(Deonísio da Silva, A Língua Nossa de Cada Dia. Novo Século Editora, Osasco, SP, 2007)

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