GramáticaNoções de Sintaxe

SINTAXE 4 – O PREDICADO

By 12 de setembro de 2010 4 Comments

NOÇÕES DE SINTAXE – ROTEIRO Nº 4

1 – TEMA: Predicado: nominal, verbal e verbo nominal.

2 – PRÉ-REQUISITO:

. Ler com compreensão.

. Ter concluído com êxito, o estudo dos Roteiro 1, 2 e 3 desta Série.

. Ter conhecimento básico das classes de palavras, estudadas na Série Noções de Morfologia (www.portuguesirado.com)

3 – META: Ao concluir o estudo deste Roteiro, o aluno deverá ser capaz de:

. interpretar textos

. identificar o predicado da oração, classificando-o;

. identificar o núcleo do predicado

4 – ATIVIDADES DE ESTUDO: Ler com entendimento é pré-requisito para se aprender qualquer coisa atra­vés da leitura. Por isso, leia o texto do Anexo A para treinar sua interpretação. Embora a leitura dos anexos em si seja também interpretação de texto, ela é voltada para uma finalidade mais específica que é a apren­dizagem dos conceitos gramaticais. O texto do Anexo A é mais genérico e serve de treinamento para a compreensão geral da língua. Portanto, faça o seguinte:

a) Tenha um dicionário de Português ao seu alcance, para consultá-lo sobre as palavras que você desco­nhece o significado;

b) Procure um lugar sossegado para os textos e fazer os exercícios;

c) Leia primeiro o texto; faça em seguida os exercícios; compare suas respostas com o gabarito e veja o que errou; retorne ao texto para verificar o porquê do erro.

5 – PÓS-AVALIAÇÃO: Após ter feito o estudo dos textos e os exercícios, responda às questões propostas na Auto-avaliação. Creio que você agora, acertará todas. Caso isso não aconteça, consulte as orientações dadas nas Atividades Suplementares.

6 – ATIVIDADES SUPLEMENTARES: Se você não conseguiu alcançar 80 pontos na Pós-avaliação, volte à leitura dos textos, agora com mais atenção. Sem pressa. A leitura com compreensão é a base da aprendi­zagem.

___________________________________________________________________

ANEXO A – Interpretação de texto.

A BARBA DO FALECIDO

1.          Aconteceu em Jundiaí. Orozimbo Nunes estava passando mal e foi internado pela família no Hospital São Vicente de Paula, para tratamento. Orozimbo tem muitos parentes, é muito querido e tem uma filha que cuida dele. Foi a filha, aliás, que internou Orozimbo.

2.         Anteontem telefonaram para a filha de Orozimbo Nunes. Era do hospital e a notícia dada foi lamentável. Orozimbo tinha abotoado o paletó – como dizem os irreverentes. Isto é, tinha posto o bloco na rua, como dizem os superirreverentes, comparando  enterro a bloco carnavalesco. Enfim, Orozimbo tinha morrido. A filha de Orozimbo que fizesse o favor de aguardar, porque lá do hospital iam fazer o carreto, ou seja, iam mandar o defunto a domicílio.

3.         A filha do extinto caiu em prantos e convocou logo os parentes. Conforme ficou ditto acima, Orozimbo era muito querido. Veio parente da capital, veio parente de Minas, parente do Rio, enfim, Jundiaí ficou assim de parente de Orozimbo. As providências para o velório foram logo tomadas, gastou-se dinheiro, compraram-se flores. Estava um velório legal se não faltasse um detalhe: não havia defunto.

4.          O corpo de Orozimbo não tinha chegado. A família ligou para o hospital e reclamou. Tinha saído no expresso-rabecão das seis – informaram. E, de fato, pouco depois Orozimbo (à sua revelia) chegava. Puseram o embrulho lá dentro, houve aquela choradeira regulamentar e, na hora de desembrulhar para preparar o cadáver, alguém notou que a barba de Orozimbo crescera.

5.          – Ele estava tão doente que nem podia fazer a barba – comentou um dos que ajudavam, com a filha de Orozimbo, que esperava lá fora.

6.          A filha de Orozimbo estanhou a coisa. Entregara Orozimbo doente, é verdade, mas Orozimbo chegara ao hospital perfeitamente escanhoado e não dava tempo de a barba ter crescido assim tão depressa.

7.          – A barba tá muito grande? – perguntou a filha de Orozimbo.

8.          Estava. Estava que parecia barba de músico da Bossa-Nova. Aí a moça desconfiou e foi conferir. Simplesmente não era Orozimbo. Tinham trocado as encomendas, e talvez naquele momento, outra família, noutro local, estivesse choramdo o Orozimbo errado. Mais que depressa ligaram para o Hospital São Vicente de Paula e reclamaram contra a ineficiência do serviço de entregas rápidas.

9.          Nova verificação, para se saber qual era o embaraço, e a direção do eficiente nosocômio descobriu que Orozimbo nem sequer morrera. Não houvera uma troca de cadáveres, mas uma troca de fichas. O que morrera não era Orozimbo, era um barbadinho anônimo. Orozimbo estava lá, vivinho e, por sinal, passando muito melhor. Podia até ter alta, assim que desejasse.

10.          Claro, parou a bronca, e a raiva contra o desleixo transformou-se em pungente alegria. A família foi buscar Orozimbo (depois de devolver o barbicha, naturalmente) e o contentamento foi geral, em receber de volta aquele que já fora pranteado por antecipação e para o qual já tinham feito aquela vasta despesa para o enterro. Não sei se é verdade, mas dizem que a família, em sinal de regozijo pela volta de Orozimbo e também para aproveitar o que sobrara das despesas, ofereceu aos amigos um velório-dançante.

(STANISLAW PONTE PRETA. Garoto Linha Dura. 3ª Edição, Editora Sabiá, Rio de Janeiro, 1968)

Após a leitura  do texto, respondas às questões abaixo.

1. Ao saber do falecimento de Orozimbo, a filha chorou, como era de se esperar, e imediatamente:

a. (   ) foi ao hospital conferir o fato

b. (   ) comunicou o fato aos parentes

c. (  )providenciou os serviços funerais

d. (   ) preparou a casa para o velório

2. Segundo os dicionários, velório significa passar  noite em claro na sala onde está exposto um morto. De acordo com o texto, podemos entender que o velório:

a. (   ) aconteceu por pouco tempo

b. (   ) começou com a chegada do defunto

c. (   ) terminou com a descoberta do erro

d. (   ) não chegou realmente a acontecer

3. Os parentes de Orozimbo comentaram o tamanho da barba do falecido com a filha e, então, ela se admirou. Por quê?

4. O narrador diz que “talvez naquele momento, outra família, noutro local, estivesse chorando o Orozimbo errado” (parág. 8). Analisada a situação, haveria essa possibilidade?   Sim (   )           não (   )            Justifique sua resposta.

5. Embora Orozimbo estivesse vivo, a família teve despesas com o velório. Na sua opinião, a quem cabe a culpa por essa despesa inútil? E por quê?

6. O narrador informa de modo irreverente que: “Orozimbo tinha abotoado e paletó” e “posto o bloco na rua” (parág. 2). Reescreva a frase dentro do português padrão.

7. Localize no texto e transcreva para os espaços uma palavra que tenha o mesmo significado de:

a) pormenor, particularidade: ________________________

b) deficiência, inutilidade: ___________________________

c) hospital: _______________________________________

d) negligência, descuido: ____________________________

e) comovente, incitante: _____________________________

f) chorado, lamentado: ______________________________

g) alegria, contentamento: ___________________________

8. Antigamente, dava-se o nome de rabecão ao contrabaixo (instrumento musical semelhante do violino, porém muito maior). No texto rabecão tem outro significado. Qual é? _____________________

____________________________________________________________________________

GABARITO

1. b     2. D

3. A barba não poderia ter crescido tanto em tão poucos dias e a filha ficou admirada porque ainda não tinha visto o defunto.

4. Não. Porque só havia um defunto.

5. Há duas possibilidades de culpados:

a) A família de Orozimbo, que não esperou o defunto chegar para se certificar do falecimento

b) A direção do hospital, que deu a informação errada à família.

6. Orozimbo  tinha falecido (ou morrido)

7. a) detalhe – parágrafo 3

b) ineficácia – parágrafo 8

c) nosocômio – parágrafo 9

d) desleixo – parágrafo 10

e) pungente – parágrafo 10

f) pranteado – parágrafo 10

g) regozijo – parágrafo 10

8. Carro fúnebre.

___________________________________________________________

ANEXO B – PREDICADO

Nos Roteiros 2 e 3, estudamos sobre o sujeito, que é um termo essencial da oração. Aqui veremos o outro termo essencial: o predicado. Vimos que pode haver oração sem sujeito, mas nunca oração sem predicado.

Para se identificar quais palavras compõem o predicado, basta retirar o sujeito da oração; o que sobrar será o predicado. Veja:

1. “A fome persistia gravíssima na terra.” (Gênesis 43:1)

sujeito simples – a fome                         predicado – persistia gravíssima na terra

2. “Vós sois a luz do mundo.” (Mateus 5:14)

sujeito simples – vós                               predicado – sois a luz do mundo

3. “… choveu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.” (Gênesis 7:12)

Sujeito – (oração sem sujeito)                 Predicado – choveu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites

O predicado sempre contém o verbo da oração. Vejamos agora como se classifica o predicado.

___________________________________________________________

Exercícios:

Separe o sujeito do predicado e classifique o sujeito:

a) No primeiro dia no Rio de Janeiro, Delfino Montiel quase se afogou.

Sujeito –

Predicado –

b) Ele tinha aprendido a nadar no Rio das Velhas.

Sujeito –

Predicado –

c) Um dos rapazes era um latagão de sorriso simpatico.

Sujeito –

Predicado –

d) Pouco a pouco foram se aproximando os curiosos.

Sujeito –

Predicado –

e) Já bracejava, sem forças, o pobre mineiro.

Sujeito –

Predicado –

___________________________________________________________

GABARITO:

a) No primeiro dia no Rio de Janeiro, Delfino Montiel quase se afogou.

Sujeito simples – Delfino Montiel

Predicado – no primeiro dia no Rio de Janeiro, quase se afogou.

b) Ele tinha aprendido a nadar no Rio das Velhas.

Sujeito simples – ele

Predicado – tinha aprendido a nadar no Rio das Velhas.

c) Um dos rapazes era um latagão de sorriso simpático.

Sujeito simples – um dos rapazes

Predicado – era um latagão de sorriso simpático

d) Pouco a pouco foram se aproximando os curiosos.

Sujeito simples – os curiosos

Predicado – pouco a pouco foram se aproximando

e) Já bracejava, sem forças, o pobre mineiro.

Sujeito simples – o pobre mineiro

Predicado – já bracejava sem forças

_________________________________________________________________

ANEXO C – CLASSIFICAÇÃO DO PREDICADO

1. Predicado verbal

O que caracteriza o predicado verbal é a concentração do sentido da frase no próprio verbo. Veja o exemplo:

“A mulher sábia edifica a sua casa.”(Provérbios 14:1)

No exemplo acima, temos:

Sujeito simples – a mulher sábia                      Predicado – edifica a sua casa

Vemos que o verbo “edifica” concentrou todo o sentido da oração. Sem ele não teríamos como estabelecer uma ligação entre os termos “a mulher sábia” e “a sua casa”. O verbo, nessa oração, exprime uma ação do sujeito. E porque ele (o verbo) é a palavra que possui maior peso significativo, é considerado o núcleo do predicado. E quando o verbo é o núcleo do predicado dizemos que este predicado é verbal. Veja outro exemplo:

“Jesus chorou.”(João 11:35)

sujeito simples Jesus predicado verbal – chorou

Concluímos que:

Quando o verbo é o núcleo do predicado temos um predicado verbal.

2. Predicado nominal

O predicado nominal é caracterizado pelo peso significativo do nome que faz parte dele. Veja o exemplo:

“Os pensamentos dos justos são retos.” (Provérbios 12:5)

Sujeito simples – os pensamentos dos justos                 Predicado – são retos               Núcleo do predicado – retos

No predicado acima, a palavra de maior peso significativo é “retos”. Se retirarmos o verbo, ainda assim conseguiremos estabelecer alguma ligação entre o sujeito ( os pensamentos dos justos ) e “retos”. Neste caso, como o nome (adjetivo) tem maior peso significativo, estamos diante de um predicado nominal. Isto acontece porque estamos nos referindo a uma qualidade dos pensamentos dos justos e não a uma ação. Logo o núcleo será o nome e não o verbo.

Algumas características podem ser identificadas no predicado nominal. Ei-las:

  1. O verbo não expressa ação, movimento.
  2. O verbo é vazio de significado.
  3. A qualidade e o estado são mais importantes que o verbo.
  4. Verbos como ser, estar, andar, ficar, parecer, permanecer, continuar, conhecidos como verbos de ligação, aparecem no predicado nominal. Mas, é preciso estar atento, pois se esses verbos vierem acompanhados de alguma circunstância (advérbio de lugar, de modo, etc.) o predicado será verbal. Ex: O povo está na praia.

O verbo estar indica ação, movimento seguido de uma locução adverbial de lugar: na praia. Nesse caso, o predicado será verbal.

Concluímos que:

Quando o núcleo do predicado é um nome, temos um predicado nominal.

3. Predicado verbo-nominal

Existem orações em que o predicado tem dois núcleos. Veja o exemplo:

“Então morreu Jó, velho e farto de dias.” (Jó 42:17)

Sujeito simples – Jó                   Predicado – então morreu velho e farto de dias.

O predicado, nessa oração exprime:

. o que aconteceu com o sujeito (morreu)

. e o estado do sujeito (velho e farto de dias, então)

Na realidade, esta oração pode ser desdobrada em duas:

1 – Então Jó morreu.                    2 – Jó estava velho e farto de dias.

Na 1ª oração, temos o verbo morrer como núcleo do predicado verbal.

Na 2ª, “velho” e “farto” são palavras de maior significação, portanto são núcleos do predicado nominal.

Como essas duas orações podem ser fundidas em uma só, ao analisarmos sua estrutura teremos:

Sujeito simples – Jó

Predicado verbo-nominal – então morreu velho e farto de dias.

Núcleos do predicado verbo-nominal – morreu, velho, farto

Concluímos que:

Quando o predicado tem como núcleo um verbo e um (ou mais) nome temos um predicado verbo-nominal.

Para descobrirmos se o predicado é verbo-nominal basta observarmos se:

1 – a oração pode ser desdobrada em duas de sentidos independentes, onde uma tem um verbo que exprime ação do sujeito e a outra um verbo que exprime estado, condição do sujeito;

2 – o núcleo das orações separadas for o verbo e o nome (adjetivo).

Vamos, então, resumir para você fixar melhor.

O predicado classifica-se em:

  • Predicado verbal, cujo núcleo é o verbo
  • Predicado nominal, cujo núcleo é o nome (adjetivo)
  • Predicado verbo-nominal, cujo núcleo é o verbo e o nome (adjetivo)

Exercícios:

Sublinhe os predicados e escreva V, para predicado verbal; N para predicado nominal e VN para predicado verbo-nominal:

1. (   ) As estrelas parecem pequenas.

2. (   ) As estrelas estão no céu.

3. (   ) Elas estão no parque.

4. (   ) Os navios estão na baía.

5. (   ) O síndico deu início à reunião.

6. (   ) O síndico estava nervoso.

7. (   ) O síndico retirou-se nervoso da reunião.

8. (   ) Os alunos estavam apreensivos.

9. (   ) O encanador trocou a torneira.

10. (   ) O encanador saiu apressado.

11. (   ) O mar arrebenta na praia.

12. (   ) Não alcancei o ônibus.

13. (   ) Eu estou muito cansado.

14. (   ) As crianças ficam muito alegres no Natal.

15. (   ) Ela está sempre sorridente.

16. (   ) Os rios carregam galhos e troncos.

17. (   ) A menina saiu feliz em direção à escola.

18. (   ) As crianças brincavam alegres no patio.

19. (   ) Os pássaros voaram para a mata assustados.

20. (   ) As meninas cumprimentaram os atletas entusiasmadas.

_______________________________________________________________

GABARITO:

1. (  N ) As estrelas parecem pequenas.

2. (  V ) As estrelas estão no céu.

3. (  V ) Elas estão no parque.

4. (  V ) Os navios estão na baía.

5. ( V  ) O síndico deu início à reunião.

6. ( N  ) O síndico estava nervoso.

7. (  VN ) O síndico retirou-se nervoso da reunião.

8. (  N ) Os alunos estavam apreensivos.

9. (  V ) O encanador trocou a torneira.

10. (  VN ) O encanador saiu apressado.

11. ( V  ) O mar arrebenta na praia.

12. ( V  ) Não alcancei o ônibus.

13. (  N ) Eu estou muito cansado.

14. ( VN  ) As crianças ficam muito alegres no Natal.

15. ( N  ) Ela está sempre sorridente.

16. (  V ) Os rios carregam galhos e troncos.

17. (  VN ) A menina saiu feliz em direção à escola.

18. (  VN ) As crianças brincavam alegres no patio.

19. (  VN ) Os pássaros voaram para a mata assustados.

20. (  VN ) As meninas cumprimentaram os atletas entusiasmadas

__________________________________________________________________

AUTO-AVALIAÇÃO

A. Separe o sujeito do predicado, classifique-os e indique os núcleos de cada um:

1. A lua cheia brilhava no céu.

Sujeito________________:

Núcleo do sujeito:

Predicado _____________:

Núcleo do predicado:

2. Esta moça é bonita.

Sujeito ________________:

Núcleo do sujeito:

Predicado______________:

Núcleo do predicado:

3. Roubaram o meu dinheiro.

Sujeito ________________:

Núcleo do sujeito:

Predicado______________:

Núcleo do predicado:

4. Os colegas chegaram alegres.

Sujeito _____________:

Núcleo do sujeito:

Predicado___________:

Núcleo do predicado:

5. Minha mãe parecia aflita.

Sujeito _____________:

Núcleo do sujeito:

Predicado___________:

Núcleo do predicado:

6. Fez muito frio, naquele inverno.

Sujeito _____________:

Núcleo do sujeito:

Predicado___________:

Núcleo do predicado:

7. Os operários terminaram o serviço safisfeitos.

Sujeito ____________:

Núcleo do sujeito:

Predicado __________:

Núcleo do predicado:

8. A festa estava divertida.

Sujeito ______________:

Núcleo do sujeito:

Predicado____________:

Núcleo do predicado:

9. Todos sorriam comovidos.

Sujeito _______________:

Núcleo do sujeito:

Predicado _____________:

Núcleo do predicado:

10. Os professores já corrigiram as provas.

Sujeito ______________:

Núcleo do sujeito:

Predicado ____________:

Núcleo do predicado:

11. Os alunos estavam apreensivos.

Sujeito ______________:

Núcleo do sujeito:

Predicado ____________:

Núcleo do predicado:

12. As crianças brincavam na praça.

Sujeito ______________:

Núcleo do sujeito:

Predicado ___________:

Núcleo do predicado:

13. Terminamos nossas tarefas.

Sujeito _____________:

Núcleo do sujeito:

Predicado___________:

Núcleo do predicado:

14. A diretora e os professores reuniram-se no refeitório.

Sujeito _____________:

Núcleo do sujeito:

Predicado___________:

Núcleo do predicado:

B. Complete as frases abaixo, escolhendo entre os predicados apresentados aquele que tenham as características pedidas nos parênteses.

1. As flores graciosas ____________________ (predicado verbal)

. enfeitam o vaso

. eram perfumadas

. descansavam tranquilas no vaso.

2. As suas opiniões ________________________ (predicado nominal)

. não me convenceram

. são muito boas

. agradam-me

3. Ninguém ______________________(predicado verbo-nominal)

. sai daqui.

. saiu triste daqui.

. está contente.

4.  O barulho daquela rua __________________ (predicado nominal)

. incomoda os moradores.

. é infernal.

. acabou

5. Aquelas crianças _______________________ (predicado verbo-nominal)

. voltaram sorridentes do passeio

. voltaram do passeio

. são encantadoras

6. Você _______________________________ (predicado verbal)

. estragou minha surpresa

. é uma pessoa gentil

. chegou bastante disposta

7. Ele __________________________________(predicado verbo-nominal)

. recusou meu convite

. era muito simples

. vinha contente pela estrada deserta

8. Seus planos ___________________________(predicado verbal)

. falharam novamente

. eram muito simples

. terminaram desastrados.

_______________________________________________________________

GABARITO – Atribua 01 ponto para cada resposta certa na questão A; e 02 pontos para cada resposta correta na questão B.  Se você conseguiu 80% de acertos, considere-se aprovado neste assunto.

QUESTÃO A.

1. A lua cheia brilhava no céu.

Sujeito simples: a lua cheia

Núcleo do sujeito: lua

Predicado verbal: brilhava no céu

Núcleo do predicado: brilhava

2. Esta moça é bonita.

Sujeito simples: esta moça

Núcleo do sujeito: moça

Predicado nominal: é bonita

Núcleo do predicado: bonita

3. Roubaram o meu dinheiro.

Sujeito indeterminado: (não pode ser identificado na frase)

Núcleo do sujeito; (não existe)

Predicado verbal: roubaram o meu dinheiro

Núcleo do predicado: roubaram

4. Os colegas chegaram alegres.

Sujeito simples: os colegas

Núcleo do sujeito: colegas

Predicado verbo-nominal: chegaram alegres

Núcleo do predicado: chegaram, alegres

5. Minha mãe parecia aflita.

Sujeito simples: minha mãe

Núcleo do sujeito: mãe

Predicado nominal: parecia aflita

Núcleo do predicado: aflita

6. Fez muito frio, naquele inverno.

Sujeito inexistente: verbo fazer indicando fenômeno da natureza não possui sujeito

Predicado verbal: Fez muito frio, naquele inverno

Núcleo do predicado: fez

7. Os operários terminaram o serviço safisfeitos.

Sujeito simples: os operários

Núcleo do sujeito: operários

Predicado verbo-nominal: terminaram o serviço satisfeitos

Núcleo do predicado: terminaram, satisfeitos

8. A festa estava divertida.

Sujeito simples: a festa

Núcleo do sujeito: festa

Predicado nominal: estava divertida

Núcleo do predicado: divertida

9. Todos sorriam comovidos.

Sujeito simples: todos

Núcleo do sujeito: todos

Predicado verbo-nominal: sorriam comovidos

Núcleo do predicado: sorriam, comovidos

10. Os professores já corrigiram as provas.

Sujeito simples: os professores

Núcleo do sujeito: professores

Predicado verbal: já corrigiram as provas

Núcleo do predicado: corrigiram

11. Os alunos estavam apreensivos.

Sujeito simples: os alunos

Núcleo do sujeito: alunos

Predicado nominal: estavam apreensivos

Núcleo do predicado: apreensivos

12. As crianças brincavam na praça.

Sujeito simples: as crianças

Núcleo do sujeito: crianças

Predicado verbal: brincavam na praça

Núcelo do predicado: brincavam

13. Terminamos nossas tarefas.

Sujeito simples (oculto): (nós)

Núcleo do sujeito: não está explícito na frase

Predicado verbal: terminamos nossa tarefas

Núcleo do predicado: terminamos

14. A diretora e os professores reuniram-se no refeitório.

Sujeito composto: a diretora e os professores

Núcleo do sujeito: diretora, professores

Predicado verbal: reuniram-se no refeitório

Núcleo do predicado: reuniram

QUESTÃO B

  1. enfeitam o vaso
  2. são muito boas
  3. saiu triste daqui
  4. é infernal
  5. voltaram sorridentes do passeio
  6. estragou minha surpresa
  7. vinha contente pela estrada deserta
  8. falharam novamente

_______________________________________________________________

LEITURA PARA REFLEXÃO

PORTUGUÊS PARA INGLÊS VER

Nossos governos apregoaram ao longo de décadas avanços impressionantes na guerra contra o analfabetismo. Os leitores da faixa otária deste cronista já devem ter ouvido, visto e lido muitos programas que prometiam levar o Brasil ao analfabetismo zero. Nossa geração não pertence, pois, a nenhuma faixa etária e, sim, a alguma faixa “otária”, pois, à semelhança do que recomendou o apóstolo Paulo, combatendo o bom combate, privamo-nos de muitas coisas e aguardamos que nossos maiorais conduzissem o Brasil a seu glorioso destino. Qual era, mesmo, hein?

Apoiadas em números, várias foram as autoridades que proclamaram ter melhorado a nossa calamitosa situação na Galáxia Gutemberg. E, como sempre acontece com os que se jactam de tudo, brandiram estatísticas para levar à rendição qualquer crítico. Mas eis que de repente, não mais que de repente ou não mais que Vinícius de Moraes, lemos uma notinha perdida num canto de página de um jornal. Num dos mais desenvolvidos Estados da Federação, certa mãe, inconformada com o fato de o filho, pimpolho, rebento ou que outra designação se aplique ao seu galalauzinho, não saber ler, resolve apelar aos tribunais. Que alega a indignada mulher no processo? Que a qualidade do ensino era tal que o adolescente sequer aprendeu a ler e a escrever, passados oito anos nos bancos escolares.

Nosso ano letivo é uma lindeza. Até recentemente tinha apenas 180 dias. Isso mesmo, seis meses, metade do ano. Mas apenas em meio período. O ano tem 365 dias, mas devem ser descontados os sábados, os domingos, os feriados, os dias disso, os dias daquilo, o carnaval, as férias e, claro, como lembrou outro dia Augusto Nunes, os pontos facultativos. Se as escolas dessem aulas durante 90 dias em período integral, já atenderiam ao que prescrevem as leis. Está bom assim? Não. Há mais. O professor tem direito a faltar a 25%. Os alunos, a outros 25%, pois a isonomia e a paridade são bandeiras que jazem levantadas há décadas! Se docentes e discentes combinarem faltar em dias diferentes, com um mês e meio de aula estará cumprido o ano letivo.

Quer dizer, o quadro não é assim em todo o Brasil. Mas vigora em muitos rincões de nossa pátria, sem exagero, um quadro de tintas semelhantes  ao descrito. O ensino fundamental e médio é para inglês ver. E as hordas que destruíram o ensino público nessas esferas investem há anos contra os muros dos campi. O grande milagre educacional brasileiro tem o seu lugar e a sua hora em nossa História. Temos um sistema universitário que se destaca em docência e pesquisa. Mas onde e como? Quantos são os arquipélagos onde reina a qualidade? E até quando? O que sabemos é que são territórios sitiados.

E mesmo onde a qualidade de pesquisa é destaque – nas ciências exatas, por exemplo – a língua portuguesa é tratada a pontapés. Papers substituem artigos, textos, relatórios. Nossa língua apresenta um verdadeiro arsenal de expressões, temos palavras para tudo, mas o latim do império, o inglês, irrompe aqui e ali com uma frequência assustadora, às vezes acompanhado de um séquito de mercenários de outras línguas, pois é chique inserir também algumas prebendas de francês, italiano e – para espíritos mais afeitos ao cult – de alemão ou qualquer outro idioma que não seja o nosso.

Muitos luminares não fazem intervenções em congressos. Fazem colocações. O galináceo com certeza teria melhor desempenho e provavelmente mais pudor, pois as aves fazem suas colocações em ninhos ou granjas, pagando algum tributo ao recato. Proeminentes figuras públicas não pensam sobre alguma coisa. Pensam de quê. “Eu penso de que o companheiro comete um equívoco.”

Nos congressos – ou, quem sabe, nos eventos, pois tudo virou evento – muitas são as estrelas acadêmicas que proferem seus atos de fala num desjeitoso português, repleto de torneados herméticos, que parecem contrariar a proverbial recomendação do velho Chacrinha, o doutor Abelardo Barbosa, que estava com tudo e não era prosa: “quem não se comunica, se trumbica”.

Sim, há vários indícios de que as línguas do Brasil destinam-se, nos casos aludidos, ao velho dito que a tradição consagrou: para inglês ver. A velha frase foi dita pela primeira vez em 1808, quando a família real chegou ao Brasil, então ainda colônia de Portugal. A cidade de Salvador, nossa capital, estava iluminada e Dom João VI comentou que aquela recepção festiva demonstrava aos ingleses, aliados e protetores dos portugueses, que os brasileiros recebiam-no calorosamente. Virou, depois disso, símbolo de burla nacional ou internacional, sempre de grandes proporções, em que são utilizados vistosos aparatos para enganar. Alguns historiadores dizem que a frase pode ter nascido também da fingida vigilância com que os navios brasileiros procuravam navios negreiros. Faziam isso apenas para agradar aos ingleses, que haviam proibido o tráfico de escravos.

Quer dizer, nossos fingimentos são antigos. Proclamamos que a língua oficial do Brasil é uma. Mas como a tratamos? Sendo nossa mãe, patrimônio público, marca de identidade nacional, ferramenta de trabalho, instrumento de cidadania e meio de expressar a nossa vida, merece maiores cuidados. Se nada pudermos fazer por ela, respeitemos pelo menos as relações de parentesco. Afinal, já é antigo o mandamento “honrar pai e mãe”. Do contrário, daremos razão ao Barão de Itararé: “de onde menos se espera, dali mesmo é que não sai nada”.

(Deonísio da Silva. A Língua Nossa de Cada Dia. Novo Século Editora, 2007, Osasco, SP)

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