GramáticaNoções de Morfologia.

TEMA 25 – Noções de Morfologia: advérbios. Locução adverbial. Grau do advérbio.

By 27 de fevereiro de 2011 5 Comments

ROTEIRO N° 25

1 – TEMA: Noções de Morfologia. Advérbios: afirmação, negação, dúvida, intensidade, lugar, modo, tempo. Locução adverbial. Grau do advérbio.

2 – PRÉ-REQUISITO:

  • Ler com compreensão.

3 – META: Ao final do estudo, você deverá ser capaz de:

  • interpretar textos
  • identificar os advérbios e sua classificação

4 – PRÉ-AVALIAÇÃO: O objetivo da pré-avaliação é diagnosticar o quanto se tem conhecimento de um assunto. Para isso, basta que você responda à Auto-avaliação que está no final deste Roteiro, antes de ler qualquer texto existente nele. Se você alcançar um resultado igual ou superior a 80 pontos, não precisa estudar o assunto, pois você já o domina suficientemente. Caso contrário, vá direto para as Atividades de Estudo.

5 – ATIVIDADES DE ESTUDO: Ler com entendimento é pré-requisito para se aprender qualquer coisa através da leitura. Por isso, leia o texto do anexo A para treinar sua interpretação. Embora a leitura dos anexos em si seja também interpretação de texto, ela é voltada para uma finalidade mais específica que é a aprendizagem dos conceitos gramaticais. O texto do Anexo A é mais genérico e serve de treinamento para a compreensão geral da língua. Portanto, faça o seguinte:

a) Tenha um dicionário de Português ao seu alcance, para consultá-lo sobre as palavras que você desconhece o significado;

b) Procure um lugar sossegado para ler os textos e fazer os exercícios;

c) Leia primeiro o texto; faça em seguida os exercícios; compare suas respostas com o gabarito e veja o que errou; retorne ao texto para verificar o porquê do erro.

6 – PÓS-AVALIAÇÃO: Após ter feito o estudo dos textos e os exercícios, responda às questões propostas na Auto-avaliação. Creio que você agora, acertará todas. Caso isso não aconteça, consulte as orientações dadas nas Atividades Suplementares.

7 – ATIVIDADES SUPLEMENTARES: Se você não conseguiu alcançar 80 pontos na Pós-avaliação, volte à leitura dos textos, agora com mais atenção. Sem pressa. A leitura com compreensão é a base da aprendizagem.

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ANEXO A – INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

MAINÁ

1.    Há indivíduos que querem sempre que os outros adivinhem os preços de suas compras. São incapazes de dizer que adquiriram, por exemplo, uma camisa pela bagatela de 15 cruzeiros. Preferem assim:

2.     – Adivinhe por quanto comprei esta camisa.

3.    Se o outro dá um preço aproximado, nada acontece. Se diz um mais alto, eles ficam felizes, sentem-se vitoriosos, porque espertos, e afirmam, com satisfação:

4.     – Muito menos.

5.     Mas se acontece o preço dado ser bem inferior, esses indivíduos se irritam!…

6.   Foi o que sucedeu comigo. Encontrei o Tinoco, num bar. Aliás, nem sei bem se ele é Tinoco ou Tonico. Sempre lhe troco o apelido. Como não se incomoda, venho fazendo a confusão, há muitos anos.

7.    Tonico ou Tinoco tem a mania de passarinho. Seu quintal é o maior viveiro que conheço. E o mundo pode acabar-se, contanto que seus passarinhos escapem…

8.   No encontro, Tinoco ou Tonico podia ter-me dito que comprara um mainá da Ásia por tanto em dinheiro, e, a seguir, normalmente, descrever o pássaro. Figura, porém, entre os que querem que os demais acertem preços. E acabou dificultando nosso entendimento:

9.       – Iolando, adivinhe por quanto comprei um mainá.

10.     Ora, não estou em dia com o mercado de pássaros. Arrisquei um palpite:

11.      – Dois mil cruzeiros.

12.      Jamais fui tão infeliz! Tonico ou Tinoco virou fera. Bateu na mesa e quase me agrediu:

13.     – Você precisa perder a mania de desfazer no que é dos outros.

14.     – Perdão, Tinoco, não tive essa intenção.

15.   – Teve sim. Onde já se viu um mainá asiático por dois mil cruzeiros? Isso é preço de periquito australiano. Nem canário-da-terra custa tão pouco. Que desaforo!

16.      – Desculpe, Tonico.

17.     – Não posso desculpar.

18.    – Mas, Tinoco, eu não entendo de pássaros.

19.    – Vê-se logo que você não entende. Aliás, de que você entende?

20.    – De nada.

21.    – Nota-se.

22.   – Então, não leve a mal, Tonico.

23.   Ele, todavia, continuou irritado:

24.    – Um mainá por dois mil cruzeiros! Pássaro raro da Ásia! Preto e azulado, com o bico e as patas amarelas!

25.     Cometi outra infelicidade:

26.     – Você achou muito ou pouco o preço que eu dei, Tinoco?

27.     Desesperou-se:

28.    – Quer ofender-me?

29.    – Não, Tonico.

30.    – Só pode querer. Está a chamar-me de burro.

31.     – Jamais, Tinoco.

32.    – Mainá é pássaro que fala tal qual o homem. Fala melhor que papagaio. Sua voz se assemelha à nossa. O meu grita o dia todo: “- Pessoal! Penico de barro enferruja?”

33.    – É asiático, mas fala português, Tonico?

34.    – Fala. ………………………………………

35.   – Como poderia custar dois mil cruzeiros? Vá desfazer nos raios que o partam.

36.   Bateu na mesa, mais uma vez. Levantou-se. Bufou. Saiu, furibundo, a resmungar desaforos. E até hoje não sei quanto lhe custou o mainá…

( NESTOR DE HOLANDA. Telhado de Vidro. 2a. Edição, Rio, Cia. Brasileira de Divulgação do Livro)

Responda às questões de acordo com o texto:

1. Por que há certos indivíduos que não dizem o preço de suas compras?

a. (   ) porque desejam esconder o preço

b. (   ) porque querem que os outros o adivinhem

c. (   ) porque pagam muito caro por elas

2. O que acontece se a resposta for um preço aproximado?

3. E se a resposta for um preço mais alto?

4. Quando é que esses indivíduos se irritam?

5. Tinoco ficava furibundo por ser chamado de Tinoco, ou vice-versa?     (   ) sim       (    ) Não

6. Justifique, com uma frase do texto, a resposta dada à questão anterior.

7. Qual era, para Tonico-Tinoco a coisa mais importante do mundo?

8. Justifique a resposta dada à questão anterior, com uma frase do texto.

9. O entendimento entre Tinoco-Tonico e o autor desta história foi dificultado porque:

a. (   ) o autor não entendia de pássaros

b. (   ) Tinoco-Tonico estava furibundo desde o começo do dialogo

c. (  ) Tonico-Tinoco pertencia à categoria dos que não dizem o preço de suas compras e querem que os outros o acertem.

10. Diante do preço sugerido por seu interlocutor, Tonico-Tinoco se refere a duas outras espécies de aves. São ________________  e ______________

11. Tonico-Tinoco aceitou o pedido de desculpas do amigo?       (   ) sim       (   ) não

12. Pelo dialogo que segue ao pedido de desculpas, Tonico-Tinoco insinua que o amigo é:

a. (   ) um grande conhecedor de vários assuntos, exceto de pássaros

b. (   ) um ignorante total

c. (   ) um débil mental

13. Embora asiático, o mainá falava _______________

14. Afinal, Tonico-Tinoco voltou às boas, concordando em dizer o preço do mainá?   (   ) sim       (   )  não

15. Justifique sua resposta com uma frase do texto.

16. Em: “São incapazes de dizer que adquiriam…” (par. 1) a palavra em destaque significa:

a. (   ) lucraram        b. (   ) compraram         c. (   ) angariaram

17. Encontre no texto, a palavra ou expressão que é sinônima de:

a. insignificância ______________________

b. Mas se ocorre _______________________

c. foi o que aconteceu comigo _____________

18. Na expressão: desfazer o contrato, a palavra grifada tem o mesmo sentido de desfazer, usado no texto (par. 13 e 35)?

(   ) sim       (   ) não

Justifique sua resposta.

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GABARITO

  1. b
  2. Nada acontece
  3. Ficam felizes, sentem-se vitoriosos, porque se consideram espertos
  4. Quando o preço dado for bem inferior
  5. Não.
  6. “Como não se incomoda, venho fazendo a confusão há muitos anos
  7. O seu viveiro de pássaros
  8. “E o mundo pode acabar-se, contanto que seus passarinhos escapem.”
  9. C
  10. Canário da terra e periquito australiano
  11. Não
  12. B
  13. Português
  14. Não
  15. “E até hoje não sei quanto lhe custou o mainá.”
  16. B
  17. a) bagatela  (parágrafo 1)

b) Mas se acontece… (parágrafo 5)

c) Foi o que sucedeu comigo… (Parágrafo 6)

18. Não. Desfazer o contrato, significa anular o contrato. Desfazer, no texto, significa depreciar, desmerecer, desvalorizar.

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ANEXO B – O ADVÉRBIO

No Roteiro 11 desta Série, dividimos as classes das palavras em dois grandes grupos: as variáveis e as invariáveis. Estudamos até ao Roteiro 24 sobre as palavras variáveis. Agora veremos as invariáveis, começando pelo ADVÉRBIO.

A Gramática Normativa considera invariável a palavra que não apresenta flexão, isto é, não modifica sua forma através de adicionamento de prefixos ou sufixos ou desinências.

São consideradas como palavras invariáveis: o advérbio, a preposição, a conjunção e a interjeição, por não apresentarem flexão de gênero, número e grau.

Entretanto, temos que informar que alguns advérbios fogem a essa regra por apresentarem condições de serem modificados na sua forma, como veremos adiante. Portanto, fica aqui, a observação de que nem todos os advérbios são invariáveis.

Se alguém nos pedir o conceito de advérbio, podemos informar que:

Advérbio é a palavra que agrega informação ao verbo, ao adjetivo e a outro advérbio para exprimir circunstâncias ou intensidade de uma qualidade.

Ex: Cheguei cedo.

A palavra cedo acrescentou ao verbo uma informação: não apenas cheguei, mas cheguei antes do previsto.

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ANEXO C – CLASSIFICAÇÃO DO ADVÉRBIO

Os advérbios são classificados de acordo com a circunstância que expressam. Os mais comuns são:

1. de afirmação: sim, certamente, efetivamente, realmente, sem Duvida, com certeza, seguramente.

Ex: “Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades…” (Isaías 53:4)

2. de dúvida: talvez, quiçá, possivelmente, provavelmente, acaso, porventura.

Ex: Talvez o tempo melhore.

3. de negação: não, nada

Ex: “E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.”(I Coríntios 13:3)

4. de intensidade: muito, pouco, bastante, demais, bem, menos, tão, meio, quanto, quão, quase, tanto.

Ex: Andou mais rápido.

5. de lugar: aqui, ali, lá, aí, acolá, cá, lá, atrás, perto, abaixo, acima, dentro, fora, além, adiante, à direita, à esquerda, longe, aquém, defronte, detrás, junto, onde, embaixo, debaixo, antes, depois.

Ex: Vire à esquerda, depois desta rua.

6. de modo: assim, bem, mal, depressa, devagar, melhor, pior, alegremente, calmamente, livremente, facilmente, rapidamente.

Ex: Saiu apressadamente do recinto.

7. de tempo: agora, já, ainda, amanhã, cedo, tarde, sempre, nunca, anteontem, ontem, hoje, breve, outrora, jamais.

Ex: Estaremos sempre à sua disposição.

8. Interrogativos: onde, por que, como, quando.

Esses advérbios são usados nas interrogações diretas ou indiretas que indiquem circunstância de lugar (onde), de causa (por que), de modo (como) e de tempo (quando).

Ex: Onde colocaste a faca?

Eu quero saber onde colocaste a faca.

Muitos advérbios são formados a partir de um adjetivo e a junção da terminação –mente. Veja:

Calma + mente = calmamente          corajosa + mente = corajosamente

Entretanto, é preciso ser parcimonioso no uso dessa terminação para não incorrer em inadequações como fazia aquele famoso personagem, Odorico Paraguaçu, vivido por Paulo Gracindo (o pai) na novela “O Bem Amado” exibida pela Rede Globo, em 1973.

LOCUÇÃO ADVERBIAL

O advérbio também pode ser representado por uma expressão composta por:

Preposição + substantivo =  à pé, à cavalo, à morte

Preposição + adjetivo = de súbito, em breve

Preposição + advérbio = à tarde, à noite, às vésperas

Essas locuções adverbiais serão classificadas de acordo com a circunstância que expressem e que já vimos neste Anexo.

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ANEXO D – GRAU DO ADVÉRBIO

Certos advérbios, principalmente os de modo, lugar e tempo, são passíveis de gradação.  Exemplo:

Veio devagar. Veio devagarzinho.

Chegou perto. Chegou pertinho.

Acordou cedinho e só retornou à noitinha.

Ele gostou muitíssimo da ideia.

Ela, pouquíssimo vem nesta casa.

Os advérbios devagar, perto, cedo receberam o sufixo –inho(a) e muito, pouco receberam o sufixo –issimo os quais têm valor superlativo.

Em razão disso as gramáticas apresentam a seguinte classificação do grau dos advérbios:

Grau comparativo.

Utiliza um advérbio entre as expressões mais…que, tão…quanto, menos…que, dando ideia de superioridade, igualdade  ou inferioridade. Vejo os exemplos:

. Superioridade: Agiu mais nobremente que o irmão.

. Igualdade: Agiu tão nobremente quanto o irmão.

. Inferioridade: Agiu menos nobremente que o irmão.

Veja que a forma utilizada é a mesma do grau do adjetivo, só que no lugar do adjetivo usa-se um advérbio.

Grau superlativo.

Utiliza terminações –issimo ou –inho ou um outro advérbio para indicar excesso ou intensidade e há duas maneiras de se formar esse grau:

. Superlativo sintético: Ele gostou muitíssimo da ideia. Acordou cedinho.

. Superlativo analítico: Ele chegou muito perto do fogo.

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AUTO AVALIAÇÃO

1. Identifique e classifique os advérbios existentes nas frases abaixo:

a) Estou bastante preocupada.

b) Ele, possivelmente, chegará amanhã.

c) Jamais discutirei com você.

d) Ele, realmente, está muito nervoso.

e) Estamos muito ocupados.

f) Ela sempre se preocupa.

g) Assim, vai ficar doente.

h) Ela voltará, certamente.

i) Não chores tanto.

2. Relacione as colunas de modo a fazer correspondência entre os advérbios destacados e sua classificação:

a. (   ) Levarei os livros e talvez os discos.       1. Advérbio de tempo

b. (   ) Amanhã sairei.                                           2. Advérbio interrogativo

c. (   ) Não pude estudar.                                        3. Advérbio de lugar

d. (   ) Chegaremos .                                             4. Advérbio de dúvida

e. (   ) Falaste bem.                                                  5. Advérbio de afirmação

f. (   ) Dormi pouco. 6. Advérbio de negação

g. (   ) Esta, sim, é uma casa boa.                        7. Advérbio de intensidade

h. (   ) Por que não estudas?                                 8. Advérbio de modo

3. Complete as frases com advérbios formados das palavras indicadas entre parênteses:

a) Sempre agimos _______________ (fiel)

b) ______________ vocês serão aprovados. (certo)

c) Cumprimentou-nos _________________ (amável)

d) ________________ chegaremos até lá. (difícil)

e) Arrependeu-se _______________ dos seus atos. (sincero)

f) Trabalhamos _________________ (gratuito)

g) Fez tudo aquilo __________________(de propósito)

h) _____________ voltarei aqui. ( em breve)

4. Identifique e classifique as locuções adverbiais existentes nas frases:

a) Às vezes sinto saudades de casa.

b) Andava à-toa pela calçada.

c) A criança sabia de cor todo a lição.

d) O compadre, por certo, cumprirá sua promessa.

e) Esta casa é bonita por dentro.

f) Levantou-se de repente.

g) Paguei minhas compras à vista.

h) Eles saíram às pressas.

i) Fizeram tudo às escondidas.

j) Estava à vontade entre os amigos.

k) Comprei a geladeira à prazo.

l) Esta região progride a olhos vistos.

m) Andava às tontas pelas ruas da cidade.

n) Voltamos para casa à tarde.

o) O carro virou à esquerda.

p) As crianças andam à solta pelas ruas.

5. Complete as frases com advérbios interrogativos indicados nos parênteses:

a) ____________ ele foi? (de lugar)

b) ____________ vais de saúde? (de modo)

c)_____________ viajarás? (de tempo)

d) _____________  chegaste tarde? (de causa)

e) _____________  poderemos conversar? (de tempo)

f) _____________ você o encontrou? (de modo)

g) _____________ ele está aborrecido? (de causa)

h) ____________ deixamos o livros? (de lugar)

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GABARITO – Atribua 1,25 pontos a cada resposta correta. Se você conseguiu 80% de acertos considere-se apto neste assunto.

Questão 1.

a) Estou bastante preocupada. Advérbio de intensidade

b) Ele, possivelmente, chegará amanhã. Advérbio de afirmação – advérbio de tempo

c) Jamais discutirei com você. Advérbio de tempo

d) Ele, realmente, está muito nervoso. Advérbio de afirmação – advérbio de intensidade

e) Estamos muito ocupados. Advérbio de intensidade

f) Ela sempre se preocupa. Advérbio de tempo

g) Assim, vai ficar doente. Advérbio de modo

h) Ela voltará, certamente. Advérbio de afirmação

i) Não chores tanto. Advérbio de negação – advérbio de intensidade

Questão 2.

a. (4)    b. (1)     c.(6)     d.(3)    e.(8)     f.(7)    g.(5)    h.(2)

Questão 3.

a. fielmente          b. certamente              c. amavelmente    d. Dificilmente     e. Sinceramente

f. gratuitamente   g. Propositadamente    h. Brevemente

Questão 4.

a) Às vezes sinto saudades de casa.  Locução adverbial de tempo

b) Andava à-toa pela calçada. Locução adverbial de modo

c) A criança sabia de cor todo a lição. Locução adverbial de modo

d) O compadre, por certo, cumprirá sua promessa. Locução adverbial de afirmação

e) Esta casa é bonita por dentro. Locução adverbial de lugar

f) Levantou-se de repente. Locução adverbial modo

g) Paguei minhas compras à vista. Locução adverbial de modo

h) Eles saíram às pressas. Locução adverbial de modo

i) Fizeram tudo às escondidas. Locução adverbial de modo

j) Estava à vontade entre os amigos. Locução adverbial de modo

k) Comprei a geladeira à prazo. Locução adverbial de modo

l) Esta região progride a olhos vistos. Locução adverbial de modo

m) Andava às tontas pelas ruas da cidade. Locução adverbial de modo

n) Voltamos para casa à tarde. Locução adverbial de tempo

o) O carro virou à esquerda. Locução adverbial de lugar

p) As crianças andam à solta pelas ruas. Locução adverbial de modo

Questão 5

a. Onde   b. Como   c. Quando      d. Por que    e. Quando     f. Como    g. Por que    h. Onde

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LEITURA REFLEXIVA –

ODORICO PARAGUAÇU NOS TRIBUNAIS

Quem escreve, seja o que for, não sendo literatura – deve guiar-se pelo lema de Churchill: “das palavras, as mais simples. Das mais simples, a menor.”

Escrevo de Belo Horizonte, onde estou para, a convite do Tribunal de Justiça, falar, em sua sede, sobre o português de promotores, advogados e juízes. No auditório lotado, há também três desembargadores, todos bem-humorados, aprovando com o rosto e o menear de cabeça o que vou dizendo.

“Quem são os desembargadores?”, pergunto às anfitriãs. O fotógrafo me chama para perto da câmera e vai identificando um por um. “Ele podia também mostrar os gordos que dava no mesmo”, diz a jornalista encarregada de me entrevistar antes da conferência. Mas o trânsito do aeroporto de Confins à cidade estava um pouco engarrafado por causa das obras e cheguei em cima da hora. Deixamos a entrevista para depois.

O convite deve-se a De onde vêm as palavras, minha participação no programa  Controle Remoto, dirigido por Dermeval Netto e apresentado semanalmente na TV Estácio, em que comentei o tal juridiquês. Um juiz viu o programa e me indicou como conferencista.

O juridiquês está com os dias contados. Ninguém mais aguenta tanta empolação. A própria presidente do STF, a ministra gaúcha Ellen Gracie, endossa a campanha contra esse tipo de linguagem. Quem, entretanto, deflagrou o combate no Brasil meridional foi o juiz Ricardo Roesler, que, em início de carreira, em 1988, escreveu em despacho ou sentença: “O réu seja encaminhado ao ergástulo público.”

O delegado, formado em Direito e novo no cargo, recebeu a ordem e passou a procurar um ergástulo na pequena cidade. Perguntava a todo mundo onde ficava o ergástulo. Ninguém sabia. Dois dias depois a lei ainda não tinha sido cumprida. Ninguém encontrara o ergástulo público.

O juiz soube do ocorrido e explicou que ergástulo era cadeia. “Mas por que ele não disse antes?”, perguntou um dos policiais, acrescentando: “Todo mundo sabe onde fica a cadeia, mas ninguém sabe onde fica o ergástulo, que, agora sabemos, é a mesma coisa, com nome arrevesado.”

Dezessete anos depois o mesmo juiz é presidente da Associação de Magistrados Brasileiros em Santa Catarina e lidera a campanha contra o juridiquês.

Eis alguns exemplos. O Supremo Tribunal Federal raramente é designado assim pelos advogados. Excelso Sodalício, Pretório Excelso, Egrégio Pretório e até um esquisito Alcândor Conselho. E sabem o que é originalmente alcândora, de onde vem alcândor? Poleiro! Os árabes chamam poleiro de ave de rapina, em geral em lugares muito altos, de alcândora. No intuito de elevar o STF nas invocações, advogados metidos a besta, sem saber, esculhambam a mais alta corte do país.

Vocês sabem o que é exórdio, preâmbulo, proêmio, peça vestibular? A simples e prosaica petição inicial de todo processo. E cônjuge supérstite, sabem? Se o marido morre – os maridos em geral morrem primeiro, viram? – você pode dizer da mulher que ela ficou, não para titia, mas para consorte sobrevivente ou cônjuge supérstite. Pois é assim que muitos advogados denominam a viúva ou o viúvo: cônjuge supérstite!

E, para terminar, só mais esta. A polícia prendeu o assassino do empresário Nelson Schincariol. Isto foi em 2005. Os advogados foram ao Tribunal de Justiça, que manteve a prisão. Mas o despacho foi tão ambíguo que o assassino foi solto: a ordem judicial não foi entendida nem pelo juiz local!

Quem escreve – colunas, sentenças, despachos, seja o que for, não sendo literatura – deve guiar-se pelo lema de Winston Churchill1: “Das palavras, as mais simples. Das mais simples, a menor.”

Seria de um divertido horror o juridiquês, se não nos desse tantos prejuízos, a começar por afastar o povo do Judiciário, onde o cidadão brasileiro pode buscar remédios indispensáveis, a começar pelos antídotos  que a Justiça vem dando contra o veneno da Injustiça.

(Deonísio da Silva. A Língua Nossa de Cada Dia. Osasco, SP, Novo Século Editora, 2007)

Notas explicativas.

1 – Winston Churchill: primeiro ministro da Inglaterra entre 1940-1945 e 1951-1955. Dirigiu a Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial.

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