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Teoria da Comunicação – ROTEIRO 1 – Gêneros Textuais

By 5 de agosto de 2011 No Comments

TEORIA DA COMUNICAÇÃO – ROTEIRO 1 – GÊNEROS TEXTUAIS (Nível Médio)

I – TEMA: Gêneros Textuais

II – PRÉ-REQUISITOS: Ler compreensivamente

III – META: Ao concluir o estudo deste Roteiro, o aluno deverá ser capaz de:

  • Conceituar gênero textual
  • Identificar os diversos tipos de textos, caracterizando-os

IV – PRÉ-AVALIAÇÃO: Antes de ler as Atividades de Estudos, responda às questões propostas na Auto-Avaliação. Ela é o termômetro que vai medir a profundidade do seu conhecimento quanto ao assunto desta lição. Se você obtiver um mínimo de 80 pontos, parabéns! Você não precisa estudar este Roteiro. Caso contrário, aconselho que leia com bastante atenção as atividades de estudo, procurando entender as explicações dadas, referentes às questões que você não respondeu corretamente.

V – ATIVIDADES DE ESTUDO: Ler com entendimento é pré-requisito para se aprender qualquer coisa através da leitura. Portanto, faça o seguinte:

1. Tenha um dicionário de Português ao seu alcance para consultá-lo sobre as palavras que você desconhece o sentido.

2. Leia sem pressa. Procure um lugar sossegado para ler os textos e fazer os exercícios. Lembre-se: a pressa é inimiga da perfeição! Aquilo que você entender, jamais esquecerá!

3. Leia primeiro os textos; faça os exercícios logo em seguida, seguindo a ordem dos Anexos; compare suas respostas com o gabarito; veja o que errou e retorne ao texto para verificar o porquê do erro.

VI – PÓS-AVALIAÇÃO: Após ter feito a leitura compreensiva dos textos e feitos os exercícios, responda às questões da avaliação proposta na Pré-Avaliação. Creio que agora você acertará todas. Caso isso não aconteça, consulte as orientações dadas nas Atividades Suplementares.

VII – ATIVIDADES SUPLEMENTARES: Se você não conseguiu alcançar 80 pontos na Pós-Avaliação, não desanime. Volte à leitura dos textos. Sem pressa. Tenha ao seu lado um dicionário para consultar o significado de algumas palavras que você não conhece. O dicionário não é o “pai dos burros” e sim, dos inteligentes, pois são os inteligentes que não perdem tempo (e nem dinheiro!). A leitura com entendimento é a base da aprendizagem.

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ANEXO A    –    GÊNEROS TEXTUAIS

Ao depararmos com um texto que se inicia com “Querido Fulano, escrevo…” , sabemos que se trata de um bilhete ou de uma carta de caráter pessoal. Se o texto se iniciar com “Prezados Senhores, venho por meio…” , sabemos que se trata de uma correspondência formal. Se você se colocar na situação de remetente, saberá como iniciar a carta, porque todos nós temos um “modelo de carta” na mente; isso é tão marcante que uma pessoa não alfabetizada tem interiorizado esse “modelo” e, se tiver de ditar uma carta para que outra pessoa escreva, saberá o que precisa ser dito e como deve ser dito. O filme Central do Brasil, em que uma professora aposentada vive de escrever cartas ditadas por pessoas não alfabetizadas, exemplifica muito bem essa situação.

Da mesma forma, se nos depararmos com um texto que se inicia com “Alô? Quem fala?”, sabemos que se trata de uma conversa telefônica. O mesmo ocorre ao lermos uma bula de remédio, as instruções de uso de um produto qualquer, um horóscopo, um cardápio de restaurante, etc.

Como já vimos, os textos desempenham papel fundamental em nossa vida social, já que estamos nos comunicando o tempo todo. No processo comunicativo, os textos têm uma função e cada esfera de utilização da língua, cada campo de atividade, elabora determinados tipos de textos que são estáveis, ou seja, se repetem tanto no assunto, como na função, no estilo, na forma. É isso que nos permite reconhecer um texto como carta, ou bula de remédio, ou poesia, ou notícia jornalística, por exemplo.

O que é falado, a maneira como é falado e a forma que é dada ao texto são características diretamente ligadas ao gênero. Como as situações de comunicação em nossa vida social são inúmeras, inúmeros são os gêneros textuais: bilhete, carta pessoal, carta comercial, telefonema, notícia jornalística, editorial de jornais e revistas, horóscopos, receita culinária, texto didático, ata de reunião, cardápio, palestra, resenha crítica, bula de remédio, instruções de uso, e-mail, aula expositiva, piada, romance, conto, crônica, verbete de enciclopédias, dicionários.

Identificar o gênero textual é um dos primeiros passos para uma competente leitura de texto. Pense numa situação bem corriqueira: um colega se aproxima e começa a contar algo que, em determinado momento, passa a soar esquisito, até que um dos ouvintes indaga: “É piada ou você está falando sério?” Observe que o interlocutor quer confirmar o gênero textual, uma vez que, dependendo do gênero, temos um ou outro entendimento.

(Ernani Terra/José de Nicola. Português. Volume Único para o Ensino Médio, 1ª Edição, 2008)

Podemos concluir que:

Gênero textual é uma classificação geral que reúne textos com características comuns em relação à linguagem, ao conteúdo e à estrutura, utilizados em determinadas situações de comunicação, seja oral ou escrita.

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ANEXO B        –        Diferença entre Gênero textual e Gênero literário. Tipos textuais.

Uma observação a ser feita é a diferença entre Gênero textual e Gênero literário.

O gênero textual abrange vários textos e suas utilizações na comunicação. Quando nos referimos à gênero literário estamos falando de textos produzidos para manifestar a emoção, o sentimento, a fantasia de quem escreve. Em geral são textos voltados para a ficção e para a poesia.

Como já vimos, os gêneros textuais são inúmeros e dependem da função de cada texto nas diferentes situações de comunicação

Já os tipos textuais são poucos: narrativo, descritivo, explicativo, argumentativo, instrucional e poético. Podemos classificar os textos, tanto do gênero textual como do gênero literário, dentro da classificação acima, dependendo das características que estiverem mais acentuadas na totalidade daquilo que está escrito. Raramente um texto é construído com as características de um só tipo. O mais comum é encontrarmos, numa obra, passagens que apresentam características ora de um, ora de outro tipo de texto. O que vai definir o tipo de texto é a maior incidência dessas características.

1. TEXTO NARRATIVO

O texto narrativo relata fatos e acontecimentos, reais ou imaginários. Seu material é o fato e a ação desenvolvidos numa linha de tempo e de espaço. Veja o exemplo abaixo retirado de um conto de Machado de Assis: “O Caso da Vara”.

“Damião fugiu do seminário às onze horas da manhã de uma sexta-feira de agosto. Não sei bem o ano; foi antes de 1850. Passado alguns minutos parou vexado; não contava com o efeito que produzia nos olhos da outra gente aquele seminarista que ia espantado, medroso, fugitivo. Desconhecia as ruas, andava e desandava; finalmente parou.

O escritor, neste trecho do conto, narra a fuga de um aluno. As características na narrativa estão presentes:

. tempo: “…às onze horas da manhã de uma sexta-feita de agosto.”

. ação: “… fugiu…”; “… parou…”; “…andava…”

. espaço: “…fugiu do seminário…”; “Desconhecia as ruas…”

Apesar do texto apresentar algumas descrições – “…parou vexado…” “… ia espantado, medroso, fugitivo.” – a incidência não altera o objetivo do trecho: narrar a fuga. Se lermos o resto do conto, veremos que continua a ideia de narrativa, pois Machado de Assis relata o que aconteceu depois dessa fuga, embora apareçam frases descritivas e explicativas.

São exemplos de textos narrativos: o relato, a crônica, o romance, o conto, a fábula, a piada.

2. TEXTO DESCRITIVO

O texto descritivo informa ao leitor a condição de determinado objeto, pessoa, lugar. Eis um exemplo retirado da obra de Machado de Assis “Dom Casmurro” (capítulo 2 – Do livro):

Agora que expliquei o título, passo a escrever o livro. Antes disso, porém, digamos os motivos que me põem a pena na mão. Vivo só, com um criado. A casa em que moro é própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia, há bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga Rua de Matacavalos, dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquela outra, que desapareceu. Construtor e pintor entenderam bem as indicações que lhes fiz: é o mesmo prédio assobradado, três janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e salas. Na principal destas, a pintura do teto e das paredes é mais ou menos igual, umas grinaldas de flores miúdas e grandes pássaros que as tomam nos bicos, de espaço a espaço. Nos quatro cantos do teto as figuras das estações, e ao centro das paredes os medalhões de Cesar, Augusto, Nero e Massinissa, com os nomes por baixo… Não alcanço a razão de tais personagens. Quando fomos para a casa de Matacavalos, já ela estava assim decorada; vinha do decênio anterior. Naturalmente era gosto do tempo meter sabor clássico e figuras antigas em pinturas americanas. O mais é também análogo e parecido. Tenho chacarinha, flores, legume, uma casuarina, um poço e lavadouro. Uso louça velha e mobília velha.

Este capítulo da obra “Dom Casmurro” descreve a casa do narrador da história, a qual ele mandou construir baseada na mesma casa onde morou quando criança. E para que o leitor tenha ideia de como era a casa, o escritor usa um texto descritivo, isto é, informa os detalhes. O texto descritivo é considerado o retrato, a foto feita com palavras, que ao lermos, vamos construindo em nossa mente a imagem do que vai sendo descrito. Esse tipo de texto é muito encontrado dentro de um texto narrativo. Aliás, ao se contar uma história, utiliza-se muito textos desse tipo mesclado com o texto narrativo.

3. TEXTO EXPLICATIVO (ou informativo)

O texto explicativo tem uma linguagem objetiva e não se confunde com os textos de natureza artística ou literária. É o texto da imprensa, do professor, dos relatórios técnicos ou científicos. Procura transmitir conhecimentos, prestando-se ao uso didático. Exemplo de texto explicativo é esse que você está lendo. Também são textos explicativos os livros didáticos, verbetes de dicionários e enciclopédias, manuais de eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos.

4. TEXTO ARGUMENTATIVO

O texto argumentativo procura convencer, propondo ao leitor uma interpretação particular de quem o escreve. O objetivo é defender uma ideia, um ponto de vista ou questionar algum fato. O texto argumentativo não se confunde com os textos informativos, pois nestes os fatos e idéias não são expostos para convencer alguém.

O texto argumentativo é formado por quatro tópicos:

a) a tese – que apresenta a ideia, o ponto de vista que será objeto de defesa, de demonstração;

b) os argumentos – são elementos que fundamentam o que se afirma de acordo com o assunto ou tema, a situação ou o contexto. Em geral são apresentados, em ordem crescente e de importância, dentro do texto.

c) as provas – são elementos concretos (fatos ocorridos, depoimentos, fatos históricos, informações dignas de crédito) que sustentam os argumentos.

d) a conclusão – o texto argumentativo em geral é concluído com frases onde são apontadas possíveis soluções para a tese apresentada e demonstrada no decorrer do texto.

Veja um exemplo de texto argumentativo (Editorial, Revista ISTOÉ, nº 2173, ano 35, de 06/jul/2011):

A Batalha da Reforma Inevitável

(Carlos José Marques, diretor editorial)

TESE –

O governo Dilma se mobiliza para travar uma importante e dura batalha. Tenta o que antecessores buscaram por anos e não conseguiram: aprovar uma reforma previdenciária, sem a qual o sistema todo pode ficar inviabilizado em futuro breve.

ARGUMENTOS E PROVAS –

A difícil travessia da reforma se dá justamente pela resistência de parlamentares, inclusive os da base aliada. No Congresso, o assunto é tido como tabu. Por viverem de votos, deputados e senadores temem aprovar medidas impopulares, que inevitavelmente virão pelo andar da carruagem. O rombo da Previdência aumenta geometricamente a cada ano. O gasto nesse item do orçamento já soma quase R$ 260 bilhões por ano. Aposentadorias de militares e de servidores públicos contribuem com a fatia maior da despesa. Mas não é o único problema. Há também regras absolutamente obsoletas diante da nova realidade de mercado. A diferença da idade mínima entre homens e mulheres para requisitar o benefício é uma delas. Com o avanço da mão de obra feminina, que provocou o aparecimento de milhares de mulheres chefes de família, não se justifica mais essa desigualdade no tratamento. A ideia do governo é aproximar o tempo de contribuição. Há também propostas inovadoras para as pensões vitalícias, em que viúvas e viúvos jovens deixariam de receber ou receberiam no teto máximo de 70% do que o segurado teria direito em vida.

CONCLUSÃO –

Essas e outras saídas podem soar antipáticas para a maioria dos contribuintes, mas constituem o arcabouço de um programa vital que pode retirar a Previdência pública da trajetória de colapso iminente. O Brasil caminha de maneira acelerada para um envelhecimento de sua população. Dados do Censo do IBGE mostram que a quantidade de idosos deverá dobrar nos próximos 30 anos em termos proporcionais na população como um todo. Com menos jovens contribuindo e mais idosos dependentes, a conta não fecha. É preciso responsabilidade, serenidade e compromisso público das autoridades políticas para aprovar de uma vez por todas uma saída que desarme essa bomba-relógio da Previdência. Não há mais tempo para empurrar o assunto com a barriga, como se a simples ideia de esquecer  problema trouxesse a solução.

O texto é publicado como um todo, mas para você ter uma visão mais detalhada fizemos a identificação das partes que o compõem.

São textos argumentativos: sermões, ensaios, editorial de jornal ou revista, critica, monografias, redações dissertativas.

5. TEXTO INSTRUCIONAL (ou injuntivo)

O texto instrucional tem por finalidade orientar os passos que devem ser tomados para a execução de algo. Exemplo: receitas culinárias, manual de uso de aparelhos elétricos, textos de propaganda comercial.

6. TEXTO POÉTICO

No texto poético, o objetivo é apresentar a beleza, a emoção, o amor, o lirismo, enfim, tudo o que está no interior da mente humana, através de palavras que possam traduzir esses sentimentos.

O texto poético tem duas formas tradicionais: a poesia (forma versificada) e a prosa.

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Agora vamos ver se você entendeu as explicações dadas. Responda aos exercícios.

A. Certas marcas lingüísticas permitem identificar o gênero de texto usado. Com base na afirmação, faça a correspondência da primeira coluna com a segunda.

a. “Era uma vez…”

b. “Prezado amigo…”

c. “Conhece aquela do português…?”

d. “Tome três xícaras de açúcar e adicione…”

e. “O tema de hoje vai ser…”

1. (   ) É um texto instrucional, com finalidade específica.

2. (   ) Introduz um texto de caráter lúdico.

3. (   ) É característica dos vocativos em texto epistolar.

4. (   ) É próprio para iniciar informações científicas ou didáticas.

5. (  ) É recurso linguístico para marcar a temporalidade em textos narrativos.

B. Classifique os textos a seguir em narrativo, descritivo, argumentativo, poético, instrucional ou explicativo.

1. ( ______________ ) No meio da década de 20, quando o automóvel tinha feito sua aparição com força total, caminhar pelas grandes avenidas européias era sair para ser expulso da rua pelo tráfego. “Foi como se o mundo tivesse subitamente enlouquecido”, dizem as pessoas quando fazem referencia a essa época. O homem sentia-se diretamente ameaçado e vulnerável. “Deixar nossa casa significava que uma vez cruzada a soleira da porta, nós estávamos em perigo e podíamos ser mortos pelos carros que passavam.” Chocadas e desorientadas, as pessoas comparavam a rua de então com a de sua juventude. “A rua nos pertencia: cantávamos nela, discutíamos nela, enquanto os cavalos e veículos passavam suavemente”. A rua era, portanto, pouco tempo antes, o espaço que acolhia homens, que lhes permitia se moverem à vontade, em um ritmo que podia acolher tanto as discussões quanto a música; homens, animais e veículos coexistiam pacificamente em uma espécie de paraíso urbano. Acontece que esse idílio terminou, as ruas passaram a pertencer ao tráfego, e o homem sobreviveu a esse tipo de mudança. Depois de esquivar-se e lutar contra o tráfego, acabou identificando-se por inteiro com as forças que o estavam pressionando. O homem da rua incorporou-se ao novo poder, tornando-se o homem no carro. A perspectiva desse novo homem no carro gerou uma nova concepção de rua, que passou a orientar os planejamentos urbanos daí por diante.

2. ( ______________ ) “Narizinho correu os olhos pela assistência. Não podia haver nada mais curioso. Besourinhos de fraque e flores na lapela conversavam com baratinhas de mantilha e miosótis nos cabelos. Abelhas douradas, verdes e azuis, falavam mal das vespas de cintura fina – achando que era exagero usarem coletes tão apertados. Sardinhas aos centos criticavam os cuidados excessivos que as borboletas de toucados de gaze tinham com o pó das suas asas. Mamangavas de ferrões amarrados para não morderem. E canários cantando, e beija-flores beijando flores, e camarões camaronando, e caranguejos caranguejando, tudo que é pequenino e não morde, pequeninando e não mordendo.”

(Monteiro Lobato. Reinações de Narizinho. São Paulo, Editora Brasiliense, 1947)

3. ( _____________ )   Nasce o sol; e não dura mais que um dia

Depois da luz, se segue a noite escura:

Em tristes sombras morre a formosura

Em contínuas tristezas a alegria.

(Gregório de Matos)

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Gabarito

Questão A: 1.d    2.c   3.b     4.e      5.a

Questão B: 1. Argumentativo      2. Descritivo         3. Poético

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