GramáticaNoções de Morfologia.

NOÇÕES DE MORFOLOGIA 26 – PREPOSIÇÃO. CRASE

By 2 de outubro de 2011 10 Comments

ROTEIRO N° 26
1 – TEMA: Noções de Morfologia. Preposição. Crase

2 – PRÉ-REQUISITO:
Ler com compreensão.

3 – META: Ao final do estudo, você deverá ser capaz de:
. interpretar textos
. identificar as preposições e sua utilização na construção da frase
. entender o uso da crase, aplicando-a corretamente

4 – PRÉ-AVALIAÇÃO: O objetivo da pré-avaliação é diagnosticar o quanto se tem conhecimento de um assunto. Para isso, basta que você responda à Auto-avaliação que está no final deste Roteiro, antes de ler qualquer texto existente nele. Se você alcançar um resultado igual ou superior a 80 pontos, não precisa estudar o assunto, pois você já o domina suficientemente. Caso contrário, vá direto para as Atividades de Estudo.

5 – ATIVIDADES DE ESTUDO: Ler com entendimento é pré-requisito para se aprender qualquer coisa através da leitura. Por isso, leia o texto do anexo A para treinar sua interpretação. Embora a leitura dos anexos em si seja também interpretação de texto, ela é voltada para uma finalidade mais específica que é a aprendizagem dos conceitos gramaticais. O texto do Anexo A é mais genérico e serve de treinamento para a compreensão geral da língua. Portanto, faça o seguinte:
a) Tenha um dicionário de Português ao seu alcance, para consultá-lo sobre as palavras que você desconhece o significado;
b) Procure um lugar sossegado para ler os textos e fazer os exercícios;
c) Leia primeiro o texto; faça em seguida os exercícios; compare suas respostas com o gabarito e veja o que errou; retorne ao texto para verificar o porquê do erro.

6 – PÓS-AVALIAÇÃO: Após ter feito o estudo dos textos e os exercícios, responda às questões propostas na Auto-avaliação. Creio que você agora, acertará todas. Caso isso não aconteça, consulte as orientações dadas nas Atividades Suplementares.

7 – ATIVIDADES SUPLEMENTARES: Se você não conseguiu alcançar 80 pontos na Pós-avaliação, volte à leitura dos textos, agora com mais atenção. Sem pressa. A leitura com compreensão é a base da aprendizagem.
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ANEXO A – INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

CONVERSA DE COMPRA DE PASSARINHO

Entro na venda para comprar uns anzóis e o velho está me atendendo quando chega um menino da roça, com um burro e dois balaios de lenha. Fica ali, parado, esperando. O velho parece que não o vê, mas afinal olha as achas com desprezo e pergunta: “Quanto?”. O menino hesita, coçando o calcanhar de um pé com o dedo de outro. “Quarenta”. O homem da venda não responde, vira a cara. Aperta mais os olhos miúdos para separar os anzóis pequenos que eu pedi. Eu me interesso pelo coleiro do brejo que está cantando. O velho:”- Esse coleiro é especial. Eu tinha aqui um gaturamo que era uma beleza, mas morreu ontem; é um bicho que morre à toa.”
Um pescador de bigodes brancos chega-se ao balcão, murmura alguma coisa: o velho lhe serve cachaça, recebe, dá troco, volta-se para mim: “- O senhor quer chumbo também?” Compro uma chumbada, alguns metros de linha. Subitamente ele se dirige ao menino da lenha:
– Quer vinte e cinco? Pode botar lá dentro.
O menino abaixa a cabeça, calado.
Pergunto:
– Quanto é o coleiro?
– Ah, esse não tenho para venda, não…
Sei que o velho esta mentindo; ele seria incapaz de ter um coleiro se não fosse para venda; miserável como é, não iria gastar alpiste e farelo em troca de cantorias. Eu me desinteresso. Peço uma cachaça. Puxo o dinheiro para pagar minhas compras. O menino murmura: “O senhor dá trinta…?” O velho cala-se, minha nota na mão.
– Quanto é que o senhor dá pelo coleiro?
Fico calado algum tempo. Ele insiste: “- O senhor diga…” Viro a cachaça, fico apreciando o coleiro.
– Se não quer vinte e cinco vá embora, menino.
Sem responder, o menino cede. Carrega as achas de lenha para os fundos, recebe o dinheiro, monta no burro, vai-se. Foi no mato cortar pau, rachou cem achas, carregou o burro, trotou léguas até chegar aqui, levou 25 cruzeiros. Tenho vontade de vingá-lo:
– Passarinho dá muito trabalho…
O velho atende outro freguês, lentamente.
– O senhor querendo dar quinhentos cruzeiros, é seu.
Por trás dele o pescador de bigodes brancos me fez sinal para não comprar. Finjo espanto:
– Quinhentos cruzeiros?
– Ainda a semana passada eu rejeitei seiscentos por ele. Esse coleiro é muito especial.
Completamente escravo do homem, o coleirinho põe-se a cantar, mostrando sua especialidade. Faço uma pergunta sorna: “Foi o senhor quem pegou ele?” O homem responde: “ – Não tenho tempo para pegar passarinho.”
Sei disso. Foi um menino descalço, como aquele da lenha. Quanto terá recebido esse menino desconhecido, por aquele coleiro especial?
– No Rio eu compro um papa-capim mais barato…
– Mas isso não é papa-capim. Se o senhor conhece passarinho, o senhor está vendo que coleiro é esse.
– Mas quinhentos cruzeiros?
– Quanto é que o senhor oferece?
Acendo um cigarro. Peço mais uma cachacinha. Deixo que ele atenda um freguês que compra bananas. Fico mexendo com o pedaço de chumbo. Afinal digo com voz fria, seca:
– Dou duzentos pelo coleiro, cinquenta pela gaiola.
O velho faz um ar de absoluto desprezo. Peço meu troco, ele me dá. Quando vê que vou saindo mesmo, tem um gesto de desprendimento:
– Por trezentos cruzeiros o senhor leva tudo.
Ponho minhas coisas no bolso. Pergunto onde é que fica a casa de Simeão pescador, um zarolho. Converso um pouco com o pescador de bigodes brancos, me despeço.
– O senhor não leva o coleiro?
Seria inútil explicar-lhe que um coleiro do brejo não tem preço. Que o coleiro do brejo é, ou devia ser, um pequeno animal sagrado e livre, como aquele menino da lenha, como aquele burrinho magro e triste do menino. Que daqui a uns anos quando ele, o velho, estiver rachando lenha no inferno, o burrinho, menino e o coleiro vão entrar no Céu – trotando, assobiando e cantando de pura alegria.

(RUBEM BRAGA. “Quadrante”. Rio, Editora do Autor, 1962)
______________________________________________________________

Após a leitura do texto, responda às questões abaixo:

1. Achas de lenha são _________________________________________

2. Quais os significados da palavra “achas” nas frases abaixo:

a) Achas interessante essa crônica? ______________________________

b) Procuras o troco nos bolsos e não “achas” nada. ____________________

3. Transcreva do texto a frase que equivale a:

a) Calado, o menino concorda. ____________________________________

b) O menino titubeia. ___________________________________________

4. Relacione as palavras aos seus significados, de acordo com o texto:

a. roça                 (   ) caolho
b. desprezo             (   ) altruísmo; ação em que não se visa ao interesse próprio.
c. miúdos               (   ) sem maiores objetivos; indolente; preguiçosa
d. brejo                (   ) terreno de lavoura; campo em oposição à cidade
e. sorna                (   ) desdém
f. desprendimento  (   ) pequeno; espremido
g. zarolho              (   ) banhado

5. Onde acontece o fato narrado no texto?

6. A atitude inicial do velho, dono da venda, para com o menino é:
a. (   ) atenciosa       b. (   ) simpática        c. (   ) de desprezo

7. Essa atitude era intencional?
a. (   ) Sim, porque desse modo, ele desvalorizava a mercadoria do menino, comprando-a por menor preço.
b. (   ) Não. O velho negocinate era mesmo seco e de pouca conversa.

8. Ao perceber o interesse do narrador do texto, o velho demonstrou:
a. (   ) satisfação, pois também ele gostava de pássaros.
b. (   ) aparente desinteresse pelo negócio.

9. Pelas compras feitas pelo narrador, deduzimos que o mesmo iria ______

10. O que disse o velho negociante, quando o narrador perguntou pelo preço do coleiro?

11. A resposta dada pelo negociante a respeito da venda do coleiro é verdadeira? (   ) sim        (   ) não
Justifique sua resposta indicando passagens do texto.

12. A negociação empregada pelo velho, durante a compra da lenha, lhe parece justa e honesta?
a. (   ) Não. Ele estava explorando o menino, na certeza de que este não voltaria com a carga, já que tivera muito trabalho para cortar e trazer a lenha.
b. (   ) Sim, pois, como comerciante que era, procurava um modo de adquirir a mercadoria por menor preço e, assim, auferir maior lucro.

13. Quem o narrador julga que tivesse caçado o coleiro do brejo? Justifique com uma passagem do texto.

14. O narrador também usa da mesma técnica de negociação empregada pelo velho, para a compra do passarinho, isto é, desvalorizar a mercadoria com argumentos, demonstrar desinteresse com atitudes. Identifique sete trechos da narrativa que demonstram essa técnica de negociação usada pelo narrador.

15. Após tanta negociação, qual o abatimento que o narrador conseguiu quando desistiu da compra do passarinho?

16. Para onde se dirigiu o narrador com o material de pesca que adquiriu na venda?

17. Por que o narrador não compra, afinal, o coleiro?

18. Qual teria sido, na sua opinião, a atitude mais justa a ser tomada pelo narrador em relação ao coleiro? Justifique sua resposta.

19. Expresse, em poucas linhas, a mensagem que o texto sugere.

______________________________________________________

GABARITO

Questão 1. São pedaços de madeira seca para fazer fogo.

Questão 2.
a) julgar ou considerar interessante
b) não encontrar

Questão 3.
a) “Sem responder, o menino cede.” (parágrafo 12).
b) “O menino hesita.” (parágrafo 1)

Questão 4.
a. roça                 ( g ) caolho
b. desprezo             ( f ) altruísmo; ação em que não se visa ao interesse próprio.
c. miúdos               ( e ) sem maiores objetivos; indolente; preguiçosa
d. brejo                ( a ) terreno de lavoura; campo em oposição à cidade
e. sorna                ( b ) desdém
f. desprendimento  ( c ) pequenos; espremidos
g. zarolho              ( d ) banhado

Questão 5. Numa casa de comércio.

Questão 6. Alternativa c

Questão 7. Alternativa a.

Questão 8. Alternativa b.

Questão 9. Pescar.

Questão 10. Disse que o coleiro não estava à venda.

Questão 11. Não. Trechos que comprovam a resposta:
“Sei que o velho está mentindo; ele seria incapaz de ter um coleiro se não fosse para venda; miserável como é, não iria gastar alpiste e farelo em troca de cantorias.”
“O senhor querendo dar quinhentos cruzeiros, é seu”.
“Por trezentos cruzeiros o senhor leva tudo.”
“O senhor não leva o coleiro?”

Questão 12. Alternativa a.

Questão 13. Um menino pobre, morador da zona rural. Trecho que comprova a resposta:
“Sei disso. Foi um menino descalço, como aquele da lenha.”

Questão 14.
“Eu me dessinteresso. Peço uma cachaça. Puxo o dinheiro para pagar minhas compras.
“Fico calado algum tempo. Viro a cachaça.”
“Passarinho dá muito trabalho.”
“Finjo espanto. Quinhentos cruzeiros?”
“No Rio compro um papa-capim mais barato.”
“Acendo um cigarro. Peço mais uma cachacinha.”
“Afinal, digo com voz fria, seca: Dou duzentos pelo coleiro, cinquenta pela gaiola.”

Questão 15. Duzentos cruzeiros.

Questão 16. À casa de Simeão, um pescador zarolho.

Questão 17. Porque, na sua opinião, um coleiro do brejo não tem preço, por ser um pequeno animal sagrado e livre, como o menino da lenha e seu burrinho.

Questão 18. Deveria tê-lo comprado e depois dar-lhe a liberdade, isto é soltá-lo na mata que é onde devem viver os animais silvestres.

Questão 19. Resposta pessoal.

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ANEXO B – PREPOSIÇÕES

Quando nos comunicamos, não usamos palavras isoladas. As palavras aparecem sempre reunidas, relacionadas umas às outras, formando frases. Veja o exemplo:

Pedro compra roupas.

O sentido desta frase fica claro pela ordem, pela maneira como as palavras foram arrumadas e relacionadas. Poderíamos ainda formar outra frase substituindo a palavra compra (do verbo comprar) por precisa (do verbo precisar). Veja:

Pedro precisa roupas.

Mas, aqui, só a ordem das palavras não está sendo suficiente. Nosso senso interno diz que falta algo. Vamos completá-la:
Pedro precisa de roupas.

Agora, sim, a frase está completa. Vejamos outras frases:

1. Os homens caminham o tronco.
2. Que gostoso esse sorvete morango!
3. A menina brinca o cata-vento.

Você não acha que está faltando uma palavra para ligar “tronco”, “morango”, “cata-vento” ao resto das frases? Vamos completá-las:

1. Os homens caminham sobre o tronco.
2. Que gostoso esse sorvete de morango!
3. A menina brinca com o cata-vento.

As palavras “sobre, de, com” estão servindo de elo entre caminho/tronco; sorvete/morango; brinca/cata-vento, respectivamente. Sem elas, essas frases não teriam sentido claro, porque não saberíamos que palavras estariam se relacionando entre si.
Essas palavras que servem de elo entre outras palavras dando um sentido mais claro à frase são chamadas de PREPOSIÇÕES.
O Profº. Ivanildo Bechara afirma “que tudo na língua é semântico, isto é, tudo tem um significado” (Moderna Gramática Portuguesa, pág. 297, 37ª Edição, Rio de janeiro, 2009).

As preposições são palavras que não possuem flexões, isto é, a sua forma não possue gênero, número ou grau e influem no significado e função de outras palavras dentro da frase. Podemos então concluir que:

“Preposição é a palavra invariável que faz a ligação entre outras palavras relacionado-as entre si, na frase.”

As preposições mais usadas e consideradas “essenciais” são:

A – ante – após – até – com – contra – de – desde – em – entre – exceto – para – perante – por – sem – sob – sobre

Essas preposições são chamadas de essenciais para se distinguirem de outras palavras que pertencem a outras classes gramaticais e que, às vezes, funcionam como preposição. A estas denominamos de acidentais. Eis algumas:

Afora, conforme, consoante, durante, fora, mediante, não obstante, salvo, segundo, senão, tirante, visto, menos, mais.

Vejamos alguns exemplos na frase:

. Os acusados foram soltos “mediante” fiança. (os acusados foram soltos “sob” fiança.)
. “Fora” os repórteres, ninguém foi autorizado a entrar na sala. (ninguém, “exceto” os repórteres, foi autorizado a entrar na sala).

Devemos ter cuidado para não confundir o “a” preposição com o “a” artigo. Para isso, basta substituir o “a” por “para”. Se a subsituição não alterar o sentido da frase, este “a” é uma preposição; caso contrário, será um artigo.

Vamos exercitar:

A. Preencha as lacunas das frases com a preposição adequada:
1. Trabalhei ______ cansar.
2. Sairemos ______ as aulas.
3. Não cheguei _____ pensar neste problema.
4. Caminhei _____ o riacho.
5. Tudo aconteceu _____ meus olhos.
6. Moramos ______ Brasília.
7. Os alunos manifestaram-se ________ essa ideia.
8. Estou certo ______ sua vitória.
9. Passeamos ______ os amigos.
10. Estou trabalhando aqui _______ ontem.
11. Tenho confiança ______ você.
12. Existe uma grande amizade _______ nós.
13. Vou _______ casa.
14. Passamos ________ Belém.
15. Viajamos ________ a Bahia.
16. Tudo aconteceu __________ as autoridades.
17. Estava ________ dinheiro.
18. Deixei as provas ________ a mesa do professor.
19. Os viajantes descansavam _______ uma árvore.
20. Não falamos _______ esse assunto.

B. Sublinhe as preposições existentes nas frases:
1. Andei por uma rua deserta.
2. O avião voou sobre o mar.
3. Sairei com você, após as aulas.
4. Estou com dor de cabeça desde ontem.
5. Daqui até lá é muito longe.
6. Somos amigos; entre mim e ele não há segredo.

C. Identifique se o “a” existente na frase é preposição ou artigo:
1. A pobre moça estava desesperada.
2. Fomos a São Paulo fazer compras.
3. Cada vez que vamos a Belém, ficamos encantados com o progresso.
4. Antonio e a irmã viajaram ontem.
5. A coisa mais bela do mundo é ser generoso.

__________________________________________________

Gabarito

Questão A.
1. até     2. Após, durante, entre     3. a     4. até     5. ante
6. em       7. contra                   8. de     9. com    10. desde
11. em     12. entre                   13. para   14. por    15. para
16. perante    17. sem/com                 18. sobre   19. sob    20. Sobre

Questão B.
1. por     2. sobre    3. com     4. com, de, desde   5. Até    6. Entre

Questão C.
1. artigo         2. Preposição        3. Preposição       4. Artigo      5. Artigo

__________________________________________________

ANEXO C – Combinação e contração das preposições com o artigo e o pronome.

A preposição também pode aparecer combinada ou contraída com o artigo e o pronome. Chamamos de “combinação” quando essas duas palavras se juntam, sem perder nenhuma letra da forma original. A combinação só acontece entre a preposição “a” e os artigos “o, os”.
Ex:  Contei tudo ao professor. ( a + o )

Chamamos de “contração” quando a preposição se junta ao artigo ou pronome e há perda de letras ou sons da forma original.
Ex: Penso muito nela. ( em + ela = nela )

Assim, as preposições “a, de, em, per (“por” é a forma atual de per, originário do latim)” aparecem em formas especias, quando seguidas de artigos ou pronomes. Veja o quadro:

a + a = à
a + as = às
a + o = ao
a + a = aos
a+aquela(s) = àquelas
a+aquele(s) = àqueles
a + aquilo = àquilo
de + a = da
de + as = das
de + o = do
de + os = dos
de + ela(s) = dela(s)
de + ele(s) = dele(s)
de + esta(s) = desta(s)
de + este(s) = deste(s)
de + isto = disto
de + isso = disso
de + aquela = daquela
de + aquele = daquele
de + aquilo = daquilo
em + a = na
em + as = nas
em + o = no
em + os = nos
em + ela(s) = nela(s)
em + ele(s) = nele(s)
em + esta(s) = nesta(s)
em + este(s) = neste(s)
em + isto = nisto
em + isso = nisso
em + aquela = naquela
em + aquele = naquele
em + aquilo = naquilo
per + a = pela, para
per + as = pelas
per + o = pelo
per + os = pelos

Aplique o que aprendeu.

D. Use a preposição adequada a cada frase, fazendo a combinação ou contração com a palavra entre parênteses:
1. Não acredite ______________ (aquilo) que eles contaram.
2. Ele não se arrependeu _________ (o) que fez.
3. Ficaremos ________ (esta) casa durante alguns meses.
4. Sou muito amigo __________ (eles).
5. Lutamos ___________ (o) que acreditamos.
6. Não precisamos __________(isto).
7. Sentamos __________ (este) banco para descansar.
8. Sempre confiei __________ (ela).
9. Agradeço __________ (os) que me ajudaram.
10. Pensei __________(aquele) assunto longamente.
11. Refiro-me somente _________ (o) que vi.

____________________________________________________

Gabarito

1. naquilo     2. do       3. nesta      4. deles      5. pelo    
6. disto      7. neste    8. nela    9. aos      10. naquele   11. ao
______________________________________________________

ANEXO D – A PREPOSIÇÃO E A CRASE

É preciso examinar, com atenção, os casos em que aparece a preposição “a” seguida de outro “a” (artigo ou pronome demonstrativo). Veja os exemplos:

1. Vou “a + a” festa. = Vou à festa.
2. Compareceu “a + as” audiências. = Compareceu às audiências.
3. Irei “a + aquela” cerimônia. = Irei àquela cerimônia.

Observe que a preposição “a” fundiu-se com o outro “a” (artigo ou pronome), e essa fusão, chamada “crase”, é representada na escrita por um acento grave sobre a vogal – à. Temos, então:

a + a = à
a + as = às
a + aquele(s) = àquele(s)
a + aquela (s) = àquela(s)
a + aquilo = àquilo

Esta fusão só ocorre em duas situações:

1º caso.  Preposição a + o artigo a.
Ex.: Fomos à praça. Dei o livro às alunas.

Se formos escrever a frase sem essa fusão, ficará (no português arcaico, da época de Cabral, as frases eram escritas assim):
Fomos a a praça.             Dei o livro a as alunas.

Observemos que as palavras “praça” e “alunas” além de serem femininas, aceitam o artigo “a” diante delas.
Mas, (sempre existe um mas!) se a palavra, mesmo sendo feminina, não aceitar o artigo “a” diante dela, não haverá crase, isto é, não haverá fusão do preposição com o artigo, simplesmente porque… não existe artigo! Veja o exemplo:
Viajei a Belo Horizonte.           Fui a Manaus.

Em geral, isso acontece com palavras femininas que indicam nomes próprios.

2º caso. Preposição a + pronome aquele(s), aquela(s), aquilo

Ex: Não assisti àquela aula. (Não assisti a + aquela aula)
Ofereci ajuda àqueles viajantes. (Ofereci ajuda a + aqueles viajantes).

Às vezes, ficamos na dúvida se tal “a” leva ou não crase. Quer uma dica? Quando “pintar” essa dúvida na sua cabeça use o seguinte recurso: substitua o “a” por “para a” na frase. Se a substituição não alterar o sentido da frase, então tenha certeza de que o “a” deve ser craseado.
Veja o exemplo:
Vou à casa de meus pais.   Vou “para a” casa de meus pais.
Vou a Paris.    Vou para Paris.

Podemos concluir que:
. a crase ocorre antes de nomes femininos antecedidos da preposição “a” e do artigo “a” ou dos pronomes aquele, aquela, aquilo;
. se o nome feminino não vier acompanhado de artigo, não pode haver crase.

OBSERVAÇÃO:

A crase NUNCA acontece diante de palavras masculinas.

____________________________________________________

Vamos fazer exercícios para você fixar o que aprendeu.

E. Nas frases abaixo, use a crase quando necessário.

1.  Emprestei meu livro a colega.

2. Contei o fato a diretora.

3. Dei o recado a todas as alunas.

4. Enviamos o convite as amigas.

5. Pela manhã, gosto de ir a praia.

6. Não me referi  a nenhuma vizinha.

7. Disse tudo a Joana.

8. Vou a Bahia, nas próximas férias.

9. Vou a Brasília, nas próximas ferias.

10. Irei a bela Brasília.

11. Fui a Campinas.

12. Dei um presente a Luzia.

F. Preencha as lacunas com a, à, as, às, ao, aos:

1. Pedi ____ porteiro que lavasse o carro.

2. A decisão final coube _____ diretora.

3. Ela disse ____ empregada que servisse o jantar mais cedo.

4. Implorei ______ pai dele que o deixasse ir conosco.

5. Hoje vou _____ cinema e amanhã vou _____ festa.

6. O diretor falou _____ alunos e ______ alunas.

7. Entreguei as lições _____ professor e ______ professora.

8. Caminhavam rumo _______ povoado ou ______ cidade?

9. Dei o aviso ______ diretor e ______ diretora.

10. As aulas começarão ______ meio-dia e terminarão ______ 14 horas.

11. Enviei convites ______ família e ______ amigos.

12. Ofereceu doces ______ meninos e ______ meninas.

13. Saiu em direção _____ igreja ou _____ povoado?

14. Contei tudo _______ colegas e _____ autoridades.

15. Ainda não começamos _______ trabalhar.

16. O pai deu conselhos _____ filha.

17. O prefeito dirigiu-se _____ todos os presentes.

18. Não dê importância _____ essa história.

19. Enviamos um telegrama ______ noiva.

20. Não disse _____ ninguém o que sabia.

21. Emprestei ______ ela todos os meus livros.

22. Não cheguei ______ terminar o exercício.

23. Todas _______ respostas estão corretas.

24. Ensinei _____ alunas a resolução do problema.

25. Os detentos serão recolhidos ______ celas.

26. Fizemos uma pesquisa sobre _______ aves.

_____________________________________________________________________

GABARITO

Questão E.
1. à     2. à      3. a – as      4. às    5. à      6. a     
7. a    8. à      9. à      10. a     11. a    12. a/à

Questão F.
1. ao       2. à       3. à     4. ao     5. ao – à       6. aos – às    7. ao – à
8. ao – à   9. ao – à    10. ao – às   11. à – aos   12. aos – às    13. à – ao      14. às/aos – às
15. a      16. à         17. a         18. a         19. à           20. a           21. a
22. a      23. as        24. às        25. às        26. as

_____________________________________________________________________

AUTO-AVALIAÇÃO

A. Preencha as lacunas das frases com a preposição adequada:
1. Trabalhei ______ cansar.
2. Sairemos ______ as aulas.
3. Não cheguei _____ pensar neste problema.
4. Caminhei _____ o riacho.
5. Tudo aconteceu _____ meus olhos.
6. Moramos ______ Brasília.
7. Os alunos manifestaram-se ________ essa ideia.
8. Estou certo ______ sua vitória.
9. Passeamos ______ os amigos.
10. Estou trabalhando aqui _______ ontem.
11. Tenho confiança ______ você.
12. Existe uma grande amizade _______ nós.
13. Vou _______ casa.
14. Passamos ________ Belém.
15. Viajamos ________ a Bahia.
16. Tudo aconteceu __________ as autoridades.
17. Estava ________ dinheiro.
18. Deixei as provas ________ a mesa do professor.
19. Os viajantes descansavam _______ uma árvore.
20. Não falamos _______ esse assunto.

B. Sublinhe as preposições existentes nas frases:
1. Andei por uma rua deserta.
2. O avião voou sobre o mar.
3. Sairei com você, após as aulas.
4. Estou com dor de cabeça desde ontem.
5. Daqui até lá é muito longe.
6. Somos amigos; entre mim e ele não há segredo.

C. Identifique se o “a” existente na frase é preposição ou artigo:
1. A pobre moça estava desesperada.
2. Fomos a São Paulo fazer compras.
3. Cada vez que vamos a Belém, ficamos encantados com o progresso.
4. Antonio e a irmã viajaram ontem.
5. A coisa mais bela do mundo é ser generoso.

D. Use a preposição adequada a cada frase, fazendo a combinação ou contração com a palavra entre parênteses:
1. Não acredite ______________ (aquilo) que eles contaram.
2. Ele não se arrependeu _________ (o) que fez.
3. Ficaremos ________ (esta) casa durante alguns meses.
4. Sou muito amigo __________ (eles).
5. Lutamos ___________ (o) que acreditamos.
6. Não precisamos __________(isto).
7. Sentamos __________ (este) banco para descansar.
8. Sempre confiei __________ (ela).
9. Agradeço __________ (os) que me ajudaram.
10. Pensei __________(aquele) assunto longamente.
11. Refiro-me somente _________ (o) que vi.

E. Nas frases abaixo, use a crase quando necessário.
1. Emprestei meu livro a colega.
2. Contei o fato a diretora.
3. Dei o recado a todas as alunas.
4. Enviamos o convite as amigas.
5. Pela manhã, gosto de ir a praia.
6. Não me referi  a nenhuma vizinha.
7. Disse tudo a Joana.
8. Vou a Bahia, nas próximas férias.
9. Vou a Brasília, nas próximas ferias.
10. Irei a bela Brasília.
11. Fui a Campinas.
12. Dei um presente a Luzia.

F. Preencha as lacunas com a, à, as, às, ao, aos:
1. Pedi ____ porteiro que lavasse o carro.
2. A decisão final coube _____ diretora.
3. Ela disse ____ empregada que servisse o jantar mais cedo.
4. Implorei ______ pai dele que o deixasse ir conosco.
5. Hoje vou _____ cinema e amanhã vou _____ festa.
6. O diretor falou _____ alunos e ______ alunas.
7. Entreguei as lições _____ professor e ______ professora.
8. Caminhavam rumo _______ povoado ou ______ cidade?
9. Dei o aviso ______ diretor e ______ diretora.
10. As aulas começarão ______ meio-dia e terminarão ______ 14 horas.
11. Enviei convites ______ família e ______ amigos.
12. Ofereceu doces ______ meninos e ______ meninas.
13. Saiu em direção _____ igreja ou _____ povoado?
14. Contei tudo _______ colegas e _____ autoridades.
15. Ainda não começamos _______ trabalhar.
16. O pai deu conselhos _____ filha.
17. O prefeito dirigiu-se _____ todos os presentes.
18. Não dê importância _____ essa história.
19. Enviamos um telegrama ______ noiva.
20. Não disse _____ ninguém o que sabia.
21. Emprestei ______ ela todos os meus livros.
22. Não cheguei ______ terminar o exercício.
23. Todas _______ respostas estão corretas.
24. Ensinei _____ alunas a resolução do problema.
25. Os detentos serão recolhidos ______ celas.
26. Fizemos uma pesquisa sobre _______ aves.

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Gabarito.

Atribua a cada resposta correta o valor de 1,25 pontos. Se você conseguiu 80 pontos, considere-se aprovado neste assunto. Caso contrário, retorne à leitura das explicações e refaça os exercícios.

Questão A.
1. até           2. Após, durante, entre       3. a             4. até       5. ante     
6. em            7. contra           8. de           9. com     10. desde
11. em          12. entre                     13. para     14. por    15. para   
16. perante   17. sem/com   18. sobre   19. sob     20. Sobre

Questão B.
1. por     2. sobre    3. com     4. com, de, desde   5. Até    6. Entre

Questão C.
1. artigo         2. Preposição        3. Preposição       4. Artigo      5. Artigo

Questão D.
1. naquilo     2. do       3. nesta      4. deles         5. pelo     6. disto 
7. neste       8. nela    9. aos       10. naquele   11. ao

Questão E.
1. à     2. à      3. a – as      4. às    5. à      6. a     
7. a    8. à      9. à      10. a     11. a    12. a/à

Questão F.
1. ao        2. à        3. à         4. ao         5. ao – à       6. aos – às    7. ao – à     
8. ao – à    9. ao – à   10. ao – às  11. à – aos 12. aos – às    13. à – ao     14. às/aos – às    
15. a        16. à         17. a         18. a         19. à           20. a          21. A            
22. a 23. as        24. às       25. às        26. as

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LEITURA COMPLEMENTAR

AS PREPOSIÇÕES

– Gosto dos Advérbios – foi dizendo Emília enquanto SER a levava para a Casa das Preposições. – Eles prestam enormes serviços a quem fala. Impossível a gente dizer uma coisa do modo exatinho como é preciso, sem usar qualquer Advérbio.
– Sim – concordou SER. – Ninguém pode arrumar-se na vida sem eles. Até nós, Verbos, ganhamos imensamente com as modificações que eles nos fazem. Mas, bem consideradas as coisas, não existe palavra que seja dispensável. Sem os Nomes, de que valeríamos nós, Verbos? E sem Verbos, de que valeriam os Nomes? Todas as palavras ajudam-se umas às outras, e desse modo os homens conseguem exprimir todas as ideias que lhes passam pela cabeça.
A Casa das Preposições não era grande, porque há poucas palavras nessa família.
– Estas senhoritas – disse SER – servem para ligar outras palavras entre si, ou para ligar uma coisa que está atrás a uma que está adiante. O Advérbio modifica; a Preposição liga.
– Quer dizer que são os barbantes, as cordinhas da língua – observou Emília.
– Isso mesmo. Constituem os amarrilhos da língua. Sem elas a frase ficaria telegráfica, ou desamarrada. Aqui estão todas neste armário, olhe.
Emília examinou-as uma por uma, para as decorar bem, bem. Viu lá as Preposições A, ANTE, APÓS, ATÉ, COM, CONTRA, CONFORME, CONSOANTE, DE, DESDE, DIANTE, EM ENTRE, PARA, POR, SEM, SOBRE, SOB e outras.
– Bravos! – gritou Emília. – São umas cordinhas preciosas, estas. A gente não pode dizer nada sem usá-las, sobretudo as menorzinhas, como A, ATÉ, COM, DE, SEM, POR…
– Creio que a Preposição DE é a mais importante – disse SER. – Num concurso de utilidade, DE venceria. É como ali adiante a Conjunção E, que é a menor de todas. Tão econômica que até se escreve com uma letra só – e no entanto é uma danadinha de útil.
– Vamos visitar as CONJUNÇÕES! – gritou Emília.

(Monteiro Lobato. “Emília no País da Gramática”. Editora Brasiliense, 1947)

10 Comments

  • Eliana disse:

    Adoreiiiiiiiiiiiiiiii! Muito bom! Já copiei. Obrigadaaaaaaaaaaaa!

  • Alexmaster disse:

    Excelente*****

  • klecio disse:

    Melhor lugar de aulas da net! Dá para aprender tudo sozinho e com muita facilidade. Obrigado e muito sucesso! Vocês merecem!

  • DIVA M P SILVA disse:

    AMEIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

  • Eli disse:

    Maravilhoso, perfeito. Encontrei exatamente tudo o que estava procurando para estudar. Muito obrigada.

  • Raphaela disse:

    Amei! Estou todos os dias aprendendo algo novo por aqui. Obrigada 😉

  • Leonardo disse:

    Eu fiquei na dúvida em relação ao uso da crase antes da palavra Brasília, nesta como cidade, porque uma vez eu li num texto em que eles davam a dica em relação ao uso da crase antes de nomes de cidades e a dica era: Se você vai a Brasília, por exemplo, você volta de Brasília e não da Brasília

    Pra entender melhor essa dica que eu li: Vou à Bahia / volto da Bahia… Quando você vai a e volta da, usa-se a crase, quando você vai a e volta de, não usa a crase.

    • Leonardo, há pelo menos 10 situações nas quais não se usa crase. Dentre elas, os nomes de cidades que não aceitam o artigo “a” diante deles. No caso de dúvida é só usar a dica: substituir o “a” por “para a”; se a substituição não alterar o sentido da frase, então a crase pode ser usada. Caso contrário, não use. A sua dica também está correta.

  • Renata Santos disse:

    Melhor explicação do mundo. Fico imaginando a vídeo aula!

    • Olá, Renata! Obrigada por sua visita ao nosso site e também pelo elogio. Entretanto, numa situação de vídeo-aula, não será possível entrar em tantos detalhes como foi feito no Roteiro de Estudos sobre Preposição e Crase, por causa do tempo. Ficaria muito enfadonho e levaria pelos menos uma hora de aula, que é o tempo que qualquer professor utiliza em sala de aula.

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