Literatura BrasileiraMovimentos e Períodos Literários

LITERATURA – Roteiro 1: Porque estudar literatura. Funções da literatura.

By 6 de janeiro de 2012 One Comment

LITERATURA  – ROTEIRO N° 01

1 – TEMA: Por que estudar Literatura. Funções da Literatura.

2 – PRÉ-REQUISITO:

  • Ler com compreensão.
  • Conhecer os principais eventos históricos de povos europeus e sul-americanos, principalmente de Portugal e Brasil.

3 – META: Ao final do estudo, você deverá ser capaz de:

  • interpretar textos
  • entender que o estudo da Literatura não pode ser dissociado do estudo da História de um povo

4 – PRÉ-AVALIAÇÃO: O objetivo da pré-avaliação é diagnosticar o quanto se tem conhecimento de um assunto. Para isso, basta que você responda à Auto-avaliação que está no início deste Roteiro, antes de ler qualquer texto existente nele. Se você alcançar um resultado igual ou superior a 80 pontos, não precisa estudar o assunto, pois você já o domina suficientemente. Caso contrário, vá direto para as Atividades de Estudo.

5 – ATIVIDADES DE ESTUDO: Ler com entendimento é pré-requisito para se aprender qualquer coisa através da leitura. Portanto, faça o seguinte:

a) Tenha um dicionário de Português ao seu alcance, para consultá-lo sobre as palavras que você desconhece o significado;

b) Procure um lugar sossegado para ler os textos e fazer os exercícios;

c) Leia primeiro o texto; faça em seguida os exercícios; compare suas respostas com o gabarito e veja o que errou; retorne ao texto para verificar o porquê do erro.

6 – PÓS-AVALIAÇÃO: Após ter feito o estudo dos textos e os exercícios, responda às questões propostas na Auto-avaliação. Creio que você agora, acertará todas. Caso isso não aconteça, consulte as orientações dadas nas Atividades Suplementares.

7 – ATIVIDADES SUPLEMENTARES: Se você não conseguiu alcançar 80 pontos na Pós-avaliação, volte à leitura dos textos, agora com mais atenção. Sem pressa. A leitura com compreensão é a base da aprendizagem.

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AUTO-AVALIAÇÃO

Responda às questões propostas a seguir, antes de ler qualquer texto deste Roteiro. O objetivo é verificar até que ponto você anda informado a respeito das diferentes Artes produzidas pelo homem. Atribua 10 pontos para cada resposta correta. Se você obtiver 80 pontos, parabéns! Você tem bastante informação sobre o assunto Artes. Caso isso não ocorra, não fique desanimado. Você precisa envolver-se mais com a cultura brasileira e mundial. Ler mais, ir ao cinema, ao teatro, aos museus, inteirar-se do que os artistas estão produzindo para o nosso deleite e reflexão.

Assinale a única alternativa correta:

01. Atribui-se a um poeta grego da Antiguidade a autoria dos famosos poemas épicos conhecidos: a Ilíada (conta sobre a Guerra de Tróia) e Odisséia (viagens e aventuras de Ulisses). Trata-se de:

a. (   ) Platão       b. (   ) Homero       c. (   ) Aristóteles       d. (   ) Sócrates

02. Dançarina norte-americana responsável pela grande revolução que daria início à dança moderna. Rompeu com os dogmas do balé e introduziu a improvisação e a espontaneidade – suas grandes marcas. Gostava de dançar descalça, vestindo apenas uma leve túnica. Seu nome acabou identificado com sua própria arte: a dança. Trata-se de:

a. (   ) Margot Fonteyn         b. (   ) Marinlyn Monroe.

c. (   ) Isadora Duncan         d. (   ) Fred Astaire

03. Uma das mais perfeitas atrizes brasileiras contemporâneas, com vasta atuação no teatro, trabalhou também no cinema, compondo o elenco dos filmes Eles não usam black-tie e Central do Brasil. Atuou também em várias novelas como: Guerra dos Sexos e Cambalacho. É chamada de “a dama do teatro brasileiro”. Seu nome artístico é:

a. (   ) Cacilda Becker             b. (   ) Fernanda Montenegro

c. (   ) Regina Duarte              d. (   ) Odete Lara

04. Um dos gênios da música universal, autor das sinfonias mais famosas, num total de nove, sendo que a partir da segunda, ele já se encontrava num processo de avançada surdez – doença que o afetou de modo irreversível e total, sem no entanto impedi-lo de continuar compondo genialmente. Trata-se do compositor alemão:

a. (   ) Wolfang Amadeus Mozart            b. (   ) Ludwing Van Beethoven

c. (   ) Richard Wagner                              d. (   ) Dostoiévski

05. Carlitos é um famoso personagem vivido por seu criador que, além de ator, era diretor, músico, cenarista, roteirista… – um gênio do cinema. Seu nome é:

a. (   ) Charles Chaplin                 b. (   ) Federico Fellini

c. (   ) Alfred Hitchcock              d. (   ) Dante Alighieri

06. Compositor e cantor brasileiro dos mais importantes da música popular brasileira contemporânea, cujas letras variam do lirismo-amoroso à crítica social. É também escritor, autor dos romances Estorvo e Benjamin. Entretanto é mais conhecido pelas suas músicas que pelos seus romances. Estamos falando de:

a. (   ) Chico Buarque de Holanda            b. (   ) Caetano Veloso

c. (   ) Milton Nascimento                           c. (   ) Vinícius de Moraes

07. Um dos mais vigorosos e polêmicos cineastas brasileiros, autor de 15 filmes, alguns dos quais premiados várias vezes, figura de destaque do chamado Cinema Novo, na década de 60. Seus filmes mais famosos são Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe. Trata-se de:

a. (   ) Nelson Pereira dos Santos         b. (   ) Walter Salles

c. (   ) Glauber Rocha                              d. (   ) Nelson Rodrigues

08. Escultor, entalhador e arquiteto brasileiro, nascido em Minas Gerais, em 1730, é considerado nosso maior artista do século XVIII. Embora tenha sido afetado, aos 50 anos, por uma doença que o foi deformando, seu talento continuou atuante, realizando as famosas estátuas dos Doze Profetas, talhadas em pedra-sabão. É conhecido pelo alcunha de:

a. (   ) O Solitário de Mariana            b. (   ) O Corcunda de Notre-Dame

c. (   ) O Aleijadinho                            d. (   ) Boca do Inferno

09. O maior arquiteto e urbanista brasileiro, um dos mais decisivos membros da equipe que planejou a sede da ONU em Nova Iorque, foi o grande arquiteto da nova capital do país – Brasília. E entre suas produções conhecidas popularmente está o Sambódromo do Rio de Janeiro. Seu nome é:

a. (   ) Roberto Burle Max                b. (   ) Oscar Niemeyer

c. (   ) Lúcio Costa                           d. (   ) Mário David Andreazza

10. O quadro conhecido como Mona Lisa ou A Gioconda, é uma das obras mais famosas de um dos maiores gênios do Renascimento e da Humanidade. Estamos nos referindo a:

a. (   ) Pablo Picasso                  b. (   ) Miguel Ângelo

c. (   ) Leonardo Da Vinci        d. (   ) Tarsila do Amaral

Respostas no final do Roteiro.

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ANEXO A – O ESTUDO DA LITERATURA

Antes de iniciar nosso estudo de literatura, é necessário estabelecer uma rápida diferenciação entre ARTE LITERÁRIA e HISTÓRIA DA LITERATURA. O dicionário Aurélio informa:

Literatura [do latim litteratura] S.f.- 1. Arte de compor ou escrever trabalhos artísticos em prosa ou verso; 2. Conjunto de trabalhos liretários de um país ou de uma época.

A primeira definição de literatura – “arte de compor ou escrever trabalhos artísticos em prosa ou verso” – refere-se à arte literária. Em outras palavras, refere-se ao como foram construídas determinadas obras literárias pelo seu criador – o escritor.

O escritor é uma pessoa que gosta de trabalhar com as palavras, brincar com elas, explorar sua múltipla riqueza – desde seu ritmo e sonoridade, até a surpreendente variedade de seus significados.

A segunda definição – “o conjunto de trabalhos literários de um país ou de uma época” – refere-se ao estudo de determinado momento da criação de obras literárias na história de um país. E é esse estudo que vai compor essa série de Roteiros.

Por isso é importante que você, caro estudante, tenha conhecimento de alguns fatos históricos do cenário mundial, porque esses fatos influenciaram os escritores da época em que eles ocorreram e assim relacioná-los a determinado momento histórico, ou seja, a um momento econômico, político e social.

Por exemplo, seria impossível isolarmos a obra Os Lusíadas do movimento renacentista e da política expansionista do império português; o Romantismo, do crescimento da burguesia e da revolução Francesa; o Realismo, da luta dos operários, das transformações econômicas, políticas e sociais do século XIX.

Um período ou movimento literário apresenta uma série de marcas ou características que podem ser identificadas nas obras literárias escritas por pessoas que viveram durante determinado período e assim melhor entendermos a mensagem contida na obra. Por exemplo, o Romantismo é marcado por uma visão de mundo subjetiva, egocêntrica, por um forte nacionalismo, um exagerado sentimentalismo, uma postura rebelde. Por quê? Foi nesse período da história mundial que aconteceram os movimentos que culminaram com a Revolução Francesa (que espalhou a idéia de liberdade, igualdade e fraternidade) e os movimentos abolicionistas e de independência, no Brasil.

Os escritores, ao escreverem suas obras, imprimem uma marca particular, muito pessoal, às características genéricas de um período literário. Assim é que o índio foi tema de vários escritores no contexto histórico-cultural do Romantismo brasileiro porque havia um sentimento de nacionalismo muito forte e na visão desses escritores era o índio que melhor representava o Brasil. Dessa época, são obras como O Guarani, de José de Alencar e I-Juca Pirama de Gonçalves Dias.

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ANEXO B – FUNÇÕES DA LITERATURA

Quem não gosta de ler, sempre faz esta pergunta: mas para que serve mesmo uma obra literária? Ou às vezes faz pergunta mais grosseira: esses escritores não tem coisa melhor para fazer? Bem, quem nunca se dispôs a ler um livro, mesmo que de poucas páginas, não sabe o que está perdendo.

As obras literárias carregam dentro de si uma riqueza tal que enriquece a quem as manuseia ou lê.

Embora o assunto divida as opiniões até hoje, alguns estudiosos desse fenômeno cultural tentaram dar respostas a essas perguntas. Aristóteles, sábio grego que viveu por volta do século IV a.C. (antes de Cristo), foi um deles.

No seu livro Poética, Aristóteles dá a entender que a literatura tem três funções: a cognitiva, a estética e a catártica. Outros estudiosos acrescentaram uma quarta função: a político-social.

FUNÇÃO COGNITIVA

A função cognitiva se refere à aquisição do conhecimento. Em Literatura, o escritor tem uma percepção (conhecimento) pessoal da realidade que o rodeia. A essa percepção costuma-se chamar de inspiração, estalo, insight… Impulsionado por esse estímulo, ele (o escritor) produz textos que comunicam esse conhecimento ou percepção, onde sentimento e razão se fundem. A obra literária, por conseguinte, exprime esse seu conhecimento intuitivo e estético a respeito da realida que o rodeia.

No texto abaixo, Dois e dois: quatro, de Ferreira Gullar, o poeta revela seu conhecimento sobre a vida, que apesar de expressar uma percepção bem pessoal, acaba apresentando aquilo que a maioria das pessoas percebem da vida.

Dois e dois: quatro

Como dois e dois são quatro

Sei que a vida vale a pena

Embora o pão seja caro

E a liberdade pequena.

Como teus olhos são claros

E a tua pele, morena

Como é azul o oceano

E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria

Por trás do terror me acena

E a noite carrega o dia

No seu colo de açucena

– sei que dois e dois são quatro

Sei que a vida vale a pena

Meso que o pão seja caro

E a liberdade pequena.


É isso que faz com que um texto se torne uma obra-prima, pois o poeta não usa argumentos científicos ou filosóficos para comunicar o que pensa. Se vale da sua experiência e da sua sensibilidade, utilizando os princípios da métrica.

FUNÇÃO ESTÉTICA

Por ser a Literatura uma arte, ela nos remete à nossa capacidade de apreciar o belo, o bonito, ao prazer que sentimos diante das coisas agradáveis, que tocam os nossos sentidos, as nossas emoções, o nosso intelecto.

No caso da Literatura, isso se relaciona ao emprego adequado da metrificação, do ritmo, da rima, das figuras de linguagem, da articulação dos personagens, da estruturação do enredo, entre outros elementos.

Olavo Bilac, um dos poetas brasileiros que mais se esmerou em utilizar uma perfeita técnica na arte literária, expressou seu ideal de escritor no poema Profissão de Fé, onde ele compara o trabalho do poeta ao artesanato de um ourives na produção de uma jóia.

Invejo o ourives quando escrevo:

Imito o amor

Com que ele, em ouro, o alto relevo

Faz de uma flor.

Por isso, corre, por servir-me,

Sobre o papel

A pena como em prata firme

Corre o cinzel.

Torce, aprimora, alteia, lima

A frase: e, enfim,

No verso de ouro engasta a rima

Como um rubim.

Quero que a estrofe cristalina

Dobrada ao jeito

Do ourives saia da oficina

Sem defeito:

Assim procedo. Minha pena

Segue esta norma,

Por te servir, Deusa serena,

Serena Forma!

FUNÇÃO CATÁRTICA

A palavra catártica vem de catarse (do grego catharse), que significa purificação, purgação. Foi usada por Aristóteles ao afirmar que as tragédias (representações teatrais) purificam as emoções.

Em Literatura, podemos entender que a catarse é uma espécie de descarga emocional que provoca no leitor ou no escritor um certo alívio da tensão ou da ansiedade psicológica ou moral.

Ao vivenciar as emoções e tensões transmitidas pelos personagens das narrativas (seja da prosa ou da poesia), o leitor ou o escritor estaria descarregando sua próprias tensões, medos, frustrações e assim se libertando (purificando) dessas emoções negativas.

No caso do escritor, o ato de escrever pode se constituir em uma catarse, porque muitas vezes, ele escreve para desabafar, pôr para fora suas tensões e sublimar suas frustrações.

Portanto, a Literatura, ao provocar essa sensação de alívio emocional e purificação moral está desempenhando sua função catártica.

Manoel Bandeira, poeta brasileiro, confessa que foi nessas condições de tensão que escreveu seu famoso poema Vou-me embora pra Pasárgada:

Vou-me embora pra Pasárgada foi o poema de mais longa gestação em toda a minha obra. Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgada quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego (…). Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas” ou “tesouro dos persas” suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias (…). Mais de vinte anos depois, quando eu morava só, na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda sensação de tudo o que eu não tinha feito na minha vida por motivo de doença, saltou-me, de súbito, do subconsciente, esse grito estapafúrdio: “Vou-me embora pra Pasárgada!” Senti na redondilha, a primeira célula de um poema e tentei realizá-lo, mas fracassei. (…). Alguns anos depois, em idênticas circunstâncias de desalento e tédio, me ocorreu o mesmo desafio de evasão da “vida besta”. Desta vez o poema saiu sem esforço, como se já estivesse pronto dentro de mim. Gosto desse poema porque vejo nele, em escorço, toda a minha vida; e também porque parece que nele soube transmitir a tantas outras pessoas a visão e promessa da minha adolescência – essa Pasárgada onde podemos viver pelo sonho o que a vida madrasta não nos quis dar. Não sou arquiteto, como meu pai desejava, não fiz nenhuma casa, mas reconstruí, e “não como forma imperfeita neste mundo de aparências”, uma cidade ilustre, que hoje não é mais a Pasárgada de Ciro, e sim a “minha Pasárgada”.

Vamos ao poema:

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana, a Louca, da Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei em pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

mais triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

Vou-me embora pra Pasárgada

– Lá sou amigo do rei –

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada


FUNÇÃO POLÍTICO-SOCIAL

A obra literária também serve de instrumento de conscientização das pessoas e de transformação da sociedade. Por isso, a Literatura atua como um agente de participação nos movimentos e lutas sociais de uma época e de um povo nos quais o escritor se acha inserido. Muitos chamam a isso de “literatura engajada”.

São exemplos de obras  com essa função politico-social:

  • o poema O Navio Negreiro, de Castro Alves, denunciando a escravidão e incitando o povo a acabar com ela;
  • o romance O Cortiço, de Aluiso Azevedo, apontando a miséria material e moral dos moradores desse tipo de habitação;
  • o poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, denunciando  a vida sofrida do sertanejo e a exploração do seu trabalho pelos donos de terras no Nordeste Brasileiro.

Com o advento da Sétima Arte (o cinema) várias obras literárias ganharam cor, forma e imagem nas telas dos cinemas, como foi o caso de “Morte e Vida Severina”. Abaixo apresentamos um trecho desse poema que foi musicado por Chico Buarque e encenado no Teatro da Universidade Católica de  São Paulo, na década de 60.

Morte e Vida Severina

(No trecho, o retirante Severino assiste ao enterro de um trabalhador de uma plantação de cana e ouve o que dizem os amigos do morto que o levaram ao cemitério):

– Essa cova em que estás,                      – É uma cova grande

com palmos medida,                                para teu defunto parco

é a conta menor                                         porém mais que no mundo

que tiraste da vida.                                    te sentirás largo,

– É de bom tamanho,                                – É uma cova grande

nem largo, nem fundo,                            para tua carne pouca,

é a parte que te cabe                                  mas a terra dada

deste latifúndio.                                         não se abre a boca,

– Não é cova grande,                                 – Viverás, e para sempre

é cova medida,                                            na terra que aqui aforas:

é a terra que querias                                  e terás enfim tua roça.

ver dividida.                                                 – Aí ficarás para sempre,

– É uma cova grande                                  livre do sol e da chuva,

para teu pouco defunto,                            criando tuas saúvas.

mas estarás mais ancho                         – Agora trabalharás

que estavas no mundo.                            só para ti, não a meias

como antes em terra alheia.

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Agora vamos ver se você comprendeu o assunto.

Leia atentamente os textos a seguir. Analise-os sob o ponto de vista das funções literárias estudadas e indique que função eles manifestam. O mesmo texto pode apresentar uma ou mais funções, mas aponte a que mais se destaca.

Texto 1 –  O operário em construção (Vinícius de Moraes)

Era ele que erguia casas

Onde antes só havia chão.

Como um pássaro sem asas

Ele subia com as casas

Que lhe brotavam da mão.

Mas tudo desconhecia

Da sua grande missão:

Não sabia, por exemplo

Que a casa de um homem é um templo

Um templo sem religião

Como tampouco sabia

Que a casa que ele fazia

Sendo a sua liberdade

Era a sua escravidão.

De fato, como podia

Um operário em construção

Compreender por que um tijolo

Valia mais do que um pão?

Tijolos ele empilhava

Com pá, cimento e esquadria

Quanto ao pão, ele o comia…

Mas fosse comer tijolo!

E assim o operário ia

Com suor e com cimento

Erguendo uma casa aqui

Adiante um apartamento

Além uma igreja, à frente

Um quartel e uma prisão:

Prisão de que sofreria

Não fosse eventualmente

Um operário em construção

Mas ele desconhecia

Esse fato extraordinário:

Que o operário faz a coisa

E a coisa faz o operário.

De forma que, certo dia

À mesa, ao cortar o pão

O operário foi tomado

De uma súbita emoção

Ao constatar assombrado

Que tudo naquela mesa

– garrafa, prato, facão

Era ele quem os fazia

Ele, um humilde operário,

Um operário em construção.

Olhou em torno: gamela

Vidro, parede, janela

Casa, cidade, nação!

Tudo, tudo o que existia

Era ele quem o fazia

Ele, um humilde operário

Um operário que sabia

Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento

Não sabereis nunca o quanto

Aquele operário humilde

Soube naquele momento!

Naquela casa vazia

Que ele mesmo levantara

Um mundo novo nascia

De que sequer suspeitara.

O operário emocionado

Olhou sua própria mão

Sua rude mão de operário

De operário em construção

E olhando bem para ela

Teve num segundo a impressão

De que não havia o mundo

Coisa que fosse mais bela

(…)

TEXTO 2 –     A UM POETA (Olavo Bilac)

Longe do estéril turbilhão da rua,

Beneditino, escreve! No aconchego

Do claustro, na paciência e no sossego,

Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego

Do esforço; e a trama viva se construa

De tal modo, que a imagem fique nua,

Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício

Do mestre. E, natural, o efeito agrade,

Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade,

Arte pura, inimiga do artifício,

É a força e a graça na simplicidade.

TEXTO 3  –            SE EU MORRESSE AMANHÃ! (Álvares de Azevedo)

Se eu morresse amanhã, viria ao menos

Fechar meus olhos minha triste irmã;

Minha mãe de saudades morreria,

Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!

Que aurora de porvir e que manhã!

Eu perdera chorando essas coroas,

Se eu morresse amanhã!

Que sol! Que céu azul! Que doce n’alva

Acorda a natureza mais loucã!

Não me batera tanto amor no peito

Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora

A ânsia da glória, o dolorido afã…

A dor no peito emudecera ao menos,

Se eu morresse amanhã!

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GABARITO

Auto-avaliação.

1. b     2. C      3. B     4. B      5. A     6. A      7. C       8. C      9. B     10. C

Texto 1. Função politico-social e cognitiva

Texto 2. Função estética

Texto 3. Função catártica

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