GramáticaNoções de Morfologia.

TEMA 28: Noções de Morfologia – Conjunções subordinativas

By 3 de julho de 2012 2 Comments

ROTEIRO DE ESTUDO N° 28

1 – TEMA: Noções de Morfologia. Conjunção subordinativa. Emprego.

2 – PRÉ-REQUISITO:

  • Ler com compreensão.

3 – META: Ao final do estudo, você deverá ser capaz de:

  • interpretar textos
  • identificar e classificar as conjunções subordinativas
  • entender o uso da conjunção e sua importância nas frases

4 – PRÉ-AVALIAÇÃO: O objetivo da pré-avaliação é diagnosticar o quanto se tem conhecimento de um assunto. Para isso, basta que você responda à Auto-avaliação que está no final deste Roteiro, antes de ler qualquer texto existente nele. Se você alcançar um resultado igual ou superior a 80 pontos, não precisa estudar o assunto, pois você já o domina suficientemente. Caso contrário, vá direto para as Atividades de Estudo.

5 – ATIVIDADES DE ESTUDO: Ler com entendimento é pré-requisito para se aprender qualquer coisa através da leitura. Por isso, leia o texto do anexo A para treinar sua interpretação. Embora a leitura dos anexos em si seja também interpretação de texto, ela é voltada para uma finalidade mais específica que é a aprendizagem dos conceitos gramaticais. O texto do Anexo A é mais genérico e serve de treinamento para a compreensão geral da língua. Portanto, faça o seguinte:

a) Tenha um dicionário de Português ao seu alcance, para consultá-lo sobre as palavras que você desconhece o significado;

b) Procure um lugar sossegado para ler os textos e fazer os exercícios;

c) Leia primeiro o texto; faça em seguida os exercícios; compare suas respostas com o gabarito e veja o que errou; retorne ao texto para verificar o porquê do erro.

6 – PÓS-AVALIAÇÃO: Após ter feito o estudo dos textos e os exercícios, responda às questões propostas na Auto-avaliação. Creio que você agora, acertará todas. Caso isso não aconteça, consulte as orientações dadas nas Atividades Suplementares.

7 – ATIVIDADES SUPLEMENTARES: Se você não conseguiu alcançar 80 pontos na Pós-avaliação, volte à leitura dos textos, agora com mais atenção. Sem pressa. A leitura com compreensão é a base da aprendizagem.

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ANEXO A  –  INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

“SEU” JOCA

1.     Desde mocinho que o “Seu” Joca tocava pandeiro na bateria de uma escola de samba. Quando ele era moço fazia um sucesso danado: virava cambalhota, jogava o pandeiro pro alto, fazia pirueta, todo mundo gostava de ver. Mas foi ficando velho: jogava o pandeiro pra cima e quem diz que pegava de volta? Era só fazer pirueta que trançava uma perna na outra e se estatelava no chão. Então o pessoal da Escola mandou:

2.     – Esquece pirueta, cambalhota, não joga mais nada pro alto, “Seu” Joca. Só batuca e pronto, tá?

3.     “Seu” Joca obedeceu. A coisa que ele mais adorava na vida era fazer parte da bateria da Escola. Ele não tinha família, morava numa casinha muito ruim, ganhava pouco dinheiro, o trabalho no Zoo era chato, a grande curtição era sair com a Escola no Carnaval. Então, tudo que diziam para ele fazer, ele fazia; topava qualquer coisa pra continuar tocando na bateria.

4.     O tempo passou. “Seu” Joca ainda ficou mais velho; deu pra batucar mal. Um dia, quando ele chegou ao ensaio, disseram:

5.     – Agora não dá mais pé, “Seu” Joca. Esse negócio de batuque é coisa pra moço. Aproveita o carnaval pra ficar em casa descansando, tá?

6.    “Seu” Joca foi pra casa de cabeça baixa. Não dormiu a noite toda. Só de tristeza. E a toda hora os vizinhos ouviam um barulhinho – pin: era uma lágrima do “Seu” Joca caindo no chão.

7.     No dia seguinte, logo que chegou ao Jardim Zoológico, “Seu” Joca foi olhar o Pavão (ele costumava dizer que pra curar tristeza a gente deve olhar coisa bonita). Olhou, olhou. De repente, teve uma ideia maluca: se assustou, nem quis pensar nela outra vez. E empurrou a ideia pro fundo do pensamento, mas ela teimou e voltou. E ficou. Era a ideia de roubar o Pavão. De noite “Seu” Joca foi à Escola de Samba, juntou o pessoal e falou:

8.     – Negócio é o seguinte: nossa Escola é pobre, nunca fez boa figura no carnaval. Se a gente tivesse destaque a coisa era diferente. Mas destaque precisa de fantasia de luxo; fantasia de luxo custa uma nota alta; quem tem nota alta vai pro Salgueiro, Mangueira. Torce o nariz pra uma Escola feito a nossa.

9.     – Que tanto blablablá é esse, “Seu” Joca?

10.  – Negócio é o seguinte: se vocês me deixam na bateria, tocando o pandeirinho que toda a vida eu toquei, eu arranjo um destaque superlegal pra nossa Escola.

11.     O pessoal quis ver o destaque. “Seu” Joca mostrou um retrato do Pavão (tinham tirado uma porção de retratos do Pavão lá no Zoo; “Seu” Joca pediu um, ninguém disse não). O pessoal ficou bobo (era retrato colorido, o Pavão estava uma maravilha); nem acreditaram:

12.      – Você traz ele pra destaque, “Seu” Joca?

13.      – Amanhã mesmo.

14.      – Negócio feito! – e apertaram mão e tudo.

(NUNES, Lygia Bojunga. A Casa da Madrinha. Editora Agir, Rio de Janeiro, 1983)

Depois da leitura atenta do texto, responda estas questões.

1. Na frase: “… topava qualquer coisa para continuar…” (parág. 3) a palavra em destaque significa:

a. (    ) tropeçar        b. (   ) concordar       c. (   ) encontrar

2. Substitua, nas frases, a expressão em negrito pela palavra adequada que damos abaixo:

aborrecido – acabrunhado – aceitava – desprezava – é possível – passou a

a. O trabalho de “Seu” Joca no Zoo era chato.

b. Para tocar na bateria, “Seu” Joca topava qualquer coisa.

c. Agora não dá mais pé, “Seu” Joca!

d. “Seu” Joca foi para casa de cabeça baixa.

e. Depois, “Seu” Joca deu de batucar mal.

f. Quem tinha dinheiro, torcia o nariz para essa escola.

3. Localize e transcreva do texto as palavras que tenham os significados abaixo:

a. volta que se dá com o corpo, de cabeça para baixo: ______________

b. giro do corpo sobre um dos pés: ______________________________

c. treinamento para se obter perfeito desempenho: _________________

d. gota de líquido segregada através dos olhos: ___________________

e. figura ou assunto importante, de realce: ________________________

4. “Seu” Joca não recebia dinheiro como integrante da escola de samba. De que ele vivia então?

5. Os dirigentes da escola de samba pediram para o “Seu” Joca não fazer piruetas, dar cambalhotas e atirar o pandeiro para o alto. Por fim eles ainda deram outra ordem. Qual foi? E por quê?

6. “Seu” Joca teve uma ideia maluca, surgida:

a. (   ) quando o proibiram de tocar na escola de samba.

b. (   ) durante a noite em que ficou acordado e chorando o tempo todo.

c. (   ) no dia seguinte, no Zoo, ao olhar o pavão para curar a tristeza.

d. (   ) quando lhe disseram que  escola de samba precisava de um destaque.

7. Quando surgiu a ideia de roubar o pavão, “Seu” Joca tentou empurrá-la para o fundo do pensamento, mas não conseguiu. Por quê?

8. O discurso de “Seu” Joca foi importante, mas alguma coisa a mais foi necessário para que o pessoal da escola concordasse com sua proposta. O que foi?

9. A autora da história procura mostrar que:

a. (   ) a idade não serve de referência para estabelecer o momento de uma pessoa encerrar suas atividades.

b. (   ) há pessoas capazes de cometer atos ilícitos para preservarem o que lhes é muito importante.

c. (   ) as tristezas são mais facilmente curáveis quando se utiliza a beleza para tratamento.

d. (   ) o roubo é perdoável quando praticado para a satisfação de uma necessidade.

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Gabarito

Questão 1. alternativa B

Questão 2.   a. O trabalho de “Seu” Joca no Zoo era aborrecido.

b. Para tocar na bateria, “Seu” Joca aceitava qualquer coisa.

c. Agora não é possível, “Seu” Joca!

d. “Seu” Joca foi para casa acabrunhado.

e. Depois, “Seu” Joca passou a batucar mal.

f. Quem tinha dinheiro, desprezava essa escola.

Questão 3.  a. cambalhota     b. Pirueta     c. Ensaio     d. Lágrima      e. destaque

Questão 4.  Vivia do salário como funcionário do Jardim Zoológico.

Questão 5. Deixar de tocar na bateria porque “Seu” Joca passou a tocar mal o pandeiro.

Questão 6. Alternativa C

Questão 7. Porque o desejo de permanecer na bateria da escola foi maior que seus escrúpulos.

Questão 8. Mostrar a fotografia do pavão.

Questão 9. Alternativa B

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ANEXO B  –  CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS

No Roteiro de Estudo anterior (n° 27) estudamos sobre as conjunções coordenativas. Vimos que as conjunções coordenativas unem orações cujos significados são independentes entre si.

Agora, vamos estudar sobre as conjunções subordinativas.

Para melhor entendermos a função das conjunções subordinativas vamos consultar o nosso amigo, o dicionário, para sabermos o significado da palavra subordinativa.

A palavra tem origem no verbo subordinar que significa: pôr sob a dependência de; sujeitar. Ligar a um princípio ou coisa superior.

Subordinação – ato ou efeito de subordinar; estado de dependência ou obediência a uma hierarquia ou a um poder.

Subordinada – dependente, subalterna.

Subortinativa – que estabelece subordinação; conjunção que liga duas orações, uma das quais completa ou determina o sentido da outra.

Portanto:

Conjunção subordinativa é a palavra invariável que une uma ou mais orações à outra, completando-lhe o sentido.

As orações que completam o sentido da oração principal toma o nome da conjunção que a introduz na frase, de acordo com a ideia contida.

As conjunções subordinativas são classificadas como: causais, comparativas, concessivas, condicionais, conformativas, consecutivas, finais, proporcionais, temporais e integrantes.

1. CAUSAIS – dão ideia de causa, origem: que, porque, pois, porquanto, como pois, por isso que, já que, uma vez que, visto que, visto como.

Ex.: O homem não pagou a conta porque não tinha dinheiro.          Tenho muita sede, por isso que bebo bastante água.

2. COMPARATIVAS – dão ideia de comparação, confronto: que, do que, qual, como, assim como, bem como.

Ex.: Hoje, parecia mais agitado do que ontem.        Ela é melhor cantando que falando.

3. CONCESSIVAS – indicam a incapacidade de impedir uma ação anterior: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que, apesar de que, nem que, por mais que.

Ex.: Queria alugar um apartamento de luxo, embora não tivesse dinheiro.

4. CONDICIONAIS – dão ideia de hipótese ou condição para a realização ou não de um fato ou ação: se, caso, quando, contanto que, salvo se, sem que, dado que, desde que, a menos que, a não ser que.

Ex.: Não receberia o diploma sem que fosse aprovado nos exames.         Passaria indiferente, se o encontrasse na rua.

5. CONFORMATIVAS – exprime ideia de conformidade, de acordo com outro pensamento expresso: conforme, como, segundo, consoante.

Ex.: O homem não possuía nada, segundo ele mesmo declarou.

6. CONSECUTIVAS – indicam uma consequência do que foi informado na oração principal: tal que, tão que, tanto que, tamanho que, de forma que, de maneira que, de modo que, de sorte que.

Ex.: O vestido estava muito apertado, de modo que mal conseguia respirar.

7. FINAIS – dão ideia da finalidade de uma ação anterior: para que, a fim de que.

Ex.: Precisou mentir para que sua esposa fosse bem tratada.

8. PROPORCIONAIS – dão ideia de ações ou fatos executados simultaneamente: à medida que, ao passo que, à proporção que, enquanto que,

quanto mais, quanto menos.

Ex.: A plantação brotava, à medida que chovia.       Quanto mais chovia, mais subia o nível do rio.

9. TEMPORAIS – dão ideia de tempo: quando, antes que, depois que, até que, logo que, sempre que, assim que, desde que, todas as vezes que, cada vez que, apenas.

Ex.: Implicou comigo assim que me viu.       Ela espantou-se quando o viu chegar.

10. INTEGRANTES – servem para unir orações que exercem funções de termos essenciais ou integrantes, na estrutura de um período composto: se, que.

Ex.: Não sei se você reparou que ela está usando um anel de brilhantes.

Conhecer bem as conjunções é pré-requisito para o estudo de Sintaxe, pois elas tem um papel importante na estrutura da oração.

Você já deve ter ouvido a frase: “Por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher.” Pois bem, podemos fazer uma comparação  da influência de uma mulher com a influência de uma conjunção. Às vezes, não se dá a devida atenção, mas elas estão lá, influenciando: a mulher (na vida de um homem) e a conjunção (na estrutura da oração).

Vamos exercitar.

A. Preencha as lacunas com as conjunções subordinativas, de acordo com a ideia proposta entre parênteses.

1. Ele nunca recebe muito dinheiro ___________ trabalha numa terra árida. ( causa, origem )

2. O caboclo disse que pagaria a dívida ______ o médico esperasse a colheita. ( condição para a realização de uma ação )

3. O médico ia ficando furioso ______________ descobria a verdade.  ( ideia de ação executada simultaneamente )

4. O caboclo enganou o médico _______________ seu filho nascesse como rico. ( finalidade )

5. O médico procurou cobrar a conta _____________ o caboclo sumiu.  ( ideia de tempo )

6. Contei a história  _________________ o médico me contara. ( ideia de acordo com outro pensamento já expresso )

7. O caboclo nunca recebe muito dinheiro ____________ trabalhe bastante. ( ideia de incapacidade de impedir uma ação ou fato anterior )

8. Tudo aconteceu ________________ o caboclo havia maquinado.  ( ideia de conformidade com outro pensamento já expresso )

9. O médico estava no hospital ___________ viu o caboclo. ( ideia de tempo )

10. O caboclo não conseguiria o apartamento de luxo ______ dissesse a verdade. ( ideia de condição para a realização de um fato ou ação )

11. As enfermeiras atenderam o paciente ___________ o médico recomendara. ( ideia de conformidade )

12.  O médico contou tudo à esposa ____________ chegou em casa.   ( ideia de tempo )

13. O parto foi um sucesso _____________ a mulher foi bem atendida.   ( ideia de causa )

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GABARITO

  1. porque                                 8. como
  2. se                                          9. quando
  3. à medida que                   10. se
  4. para que                            11. conforme
  5. quando, assim que        12. quando
  6. conforme                          13. porque
  7. embora

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LEITURA COMPLEMENTAR

Entre as Conjunções

O verbo Ser levou Emília para a Casa das Conjunções, que ficava ao lado.

– As Conjunções – explicou ele – também ligam; mas, em vez de ligarem simples palavras (como fazem as Preposições), ligam grupos de palavras, ou isso a que os gramáticos chamam Oração.

– Oração não é reza? – perguntou Emília.

– É reza e é também uma frase que forma sentido perfeito. Quando alguém diz: Emília é uma boneca, está formando uma Oração curtinha. Mas há frases muito compridas, compostas de várias Orações; nesse caso é preciso ligar as Orações entre si por meio das Conjunções. Não fazendo isso, a frase cai aos pedaços.

– Compreendo – disse Emília. – Se eu digo… – e engasgou.

– Espere – advertiu Ser. – Se você diz: A água é mole e a pedra é dura, você esta amarrando duas Orações diversas com o barbantinho da Conjunção E.

Emília viu na casa das Conjunções dois armários, um com as Conjunções Coordenativas e outro com as Conjunções Subordinativas. No armário das Coordenativas encontrou muitas conhecidas suas, como: e, também, então, bem como, que, ou, mas, porém, todavia, senão, somente, pois bem, ora, aliás…

– Como são numerosas! – comentou a boneca. – Nunca supus que fosse necessária tanta variedade de fios para amarrar as Senhoras Orações.

– Os homens costumam amarrar as Orações de tantos modos diferentes, que todas essas cordinhas se tornam necessárias.

Emília ainda viu lá: logo, pois, portanto, assim, por isso, daí, ou, isto é, por exemplo e muitas mais.

No segundo armário estavam as Conjunções Subordinativas, que ligam as Orações de um modo especial, escravizando uma à outra. Eram igualmente abundantíssimas, e Emília notou as seguintes: quando, apenas, como, enquanto, desde que, logo que, até que, assim que, ao passo que, se, salvo, exceto, sem que, porque, visto que, de modo que, para que, segundo, conforme, embora, e outras.

– Xi!… São tantas que já estão me enjoando – disse Emília fazendo um muxoxo. – Chega de Casa de Fios. Vamos ver outra coisa.

– Só nos resta visitar as Interjeições – disse o Verbo Ser, tirando do bolso uma caixinha de rapé para tomar a sua pitada.

– Isso é tabaco ou pó de pirlimpimpim? – perguntou Emília.

– Pó de pirlimpimpim? – repetiu o Verbo Ser, franzindo a testa. – Que pó é esse?

Emília riu-se.

– Nem queira saber, Serência! É um pozinho levado da breca. Uma vez tomamos uma pitada e fomos parar na Lua…

E quando iam caminhando para a Casa das Interjeições, a boneca desfiou a primeira aventura da Viagem ao Céu1.

(Monteiro Lobato, Emília no País da Gramática)

Nota explicativa.

1. Viagem ao Céu: referência à obra de Monteiro Lobato.

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