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TEXTO TÉCNICO PARA INTERPRETAÇÃO 5 – Língua e Alfabetização

By 16 de julho de 2012 No Comments

TEXTO TÉCNICO PARA INTERPRETAÇÃO 5 – Língua e alfabetização

A passagem da língua falada para a língua escrita é uma tarefa bastante complicada. Se para nós que dominamos as regras da língua escrita é uma tarefa difícil, imagine quantas dificuldades o aluno encontrará ao se iniciar no mundo das letras. É uma árdua tarefa. Mas vale a pena, professor, adquirir conhecimento para ajudar nossas crianças a entrar neste mundo mágico da leitura.

LÍNGUA E ALFABETIZAÇÃO

A alfabetização consiste no desenvolvimento das habilidades de ler e escrever. A criança acrescentará à sua capacidade natural de se comunicar oralmente a de expressar pensamentos, emoções e sentimentos através de símbolos gráficos. Para alcançar o domínio da língua escrita, a criança terá que passar por um processo sistemático de ensino, bastante distinto daquele pelo qual adquiriu a linguagem oral. Muitas serão as dificuldades que a criança terá que vencer. Uma destas dificuldades está ligada à sua própria linguagem.

Quando a criança chega à escola, traz consigo uma bagagem linguística adquirida na sua comunidade. A sua linguagem reproduz as características sociais e culturais do meio em que a criança vive. Assim, crianças de meios diferentes, falarão variantes linguísticas diferentes. Esta diversificação é natural, pois, como vimos, a língua falada nunca é homogênea. Entretanto, todas as crianças podem aprender uma língua escrita única, homogênea e sujeita a normas mais rígidas.

Passar da língua falada para a língua escrita é um processo difícil para qualquer criança. Poderá, no entanto, se tornar mais árduo se a variante linguística da criança for muito diferente daquela que é ensinada na escola. Assim, a natureza diversificada da língua falada é o primeiro obstáculo que pode dificultar a alfabetização. Por isso, faz-se necessário que o professor esteja consciente da sua existência.

As atitudes que o professor alfabetizador deve tomar diante da diversidade da língua falada por seus alunos, ao iniciar o processo de alfabetização, devem ser:

  • Respeitar a linguagem da criança;
  • Tentar descobrir quais são as características próprias da linguagem dos seus alunos;
  • Tomar cuidado com a utilização do adjetivo “errado” para classificar a linguagem do seu aluno;
  • Aproximar o ensino o mais possível da realidade linguística do aluno;
  • Não tentar impor imediatamente uma língua diferente daquela que o aluno fala;
  • Estar atento às características próprias da língua escrita e não procurar transferi-las para a língua falada.

Estes pontos são fundamentais para que o professor reavalie as suas atitudes e a sua postura profissional. O trabalho de alfabetizar exige do professor um compromisso sério com o aluno, sua linguagem, sua vivência e sua realidade. O professor alfabetizador deve preocupar-se em conhecer seu aluno para introduzi-lo, sem traumas, no mundo das letras. É preciso que dê à criança uma chance real de participar das decisões, de competir com possibilidade de vitória na sociedade em que vivemos, o que não é permitido às pessoas que não dominam a leitura e a escrita.

Após leitura atenta do texto, responda às questões.

1. Marque, com um X, as afirmativas corretas.

a. (   ) Quando chegam à escola, todas as crianças falam a mesma variante linguística.

b. (   ) Para todas as crianças, a aprendizagem da língua escrita é difícil.

c. (   ) A criança fala a linguagem do seu meio ambiente.

d. (   ) Se falar uma variante linguística muito diferente daquela da escola, a criança terá mais dificuldade na alfabetização.

e. (   ) O professor não precisa ter consciência da diversidade linguística.

2. Complete as frases:

  1. As crianças falam variantes linguísticas _______________ de acordo com ____________
  2. A alfabetização é uma passagem da ______________ oral para a _________________ da língua escrita.

3. Analise as situações abaixo para responder à questão proposta:

Situação A

Na sala de aula, a professora apresenta ao aluno a gravura de uma escada e pergunta:

Professora – O que é isto?

Aluno – É uma iscada.

Professora – Iscada não. Iscada não existe. Iscada é uma maneira errada de a gente dizer. A maneira certa é escada.

Situação B

Na sala de aula, no interior do Nordeste, a professora dá a seguinte frase para os alunos lerem:   Vovô viu a uva. Uma criança pergunta:

–        Professora, o que é uva?

A professora responde:

–     Como? Você não sabe o que é uva?

As situações A e B mostram que o professor: (marque mais de uma alternativa de acordo com a leitura do texto)

a. (   ) revela desconhecimento das características da linguagem do aluno.

b. (   ) mistura características da linguagem oral com características da linguagem escrita. Falamos iscada e escrevemos escada.

c. (   ) usa, para o ensino, um vocabulário que não faz parte da realidade linguística da criança.

d. (   ) adota atitudes repressoras da linguagem da criança.

e. (   ) tenta impor uma outra linguagem à criança.

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Gabarito:

Questão 1. Alternativas b, c, d

Questão 2. a) diferentes / meio ambiente   b) diversidade / homogeneidade

Questão 3. Todas as afirmativas estão de acordo com as informações dadas no texto.

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