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Redação Roteiro 9 – O texto narrativo. Elementos essenciais e auxiliares do texto narrativo.

By 3 de fevereiro de 2013 No Comments

CURSO DE REDAÇÃO – ROTEIRO N° 9

1.TEMA: O texto narrativo. Elementos essenciais e auxiliares de um texto narrativo.

2. PRÉ-REQUISITOS:
a) ter noções de Morfologia e Sintaxe
b) ter concluído, com êxito, o estudo dos Roteiros anteriores deste Curso.

3. META: Ao término do estudo deste Roteiro o estudante deverá ser capaz de:
a) identificar um texto narrativo
b) identificar e utilizar os elementos essenciais e auxiliares em um texto narrativo
c) redigir um texto narrativo

4. ATIVIDADES DE ESTUDO:
a) Leia os textos A, B e C . Faça os exercícios, depois que tiver certeza que entendeu bem as explicações dadas.

b) Por fim, faça uma última leitura e reveja todos os exercícios com o objeti-vo de fixar os conceitos estudados.

c) Se encontrar dificuldade, procure um professor de português ou um amigo que possa ajudá-lo a esclarecer as dúvidas surgidas no decorrer do estudo.

5. Você encontra todos os Roteiros deste curso no site: portuguesirado.com.br

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ANEXO A – O texto narrativo ou a narração

     No Roteiro anterior, treinamos a redação de parágrafos narrativos, isto é, como contar um fato ou acontecimento.
Neste Roteiro, vamos dar continuidade ao estudo desse tipo de expressão escrita, treinando trechos narrativos maiores, isto é, vamos treinar a redação contando um fato ou acontecimento, relacionando vários parágrafos de modo a compor uma narração.
Já sabemos que a narração é um tipo de expressão escrita em que contamos uma história. Ao contarmos uma história, apresentamos uma sequência de fatos. Essa sequência é o que caracteriza o texto narrativo. Isso significa que, ao contarmos uma história, partimos de um fato básico ao qual vamos acrescentando outros. Podemos concluir que:

A narração apresenta um fato básico, a que se vão acrescentando outros fatos, relacionando-os de modo a compor uma história.

A seguir, damos um exemplo de texto narrativo.

A OVELHA NEGRA

     Havia um país onde todos eram ladrões.
À noite, cada habitante saía, com a gazua e a lanterna, e ia arrombar a casa de um vizinho. Voltava de madrugada, carregado e encontrava a sua casa roubada.
E assim todos viviam em paz e sem prejuízo, pois um roubava o outro, e este, um terceiro, assim por diante, até que se chegava ao último que roubava o primeiro.
O comércio naquele país só era praticado como trapaça, tanto por quem vendia como por quem comprava. O governo era uma associação de delinquentes vivendo à custa dos súditos, e os súditos por sua vez só se preocupavam em fraudar o governo. Assim a vida prosseguia sem tropeços, e não havia ricos nem pobres.
Ora, não se sabe como, ocorreu que no país apareceu um homem honesto. À noite, em vez de sair com o saco e a lanterna, ficava em casa fumando e lendo romances. Vinham os ladrões, viam a luz acesa e não entravam na casa. Essa situação durou algum tempo: depois foi preciso fazê-lo compreender que, se quisesse viver sem fazer nada, não era essa uma boa razão para não deixar os outros fazerem. Cada noite que ele passava em casa era uma família que não comia no dia seguinte.
Diante desses argumentos, o homem honesto não tinha o que objetar. Começou a sair de noite para voltar de madrugada, mas não ia roubar. Era honesto, não havia nada a fazer. Andava até a ponte e ficava vendo a água passar embaixo. Voltava para casa, e a encontrava roubada.
Em menos de uma semana o homem honesto ficou sem tostão, sem o que comer, com a casa vazia. Mas até aí tudo bem, porque era culpa sua; o problema era que seu comportamento criava uma grande confusão. Ele deixava que lhe roubassem tudo e, ao mesmo tempo, não roubava ninguém; assim, sempre havia alguém que, voltando para casa de madrugada, achava a casa intacta: a casa que o homem honesto devia ter roubado.
O fato é que, pouco depois, os que não eram roubados acabaram ficando mais ricos que os outros e passaram a não querer mais roubar. E, além disso, os que vinham para roubar a casa do homem honesto sempre a encontravam vazia; assim iam ficando pobres.
Enquanto isso, os que tinham se tornado ricos pegaram o costume, eles também, de ir de noite até a ponte para ver a água que passava embaixo. Isso aumentou a confusão, pois muitos outros ficaram ricos e muitos outros ficaram pobres.
Ora, os ricos perceberam que, indo de noite até à ponte, mais tarde ficariam pobres. E pensaram: “Paguemos aos pobres para ir roubar para nós.” Fizeram-se contratos, estabeleceram-se os salários, as percentagens: naturalmente, continuavam a ser ladrões e procuravam enganar-se uns aos outros. Mas, como acontece, os ricos tornavam-se cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
Havia ricos tão ricos que não precisavam mais roubar e que mandavam roubar para continuarem ricos. Mas, se paravam de roubar, ficavam pobres porque os pobres os roubavam. Então pagaram aos mais pobres dos pobres para defenderem as suas coisas contra os outros pobres, e assim instituíram a polícia e constituíram as prisões.
Dessa forma, já poucos anos depois do episódio do homem honesto, não se falava mais de roubar ou de ser roubado, mas só de ricos ou de pobres; e no entanto todos continuavam a ser pobres.
Honesto só tinha havido aquele sujeito, e morrera logo, de fome.

(Ítalo Calvino, In: Um general na biblioteca. Companhia das Letras, São Paulo, 2001)

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ANEXO B – Elementos essenciais e auxiliares de um texto narrativo

     Como já vimos, a narração apresenta uma sequência de fatos em torno de um fato básico.
O fato básico responde, de certa maneira, à pergunta “o que aconteceu?”. Os outros fatos relacionados a esse, que vão desenvolver nossa história, irão mostrar:
• com quem aconteceu?
• como aconteceu?
• onde aconteceu?
• quando aconteceu?
• por que aconteceu?

     Apresentamos essas perguntas – a que chamamos de perguntas ou elementos auxiliares – para que você perceba que podemos contar nossa história através de vários fatos. À exceção de “o que aconteceu” e “com quem aconteceu”, não é necessário que os outros fatos apareçam em nossa narração. Entretanto, uma narração onde apareçam somente os elementos básicos (o que aconteceu e com quem aconteceu), ficará restrita a apenas um pequeno parágrafo narrativo.
São elementos essenciais ao texto narrativo:
• o que aconteceu ( o fato em si )
• com quem aconteceu ( os personagens )

São elementos auxiliares para o desenvolvimento da narração:
• como aconteceu ( modo )
• onde aconteceu ( local )
• quando aconteceu ( tempo )
• por que aconteceu ( causa )

     No texto a seguir, que faz parte da obra VIDAS SECAS, de Graciliano Ramos, vamos identificar os elementos essenciais e auxiliares que o escritor utilizou para narrar a história.

     “E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande.
Ausente do companheiro, a cachorra Baleia tomou a frente do grupo. Arqueada, as costelas à mostra, corria ofegando, a língua fora da boca. E de quando em quando se detinha, esperando as pessoas, que se retardavam.
Ainda na véspera eram seis viventes, contando com o papagaio. Coitado, morrera na areia do rio, onde haviam descansado, à beira de uma poça; a fome apertara demais os retirantes e por ali não existia sinal de comida. Baleia jantara os pés, a cabeça, os ossos do amigo, e não guardava lembrança disto. Agora, enquanto parava, dirigia as pupilas brilhantes aos objetos familiares, estranhava não ver sobre o baú de folha a gaiola pequena onde a ave se equilibrava mal. Fabiano também às vezes sentia falta dele, mas logo a recordação chegava. Tinha andado a procurar raízes à-toa: o resto de farinha acabara, não se ouvia um berro de rês perdida na caatinga. Sinhá Vitória, queimando o assento no chão, as mãos cruzadas segurando os joelhos ossudos, pensava em acontecimentos antigos que não se relacionavam: festas de casamento, vaquejadas, novenas, tudo numa confusão. Desperta-a um grito áspero, vira de perto a realidade e o papagaio, que andava furioso, com os pés apalhetados, numa atitude ridícula. Resolvera de supetão aproveitá-lo como alimento e justificara-se declarando a si mesma que ele era mudo e inútil. Não podia deixar de ser mudo. Ordinariamente a família falava pouco. E depois daquele desastre viviam todos calados, raramente soltavam palavras curtas. O louro aboiava, tangendo um gado inexistente, e latia arremedando a cachorra.
As manchas dos juazeiros tornaram a aparecer, Fabiano aligeirou o passo, esqueceu a fome, a canseira e os ferimentos. As alparcatas dele estavam gastas nos saltos, e a embira tinha-lhe aberto entre os dedos rachaduras muito dolorosas. Os calcanhares, duros como cascos, gretavam e sangravam.
Num cotovelo do caminho avistou um canto de cerca, encheu-o a esperança de achar comida, sentiu desejo de cantar. A voz saiu-lhe rouca, medonha. Calou-se para não estragar a força.
Deixaram a margem do rio, acompanharam a cerca, subiram a ladeira, chegaram aos juazeiros. Fazia tempo que não viam sombra.
Sinhá Vitória acomodou os filhos, que arriaram como trouxas, cobriu-os com molambos. O menino mais velho, passada a vertigem que o derrubara, encolhido sobre folhas secas, a cabeça encostada a uma raiz, adormecia, acordava. E quando abria os olhos, distinguia vagamente um monte próximo, algumas pedras, um carro de bois. A cachorra Baleia foi enroscar-se junto dele.
Estavam no pátio de uma fazenda sem vida. O curral deserto, o chiqueiro das cabras arruinado e também deserto, a casa do vaqueiro fechada, tudo anunciava abandono.

GLOSSÁRIO
Aboiava – cantava guiando os bois
Apalhetados – como palito
Arqueada – dobrada, curvada
Caatinga – vegetação da região Nordeste do Brasil
Detinha – parava
Embira – planta cuja casca fornece fibras usadas em amarrações
Gretavam – rachavam
Juazeiros – árvores muito frequentes nas caatingas
Ofegando – respirando com dificuldade
Rês – boi ou vaca
Retirantes – sertanejos que emigram fugindo da seca nas regiões áridas do nordeste brasileiro
Vaquejadas – festa popular do nordeste brasileiro, rodeio

Agora vamos ao nosso estudo.

     Para encontrarmos o fato básico, vamos utilizar a pergunta “o que aconteceu?”. A resposta (ou o fato em si) pode ser sintetizada como “a viagem de uma família”. Logo no primeiro parágrafo há uma referência a esse fato básico:

“E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande.”

     Observemos que a história é conduzida por um narrador que nos apresenta os fatos, que vão se relacionando, formando um todo.
Em seguida, vamos identificar os personagens respondendo à pergunta “com quem aconteceu?”. O texto apresenta seis personagens:

. a cachorra Baleia, a primeira personagem que aparece no texto, age de acordo com a situação em que a viagem se realiza.
“Ausente do companheiro, a cachorra Baleia tomou a frente do grupo. Ar-queada, as costelas à mostra, corria ofegando, a língua fora da boca. E de quando em quando se detinha, esperando as pessoas, que se retardavam.”

. o papagaio.
“Ainda na véspera eram seis viventes, contando com o papagaio. Coitado, morrera, na beira do rio onde haviam descansado, à beira de uma poça; a fome apertara demais…”

. Fabiano.
“Fabiano também às vezes sentia falta dele, mas logo a recordação chega-va. Tinha andado a procurar raízes à-toa…” ;
“As manchas dos juazeiros tornaram a aparecer, Fabiano aligeirou o passo, esqueceu a fome…”

. Sinhá Vitória
“Sinhá Vitória, queimando o assento no chão, as mãos cruzadas segurando os joelhos ossudos, pensava em acontecimentos antigos que não se relaciona-vam…”

. os filhos
“Ainda na véspera eram seis viventes, contando com o papagaio.”
“Sinhá Vitória acomodou os filhos, que arriaram como trouxas…”
“O filho mais velho, passada a vertigem que o derrubara…”

     Ao lermos o texto, vemos que ao fato básico vão se acrescentado outros fatos relativos aos personagens, às suas ações e ao ambiente. Esses fatos não podem ser dissociados, pois funcionam como um todo. Assim, ao contar essa história, o narrador procurou relacionar:
• o fato em si – o que aconteceu? ( a viagem de uma família )
• os personagens – com quem aconteceu? (uma cachorra, Baleia; um papagaio; Sinhá Vitória, Fabiano, os filhos que o texto insinua serem dois)

     Ainda podemos identificar os elementos auxiliares da narração quanto ao:
• tempo – quando aconteceu o fato básico? (num período de grande seca)
• local – onde aconteceu o fato básico? (na região nordeste do Brasil)
• modo – como aconteceu o fato básico? ( a viagem foi feita a pé )
• causa – por que aconteceu o fato básico ( o texto não apresenta uma frase explícita, mas deixa transparecer que a viagem aconteceu por causa da falta de alimentos para a família no lugar onde moravam, que é o tema do romance de Graciliano Ramos )

     Além desses elementos auxiliares, existem outros elementos que dão um certo colorido aos fatos narrados: são as descrições. Em um texto narrativo podem aparecer pequenos textos descritivos, que atuam como elementos auxiliares à compreensão da história. Observe que nesse trecho, o narrador vai se utilizando de adjetivos para descrever o fato em si, os personagens, o tempo, o local e o modo:
• o fato em si – “a viagem… mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande.”

• os personagens –

. a cachorra Baleia: “Arqueada, as costelas à mostra, …, a língua fora da boca.”
. O papagaio: “O louro aboiava, tangendo um gado inexistente, e latia arremedando a cachorra.”
. Fabiano: “… aligeirou o passo, esqueceu a fome, a canseira e os ferimentos. As alparcatas dele estavam gastas nos saltos, e a embira tinha-lhe aberto entre os dedos rachaduras muito dolorosas. Os calcanhares, duros como cascos, gretavam-se e sangravam.”
. Sinhá Vitória: “… as mãos cruzadas segurando os joelhos ossudos…”
. os filhos: “…arriaram como trouxas…”; “O filho mais velho, passada a vertigem que o derrubara, encolhido sobre folhas secas, a cabeça encostada a uma raiz…”

Agora, apresentamos-lhe o texto abaixo para que você identifique os aspectos da narração que estudamos até aqui.

MENINOS CARVOEIROS        ( Manuel Bandeira )

Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
– Eh, carvoeiro!
E vão tocando os animais com relho enorme

Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.

Pela boca da noite vem uma velhinha
Que os recolhe, dobrando-se com um gemido!

– Eh, carvoeiro!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.

A madrugada ingênua parece feita para eles…
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais
como se brincásseis!

– Eh, carvoeiro!
Quando voltam, vão mordendo um pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
Apostando corridas, dançando, bamboleando nas cangalhas
Como espantalhos desamparados!

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Vocabulário
Alimárias – animais
Aniagem – tecido grosseiro
Cangalhas – armação que sustenta a carga no lombo dos animais
Encarapitados – montados
Pela boca da noite – no começo da noite
Relho – chicote

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Após ler o texto, com atenção, identifique:
1. o que é narrado no poema? ( o fato básico, o que acontece? )
2. sobre quem se fala? ( os personagens, com quem acontece? )
3. quando acontece os fatos narrados? ( o tempo, quando acontece? )
4. como os personagens fazem o seu trabalho? (o modo, como acontece? )
5. por que acontecem os fatos narrados? ( a causa, por que acontece? )

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GABARITO
1. A vida de meninos que transportam carvão (meninos carvoeiros)
2. Os personagens são crianças e aparece uma velhinha que não é personagem principal do texto
3. Podemos identificar dois períodos de tempo: o período de infância dos personagens envolvidos e o período do dia em que as ações acontecem: de madrugada.
4. Os meninos transportam o carvão dentro de sacos, sobre burros. Vão tocando os animais como se fosse uma brincadeira.
5. O texto deixa transparecer que a causa dos meninos trabalharem transportando carvão é a miséria. As expressões “crianças raquíticas”, “burros magrinhos e velhos”, “burrinhos descadeirados”, “aniagem toda remendada”, “ingênua miséria”, traduz a situação de pobreza em que vivem os meninos.

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ANEXO C  –  A descrição como elemento auxiliar no texto narrativo

     Como você já sabe, narrar é contar uma história, isto é, contar um acontecimento. Por isso, dizemos que a narração envolve uma sequência de fatos que se relacionam ao personagem e que aconteceram em determinado lugar e de determinada maneira.
Ao narrar um fato, há momentos em que a descrição também aparece, no sentido de realçar aspectos sobre os personagens, lugares, situações.
Como exemplo transcrevemos aqui, parte do capitulo 2 de “Dom Casmurro”, obra de Machado de Assis, onde o personagem Bentinho relata seu desejo de ter uma casa como a da sua infância e descreve-a, neste capítulo:

     “Agora que expliquei o título, passo a escrever o livro. Antes disso, porém, digamos os motivos que me põem a pena na mão.
Vivo só, com um criado. A casa em que moro é própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá.
Um dia, há bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga Rua de Matacavalos, dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquela outra, que desapareceu. Construtor e pintor entenderam bem as indicações que lhes fiz: é o mesmo prédio assobradado, três janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e salas. Na principal destas, a pintura do teto e das paredes é mais ou menos igual, umas grinaldas de flores miúdas e grandes pássaros que as tomam no bico, de espaço a espaço. Nos quatro cantos do teto as figuras das estações, e ao centro das paredes os medalhões de César, Augusto, Nero e Massinissa, com os nomes por baixo… Não alcanço a razão de tais personagens. Quando fomos para a casa de Matacavalos, já ela estava assim decorada; vinha do decênio anterior. Naturalmente era gosto do tempo meter sabor clássico e figuras antigas em pinturas americanas. O mais é também análogo e parecido. Tenho chacarinha, flores, legume, uma casuarina, um poço e lavadouro. Uso louça velha e mobília velha. Enfim, agora, como outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.”

     A obra “Dom Casmurro” é uma narração, como o são os romances. Entretanto, o escritor, para dar melhor compreensão ao seu relato, também utilizou textos descritivos inseridos ao longo da redação, como no caso exposto acima, em negrito. Por isso, os textos descritivos funcionam como elementos auxiliares do texto narrativo.

Ao compormos uma narração devemos lembrar que:
• a narração apresenta uma sequência de fatos
• a narração apresenta ações e pensamentos dos personagens
• o “onde”, o “como” e o “porque” podem estar presentes
• sempre haverá um narrador que conduz a história
• as expressões e os textos descritivos podem ser usados na narração para ajudar na sua compreensão

Esses são alguns dos aspectos da narração que poderão ajudá-lo bastante na hora de escrever, mas o mais importante é você observar, imaginar e ter certeza do que vai escrever, isto é, organizar as ideias.

     Agora, que você já sabe quais são os elementos que compõem um texto narrativo, você vai redigir um texto narrativo, seguindo o roteiro abaixo:

Título: Um passeio a cavalo
Roteiro:
O que – o fato em si: um passeio a cavalo
Quem – o personagem ou personagens, que pode ser homem ou mulher, ou o próprio narrador: você.
Onde – em um lugar onde se pode andar a cavalo
Como – a maneira como se desenrolou o passeio: com tranquilidade, ou se houve algo que interrompeu o passeio
Quando – a época, o momento em que ocorreu o passeio
O porquê – a causa do passeio; também pode ser apresentada a consequência do passeio.

Lembrete: procure não misturar as ideias. Apresente a ideia principal desenvolvendo-a através das ideias secundárias. Para que seu texto se apre-sente bem claro para a pessoa que vai lê-lo, use palavras ou expressões descritivas relacionadas aos elementos auxiliares.

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GABARITO
O texto abaixo foi redigido seguindo a roteiro dado e o apresentamos como base de orientação para o seu texto.

Um passeio a cavalo

     O dia amanheceu ensolarado e lindo! Olhando pela janela do meu quarto, vi os campos verdes, imensos e senti uma vontade incrível de sair a passeio com Meia-Noite, meu cavalo de estimação.
     Tomei o desjejum e rumei para as cocheiras para preparar o cavalo para o passeio. Arrumei tudo e saímos num longo galope por toda a fazenda. Percorremos os pastos verdejantes com o vento a refrescar-me o rosto, os braços e todo o meu corpo. Meia-Noite, como sempre, obedecia ao meu comando e pulava os riachos, as moitas, as pedras.
     A sensação de liberdade que eu sentia me dava alegria e confiança. Eu parecia rumar para um mundo de paz e de felicidade.