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TEXTO PARA INTERPRETAÇÃO 74 – HISTORINHA URBANA (Nível Fundamental)

By 1 de dezembro de 2013 2 Comments

TEXTO PARA INTERPRETAÇÃO 74 – HISTORINHA URBANA (Nível Fundamental)

HISTORINHA URBANA

 – Pare na esquina – disse o passageiro.

O chofer obedeceu.

– São cinco cruzeiros – informou ele, indicando os números antes de fazer o taxímetro voltar a zero. O passageiro estendeu-lhe uma nota de dez:

– Cobre aqui.

O motorista balançou negativamente a cabeça:

– Não tenho troco – disse.

– E como é que vamos fazer? – perguntou o passageiro. – Se houvesse alguém aí em casa… Mas está todo mundo viajando e o dinheiro mais miúdo que eu tenho é essa nota de dez.

– Bem – falou o chofer – o jeito é a gente procurar onde trocar essa nota.

– Sim, acho que é a única coisa que se pode fazer – concordou o passageiro.

O táxi arrancou quase num salto.

– Por aqui não vai ser nada fácil encontrar quem troque – disse o passageiro, reajustando os rins abalados pela arrancada. – Ainda mais hoje, domingo, com quase tudo fechado.

Rodaram algum tempo em silêncio. Depois o chofer falou:

– Vamos ver se conseguimos trocar naquela quitanda lá adiante.

Não conseguiram.

– Acho que esse cara está é com má vontade – disse o chofer quando retornaram ao carro.

– Talvez  ele não tenha mesmo troco – disse o passageiro.

– Então experimento trocar comprando uma carteira de cigarro.

– Eu não fumo – respondeu o passageiro.

– Então… compre qualquer coisa.

– Que coisa?

– Bom… Que tal uma garrafa de cachaça?

Não havia troco. A garrafa continuou na prateleira, para decepção do chofer.

Voltaram ao táxi. Daí por diante, infelizmente, estava tudo fechado. O passageiro se sonhava em casa, depois de uma longa chuveirada, lendo o jornal comodamente instalado na sua poltrona predileta, quando o chofer voltou a falar.

– Bom, acho que estamos novamente no ponto de partida – disse ele.

– É – concordou melancolicamente o passageiro. – Foi logo ali adiante que eu tomei o seu táxi.

– Isso quer dizer que não há mais problema – falou o chofer.

– Não? – perguntou o passageiro.

– Claro que não. Daqui pra sua casa a corrida deu cinco cruzeiros, não foi?

– Foi.

– Então, embora o taxímetro esteja desligado, sabemos que uma corrida de sua casa para cá também dá cinco cruzeiros. Sendo assim, não precisamos mais trocar o dinheiro: são exatamente dez cruzeiros. Eu dispenso o quebrado a mais do tempo em que ficamos parados naquela quitanda.

O passageiro sentiu-se subitamente aliviado. Entregou a nota de dez ao chofer, agradeceu, saltou do táxi – e foi a pé para casa.

 

RUY ESPINHEIRA FILHO. Sob o último sol de fevereiro. Civilização Brasileira, 1975, Rio de Janeiro.

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Responda às questões abaixo:

A. Relacione a frase ao significado apresentado da palavra nota:

1. O passageiro estendeu-lhe uma nota de dez.

2. O freguês apresentou a nota das compras.

3. O violinista acertou as notas executadas no concerto.

4. O professor informou a nota do aluno.

a. (   ) resultado numérico do aproveitamento de um aluno na escola

b. (   ) sinal que representa um som, na música.

c. (   ) relação de mercadoria com quantidade e preço.

d. (   ) papel que representa moeda, dinheiro.

B. Para que serve o taxímetro?

C. O passageiro não tinha dinheiro trocado e o motorista não tinha troco. Na sua opinião, qual deles é o principal causador do impasse?

D. Todas as sugestões para resolver a questão partiram do motorista. Isso demonstra que:

a. (   ) o motorista se sentia culpado

b. (   ) o passageiro era passivo e acomodado

c. (   ) o motorista queria lucrar com a situação

d. (   ) o passageiro pretendia não pagar a corrida.

E. Se você fosse o passageiro, que solução apresentaria logo no início para resolver o problema?

F. Observamos pelo desenvolvimento do texto que o passageiro:

a. (   ) não fumava nem bebia bebida alcoólica

b. (   ) não fumava, mas bebia

c. (   ) fumava e bebia

d. (   ) fumava mas não bebia

G. De acordo com o texto, conclui-se que o motorista:

a. (   ) não fumava nem bebia bebida alcoólica

b. (   ) não fumava, mas bebia

c. (   ) fumava e bebia

d. (   ) fumava mas não bebia

H. Justifique sua resposta à questão anterior.

I. Quando o chofer apresentou a última solução, o passageiro sentiu-se aliviado. Por que se sentiu aliviado se estava outra vez no mesmo lugar do início da corrida?

J. Na sua opinião, a última solução apresentada pelo motorista foi correta? Justifique.

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Gabarito:

Questão A:  a.( 4 )       b.( 3 )      c.( 2 )    d.( 1 )

Questão B: serve para indicar o valor a ser pago baseado na distância percorrida e no tempo utilizado no transporte de pessoas.

Questão C: Por lei é o vendedor que tem de fornecer o troco. No caso do texto, a responsabilidade é do motorista e não do passageiro.

Questão D: alternativa B

Questão E: resposta pessoal.

Questão F: alternativa A

Questão G: alternativa B

Questão H: o texto informa que o motorista ficou decepcionado por não ter sido possível comprar a garrafa de cachaça. Provavelmente ele queria bebê-la.

Questão I: Porque se viu livre do problema do troco.

Questão J: resposta pessoal.

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