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ATIVIDADE DE LITERATURA – A RAPOSA E A CEGONHA

By 12 de dezembro de 2013 No Comments

ATIVIDADE DE LITERATURA – A RAPOSA E A CEGONHA          Nível: Fundamental e Médio

O que é fábula? De acordo com La Fontaine são “histórias infantis, à primeira vista, mas sua infantilidade encobre verdades importantes”. As fábulas devem ser encaradas como algo que vai muito além do entretenimento infantil.

          A fábula da Raposa e a Cegonha fala de um comportamento humano que traduzido para o ingles é conhecido como “bulling”. Em português é conhecido como brincadeira de mau gosto. Abaixo apresentamos a mesma história, em duas traduções:

Fábulas de Esopo. Tradução de Heloisa Jahn. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1994

Fábulas. Jean de La Fontaine. Landy Editora. São Paulo, 2003. (esta fábula foi traduzida para o português por J.I. D’Araújo)

Fedro Fábulas. Tradução de Antonio Inácio de Mesquita Neves. Editora Átomo, Campinas, São Paulo, 2001.

A raposa e a cegonha

 

Um dia a raposa convidou a cegonha para jantar. Querendo pregar uma peça na outra, serviu sopa num prato raso. Claro que a raposa tomou toda a sua sopa sem o menor problema, mas a pobre cegonha, com seu bico comprido, mal pôde tomar uma gota. O resultado foi que a cegonha voltou para casa morrendo de fome. A raposa fingiu que estava preocupada, perguntou se a sopa não estava do gosto da cegonha, mas a cegonha não disse nada. Quando foi embora, agradeceu muito a gentileza da raposa e disse que fazia questão de retribuir o jantar no dia seguinte.

Assim que chegou, a raposa se sentou lambendo os beiços de fome, curiosa para ver as delícias que a outra a outra ia server. O jantar veio para a mesa numa jarra alta, de gargalo estreito, onde a cegonha podia beber sem o menor problema. A raposa, amoladíssima, só teve uma saída: lamber as gotinhas de sopa que escorriam pelo lado de fora da jarra.

Ela aprendeu muito bem a lição. Enquanto ia andando para casa, faminta, pensava: “Não posso reclamar da cegonha. Ela me tratou mal, mas fui grosseira com ela primeiro.”

 

Moral da história: Trate os outros tal como deseja ser tratado.

A raposa e a cegonha

 

Raposa de muita ronha

Foi um dia convidar

Sua comadre cegonha

Para assistir a um jantar.

 

Foi jantar de pouco brilho

E de nenhum aparato:

Apenas papas de milho

Espalhadas pelo prato.

 

Para chuchar o pitéu rico

Dona Cegonha trabalha;

Mas por ter um longo bico

Não pôde apanhar migalha.

 

E a velhaca da raposa,

Que do logro rindo vai,

As tais papas, mui gulosa,

Lambeu-as todas num ai.

 

Pra se vingar deste engano

A cegonha, que azoou,

Deixa passar mais dum ano

E a comadre convidou.

 

“Às ordens! Pronta!” disse ela,

cer’mônias é que eu não faço.

E preparou a goela

Qual quem vai jantar ao paço.

 

Quis a cegonha em tal caso

Dar um banquete d’estalo;

Porém serviu-o em um vaso

De muito estreito gargalo.

 

A cegonha sem fadiga

Todo o pitéu comer soube,

Pois o focinho da amiga

Pelo gargalo não coube.

 

Pobre raposa!… esperando

A mais fina paparoca,

Teve que se ir esgueirando

Fazendo cruzes na boca!

 

Aqui lição proveitosa

Colha o que vive de enganos:

O que sucede à raposa

Também sucede aos humanos

 

A raposa e a cegonha

 

Dizem que a raposa, um dia

Para cear convidara

A cegonha, e preparara

Uma líquida iguaria,

Que espalhou num prato raso,

Para que desta maneira

Não pudesse em qualquer caso,

Provar dela a companheira.

 

Retribuindo o convite,

A cegonha despeitada

Encheu de carne picada

Um vaso de boca estreita,

Por onde, a comer afeita,

O longo bico enfiava

E destarte o apetite

Da outra mais apurava.

 

Num transe angustiado

Como a raposa em má hora

Lambia o vaso por fora,

Sem ter o manjar provado,

Diz-se que a cegonha arteira

Lhe murmurou zombeteira:

– Quem teve um mau proceder

resigne-se a igual sofrer.

 

Danificar não se deve

Manda a justiça, a ninguém;

Se preterida, porém,

For esta lei salutar,

Esta fábula demonstra

Que quem o mal praticar

Por igual há de pagar.

 

   

Senhor Professor, os textos acima podem ser usados em qualquer turma do Ensino Fundamental (6o. ao 9o. ano) e Médio. Vai depender do nível da turma e do tipo de atividade usada. Como se trata de dois textos, sempre divida a turma em três grandes grupos. Abaixo sugerimos algumas:

Atividade 1 – Leitura silenciosa. Esta é básica para todos os níveis e deve ser utilizada como introdução para as atividades seguintes.

Objetivo desta atividade:

  1. treino da leitura silenciosa
  2. entendimento da mensagem do texto
  3. ler textos de escritores brasileiros
  4. acostumar os alunos à leitura, como uma atividade prazeirosa.

Tempo de execução previsto:  60 minutos

Execução da atividade:

a)     divida a turma em três grandes grupos e cada grande grupo, em pequenos grupos de 3 a 5 alunos. Defina qual o texto que cada grande grupo vai estudar. Lembre-se de que é a mesma história, mas contada com palavras diferentes por seus tradutores.

b)     Distribua o texto para todos os alunos, que devem fazer uma leitura silenciosa. Não permita nenhum barulho ou conversa durante esse período. A leitura deve ser realmente silenciosa. Às vezes alguns alunos lêem baixinho e isto não é conveniente por dois motivos: atrapalha a concentração do colega ao lado e do próprio aluno que não consegue ler apenas com os olhos e a mente.

c)     Após a leitura silenciosa, cada grupo deve ter em mãos um pequeno dicionário de português. O momento agora é de procura do significado das palavras que os alunos não conhecem. Cada membro do grupo deve identificar as palavras que não conhece e escrevê-las no caderno. Após isso, o grupo faz um levantamento das palavras e passa a procurá-las no dicionário. Naturalmente que esse levantamento é feito para que não se perca tempo procurando a mesma palavra várias vezes. Às vezes, um dos alunos sabe o significado e informa ao outro que não sabe, e se houver dúvidas, o dicionário deve ser consultado.

d)     Ainda dentro do grupo, os alunos devem definir qual a lição que o texto ensina. Devem escolher um colega para apresentar ao grande grupo o que entenderam.

ATIVIDADE 2 – Leitura em voz alta ou contar a história com suas próprias palavras. Esta atividade necessita de preparação prévia por parte dos alunos e do professor.

Objetivo desta atividade:

  1. Treino da pronúncia correta das palavras em português.
  2. Treino da emissão correta das frases, de acordo com a pontuação existente.
  3. Reprodução oral de uma história.
  4. Ajuda aos alunos com dificuldade de falar em público.

Tempo de execução: 60 minutos. O tempo previsto para as fases 1 e 2 não estão computadas neste tempo de 60 minutos.

Execução da atividade:

FASE 1 – O pro
fessor, em dia anterior, deve ler os textos em voz alta, para a turma, fazendo todas as inflexões de voz que os textos indicam, de acordo com a pontuação existente no texto. Isto servirá de modelo aos alunos que farão esta leitura posteriormente.

FASE 2 –  Divida a turma em três grupos e defina qual o texto que cada  grupo irá estudar. Cada membro do grupo terá uma missão específica: treinar a leitura em voz alta do texto que lhe foi destinado ou memorizar a história para contá-la aos colegas.

Esses alunos devem reunir-se para praticar a leitura, juntos, de preferência fora do horário das aulas. O professor pode indicar isso como tarefa para casa, pois eles deverão fazer esta leitura, posteriormente, diante da turma e do professor. O grupo também pode pedir orientação de outras pessoas como os pais e amigos, nesse período de treino.

FASE 3 – Em dia previamente determinado, o professor deve sortear um membro de cada grupo, o qual fará a leitura do texto ou contará a história com suas próprias palavras, diante da turma, como foi especificado.

FASE 4 – Ao final, os membros do grupo oposto (que funcionarão como avaliadores) deverão fazer uma avaliação da apresentação feita, tendo como parâmetro de critério os objetivos A, B e C da atividade.

Observação: O sorteio do aluno que vai representar cada grupo é preferível, pois assim, cada aluno deverá se preparar bem, pois não sabe quem será o sorteado. O objetivo é que os alunos alcancem os objetivos A,   B e C desta atividade.

ATIVIDADE 3 – Redação. Escrever, em prosa, a história contada em versos.

Objetivo da atividade:

1 – treinar a expressão escrita em prosa, a partir de um texto escrito em versos.

Observação: esta atividade deve ser realizada depois da atividade 1 e 2.

ATIVIDADE 4 – Debate e reflexão

Esta atividade deve ser precedida das atividades 1 e 2. Como se trata de um debate, o professor deve iniciá-lo com perguntas provocadoras tais como:

  1. Vocês já passaram por situação parecida à que a cegonha foi submetida? Qual?
  2. Vocês gostam de fazer brincadeiras do tipo que a raposa fez com a cegonha?
  3. A raposa e a cegonha praticaram o “bulling”?

Objetivo da atividade:

  1. explorar o significado e o ensinamento da história nas áreas social, política e de relacionamento entre as pessoas, com a identificação dos personagens da fábula com pessoas que agem igual.
  2. Identificar se as ações da Raposa e da cegonha se relacionam com o “bulling”.
  3. Identificar que tipo de pessoas, grupos de pessoas, ou cidadãos sofrem essa situação na escola, na cidade ou em nosso país.
  4. O que cada aluno deve fazer para não se submeter ou agir como os personagens da fábula.

Outras observações que o professor deve fazer aos alunos:

          A fábula ensina que não se deve zombar de ninguém, e muito menos, fazer o mal pelo mal. O desprezo da ofensa ou a generosidade do ofendido é, muitas vezes, o maior castigo que se pode inflingir ao ofensor.

          “As pessoas generosas são as mais inclinadas a perdoar os defeitos e falhas alheias. Por outra parte, os homens medíocres não são generosos nem magnânimos; facilmente se aproveitam da fraqueza ou qualquer outra desvantagem alheia, principalmente quando chegam ao poder por meios pouco escrupulosos. Os homens vulgares, altamente colocados, são muito mais para temer porque têm mais ocasiões de fazer sentir sua baixeza; tornam-se altivos e são pretenciosos em tudo que fazem; e quanto mais elevado é o lugar que ocupam, tanto mais patente é a inconveniência da sua posição.” (Samuel Smiles)

          

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