LIÇÕES DE PORTUGUÊS – ROTEIRO Nº 10
I – TEMA: Noções de morfologia. Processos de formação das palavras: derivação e composição. Derivação prefixal, sufixal, prefixal e sufixal, parassintética, regressiva e imprópria. Composição por justaposição e aglutinação. Outros processos: hibridismo, onomatopaico e abreviação.
II – PRERREQUISITO:
- Ler compreensivamente.
- Ter concluído, com êxito, o estudo do Roteiro nº 9.
III – META: As atividades deste Roteiro foram organizadas com o objetivo de oferecer condições de aprendizagem sobre os principais processos de formação de palavras, em português.
IV – PRÉ-AVALIAÇÃO: Se você já estudou alguma coisa a respeito do assunto de que trata este Roteiro, responda à Autoavaliação que se encontra no final deste livrinho. Se você obtiver um mínimo de 80 pontos, parabéns! Você não precisa estudar esta lição. Caso contrário, aconselho-o a ler os textos, procurando entender as explicações dadas.
V – ATIVIDADES DE ESTUDO: Ler com entendimento é prerrequisito para se aprender qualquer coisa, através da leitura. Por isso leia o texto do Anexo A, para treinar sua interpretação. Embora a leitura dos outros anexos, em si, seja também uma interpretação de texto, ela é voltada para uma finalidade mais específica, que é a aprendizagem dos conceitos gramaticais. O texto do Anexo A é mais genérico e serve para treinar a compreensão geral da língua. Portanto faça o seguinte:
1. Tenha um dicionário de Português ao seu alcance, para consultá-lo sobre as palavras que você desconhece o significado;
2. Procure um lugar sossegado para ler os textos e fazer os exercícios. Leitura compreensiva precisa de concentração e o ambiente sem barulho e calmo ajuda nessa concentração de atenção.
3. Leia primeiro o texto; faça em seguida os exercícios; compare suas respostas com o gabarito; veja o que você errou e retorne ao texto para verificar o porquê do erro.
VI – POSAVALIAÇÃO: Apos ter feito a leitura compreensiva dos textos e os exercícios, responda às questões propostas na Autoavaliação. Creio que você, agora, acertará todas. Caso isso não aconteça, consulte as orientações dadas nas Atividades Suplementares.
VII – ATIVIDADES SUPLEMENTARES: Se você não alcançou 80 pontos na Pós-avaliação, não desanime. Volte à leitura dos textos. Sem pressa. Tenha ao seu alcance um dicionário para consultar o significado das palavras que você desconhece. Lembre-se: a leitura compreensiva é a base da aprendizagem.
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ANEXO A – Interpretação de texto
O texto abaixo está com os parágrafos numerados, para melhor facilitar a localização de palavras e expressões.
EM CÓDIGO (Fernando Sabino)
1. Fui chamado ao telefone. Era o chefe de escritório de meu irmão:
2. – Recebi, de Belo Horizonte, um recado dele para o senhor. É uma mensagem meio esquisita, com vários itens, convém tomar nota. O senhor tem um lápis aí?
3. – Tenho. Pode começar.
4. – Então lá vai. Primeiro: minha mãe precisa de uma nora.
5. – Precisa de quê?
6. – De uma nora.
7. – Que história é essa?
8. – Eu estou dizendo ao senhor que é um recado meio esquisito. Posso continuar?
9. – Continue.
10. – Segundo: pobre vive de teimoso. Terceiro: não chora, morena, que eu volto.
11. – Isso é alguma brincadeira.
12. – Não é não. Estou repetindo o que ele escreveu. Tem mais. Quarto: sou amarelo, mas não opilado. Tomou nota?
13. – Mas não opilado – repeti, tomando nota. – Que diabo ele pretende com isso?
14. – Não sei não senhor. Mandou transmitir o recado, estou transmitindo.
15. – Mas você há de concordar comigo que é um recado meio esquisito.
16. – Foi o que eu preveni ao senhor. E tem mais. Quinto: não sou colgate, mas ando na boca de muita gente. Sexto: poeira é a minha penicilina. Sétimo: carona, só de saia. Oitavo…
17. – Chega! – protestei, estupefato. – Não vou ficar aqui tomando nota disso, feito idiota.
18. – Deve ser carta em código, ou coisa parecida – e ele vacilou: Estou dizendo ao senhor que também não entendi, mas enfim… Posso continuar?
19. – Continua. Falta muito?
20. – Não, está acabando: são doze. Oitavo: vou, mas volto. Nono: chega à janela, morena. Décimo: quem fala de mim tem mágoa. Décimo primeiro: não sou pipoca mas também dou meus pulinhos.
21. – Não tem dúvida, ficou maluco.
22. – Maluco não digo, mas como o senhor mesmo disse, a gente até fica com ar meio idiota… Está acabando, só falta um. Décimo segundo: Deus, eu e o Rocha.
23. – Que Rocha?
24. – Não sei. É capaz de ser a assinatura.
25. – Meu irmão não se chama Rocha, essa é boa!
26. – É, mas que foi ele que mandou, isso foi.
27. Desliguei, atônito, fui até refrescar o rosto com água, para poder pensar melhor. Só então me lembrei. Haviam-me encomendado uma crônica sobre essas frases que os motoristas costumam pintar, como lema, à frente dos caminhões . Meu irmão, que é engenheiro e viaja sempre pelo interior fiscalizando obras, prometera ajudar-me, recolhendo em suas andanças farto e variado material. E ele viajou, o tempo passou, acabei esquecendo completamente do trato, na suposição de que o mesmo lhe acontecera.
28. Agora, o material ali estava. Era só fazer a crônica. Deus, eu e o Rocha! Tudo explicado! Rocha era o motorista, Deus era Deus mesmo, e eu, o caminhão.
I – Marque com um X o sinônimo da palavra ou expressão destacada.
1. Em: “É uma mensagem meio esquisita, com vários itens, convém tomar nota…”(par. 2). A expressão em negrito pode ser substituída por:
a. ( ) assinalar b.( ) observar c.( ) escrever d.( ) guardar
2. Na frase: “Que história é essa?” (par. 7), a palavra em negrito significa:
a.( ) fato b.( ) complicação c.( ) chateação d.( ) anedota
3. Em: “… pobre vive de teimoso” (par. 10), a expressão em negrito pode ser substituída por:
a.( ) porque é persistente b.( ) porque é desobediente c.( ) porque é rebelde d.( ) porque é corajoso
4. Em: “Isso é alguma brincadeira.” (par. 11) a palavra em negrito significa:
a.( ) piada b.( ) passatempo c.( ) jogo d.( ) divertimento
5. Em: “Foi o que eu preveni ao senhor”, (linha 16), a palavra em negrito significa:
a.( ) chegar antes de b.( ) avisar com antecedência c.( ) impedir que se realize d.( ) aconselhar com consideração
6. Em: “…carona, só de saia.” (par. 16), a expressão em negrito pode ser entendida como:
a.( ) só se quiser usar saia b.( ) só se não usar calça comprida c.( ) só se for mulher d.( ) só se estiver de saia
7. Em: “Chega! – protestei, estupefato.” (par. 17), a palavra em negrito significa:
a.( ) afirmei b.( ) assegurei c.( ) reclamei d.( ) declarei
8. Em: “…protestei, estupefato.” (par. 17), a palavra em negrito significa:
a. ( ) amedrontado b.( ) enraivecido c.( ) desolado d.( ) abobalhado
9. Em: “Não vou ficar aqui tomando nota disso, feito idiota.” (par. 17), a expressão em negrito tem o mesmo significado que:
a.( ) como pessoa desocupada b.( ) como quem não quer nada c.( ) como irresponsável d.( ) como bobo
10. Em: “Deve ser carta em código…” (par. 18), a expressão em negrito pode ser entendida como:
a.( ) sinais secretos b.( ) fórmulas mágicas c.( ) letras diferentes d.( ) palavras de outra língua
11. Em: “… e ele vacilou…” (par. 18) a palavra em negrito significa:
a.( ) caminhou sem firmeza b.( ) mostrou-se inseguro c.( ) estremeceu d.( ) abalou-se
12. Em: “…quem fala de mim tem mágoa…” (par. 20), a palavra em negrito significa:
a.( ) pena b.( ) sofrimento c.( ) inveja d.( ) raiva
13. Em: “Desliguei atônito…” (par. 27) a palavra em negrito significa:
a.( ) atordoado b.( ) amedrontado c.( ) enfurecido d.( ) revoltado
14.Em: “… e viaja sempre pelo interior…”(par. 27), a palavra em negrito significa:
a.( ) que está dentro de b.( ) regiões distantes da capital c.( ) que é interno de d.( ) que se situa entre
15. Em: “…fiscalizando obras…” (par. 27), a palavra em negrito significa:
a.( ) vigiando b.( ) examinando c.( ) velando d.( ) cobrando
16. Em: “…recolhendo em suas andanças…”(par. 27), a palavra em negrito significa:
a.( ) recebendo b.( ) levando c.( ) classificando d.( ) reunindo
17. Em: “… suas andanças…” (par. 27) a palavra em negrito tem o mesmo significado que em:
a.( ) negócios b.( ) trabalhos c.( ) viagens d.( ) passos
18. Em: “…acabei me esquecendo completamente do trato…” (par. 27) a palavra em negrito significa:
a.( ) contrato b.( ) acordo c.( ) tratamento d.( ) promoção
19. Em: “…na suposição de que o mesmo lhe acontecera…” (par. 27), a palavra em negrito significa:
a.( ) ideia b.( ) observação c.( ) opinião d.( ) atenção
II – Marque com um X a alternativa correta de acordo com o texto.
20. O nome da crônica está ligado a uma frase enunciada pelo:
a.( ) moço do escritório b.( ) narrador c.( ) irmão do narrador d.( ) motorista de caminhão
21. O rapaz do escritório, não tendo entendido a mensagem, refere-se a ela como sendo:
a.( ) um recado maluco b.( ) um recado confuso e longo c.( ) uma brincadeira esquisita d.( ) uma carta interessante
22. Ao dizer: “Isso é alguma brincadeira” (par. 11), o narrador está pensando que:
a.( ) estão querendo zombar dele b.( ) seu irmão ficou maluco c.( ) a mensagem é divertida d.( ) o recado não é para ele
23. A palavra opilado refere-se à pessoa doente de opilação – doença provocada por uma espécie de parasita que se aloja no intestino e se alimenta de sangue, provocando, na pessoa doente, uma cor amarelada. A opilação é conhecida popularmente entre outros nomes, como amarelão. Na frase: “Sou amarelo, mas não opilado…”(par. 12) pode-se entender essa afirmação como:
a.( ) minha doença não é amarelão b.( ) minha cor amarela não é sinal de amarelão
c.( ) minha cor não é tão forte quando a cor do amarelão d.( ) minha cor lembra a cor do amarelão
24. Na frase: “Não sou colgate, mas ando na boca de muita gente” (par. 16) a expressão em negrito pode ser entendida como:
a.( ) Não sou famoso b.( ) Não sou fofoqueiro c.( ) Não sou pasta de dentes d.( ) Não sou dentista
25. “Poeira é a minha penicilina” (par. 16) é uma das frases que o irmão do narrador anotou de parachoques de caminhões. Em relação ao motorista que a usou como lema, podemos pensar que ela quer dizer:
a.( ) A poeira me causa alergia b.( ) Não me incomodo com a poeira
c.( ) Em mim, a poeira age como um tipo de remédio d.( ) A poeira é uma espécie de companheira de viagens
26. Quando o moço do escritório diz:”…dever ser carta em código…” (par. 18), percebemos que ele:
a.( ) pensa que a mensagem é uma brincadeira do irmão do narrador b.( ) considera a mensagem muito difícil para ele
c.( ) não gostou da mensagem d.( ) pensa que a mensagem só pode ser entendida por pessoas que conheçam a linguagem usada
III – Responda:
27. Após receber o recado, como se sentiu o narrador, o que fez e para que o fez? ______________________________________________________________________________________________
28. O narrador queria pensar melhor sobre o quê e para quê?____________________________________________________________________________________________
29. Ao dizer, no final do texto, que seu irmão havia prometido conseguir “farto e variado material” (par. 27), a que material se refere o narrador e a que se destinava esse material?
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30. A que se refere o narrador ao dizer “Tudo explicado” (par. 28) e o que lhe foi explicado?________________________
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Agora corrija suas respostas.
GABARITO
I – 1. c 2. D 3. A 4. A 5. B 6. C 7. C 8. D 9. D 10. A 11. B 12. C 13. a 14. B 15. B 16. D 17. C 18. B 19. A
II – 20. A 21. B 22. A 23. B 24. C 25. c 26. D
As respostas das questões 27 a 30 poderão ter sido dadas com outras palavras. O importante é ter mantido a ideia que o texto apresenta.
III – 27. Após receber o recado, o narrador sentiu-se confuso, atordoado, e procurou refrescar o rosto com água fria para aclarar as ideias.
28. O narrador queria pensar melhor no recado recebido para ver se compreendia o que o irmão lhe queria dizer com o recado.
29. O narrador refere-se às frases comumente encontradas em parachoques de caminhões que o irmão lhe prometera conseguir e que lhe serviriam para escrever a crônica encomendada.
30. O narrador refere-se à compreensão da mensagem toda e, em especial, da frase “Deus, eu e o Rocha”, uma vez que ele pode entender que “eu” era o caminhão e “Rocha”, o nome do motorista.
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ANEXO B – QUADRO SINÓPTICO DO ESTUDO SOBRE PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS
FORMAÇÃO DE PALAVRAS: derivação e composição
FORMAÇÃO POR DERIVAÇÃO: prefixal, sufixal, prefixal e sufixal, parassintética, regressiva, imprópria
FORMAÇÃO POR COMPOSIÇÃO: justaposição e aglutinação
OUTROS TIPOS DE PROCESSOS: hibridismo, onomatopaico, abreviação
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ANEXO C – PROCESSO DE FORMAÇÃO DAS PALAVRAS: DERIVAÇÃO PREFIXAL, SUFIXAL, PREFIXAL E SUFIXAL, PARASSINTÉTICA, REGRESSIVA E IMPRÓPRIA
No quadro a seguir, você vai encontrar palavras primitivas e derivadas. Veja:
primitivas | Derivada |
1. Ferro
2. Dente 3. Telha 4. Pedra 5. Peixe 6. Móvel 7. Círculo 8. Homem 9. Quieto 10. correr |
Ferr eiro
Dent ista telha do Pedr egulho Peix ada I móvel Semi círculo Super homem In quieto Per correr |
Observe que na coluna das palavras derivadas, os cinco primeiros exemplos formaram-se a partir de um radical mais um elemento colocado no final da palavra primitiva ( ferr+eiro, dent+ista, telh+ado, pedr+egulho, peix+ada) e que os outros exemplos formaram-se através do acréscimo de um elemento colocado no início da palavra primitiva ( i+móvel, semi+círculo, super+homem, in+quieto, per+correr).
Este fato nos leva a concluir que as palavras derivadas são formadas pelo acréscimo de afixos (prefixos e sufixos) colocados no início ou no final das palavras primitivas. Será chamado de prefixo quando colocados no início do radical e sufixo quando colocado no final do radical.
Então, são prefixos: São sufixos:
I + móvel peix + ada
Semi + círculo ferr + eiro
super + homem dent + ista
In + quieto telh + ado
Per + correr pedr + egulho
A este processo de formar palavras acrescentando afixos a um radical ou palavra primitiva chamamos de DERIVAÇÃO.
1. DERIVAÇÃO PREFIXAL
Quando colocamos o afixo na frente do radical, o chamamos de prefixo (o que vem antes) e estaremos usando o processo chamado derivação prefixal. Ex: antesala
2. DERIVAÇÃO SUFIXAL
Quando colocamos o afixo depois do radical, o chamamos de sufixo (o que vem depois) e estaremos usando o processo de formação conhecido como derivação sufixal. Ex: lixeiro
3. DERIVAÇÃO PREFIXAL/SUFIXAL e PARASSINTÉTICA
Mas, ainda podemos utilizar tanto prefixos como sufixos, ao mesmo tempo, para formar palavras, unindo-os a um radical. Veja:
des + alm + ado In + feliz + mente
em + pobr + ecer Des + leal + dade
en + trist + ecer In + just + iça
Quando usamos os afixos antes e depois do radical, na mesma palavra, simultaneamente, estaremos usando os processos de formação de palavras conhecidos como derivação prefixal/sufixal e parassintética.
Como saber quando uma palavra que apresenta tanto prefixo quanto sufixo em sua formação, é uma derivada prefixal/sufixal ou parassintética?
Há uma diferença fundamental entre essas palavras formadas por prefixos e sufixos ao mesmo tempo. Todas partem de um radical. Entretanto, as parassintéticas não existem sem os afixos (prefixos e sufixos).
Nos exemplos dados acima ( desalmado, empobrecer, entristecer ), não se poderá retirar o prefixo ou o sufixo, sob pena da palavra ficar sem sentido. Não existe, em português, “empobre” ou “pobrecer”. Ao retirarmos o prefixo ou o sufixo, a palavra fica sem sentido.
Portanto, na derivação parassintética as palavras são formadas por prefixos e sufixos que não podem ser separados do radical, sem que o sentido fique incompleto ou prejudicado.
Porém, nas palavras infelizmente, deslealdade e injustiça, se retirarmos o prefixo ou o sufixo, ainda assim haverá sentido. Veja:
Infelizmente = Infeliz – felizmente – feliz
Deslealdade = Desleal – lealdade – leal
Injustiça = injusto – justiça – justo
Embora tenhamos retirados os afixos, as palavras formadas só com prefixo ou só com sufixo continuam tendo um significado. Portanto, na derivação prefixal/sufixal as palavras são formadas por prefixos e sufixos que podem ser retirados do radical, sem que uma ou outra deixem de ter sentido.
Até agora vimos casos de palavras formadas pelo acréscimo de prefixo e sufixos.
4) DERIVAÇÃO REGRESSIVA
Há, também, um outro tipo de derivação, em que a palavra é formada pela redução da palavra primitiva. É a chamada DERIVAÇÃO REGRESSIVA. Ocorre, principalmente, a partir de verbos que dão origem a substantivos.
Ex: caçar – caça; Lutar – luta; Cantar – canto; combater – combate; pescar – pesca; dançar – dança
Não é fácil descobrir quando a palavra é formada por derivação regressiva. Mas podemos aplicar o critério do filólogo Mario Barreto:
- A palavra indica ação e não é verbo: é derivada. Ex: A caça às baleias é proibida.
A palavra “caça” indica uma ação. Entretanto não é um verbo. Para que ficasse nessa forma foi suprimida a letra “r” da terminação do verbo caçar e a palavra transformou-se em um substantivo. Mas o sentido intrínseco da palavra continua: perseguição para matar. Neste caso, “caça” é palavra derivada de “caçar” (primitiva, que é verbo). Temos então uma palavra formada por derivação regressiva.
2. A palavra indica um objeto ou substância: é primitiva. Ex: O azeite de oliva é extraído do fruto das oliveiras.
A palavra “azeite” não é derivada de azeitar, pelo fato de que o sentido intrínseco indica uma substância e não uma ação. Neste caso, é uma palavra primitiva. O verbo azeitar é que será palavra derivada.
Outros exemplos: planta – plantar; Âncora – ancorar; Escudo – escudar; Abano – abanar; Azeite – azeitar
Nesses casos, não haverá derivação regressiva e sim, uma derivação sufixal.
5) DERIVAÇÃO IMPRÓPRIA
A derivação imprópria consiste na mudança da classe gramatical da palavra primitiva, gerando assim uma palavra derivada. Vale observar que a forma da palavra não muda; ocorre apenas mudança de classe gramatical.
Ex.: O jantar está servido. (derivado do verbo jantar) O porquê disso tudo é incompreensível. (derivado da conjunção porque)
A derivação imprópria, em geral,ocorre no uso das palavras de outras categorias gramaticais (verbo, conjunção, advérbio, interjeição) transformadas em substantivos. Para isso é usado o artigo na frente dessas palavras.
Ex.: O ai era um lamento agudo e triste. (interjeição transformada em substantivo)
O amanhã gera incertezas e alegrias. (advérbio transformado em substantivo)
Ela tem um quê de jovialidade que impressiona. (conjunção transformada em substantivo)
O olhar dele era penetrante e frio. (verbo transformado em substantivo)
Vamos aos exercícios.
I – Observe as palavras sublinhadas nas frases abaixo e informe se a sua formação é prefixal, sufixal, prefixal/sufixal, parassintética, regressiva ou imprópria.
a) À noite, em volta da fogueira, os pares cantavam e dançavam.
b) Ela permaneceu imóvel na sala.
c) Ao ouvir a voz da mãe, a garotada correu inquieta.
d) A gata, contemplando a ninhada, parecia feliz com seus filhotes.
e) A criançada passeava pelo parque com grande contentamento.
f) Ao entardecer, a passarada procura o arvoredo para dormir.
g) A dança se constitui em uma boa atividade para os idosos.
h) O mecânico azeitou as engrenagens do carro.
i) Que triste palavra é um não!
GABARITO
a) fogueira: sufixal
b) imóvel: prefixal
c) garotada: sufixal inquieta: prefixal
d) ninhada: sufixal filhotes: sufixal
e) criançada: sufixal contentamento: sufixal
f) entardecer: parassintética passarada: sufixal arvoredo: sufixal
g) dança: regressiva atividade: sufixal
h) azeitou: sufixal
i) não: imprópria
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ANEXO D – PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS: COMPOSIÇÃO POR JUSTAPOSIÇÃO E AGLUTINAÇÃO
As palavras podem ser formadas, também, pela junção de outras. É o que chamamos de COMPOSIÇÃO.
Ex: beija-flor, pé-de-moleque, girassol, guarda-roupa, varapau, passatempo.
Concluímos que, a composição é um processo de formação de palavras que consiste em formar uma nova palavra pela união de duas ou mais palavras já existentes.
Devemos observar que na composição, a palavra resultante representa uma outra ideia ou coisa, às vezes, muito diferente da ideia original das palavras usadas.
Há dois processos de formar palavras por composição: a justaposição e a aglutinação.
1. COMPOSIÇÃO POR JUSTAPOSIÇÃO
Podemos unir palavras já existentes sem que se retire ou se acrescente qualquer novo som à palavra. É a composição por justaposição.
Ex.: bem-te-vi, couve-flor, passaporte, busca-pé, girassol
2. COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO
Na composição por aglutinação as palavras primitivas sofrem uma adaptação fonética, ao se acrescentar ou retirar um som à nova palavra.
Ex: Planalto ( plano + alto ); Embora ( em + boa + hora ); Aguardente ( água + ardente ); Fidalgo (filho + de + algo)
Exercícios
1. Relacione a 2a. coluna com a 1a., de acordo com os processos de formação de palavras.
1. derivação imprópria a.( ) desencanto
2. prefixação b.( ) narrador
3. prefixação e sufixação c.( ) o andar
4. sufixação d.( ) infinitamente
5. composição por justaposição e.( ) pão-de-mel
2. Assinale a opção em que o processo de formação de palavras está indevidamente caracterizado:
a.( ) inesperado = derivação prefixal e sufixal
b.( ) inaudível = derivação parassintética
c.( ) emudecer = derivação parassintética
d.( ) encontrável = derivação sufixal
e.( ) a pesca = derivação regressiva
GABARITO
1. a -2 b – 4 c – 1 d – 3 e – 5 2. letra B
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ANEXO E – OUTROS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS: hibridismo, onomatopaico e abreviação
1. HIBRIDISMO
Como vimos no Roteiro 01, a língua portuguesa, originária do latim, sofreu influência de várias línguas e dialetos, ao longo do tempo, o que resultou na formação de palavras que usamos hoje.
Ex.: sociologia (sócio – latim + logia – grego); Cosmonauta (cosmo – grego + nauta – latim);
Automóvel ( auto – grego + móvel – latim); Burocracia (buro – francês + cracia – grego); Caiporismo (caipora – tupi + ismo – grego)
A essa união de elementos provenientes de outras línguas damos o nome de Hibridismo.
2. ONOMATOPAICO
Consiste na formação de palavras que procuram reproduzir certos sons ou ruídos.
Ex.: tique-taque (ou tic-tac), zunzum, reco-reco, au-au, plim-plim, teco-teco
3. ABREVIAÇÃO
É o uso de parte de uma palavra, em que seu sentido não é comprometido. Ex.: foto – fotografia; cine – cinematógrafo;
Moto – motocicleta; pólio – poliomelite; Pneu – pneumático
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AUTO-AVALIAÇÃO
Indique o processo de formação das palavras abaixo:
1. camisola___________________ 13.boquiaberto__________________ 25. cine____________________
2. piu-piu____________________ 14.desleal______________________
3. interpor____________________ 15.malmequer__________________
4. fidalgo_____________________ 16.endurecer___________________
5. moto______________________ 17.banana-maçã_________________
6. arco-íris____________________ 18.arredondar__________________
7. planalto____________________ 19.abreugrafia__________________
8. lobisomem__________________ 20.combate_____________________
9. ultravioleta__________________ 21.o sorrir_____________________
10.papel-moeda________________ 22.estrago_____________________
11.manda-chuva________________ 23.sociologia____________________
12.amoral_____________________ 24. o não______________________
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GABARITO
1. derivação sufixal 13. Composição por aglutinação 25. processo abreviação
2. processo onomatopéico 14. Derivação prefixal
3. derivação prefixal 15. Composição por justaposição
4. composição por aglutinação 16. Derivação parassintética
5. processo abreviação 17. Composição por justaposição
6. composição por justaposição 18. Derivação prefixal e sufixal
7. composição por aglutinação 19. hibridismo
8. composição por aglutinação 20. Derivação regressiva
9. derivação prefixal 21. Derivação imprópria
10. composição por justaposição 22. Derivação imprópria
11. composição por justaposição 23. hibridismo
12. derivação prefixal 24. Derivação imprópria
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LEITURA SUPLEMENTAR
O “Ballet” da Língua
Às vezes quero dizer que saí e mandam botar acento no “i”, porque se tirar o acento, quem sai não sou eu, é o outro – e é aí que está a diferença. Falam-me em ditongos, em hiatos, em dissílabos e proparoxítonas – palavras que me trazem amargas recordações de uma infância cheia de zeros.
Quando vou a uma festa nunca sei se devo dançar com “ç” ou com “s”. Só depois dos primeiros passos é que percebo que quem dansa com “s” não sabe dançar. E quem não sabe dançar fica cansado, com “s”, pois só analfabeto se cança com “ç”.
Buzina é com “z”, mas quem pode me garantir que se eu businar com “s” ninguém vai ouvir?
Caçar é com “ç”, mas também tem cassar, com “s” – mas isso se explica: caça-se um bicho e cassa-se um documento. Só não se pode cassar o documento de um sujeito que esteja caçando sem documento.
Que a Língua Portuguesa tem seus truques, lá isso tem: o próprio truque, com “que”, é uma adaptação do “truc” francês, provando que o truque brasileiro tem um certo “q”. Mas isso não impede que o balé brasileiro seja dançado em francês, pois a palavra “ballet” impressiona mais, tanto que a usei no título. Mas vamos deixar isso pra lá, que é falando que a gente se entende…
(Leon Eliachar, O Homem ao Cubo. 1a. edição, Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, 1970)
Aprendi muito
Parabéns!Ótima escolha do texto e os exercícios não estão maçantes,nem cansativos.
Parabéns!Ótima escolha !!!!!!!!
IRADO MESMO SÃO AS EXPLICAÇOES !!! NOTA 100000
Bom dia.
Seu site é excelente. Parabéns.
Fiquei com dúvida em relação ao processo de formação da palavra inaudível e gostaria de mais explicação. obrigada
2. Assinale a opção em que o processo de formação de palavras está indevidamente caracterizado:
a.( ) inesperado = derivação prefixal e sufixal
b.( ) inaudível = derivação parassintética
c.( ) emudecer = derivação parassintética
d.( ) encontrável = derivação sufixal
e.( ) a pesca = derivação regressiva
GABARITO
2. letra B
Sara, obrigada pelo acesso ao site. Sobre sua dúvida aqui vai a explicação. O gabarito está correto, porque a palavra “inaudível” não tem formação
parassintética. Ela é formada por derivação prefixal. Na derivação prefixal, o prefixo pode ser retirado da palavra e esta continua sendo entendida.
É o que acontece com a palavra em questão. Veja: inaudível = o que não pode ser ouvido / audível = o que pode ser ouvido.
Na derivação parassintética isso não acontece. Tanto o prefixo como o sufixo são necessários ao significado da palavra.
Inaudível, em minha visão, é prefixal e sufixal, assim como inesperado. Inaudível vem de áudio, com acréscimo do prefixo “in” e do sufixo “vel”. Inaudível = ausência da capacidade de ouvir, pelo significado dos afixos.
Bom post sobre Tema 10: Noções de Morfologia. Processos de formação das palavras: derivação e composição. Estou muito impressionado com o tempo e o esforço que você pôs em escrever esta história . Vou dar- lhe um link no meu blog de mídia social. Tudo de bom!
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