{"id":1264,"date":"2015-02-10T21:28:45","date_gmt":"2015-02-10T21:28:45","guid":{"rendered":"http:\/\/portugues.camerapro.com.br\/?p=1264"},"modified":"2015-02-10T21:28:45","modified_gmt":"2015-02-10T21:28:45","slug":"texto-para-interpretacao-86-o-mal-entendido-nivel-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/?p=1264","title":{"rendered":"TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 86 &#8211; O MAL-ENTENDIDO ( N\u00edvel M\u00e9dio)"},"content":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 86 \u2013 O MAL-ENTENDIDO (N\u00edvel M\u00e9dio)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><!--more-->O mal-entendido<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os dois garotos brincam na praia. Um branquinho, de os olhos claros, queimado de sol quase negro, de tamanho sol da manh\u00e3. O outro, negrinho retinto, de av\u00f3s na senzala, de fam\u00edlia do morro. Os dois descem \u00e0 praia diariamente. O primeiro, de um nono andar, apartamento de frente para o mar, tapete no ch\u00e3o, lustres de cristal de muitas bocas, orgia de espelhos nas paredes. O outro, de um morro qualquer, barraco de madeira com S\u00e3o Jorge enfeitado de flor, um \u201cdois-dois\u201d de barro pintado, vaso de arruda na porta. Os amigos se encontram \u00e0 hora certa, camaradagem de p\u00e9 na areia igualit\u00e1ria. O primeiro traz bola. O segundo traz jogo. O primeiro \u00e9 bem nutrido, atestado vivo de que caldo de vitamina batido em liquidificador \u00e9 mesmo bom. O segundo \u00e9 fino e sujo, os dentes inexplicavelmente claros e fortes, o riso irreverente, a gaforinha de areia sempre renovada nas pelejas da praia. Paulinho chama-se um, porque o av\u00f4 foi Paulo e com ele come\u00e7ou a fortuna da casa. O outro chama-se Jorge, porque Ogum \u00e9 padrinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Descem os dois todo dia. Quando Paulinho vem acompanhado pelos pais, Jorginho assiste, com um grave olhar de t\u00e9cnico aposentado, a pelada em que a censura familiar n\u00e3o deixa preto se meter. Quando Paulinho vem s\u00f3 com a empregada \u2013 e \u00e9 quase sempre \u2013 nem \u00e9 preciso pedir licen\u00e7a. Jorginho tem lugar seguro, que ele \u00e9 o artilheiro-mor da vizinhan\u00e7a. E a pelada se prolonga. Por ele, a manh\u00e3 toda, a tarde toda, a vida toda. N\u00e3o tem escola, n\u00e3o tem compromissos. Amendoim torrado ele s\u00f3 vende \u00e9 mesmo \u00e0 noite, ora \u00e0 porta do Rian, ora do Roxy. Mas ao fim da meia hora, de uma hora, a pelada vai se desfazendo. Parentes e empregadas v\u00eam recolher os futuros Garrinchas, os Pel\u00e9s e Zagalos em forma\u00e7\u00e3o. Paulinho fica mais tempo. E quando est\u00e1 s\u00f3, ele e Jorginho descansam na areia. Insepar\u00e1veis na pelada \u2013 Paulinho arma o jogo, Jorginho apanha o couro e arremata de maneira inapel\u00e1vel \u2013 uma funda rivalidade os separa em tudo mais. Nunca se entendem. Porque Paulinho \u00e9 importante, Jorginho um coitado. Paulinho vai \u00e0 escola \u00e0 tarde, de Cadillac. Jorginho vende amendoim na boca da noite. Oito anos, Paulinho. Nove anos, Jorginho. Reconhecendo a superioridade incr\u00edvel do negro, no bate-bola, reclamando a sua colabora\u00e7\u00e3o, garantidora de tentos, Paulinho se vinga depois. E com a sua falta de diplomacia, t\u00e3o pr\u00f3pria da idade, faz valer os seus t\u00edtulos, para humilhar o companheiro.<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Tua casa tem tapete no ch\u00e3o?<\/p>\n<p>Resposta negativa de Jorge.<\/p>\n<p>&#8211; A minha tem. At\u00e9 no quarto da empregada.<\/p>\n<p>E continua:<\/p>\n<p>&#8211; Tem lustre de cristal?<\/p>\n<p>Jorginho pergunta o que \u00e9. Paulinho explica. Jorginho n\u00e3o tem. Luz no seu barraco vem dos fif\u00f3s. Um vidro de sal de fruta, outro de Phymatosan.<\/p>\n<p>&#8211; Teu pai tem s\u00edtio em Petr\u00f3polis?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u2013 responde s\u00e9rio Jorginho.<\/p>\n<p>&#8211; O meu tem&#8230; Teu pai tem usina em Campos?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; O meu tem.<\/p>\n<p>&#8211; Teu pai tem iate?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; O meu tem.<\/p>\n<p>&#8211; Quantos apartamentos o teu pai tem?<\/p>\n<p>&#8211; Nenhum.<\/p>\n<p>&#8211; O meu pai tem dez. S\u00f3 em Copacabana. O resto \u00e9 na Tijuca.<\/p>\n<p>&#8211; Jorginho baixa os olhos, acaricia o monte areia que est\u00e1 juntando.<\/p>\n<p>&#8211; Teu pai tem televis\u00e3o?<\/p>\n<p>Nos olhos de Jorginho passa uma nuvem de tristeza. Nem responde.<\/p>\n<p>&#8211; O meu tem \u2013 informa Paulinho.<\/p>\n<p>Apanha a bola molhada, procura limp\u00e1-la dos gr\u00e3ozinhos de areia, pergunta de novo:<\/p>\n<p>&#8211; Teu pai \u00e9 deputado?<\/p>\n<p>Jorginho n\u00e3o sabe o que seja aquilo, mas j\u00e1 diz que n\u00e3o, pelas d\u00favidas. Deve ser coisa importante.<\/p>\n<p>&#8211; Teu pai tem autom\u00f3vel?<\/p>\n<p>Jorginho sorri tristemente, negando.<\/p>\n<p>&#8211; O meu tem \u2013 diz novamente em triunfo o garoto bem-nascido.<\/p>\n<p>&#8211; O meu tem. Um JK 61 que eu vou na escola, um 62 que ele vai pra idade, o Oldsmobile da mam\u00e3e, a camioneta do s\u00edtio, pra gente ir pra Petr\u00f3polis.<\/p>\n<p>Jorginho est\u00e1 completamente esmagado. Paulinho sorri, orgulhoso. E agora ele nem pergunta mais, apenas informa:<\/p>\n<p>&#8211; O meu pai tem quarenta ternos de roupa, o teu n\u00e3o tem&#8230;<\/p>\n<p>Jorginho sente-se o menor dos moleques do morro.<\/p>\n<p>&#8211; O meu pai tem tr\u00eas casas de campo, o teu n\u00e3o tem!<\/p>\n<p>Jorginho sente-se o menor dos moleques do Rio.<\/p>\n<p>&#8211; O meu pai tem dez cavalos de corrida, aposto que o teu n\u00e3o tem!<\/p>\n<p>Jorginho sente-se o menor dos moleques do Brasil.<\/p>\n<p>&#8211; O meu pai tem cem milh\u00f5es de cruzeiros, garanto que o teu n\u00e3o tem!<\/p>\n<p>Jorginho sente-se o menor dos moleques do mundo.<\/p>\n<p>&#8211; O meu pai \u00e9 amigo do Governador, o teu n\u00e3o \u00e9, pronto!<\/p>\n<p>Jorginho sente-se o menor de todos os mortais.<\/p>\n<p>Mas Paulinho ainda n\u00e3o est\u00e1 satisfeito.<\/p>\n<p>&#8211; O meu pai tem retrato no jornal, o teu n\u00e3o tem, ta\u00ed!<\/p>\n<p>\u00c9 quando Jorginho pula vitorioso. Dessa vez tem resposta. Retira do bolsinho do cal\u00e7\u00e3o rasgado, um peda\u00e7o amarfanhado de jornal. Exibe-o, peito cheio, orgulhoso no olhar.<\/p>\n<p>&#8211; Isso n\u00e3o! O meu pai tamb\u00e9m tem.<\/p>\n<p>E em tom de desafio, irretorqu\u00edvel:<\/p>\n<p>&#8211; Tu pensa que \u00e9 s\u00f3 teu pai que \u00e9 ladr\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(ZONA SUL, in: Gilberto M. TELES (org) SELETA.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Rio de Janeiro, Jos\u00e9 Olympio, Bras\u00edlia, INL, 1973)<\/p>\n<p>\u00a0___________________________________________________<\/p>\n<p>INTERPRETA\u00c7\u00c3O DO TEXTO<\/p>\n<ol>\n<li>Qual a grande diferen\u00e7a que separa os dois meninos?<\/li>\n<li>No primeiro par\u00e1grafo \u00e9 mostrada a superioridade e habilidade que o negro tem com a bola. Transcreva a passagem do texto que demonstra isso.<\/li>\n<li>Quais as diferentes realidades de cada um personagens?<\/li>\n<li>De que maneira Paulinho consegue humilhar Jorginho ap\u00f3s o jogo?<\/li>\n<li>Como Jorginho vai se sentindo a medida que Paulinho vai enumerando as suas vantagens econ\u00f4micas?<\/li>\n<li>Como foi que Jorginho conseguiu se igualar ao amigo?<\/li>\n<li>Que tipo de interpreta\u00e7\u00e3o Jorginho fez quando disse: \u201cTu pensa que \u00e9 s\u00f3 teu pai que \u00e9 ladr\u00e3o?\u201d<\/li>\n<li>Que outras interpreta\u00e7\u00f5es se pode ter a respeito da afirma\u00e7\u00e3o de Jorginho?<\/li>\n<\/ol>\n<p>_____________________________________________<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">Gabarito<\/span><\/p>\n<ol>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">A condi\u00e7\u00e3o financeira de suas fam\u00edlias: uma pobre e outra rica.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">\u201cO segundo traz jogo.\u201d<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">Paulinho tem bab\u00e1, estuda, mora em arranha-c\u00e9u, e nunca soube o que n\u00e3o \u00e9 ter o que comer; Jorginho n\u00e3o estuda, mora num barraco de madeira num morro do Rio de janeiro e trabalha, \u00e0 noite, vendendo amendoim.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">Contando vantagens dos bens materiais de seu pai.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">Ele se sente cada vez mais diminu\u00eddo, sem valor.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">Ao mostrar a foto do seu pai no jornal.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">Jorginho acreditava que os ladr\u00f5es \u00e9 que tem suas fotos estampadas nos jornais.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">Resposta pessoal justificada pelos fatos contidos no texto.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 86 \u2013 O MAL-ENTENDIDO (N\u00edvel M\u00e9dio)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[5,27],"tags":[],"class_list":["post-1264","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ensino-medio","category-textos-para-interpretacao","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1264","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1264"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1264\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}