{"id":1302,"date":"2015-09-04T18:01:04","date_gmt":"2015-09-04T18:01:04","guid":{"rendered":"http:\/\/portugues.camerapro.com.br\/?p=1302"},"modified":"2015-09-04T18:01:04","modified_gmt":"2015-09-04T18:01:04","slug":"texto-para-interpretacao-89-carta-ao-prefeito-nivel-fundamental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/?p=1302","title":{"rendered":"TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 89 &#8211; Carta ao Prefeito (N\u00edvel Fundamental)"},"content":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 89 \u2013 CARTA AO PREFEITO (Ensino Fundamental)<\/p>\n<p><!--more-->O texto abaixo foi escrito por um dos mais importantes cronistas brasileiros, o capixaba Rubem Braga. Nesta cr\u00f4nica, o autor brinca com as palavras de uma forma muito original. Descubra o que, de fato, o autor quis dizer. Boa leitura!<\/p>\n<p>CARTA AO PREFEITO<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0Rio de Janeiro, junho de 1951.<\/p>\n<p>Senhor Prefeito do Distrito Federal<\/p>\n<p>Eu sou um desses estranhos animais que tem por \u201ch\u00e1bitat\u201d o Rio de Janeiro; ouvi-me, pois, com o devido respeito.<\/p>\n<p>Sou um monstro de resist\u00eancia e um t\u00e9cnico em sobreviv\u00eancia \u2013 pois o carioca \u00e9, antes de tudo, um forte. Se, \u00e0s vezes, saio do Rio por algum tempo para descansar de seus perigos e desconfortos (certa vez inventei at\u00e9 de ser correspondente de guerra, para ter um pouco de paz) a verdade \u00e9 que sempre volto. Acostumei-me a viver perigosamente. N\u00e3o sou covarde como esses equilibristas estrangeiros que passeiam sobre fios entre os edif\u00edcios. Vejo-os l\u00e1 de cima, longe dos \u00f4nibus e lota\u00e7\u00f5es, atravessando a rua pelos ares e murmuro: eu quero ver \u00e9 no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o sou assustado como esse senhor deputado Ten\u00f3rio Cavalcante, que mora em Caxias e vive armado; moro no paralelo 38, entre Ipanema e Copacabana e, \u00e0s vezes, nas caladas da noite, percorro desarmado v\u00e1rias boates desta zona e permane\u00e7o horas, dentro da <strong>penumbra<\/strong>, entre cadeiras que esvoa\u00e7am e garrafas que partem docemente na cabe\u00e7a dos fieis em torno. E estou vivo.<\/p>\n<p>Ainda hoje tenho coragem bastante para tomar um \u00f4nibus ou mesmo uma lota\u00e7\u00e3o e ir dentro dele at\u00e9 o centro da cidade. Vivo assim, dia a dia, noite a noite, isto que os historiadores do futuro, estupefatos, chamar\u00e3o de Batalha do Rio de Janeiro. J\u00e1 fiz mesmo v\u00e1rias viagens na Central. Eu sou bravo, senhor.<\/p>\n<p>Sei tamb\u00e9m que n\u00e3o me resta nenhum direito terreno, respiro o ar dos escapamentos abertos e me banho at\u00e9 no Leblon, considerado um dos mais lindos esgotos do mundo.; aspiro o perfume da curva do Mourisco e a brisa da Lagoa e \u2013 sobrevivo. E compreendo que, embora v\u00f3s administreis \u00e0 maneira su\u00ed\u00e7a, n\u00f3s continuaremos a viver \u00e0 maneira carioca.<\/p>\n<p>Eu \u00e9 que n\u00e3o me queixo; j\u00e1 me aconteceu escapar de morrer dentro de um t\u00e1xi em uma tarde de inunda\u00e7\u00e3o e ter o consolo de, chegando em casa, encontrara a torneira perfeitamente seca.<\/p>\n<p>Prometeste, senhor, acabar em 30 dias com as inunda\u00e7\u00f5es no Rio de Janeiro; todo o povo \u00e9 testemunha desta promessa e de seu cumprimento: \u00e9 que atacaste, senhor, o mal pela raiz, que s\u00e3o as chuvas. Parou de chover, medida excelente e digna de <strong>enc\u00f4mios<\/strong>.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 para dizer isso que vos escrevo. \u00c9 para agradecer a provid\u00eancia que vossa administra\u00e7\u00e3o tomou nestas \u00faltimas quatro noites, instalando uma espl\u00eandida lua cheia em Copacabana. N\u00e3o sei se a fizestes adquirir na Su\u00ed\u00e7a para nosso uso permanente, ou se \u00e9 nacional. Talvez s\u00f3 possamos obter uma lua cheia definitiva reformando a Constitui\u00e7\u00e3o e libertando Vargas.<\/p>\n<p>Mas a verdade \u00e9 que o luar sobre as ondas me consolou o peito. E eu andava muito precisado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0Obrigado, senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Rubem Braga<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0(Rubem Braga. <em>Para gostar de ler. <\/em>S\u00e3o Paulo, Editora \u00c1tica, 2002)<\/p>\n<p>Vocabul\u00e1rio:<\/p>\n<p>Penumbra \u2013 parcialmente escuro, mal iluminado<\/p>\n<p>Enc\u00f4mios \u2013 discurso elogioso, bajula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<ol>\n<li>A partir de pistas presentes no texto, o ambiente em que o personagem vive \u00e9 rural ou urbano? Justifique sua resposta.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li>A partir da leitura do texto, podemos afirmar que a cr\u00f4nica foi escrita com a estrutura de uma carta? Justifique sua resposta.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"3\">\n<li>No texto, o personagem manifesta alguns sentimentos com rela\u00e7\u00e3o ao local em que vive. Quais s\u00e3o esses sentimentos?<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"4\">\n<li>Ao final do texto, o autor diz: \u201c<em>Prometeste, senhor, acabar em 30 dias com as inunda\u00e7\u00f5es no Rio de Janeiro; todo o povo \u00e9 testemunha desta promessa e de seu cumprimento: \u00e9 que atacaste, senhor, o mal pela raiz, que s\u00e3o as chuvas. Parou de chover, medida excelente e digna de enc\u00f4mios.\u201d<\/em> De fato, o autor quer elogiar o prefeito? Justifique sua resposta.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"5\">\n<li>Identifique outro trecho da carta, em que foi empregada a ironia.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"6\">\n<li>A partir das respostas anteriores, qual \u00e9 a ideia principal do texto?<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"7\">\n<li>Essa cr\u00f4nica foi escrita em 1951, quando a capital do Brasil era a cidade do Rio de Janeiro. Os problemas apresentados na cr\u00f4nica ainda existem na cidade? D\u00ea sua opini\u00e3o sobre isso.<\/li>\n<\/ol>\n<p>______________________________________________________________________<\/p>\n<p>GABARITO<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 1.<\/p>\n<p>Urbano. O texto fala da cidade do Rio de Janeiro, capital do Brasil na \u00e9poca em que foi escrito.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 2.<\/p>\n<p>Sim. O texto apresenta local e data, sauda\u00e7\u00e3o inicial, desenvolvimento da mensagem, despedida e assinatura do remetente.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 3.<\/p>\n<p>O personagem a considera uma cidade perigosa para se viver (sentimento de medo), mas tamb\u00e9m acha-a linda (sentimento de orgulho) e j\u00e1 acostumou-se com as dificuldades que apresenta (sentimento de aceita\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 4.<\/p>\n<p>N\u00e3o. O autor est\u00e1 sendo ir\u00f4nico ao afirmar que as inunda\u00e7\u00f5es desapareceram da cidade do Rio de Janeiro por uma a\u00e7\u00e3o do prefeito em suspender as chuvas. Sabemos que isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pois as esta\u00e7\u00f5es do tempo obedecem ao ciclo da natureza de primavera, ver\u00e3o, outono e inverno desenvolvidos num per\u00edodo de tr\u00eas meses aproximadamente.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 5.<\/p>\n<p>\u201c<em>Mas n\u00e3o \u00e9 para dizer isso que vos escrevo. \u00c9 para agradecer a provid\u00eancia que vossa administra\u00e7\u00e3o tomou nestas \u00faltimas quatro noites, instalando uma espl\u00eandida lua cheia em Copacabana<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 6.<\/p>\n<p>Chamar a aten\u00e7\u00e3o das autoridades da cidade do Rio de Janeiro a respeito da situa\u00e7\u00e3o perigosa em que vivem os seus moradores quanto \u00e0 seguran\u00e7a no tr\u00e2nsito e no meio ambiente.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 7.<\/p>\n<p>A resposta correta a essa quest\u00e3o s\u00f3 pode ser dada por algu\u00e9m que mora na cidade do Rio de Janeiro atualmente. Entretanto, algumas informa\u00e7\u00f5es atualmente veiculadas pela televis\u00e3o, jornais e r\u00e1dios d\u00e3o pistas de que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudou muito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 descrita nesta cr\u00f4nica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 89 \u2013 CARTA AO PREFEITO (Ensino 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