{"id":1370,"date":"2016-02-26T20:54:53","date_gmt":"2016-02-26T20:54:53","guid":{"rendered":"http:\/\/portugues.camerapro.com.br\/?p=1370"},"modified":"2016-02-26T20:54:53","modified_gmt":"2016-02-26T20:54:53","slug":"texto-para-interpretacao-96-como-um-trapezista-de-circo-nivel-fundamental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/?p=1370","title":{"rendered":"TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 96 &#8211; Como um trapezista de circo (N\u00edvel Fundamental)"},"content":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 96 \u2013 Como um trapezista de circo (N\u00edvel Fundamental)<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nCOMO UM TRAPEZISTA DE CIRCO<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fora demasiada aud\u00e1cia atacar aquela casa da Rua Rui Barbosa. Perto dali, na Pra\u00e7a do Pal\u00e1cio, andavam muitos guardas, investigadores, soldados. Mas eles tinham sede de aventura, estavam cada vez maiores, cada vez mais atrevidos. Por\u00e9m havia muita gente na casa, deram o alarme, os guardas chegaram. Pedro Bala e Jo\u00e3o Grande abalaram pela ladeira da Pra\u00e7a. Barand\u00e3o abriu no mundo tamb\u00e9m. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que j\u00e1 era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avan\u00e7avam. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a pra\u00e7a do Pal\u00e1cio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e al\u00e9m do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo n\u00e3o queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora \u00e0 pol\u00edcia. Dos sonhos das suas noites m\u00e1s. N\u00e3o o pegariam e enquanto corre este \u00e9 o \u00fanico pensamento que vai com ele. Os guardas veem nos seus calcanhares. Sem-Pernas sabe que eles gostar\u00e3o de o pegar, que a captura de um dos Capit\u00e3es da Areia \u00e9 uma bela fa\u00e7anha para um guarda. Essa ser\u00e1 a sua vingan\u00e7a. N\u00e3o deixar\u00e1 que o peguem, n\u00e3o tocar\u00e3o a m\u00e3o no seu corpo. Sem-Pernas os odeia como odeia a todo mundo, porque nunca p\u00f4de ter um carinho. E no dia que o teve fora obrigado a o abandonar porque a vida j\u00e1 o tinha marcado demais. Nunca tivera uma alegria de crian\u00e7a. Se fizera homem antes dos dez anos para lutar pela mais miser\u00e1vel das vidas: a vida de crian\u00e7a abandonada. Nunca conseguira amar a ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser a este cachorro que o segue. Quando os cora\u00e7\u00f5es das demais crian\u00e7as ainda est\u00e3o puros de sentimentos, o de Sem-Pernas j\u00e1 estava cheio de \u00f3dio. Odiava a cidade, a vida, os homens. Amava unicamente o seu \u00f3dio, sentimento que o fazia forte e corajoso apesar do defeito f\u00edsico. Uma vez uma mulher foi boa para ele. Mas em verdade n\u00e3o o fora para ele e sim para o filho que perdera e que pensara que tinha voltado. De outra feita outra mulher se deitara com ele numa cama, acariciava seu sexo, se aproveitara dele para colher as migalhas do amor que nunca tivera. Nunca, por\u00e9m, o tinham amado pelo que ele era, menino abandonado, aleijado e triste. Muita gente o tinha odiado. E ele odiara a todos. Apanhara na pol\u00edcia, um homem ria quando o surravam. Para ele \u00e9 este homem que corre em sua persegui\u00e7\u00e3o na figura dos guardas. Se o levarem, o homem rir\u00e1 de novo. N\u00e3o o levar\u00e3o. Vem em seus calcanhares, mas n\u00e3o o levar\u00e3o. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas n\u00e3o para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a for\u00e7a do seu \u00f3dio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os bra\u00e7os, se atira de costas no espa\u00e7o como se fosse um trapezista de circo.<br \/>\n          A pra\u00e7a toda fica em suspenso por um momento. Se jogou, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que n\u00e3o tivesse alcan\u00e7ado o outro trap\u00e9zio. O cachorro late entre as grades do muro.<br \/>\n                                    (Jorge Amado. Capit\u00e3es da Areia. 123 Edi\u00e7\u00e3o, Record, Rio de Janeiro, 2007)<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a leitura do texto responda \u00e0s quest\u00f5es a seguir:<br \/>\n1. Qual o significado que o autor utilizou para o substantivo &#8220;homem&#8221; na frase abaixo:<br \/>\n   \u201cSe fizera homem antes dos dez anos&#8230;\u201d<\/p>\n<p>2.Substitua a express\u00e3o &#8220;de outra feita&#8221; existente na frase: \u201cDe outra feita outra mulher se deitara com ele&#8230;&#8221; por um sin\u00f4nimo.<\/p>\n<p>3. Sem-Pernas, assim apelidado por ser coxo de uma perna, era um dos capit\u00e3es da areia, grupo de garotos e rapazes abandonados que viviam na marginalidade em Salvador, capital da Bahia. Que motivos tinha ele para tentar escapar da pol\u00edcia?<\/p>\n<p>4. Sem-Pernas odiava a todos e a causa de seu \u00f3dio era a falta de: \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0a.(\u00a0\u00a0 ) sa\u00fade\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) carinho\u00a0\u00a0 \u00a0c. (\u00a0\u00a0 ) alimento\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) amizade<\/p>\n<p>5. Na corrida que empreendia para escapar da pol\u00edcia, Sem-Pernas recordou-se de dois momentos em que o trataram de modo diferente. Nesses dois momentos, por\u00e9m, ele percebeu que fora enganado. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>6. A pol\u00edcia acreditava na captura de Sem-Pernas naquele momento. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>7. O garoto agiu de modo inesperado. O que fez ele?<\/p>\n<p>8. Sem-Pernas conseguiu a vingan\u00e7a que desejava? Explique de acordo com as informa\u00e7\u00f5es do texto.<\/p>\n<p>___________________________________________________<\/p>\n<p>GABARITO<br \/>\nQuest\u00e3o 1. Pessoa do sexo masculino que, mesmo n\u00e3o sendo adulto, teve que se comportar como um homem adulto, isto \u00e9, teve que comandar e decidir sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 2. Pode ser utilizado qualquer uma das express\u00f5es a seguir: Em outra ocasi\u00e3o&#8230; \u2013 Em oportunidade diferente&#8230;<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 3. Escapar era, para ele, uma vingan\u00e7a pelos maus tratos e deboches de que foi v\u00edtima e um modo de frustrar uma bela fa\u00e7anha policial.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 4. Alternativa B<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 5. No primeiro momento, uma mulher julgou ser ele o filho que perdera; no segundo momento, uma mulher aproveitou-se dele, tentando obter o que nunca tivera.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 6. Porque o garoto estava encurralado e deveria parar junto ao elevador Lacerda, pois n\u00e3o teria outra sa\u00edda, pois o que havia a sua frente era o precip\u00edcio para o mar.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 7. Subiu na mureta da pra\u00e7a e saltou, de costas, para o precip\u00edcio, isto \u00e9, para a morte.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o 8. Sim, pois a pol\u00edcia n\u00e3o conseguiu prend\u00ea-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 96 \u2013 Como um trapezista de circo (N\u00edvel Fundamental)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[4,27],"tags":[],"class_list":["post-1370","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ensino-fundamental","category-textos-para-interpretacao","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1370\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}