{"id":1390,"date":"2016-06-08T20:33:25","date_gmt":"2016-06-08T20:33:25","guid":{"rendered":"http:\/\/portugues.camerapro.com.br\/?p=1390"},"modified":"2016-06-08T20:33:25","modified_gmt":"2016-06-08T20:33:25","slug":"texto-para-interpretacao-97-o-verbo-for-nivel-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/?p=1390","title":{"rendered":"TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 97 &#8211; O verbo for (N\u00edvel M\u00e9dio)"},"content":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O  97 \u2013 O VERBO FOR (N\u00edvel M\u00e9dio)<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>O VERBO FOR<\/p>\n<p>          Vestibular de verdade era no meu tempo. J\u00e1 estou chegando, ou j\u00e1 cheguei, \u00e0 altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo; meu e dos outros coroas (&#8230;)<br \/>\n          O vestibular de Direito a que me submeti, na velha Faculdade de Direito da Bahia, tinha s\u00f3 quatro mat\u00e9rias: portugu\u00eas, latim, franc\u00eas ou ingl\u00eas, e sociologia, sendo que esta n\u00e3o constava dos curr\u00edculos do curso secund\u00e1rio e a gente tinha que se virar por fora. Nada de cruzinhas, m\u00faltipla escolha ou mat\u00e9rias que n\u00e3o interessassem diretamente \u00e0 carreira. Tudo escrito ruibarbosianamente quando poss\u00edvel, com cita\u00e7\u00f5es decoradas, preferivelmente (&#8230;)<br \/>\n          Quis o ir\u00f4nico destino, uns anos mais tarde, que eu fosse professor da Escola de Administra\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia e me designassem para a banca de portugu\u00eas, com prova oral e tudo. Eu tinha fama de professor carrasco, que at\u00e9 hoje considero injust\u00edssima, e ficava muito incomodado com aqueles rapazes e mo\u00e7as p\u00e1lidos e tr\u00eamulos diante de mim. Uma certa vez, chegou um sem o menor sinal de nervosismo, muito elegante, palet\u00f3, gravata e abotoaduras vistosas. A prova oral era best\u00edssima. Mandava o candidato ler umas dez linhas em voz alta (sim, porque alguns n\u00e3o sabiam ler) e depois se perguntava o que queria dizer uma palavra trivial ou outra, qual era o plural de outra e assim por diante.<br \/>\n          Esse mal sabia ler, mas n\u00e3o perdia a pose. N\u00e3o acertou a responder nada. Ent\u00e3o, eu, carrasco fict\u00edcio, peguei no texto uma frase em que a palavra \u201cfor\u201d tanto podia ser do verbo \u201cser\u201d quanto do verbo \u201cir\u201d. Pronto, pensei. Se ele distinguir qual \u00e9 o verbo, considero-o um g\u00eanio, dou quatro, ele passa e seja o que Deus quiser.<br \/>\n          &#8211; Esse \u201cfor\u201d a\u00ed, que verbo \u00e9 esse?<br \/>\n          Ele considerou a frase longamente, como se eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratura do c\u00edrculo, depois ajeitou as abotoaduras e me encarou sorridente.<br \/>\n          &#8211; Verbo for.<br \/>\n          &#8211; Verbo o qu\u00ea?<br \/>\n          &#8211; Verbo for.<br \/>\n          &#8211; Conjugue a\u00ed o presente do indicativo desse verbo.<br \/>\n          &#8211; Eu fonho, tu f\u00f5es, ele f\u00f5e \u2013 recitou ele imp\u00e1vido. \u2013 N\u00f3s fomos, v\u00f3s fondes, eles f\u00f5em.<br \/>\n          N\u00e3o, dessa vez ele n\u00e3o passou. Mas, se perseverou, deve ter acabado passando e hoje h\u00e1 de estar num posto qualquer do Minist\u00e9rio da Administra\u00e7\u00e3o ou na equipe econ\u00f4mica, ou ainda aposentado como maraj\u00e1, ou as tr\u00eas coisas. Vestibular, no meu tempo, era muito mais divertido do que hoje e, nos dias que correm, devidamente diplomado, ele deve estar fondo para quebrar. F\u00f5es tu? Com quase toda a certeza, n\u00e3o. Eu tampouco fonho. Mas ele f\u00f5e.<\/p>\n<p>(Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro, publicado no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo, em 23\/09\/1998)<\/p>\n<p>Responda \u00e0s quest\u00f5es relativas ao texto:<\/p>\n<p>1. O narrador cria uma palavra nova do segundo par\u00e1grafo, a partir do nome de um pol\u00edtico e escritor do s\u00e9culo XIX. Ficou conhecido pelo esmero com que tratava a l\u00edngua portuguesa em seus discursos. Destaque a palavra e informe qual \u00e9 o nome do pol\u00edtico a que o escritor se refere.<\/p>\n<p>2. A partir do texto, o que se pode deduzir sobre o conhecimento do candidato a respeito de verbos?<\/p>\n<p>3. Pela forma como o candidato conjugou o verbo solicitado, que verbo ele tomou como modelo?<\/p>\n<p>4. Pode-se perceber que o narrador termina o texto de forma ir\u00f4nica ao criticar a pol\u00edtica ou certos pol\u00edticos. Em que consiste essa cr\u00edtica?<br \/>\n________________________________________________________________________________<\/p>\n<p>Gabarito:<br \/>\n1. A palavra \u00e9 \u201cruibarbosianamente\u201d, neologismo criado por Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro em refer\u00eancia a Rui Barbosa, pol\u00edtico baiano, que se destacou por seus discursos patri\u00f3ticos.<\/p>\n<p>2. Pela resposta do candidato \u00e0 pergunta que lhe foi feita, pode-se concluir que ele nada sabia sobre verbos.<\/p>\n<p>3. O candidato conjugou baseado no verbo p\u00f4r.<\/p>\n<p>4. Percebe-se pela forma ir\u00f4nica do narrador que ele est\u00e1 se referindo ao despreparo de algumas pessoas que ocupam cargos p\u00fablicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 97 \u2013 O VERBO FOR (N\u00edvel M\u00e9dio)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[5,27],"tags":[],"class_list":["post-1390","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ensino-medio","category-textos-para-interpretacao","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1390"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1390\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}