{"id":448,"date":"2012-01-17T12:28:35","date_gmt":"2012-01-17T16:28:35","guid":{"rendered":"http:\/\/juniormax.com.br\/site_portuguesirado\/?p=448"},"modified":"2012-01-17T12:28:35","modified_gmt":"2012-01-17T16:28:35","slug":"literatura-3-trovadorismo-portugues-contexto-historico-a-poesia-trovadoresca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/?p=448","title":{"rendered":"LITERATURA 3 &#8211; Trovadorismo portugu\u00eas. Contexto hist\u00f3rico. A poesia trovadoresca."},"content":{"rendered":"<p><strong>LITERATURA &#8211; ROTEIRO N<\/strong><strong>\u00b0<\/strong><strong> 03<\/strong><\/p>\n<p>1 \u2013 TEMA: Trovadorismo. Contexto hist\u00f3rico. Poesia trovadoresca e suas principais caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>2 \u2013 PR\u00c9-REQUISITO:<\/p>\n<ul>\n<li>Ler com compreens\u00e3o.<\/li>\n<li>Conhecer os principais eventos hist\u00f3ricos de povos europeus, principalmente de Portugal.<\/li>\n<\/ul>\n<p>3 \u2013 META: Ao final do estudo, voc\u00ea dever\u00e1 ser capaz de:<\/p>\n<ul>\n<li>interpretar textos<\/li>\n<li>relacionar o per\u00edodo liter\u00e1rio da l\u00edngua portuguesa aos principais eventos hist\u00f3ricos ocorridos em Portugal<\/li>\n<li>identificar as caracter\u00edsticas de uma obra trovadoresca<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more-->4 \u2013 PR\u00c9-AVALIA\u00c7\u00c3O: O objetivo da pr\u00e9-avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 diagnosticar o quanto se tem conhecimento de um assunto. Para isso, basta que voc\u00ea responda \u00e0 Auto-avalia\u00e7\u00e3o que est\u00e1 no in\u00edcio deste Roteiro, antes de ler qualquer texto existente nele. Se voc\u00ea alcan\u00e7ar um resultado igual ou superior a 80 pontos, n\u00e3o precisa estudar o assunto, pois voc\u00ea j\u00e1 o domina suficientemente. Caso contr\u00e1rio, v\u00e1 direto para as Atividades de Estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 \u2013 ATIVIDADES DE ESTUDO: Ler com entendimento \u00e9 pr\u00e9-requisito para se aprender qualquer coisa atrav\u00e9s da leitura. Portanto, fa\u00e7a o seguinte:<\/p>\n<p>a) Tenha um dicion\u00e1rio de Portugu\u00eas ao seu alcance, para consult\u00e1-lo sobre as palavras que voc\u00ea desconhece o significado;<\/p>\n<p>b) Procure um lugar sossegado para ler os textos e fazer os exerc\u00edcios;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) Leia primeiro o texto; fa\u00e7a em seguida os exerc\u00edcios; compare suas respostas com o gabarito e veja o que errou; retorne ao texto para verificar o porqu\u00ea do erro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 \u2013 P\u00d3S-AVALIA\u00c7\u00c3O: Ap\u00f3s ter feito o estudo dos textos e os exerc\u00edcios, responda \u00e0s quest\u00f5es propostas na Auto-avalia\u00e7\u00e3o. Creio que voc\u00ea agora, acertar\u00e1 todas. Caso isso n\u00e3o aconte\u00e7a, consulte as orienta\u00e7\u00f5es dadas nas Atividades Suplementares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 \u2013 ATIVIDADES SUPLEMENTARES: Se voc\u00ea n\u00e3o conseguiu alcan\u00e7ar 80 pontos na P\u00f3s-avalia\u00e7\u00e3o, volte \u00e0 leitura dos textos, agora com mais aten\u00e7\u00e3o. Sem pressa. A leitura com compreens\u00e3o \u00e9 a base da aprendizagem.<\/p>\n<p>_________________________________________________________<\/p>\n<p>AUTO-AVALIA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Responda \u00e0 estas quest\u00f5es antes de ler qualquer texto deste Roteiro. Atribua 05 pontos para cada resposta correta. Se voc\u00ea alcan\u00e7ar 80 pontos na soma total, parab\u00e9ns! Voc\u00ea n\u00e3o precisa estudar este Roteiro, pois j\u00e1 domina suficientemente o conte\u00fado existente nele. Caso contr\u00e1rio, leia as orienta\u00e7\u00f5es das Atividades de Estudo.<\/p>\n<ol>\n<li>O mais antigo documento da literatura portuguesa data de:<\/li>\n<\/ol>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) 1139 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0b. (\u00a0\u00a0 ) 1128<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) fins do s\u00e9culo XII\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) fins do s\u00e9culo XI<\/p>\n<p>2. O autor do mais antigo documento da literatura portuguesa \u00e9:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) D. Dinis \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) Fern\u00e3o Lopes<\/p>\n<p>c. (\u00a0 \u00a0) D. Afonso Henriques\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) Paio Soares de Taveir\u00f3s<\/p>\n<p>3. Uma das diferen\u00e7as fundamentais entre as cantigas de amor e as de amigo \u00e9:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) a autoria \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0b. (\u00a0\u00a0 ) o eu-l\u00edrico<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) a l\u00edngua em que eram escritas\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) o car\u00e1ter \u00e9pico<\/p>\n<p>4. Assinale a alternativa correta:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) n\u00e3o houve prosa no per\u00edodo trovadoresco<\/p>\n<p>b. (\u00a0\u00a0 ) a prosa, no per\u00edodo trovadoresco, sofreu a influ\u00eancia proven\u00e7al<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) a prosa do per\u00edodo trovadoresco era exclusivamente hist\u00f3rica<\/p>\n<p>d. (\u00a0\u00a0 ) a prosa do per\u00edodo trovadoresco era literalmente inferior \u00e0 poesia do\u00a0mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>5. A confiss\u00e3o da \u201ccoita d\u2019amor\u201d, amor respeitoso e plat\u00f4nico, vassalagem amorosa a uma dama inacess\u00edvel s\u00e3o caracter\u00edsticas das:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) cantigas de amor\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) cantigas de amigo<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) cantigas de esc\u00e1rnio\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) cantigas de maldizer<\/p>\n<p>6. A poesia, na Idade M\u00e9dia:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) era independente da m\u00fasica<\/p>\n<p>b. (\u00a0\u00a0 ) confundia-se com a prosa, pelo primitivismo da l\u00edngua e dos recursos\u00a0t\u00e9cnicos<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) era acompanhada de m\u00fasica<\/p>\n<p>d. (\u00a0\u00a0 ) originou-se das antigas can\u00e7\u00f5es de gesta<\/p>\n<p>7.\u00a0 \u201c<em>Estes meus olhos nunca perder\u00e1n,<\/em><\/p>\n<p><em> Senhor, gran coita, mentr\u2019eu vivo for,<\/em><\/p>\n<p><em> E direi-vos, fremosa mia senhor,<\/em><\/p>\n<p><em> Destes meus olhos a coita que h\u00e1n:<\/em><\/p>\n<p><em> Choran e cegan quando\u2019alguen non veem<\/em><\/p>\n<p><em> E ora cegam por alguem que veem<\/em>.<\/p>\n<p>O texto acima \u00e9 um(a):<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) soneto\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) cantiga de amor<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) cantiga de amigo\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) cantiga sat\u00edrica<\/p>\n<p>8. Refr\u00e3o e paralelismo s\u00e3o recursos mais frequentemente encontrados:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) nas cantigas de amor \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) nas cantigas de amigo<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) nas cantigas de amor e de amigo \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0c. (\u00a0\u00a0 ) nas cantigas de mestria<\/p>\n<p>9. D\u00e1-se o nome de \u201cten\u00e7\u00e3o\u201d \u00e0s cantigas de:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) amor\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) amigo\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c. (\u00a0\u00a0 ) mestria\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) dialogadas<\/p>\n<p>10. A chamada \u00c9poca Proven\u00e7al da literatura portuguesa caracterizou-se pelo fato de os:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) escritores portugueses escreverem no dialeto proven\u00e7al.<\/p>\n<p>b. (\u00a0\u00a0 ) trovadores portugueses, independente do cunha nacional que imprimiam \u00e0s suas cantigas, imitarem o trovadorismo de Proven\u00e7a.<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) trovadores portugueses falarem, em suas cantigas, da vida cortes\u00e3\u00a0de Proven\u00e7a.<\/p>\n<p>d. (\u00a0\u00a0 ) poetas portugueses traduzirem e cantarem as cantigas proven\u00e7ais.<\/p>\n<p>11. \u201c<em>Ai, flores, ai flores do verde ramo<\/em><\/p>\n<p><em> se sabedes (<\/em>sabeis<em>) novas do meu amado?<\/em><\/p>\n<p><em> Ai, Deus, e <strong>u<\/strong> (<\/em>onde<em>) \u00e9 (<\/em>est\u00e1<em>)?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Baseado nas caracter\u00edsticas do per\u00edodo liter\u00e1rio a que pertence o texto acima, escreva as palavras que completam as lacunas da frase abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os versos pertencem a uma cantiga de (a) ____________, caracter\u00edstica do (b) ______________ portugu\u00eas, est\u00e9tica liter\u00e1ria dos s\u00e9culos XII, XIII e XIV.<\/p>\n<p>12. Assinale 1 para as cantigas de amigo; 2 para as cantigas de amor; 3 para as cantigas de esc\u00e1rnio:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) \u201c<em>Senhor fremosa <\/em>(formosa)<em>, pois me non queredes<\/em><\/p>\n<p><em> creer a coita <\/em>(dor)<em> en que me ten amor,<\/em><\/p>\n<p><em> por meu mal \u00e9 que que tan ben parecedes<\/em><\/p>\n<p><em> e por meu mal vos filhei <\/em>(tomei) <em>por senhor<\/em>\u201d<\/p>\n<p>b. (\u00a0\u00a0 ) \u201c<em>Ai dona fea! foste-vos queixar<\/em><\/p>\n<p><em> porque vos nunca loei <\/em>(louvei)<em> em meu trobar<\/em> (cantar)<\/p>\n<p><em>mais ora quero fazer un cantar<\/em><\/p>\n<p><em> em que vos loarei<\/em> (louvarei) <em>toda via<\/em><\/p>\n<p><em> e vedes como vos quero loar:<\/em><\/p>\n<p><em> dona fea, velha e sandia!\u201d<\/em> (louca)<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) \u201c<em>Bailemos n\u00f3s j\u00e1 todas tr\u00eas, ai amigas,<\/em><\/p>\n<p><em> so <\/em>(sob) <em>aquestas avelaneiras frolidas<\/em> (floridas)<\/p>\n<p><em>e quen for velida<\/em> (bela), <em>como n\u00f3s, velidas<\/em> (belas)<\/p>\n<p><em>se amigo amar,<\/em><\/p>\n<p><em> so aquestas avelaneiras frolidas<\/em><\/p>\n<p><em> verr\u00e1<\/em> (vir\u00e1) <em>bailar\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">13. \u201cCoube ao s\u00e9culo XIX a descoberta surpreendente da nossa primeira \u00e9poca l\u00edrica. Em 1904, com a edi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e comentada do <em>Cancioneiro da Ajuda<\/em>, por Carolina Michaelis de Vasconcelos, tivemos a primeira grande vis\u00e3o de conjunto do valios\u00edssimo esp\u00f3lio descoberto.\u201d (Costa Pimp\u00e3o).<\/p>\n<p>A afirmativa se refere a uma \u00e9poca liter\u00e1ria. Responda:<\/p>\n<p>a) qual \u00e9 essa \u201cprimeira \u00e9poca l\u00edrica\u201d portuguesa?_________________<\/p>\n<p>b) que tipos de composi\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas se cultivavam nessa \u00e9poca?<\/p>\n<p>14. Assinale a alternativa INCORRETA a respeito do Trovadorismo em Portugal:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) Durante o Trovadorismo, ocorreu a separa\u00e7\u00e3o entre a poesia e a m\u00fasica.<\/p>\n<p>b. (\u00a0\u00a0 ) Muitas cantigas trovadorescas foram reunidas em livros ou colet\u00e2ne-as que receberam o nome de cancioneiros.<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) Nas cantigas de amor h\u00e1 o reflexo do relacionamento entre senhor e vassalo na sociedade feudal: dist\u00e2ncia e extrema submiss\u00e3o.<\/p>\n<p>d. (\u00a0\u00a0 ) Nas cantigas de amigo, o trovador (sempre um homem) escreve o poema assumindo o papel feminino.<\/p>\n<p>15. Assinale a alternativa INCORRETA sobre as cantigas de amor:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) Apresentam forte influ\u00eancia proven\u00e7al e eu-l\u00edrico feminino.<\/p>\n<p>b. (\u00a0\u00a0 ) T\u00eam uma linguagem mais sofisticada que as cantigas de amigo.<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) Seu tema \u00e9 o sofrimento amoroso ocasionado, em geral, pela diferen\u00e7a social existente entre o trovador e a amada.<\/p>\n<p>d. (\u00a0\u00a0 ) A mulher amada, ou ignora a paix\u00e3o do trovador ou est\u00e1 ciente dela e a despreza.<\/p>\n<p>16. Qual a obra liter\u00e1ria considerada o marco inicial do per\u00edodo trovadoresco em Portugal?<\/p>\n<p>______________________________________________________<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">Gabarito<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">1. c\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2. D\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 3. B\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 4. D\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 5. A\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 6. c\u00a0\u00a0\u00a0 7. B\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 8. B\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 9. D\u00a0\u00a0\u00a0 10. B<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">11. a) amigo\u00a0\u00a0 b) trovadorismo<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">12. a.(2)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b.(3)\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0c.(1)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">13. a) o Trovadorismo\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0b) as cantigas de amigo, de amor, de esc\u00e1rnio e maldizer<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">14. Letra A<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">15. Letra A<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">16. A Cantiga da Ribeirinha.<\/span><\/p>\n<p>_________________________________________________________<\/p>\n<p>ANEXO A \u2013 Contexto Hist\u00f3rico do Trovadorismo em Portugal<\/p>\n<p>Principais acontecimentos hist\u00f3ricos de Portugal e do Mundo Conhecido<\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"43\">\n<p style=\"text-align: center;\">Ano<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"298\">\n<p style=\"text-align: center;\">Acontecimento hist\u00f3rico<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"43\">\n<p style=\"text-align: center;\">1308<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"298\">Funda\u00e7\u00e3o da Universidade de Coimbra<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"43\">\n<p style=\"text-align: center;\">1415<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"298\">Conquista de Ceuta<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"43\">\n<p style=\"text-align: center;\">1420<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"298\">In\u00edcio da expans\u00e3o mar\u00edtima: descoberta da Ilha da Madeira<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>Trovadorismo<\/strong> ou <strong>\u00c9poca Proven\u00e7al<\/strong> &#8211; primeira \u00e9poca liter\u00e1ria da l\u00edngua portuguesa &#8211; estendeu-se de 1198 (data do mais antigo documento liter\u00e1rio portugu\u00eas, a cantiga <strong>A Ribeirinha<\/strong>, dedicada pelo autor Paio Soares de Taveir\u00f3s, \u00e0 dona Maria Pais Ribeiro, amante do rei D. Sancho I) a 1418, cerca de 220 anos, quando <strong>Fern\u00e3o Lopes<\/strong> foi nomeado guarda-mor da Torre do Tombo, que era o arquivo hist\u00f3rico de Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas datas nos mostram que o in\u00edcio da literatura portuguesa est\u00e1 bem pr\u00f3ximo da <strong>Independ\u00eancia de Portugal<\/strong>, conquistada em 1128, mas reconhecida por Castela apenas em 1143.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Historicamente, \u00e9 um per\u00edodo marcado por lutas contra os \u00e1rabes, cuja expuls\u00e3o definitiva se deu no s\u00e9culo XIII. Como em qualquer outro per\u00edodo, a literatura vai apresentar caracter\u00edsticas que, direta ou indiretamente, refletem a sociedade da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de Portugal n\u00e3o ter conhecido as formas ortodoxas do <strong>feudalismo econ\u00f4mico<\/strong>, muitos dos relacionamentos sociais documentados na literatura da \u00e9poca, s\u00e3o tipicamente feudais. \u00c9 tamb\u00e9m marcante, na cultura portuguesa desse per\u00edodo, a influ\u00eancia da <strong>Igreja Cat\u00f3lica<\/strong>, que marcou profundamente a forma de encarar o mundo. A esta postura perante o mundo, fundada na ideia de que Deus \u00e9 o centro do Universo, d\u00e1-se o nome de <strong>Teocentrismo<\/strong>, caracter\u00edstica importante da cultura medieval, que aparece em v\u00e1rias de suas manifesta\u00e7\u00f5es. O teocentrismo est\u00e1 muito bem caracterizado no texto abaixo de Hernani Cidade, contido na obra <em>O Conceito de Poesia como express\u00e3o de cultura.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Um movimento como o das Cruzadas \u2013 que procurava sublimar, na guerra contra o infiel, as grandezas e mis\u00e9rias da combatividade e da gan\u00e2ncia; uma cria\u00e7\u00e3o como a catedral g\u00f3tica ou como a Divina Com\u00e9dia, de Dante (s\u00e9culo XIII), que erguiam \u00e0 morada de um Deus pessoal, de presen\u00e7a vivamente sentida, os pr\u00f3prios anseios que partiam das profundezas torvas das almas, tal como as agulhas e flechas se erguiam dos subterr\u00e2neos das funda\u00e7\u00f5es; uma obra de pensamento como a Summa Theologica, que era, na ordem do saber, como na ordem do poder, a teocracia de Greg\u00f3rio Magno, a tentativa e o esfor\u00e7o de tudo subordinado a Deus \u2013 interesses da intelig\u00eancia tanto como da vontade \u2013 e tudo coroado pela Imita\u00e7\u00e3o de Cristo, alto voo m\u00edstico, que fecha, no s\u00e9culo XV, na ordem da intelig\u00eancia, a ascese que na ordem da a\u00e7\u00e3o o franciscanismo realizara \u2013 eis os aspectos que definem a Idade M\u00e9dia como a idade do que podemos chamar de Teocentrismo.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Curso Abril Vestibular, Fasc\u00edculo 1, 1\u00aa. Edi\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________________________________________________________________<\/p>\n<p>ANEXO B \u2013 Origens e influ\u00eancias no trovadorismo portugu\u00eas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Trovadorismo tamb\u00e9m conhecido como \u00c9poca Proven\u00e7al, tem esse nome em raz\u00e3o de que na regi\u00e3o sul da Fran\u00e7a, conhecida como Proven\u00e7a, foi desenvolvido entre os s\u00e9culos XI e XIII, a arte dos trovadores. Nessa \u00e9poca, os cavaleiros permaneciam mais tempo em suas casas, a vida nos castelos j\u00e1 tinha uma organiza\u00e7\u00e3o intensa, seus sal\u00f5es eram um polo fundamental de conv\u00edvio e as mulheres come\u00e7aram a adquirir uma posi\u00e7\u00e3o importante dentro dessa organiza\u00e7\u00e3o, especialmente no sul da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que tange \u00e0 literatura, a Fran\u00e7a teve dois polos que emanaram influ\u00eancias importantes para o mundo liter\u00e1rio da \u00e9poca: ambos desprezavam o Latim como meio de express\u00e3o e ambos refletiram diferentes aspectos do mundo medieval. A Regi\u00e3o Norte da Fran\u00e7a produziu uma literatura \u00e9pica, de car\u00e1ter guerreiro e individualista, em que a mulher exercia uma fun\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria: s\u00e3o os <em>trouv\u00e8res<\/em> com sua \u00e9pica. Na Regi\u00e3o Sul da Fran\u00e7a, onde o feudalismo levou mais tempo para se diluir, surgiu uma l\u00edrica sofisticada, da qual o amor e a mulher eram os temas centrais: s\u00e3o os <em>troubadours<\/em> (trovadores) com sua l\u00edrica. Foi a partir dessa duplicidade que a literatura europeia se expandiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de o lirismo trovadoresco ter declinado na Fran\u00e7a a partir do s\u00e9culo XIII \u2013 com as interven\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica, que passou a impor o culto \u00e0 Virgem Maria como tema aos trovadores \u2013 sua influ\u00eancia j\u00e1 era percebida em toda a Europa, cujos pa\u00edses souberam incorpor\u00e1-la \u00e0s suas pr\u00f3prias tradi\u00e7\u00f5es. Foi o que aconteceu em Portugal.<\/p>\n<p>Dentre os fatores que concorreram para a influ\u00eancia proven\u00e7al na Literatura Portuguesa temos:<\/p>\n<ul>\n<li>casamentos entre reis lusitanos e mulheres nobres do sul da Fran\u00e7a;<\/li>\n<li>um dos reis de Portugal, D. Afonso III, viveu v\u00e1rios anos na Fran\u00e7a e quando retornou a Portugal trouxe na sua comitiva, trovadores proven\u00e7ais e um padre para cuidar da educa\u00e7\u00e3o de seu filho, D. Dinis, este que foi um dos maiores trovadores lusitanos.<\/li>\n<li>o com\u00e9rcio, os movimentos militares, os menestr\u00e9is (que se apresentavam em pra\u00e7a p\u00fablica)<\/li>\n<li>a cria\u00e7\u00e3o de bispados na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e as Cruzadas<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">A civiliza\u00e7\u00e3o proven\u00e7al era muita mais requintada que a portuguesa.\u00a0Da\u00ed ser a respons\u00e1vel por uma certa aristocratiza\u00e7\u00e3o da poesia portuguesa, que era muito mais vis\u00edvel nas cantigas de amor. As cantigas portuguesas eram transmitidas oralmente. Mas num determinado momento da hist\u00f3ria de Portugal, um rei mandou copi\u00e1-las em livro. Tais livros chamam-se <strong>Cancioneiros<\/strong>. Gra\u00e7as a eles \u00e9 que hoje podemos ter conhecimento do que estamos informando aqui. Os mais importantes Cancioneiros s\u00e3o: da Ajuda, da Biblioteca Nacional e da Vaticana.<\/p>\n<p>__________________________________________________________<\/p>\n<p>ANEXO C \u2013 Caracter\u00edsticas do Trovadorismos. A poesia trovadoresca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Trovadorismo \u00e9 um movimento de car\u00e1ter exclusivamente po\u00e9tico. As composi\u00e7\u00f5es l\u00edricas desse per\u00edodo s\u00e3o chamadas de <strong>cantigas<\/strong> porque eram efetivamente cantadas com acompanhamento de instrumentos musicais que inclu\u00edam violas de arco, flautas, ala\u00fades, pandeiros. Os que cultivavam esse tipo de poesia eram chamados genericamente de trovadores, embora houvesse diferen\u00e7a entre os autores e int\u00e9rpretes dessas cantigas. Os <strong>trovadores<\/strong> eram aqueles compositores que tinham origem nobre e que efetivamente compunham as cantigas; os <strong>jograis<\/strong> n\u00e3o eram fidalgos e cantavam composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias ou alheias em troca de pagamento (eis a\u00ed a origem dos cantores de r\u00e1dio e televis\u00e3o do s\u00e9culo XX!); os <strong>segr\u00e9is<\/strong> eram os jograis da Corte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A literatura trovadoresca portuguesa \u00e9 composta por poesia e prosa, mas a mais importante manifesta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria dessa \u00e9poca \u00e9 a poesia representada pelas <strong>cantigas l\u00edricas<\/strong> \u2013 as de amor e de amigo; e <strong>cantigas sat\u00edricas<\/strong> \u2013 as de esc\u00e1rnio e maldizer.<\/p>\n<p><strong>1. Cantigas l\u00edricas: cantigas de amigo<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas das cantigas de amigo portuguesas s\u00e3o an\u00f4nimas e v\u00e1rias delas se perderam no tempo, por causa da sua origem oral e popular e a despreocupa\u00e7\u00e3o inicial em fix\u00e1-las pela escrita. A influ\u00eancia proven\u00e7al fez a tradi\u00e7\u00e3o popular chegar aos pal\u00e1cios, de modo que os trovadores passaram a compor tamb\u00e9m as cantigas de amigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cantigas de amigo s\u00e3o poemas l\u00edricos que cont\u00e9m a confiss\u00e3o de uma mo\u00e7a do povo, cujo sofrimento amoroso \u00e9 causado pela aus\u00eancia ou abandono do \u201camigo\u201d, isto \u00e9, do namorado ou do amante. Expressam um amor mais sensual, mais vivo, talvez pelo contacto com a natureza, cen\u00e1rio da maioria dessas cantigas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de expressarem o sofrimento amoroso da mulher, esses poemas foram escritos por homens que apresentam o <strong>eu-l\u00edrico feminino<\/strong>: o trovador assume o papel da mulher. Cabe aqui lembrar que o autor das cantigas sempre era um homem, pois as mulheres n\u00e3o tinham o direito de aprender a ler e escrever. N\u00e3o h\u00e1 registro efetivo de nenhuma cantiga de amigo composta por mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante que se compreenda o conceito do \u201c<strong>eu-l\u00edrico<\/strong>\u201d. O eu-l\u00edrico \u00e9 a pessoa que fala nos poemas l\u00edricos. N\u00e3o \u00e9, necessariamente, autobiogr\u00e1fico. \u00c9 t\u00e3o fic\u00e7\u00e3o quanto os personagens criados por um romancista. Assim podemos dizer que, nas cantigas de amigo, o eu-l\u00edrico \u00e9 feminino, enquanto que o autor \u00e9 masculino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201camigo\u201d a que se refere as composi\u00e7\u00f5es \u00e9, na verdade, o namorado ou o amante. V\u00e1rias dessas cantigas eram cantadas em festas, comemora\u00e7\u00f5es e rituais ligados \u00e0 chegada da primavera. Por isso sua liga\u00e7\u00e3o com a dan\u00e7a e a m\u00fasica era mais efetiva do que nas cantigas de amor.<\/p>\n<p>As cantigas de amigo apresentam tr\u00eas possibilidades de ambiente e roteiro:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) cantigas de inspira\u00e7\u00e3o campestre relatando o encontro entre namorados numa fonte; ou a mo\u00e7a lamentando a aus\u00eancia do amado que partiu para a guerra e n\u00e3o deu mais not\u00edcias ou que desapareceu sem cumprir as promessas feitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) Cantigas em que a mo\u00e7a aguarda o namorado que vem pedir sua m\u00e3o em casamento. Muitas vezes a mo\u00e7a se revela esperta, consciente da sua capacidade de seduzir e de provocar ci\u00fames.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) Cantigas j\u00e1 adaptadas ao ambiente da Corte, nas quais o trovador, assumindo o papel da mulher, procura expressar o que ele sup\u00f5e ser o lamento dela pela aus\u00eancia do amado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida cotidiana, a saudade do amigo que partiu para a guerra, o ci\u00fame, a indigna\u00e7\u00e3o, a vaidade de se saber bela, encontros fortuitos, bailes, festas, o colorido do mundo medieval portugu\u00eas podem ser identificados nessas cantigas. Elas possuem uma tal beleza que permite ao leitor entrever os sentimentos que as motivaram. Na maior parte das vezes, a mulher n\u00e3o se dirige diretamente ao homem amado \u2013 adota uma confidente\u00a0 que pode ser a amiga, a irm\u00e3, a m\u00e3e ou um elemento da natureza. Veja o exemplo abaixo:<\/p>\n<p><em>\u201cOndas do mar de Vigo<sup>1<\/sup>,<\/em><\/p>\n<p><em>se viste meu amigo?<\/em><\/p>\n<p><em> E ai Deus se verr\u00e1 cedo!<sup>2<\/sup> <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ondas do mar levado<sup>3<\/sup>,<\/em><\/p>\n<p><em>se viste meu amado?<\/em><\/p>\n<p><em>E ai Deus se verr\u00e1 cedo!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Se viste meu amigo,<\/em><\/p>\n<p><em>o por que eu sospiro?<sup>4<\/sup><\/em><\/p>\n<p><em>E ai Deus se verr\u00e1 cedo!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Se viste meu amado,<\/em><\/p>\n<p><em>por que ei gran coidado?<sup>5<\/sup><\/em><\/p>\n<p><em>E ai Deus se verr\u00e1 cedo!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Martim Codax. In: Torres, Alexandre Pinheiro,\u00a0<em>Antologia da poesia portuguesa<\/em>. Porto: Lello &amp; Irm\u00e3o, 1977)<\/p>\n<p>Vocabul\u00e1rio<\/p>\n<p>1 \u2013 <em>Vigo<\/em>: praia da regi\u00e3o da Galiza, norte do Rio Minho<\/p>\n<p>2 \u2013 <em>se verr\u00e1 cedo<\/em>: ele vir\u00e1 logo<\/p>\n<p>3 \u2013 <em>mar levado<\/em>: mar agitado<\/p>\n<p>4 \u2013 <em>o por que eu sospiro<\/em>: por quem eu suspiro<\/p>\n<p>5 \u2013 <em>por que ei gran coitado<\/em>: por quem eu tenho muito carinho, cuidado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong> <strong>CANTIGAS L\u00cdRICAS<\/strong>: <strong>Cantigas de amor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora Portugal n\u00e3o tenha tido um feudalismo na mais pura express\u00e3o da palavra, as cantigas de amor lusitanas refletiam a estrutura da sociedade feudal por causa da influ\u00eancia proven\u00e7al. A submiss\u00e3o do vassalo (criado, servidor) ao seu senhor (nobre, dono das terras onde morava o vassalo) \u00e9 transferida para o mundo das rela\u00e7\u00f5es amorosas, e o mandamento n\u00famero um do trovador \u00e9 a fidelidade e submiss\u00e3o absoluta a sua musa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cantigas de amor cont\u00eam a confiss\u00e3o do sofrimento (<em>coita<\/em>) do trovador, que padece por amar uma dama (<em>senhor<\/em>) inascess\u00edvel. Sofre pela impossibilidade de ver realizado o seu desejo de amor, j\u00e1 que a dama pertence a uma classe social superior a dele \u2013 ela \u00e9 esposa ou filha de um nobre; ele, um servo. Tal inacessibilidade da mulher, em parte, representa o profundo distanciamento que, na Idade M\u00e9dia, existia entre as classes sociais. O <strong>amor<\/strong> que o poeta expressa \u00e9 sempre <strong>plat\u00f4nico e respeitoso. <\/strong>O trovador reitera a promessa de servir, honrar, respeitar e nunca revelar a\u00a0 identidade da sua amada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, sabemos que esse tipo de poesia saiu dos pal\u00e1cios, foi feita principalmente por nobres e a impossibilidade do trovador ter o seu desejo realizado ocorreria apenas em tese. Trata-se, portanto de um fingimento po\u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um tema frequente \u00e9 o <em>paneg\u00edrico imposs\u00edvel ou elogio imposs\u00edvel:<\/em> a mulher amada \u00e9 a mais bela de todas; \u00e9 um ser divino. Mas ela \u00e9 indiferente aos sentimentos do poeta. Ela n\u00e3o os conhece e, se sabe da exist\u00eancia deles, os despreza. \u00c9 chamada de <em>dame sans merci (<\/em>dama sem piedade, sem compaix\u00e3o). Esse amor imposs\u00edvel e inevit\u00e1vel faz com que o eu-l\u00edrico sofra por tornar-se prisioneiro desse sentimento e maldiga o dia de seu pr\u00f3prio nascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cantigas de amor apresentam uma linguagem mais erudita e sofisticada do que as de amigo. Sua estrutura \u00e9 menos repetitiva, podendo apresentar ou n\u00e3o um refr\u00e3o. O uso da palavra \u201csenhor\u201d (no masculino) nessas composi\u00e7\u00f5es indicava a origem nobre da dama. Nessa \u00e9poca, era usada tanto para o homem como para a mulher, pois a palavra ainda n\u00e3o tinha ganho a termina\u00e7\u00e3o \u201ca\u201d para indicar o g\u00eanero feminino.<\/p>\n<p>Abaixo apresentamos um fragmento da Cantiga da Ribeirinha, exemplo de cantiga de amor:<\/p>\n<p>\u201c<em>No mundo non me sei parelha<sup>1<\/sup> <\/em><\/p>\n<p><em>mentre<sup>2<\/sup> me for como me vai <\/em><\/p>\n<p><em>c\u00e1<sup>3<\/sup> j\u00e1 moiro<sup>4<\/sup> por v\u00f3s \u2013 e ai! <\/em><\/p>\n<p><em>mia Senhor branca e vermelha<sup>5 <\/sup><\/em><\/p>\n<p><em>queredes que vos retraia<sup>6<\/sup> <\/em><\/p>\n<p><em>quando enton vos vi em saia!<sup>7<\/sup> <\/em><\/p>\n<p><em>Mau dia me levantei, <\/em><\/p>\n<p><em>Que<sup>8<\/sup> vos enton non vi fea! <\/em><\/p>\n<p><em>E, mia Senhor, des aque&#8217;di&#8217;ai!<\/em><\/p>\n<p><em>me foi a mi mui mal;<\/em><\/p>\n<p><em>E v\u00f3s filha de Dom Paay<\/em><\/p>\n<p><em>Moniz, e bem vos semelha(9)<\/em><\/p>\n<p><em>d&#8217;haver eu por vos guarvaia(10)<\/em><\/p>\n<p><em>pois eu, mia Senhor, d&#8217;alfaia<\/em><\/p>\n<p><em>nunca de vos houve nen hei<\/em><\/p>\n<p><em>valia d&#8217;uma correia(11) \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 (Paio Soares de Taveir\u00f3s)<\/em><\/p>\n<p><em>____________________________________________________________<\/em><\/p>\n<p>Vocabul\u00e1rio<\/p>\n<p>1 \u2013 <em>non me sei parelha:<\/em> n\u00e3o sei de coisa semelhante<\/p>\n<p>2 \u2013 <em>mentre: <\/em>enquanto<\/p>\n<p>3 \u2013 <em>c\u00e1: <\/em>porque<\/p>\n<p>4 \u2013 <em>moiro:<\/em> morro<\/p>\n<p>5 \u2013 <em>branca e vermelha:<\/em> branca e com as faces rosadas<\/p>\n<p>6 \u2013 <em>queredes que vos retraia:<\/em> quereis que vos retrate<\/p>\n<p>7 \u2013 <em>em saia:<\/em> em roupas \u00edntimas ou sem manto<\/p>\n<p>8 \u2013 <em>que: <\/em>pois<\/p>\n<p>9 \u2013 <em>semelha: <\/em>parece<\/p>\n<p>10 \u2013 <em>d\u2019haver eu por vos guarvaia<\/em>: que eu deva receber, por vosso interm\u00e9dio, um traje de luxo<\/p>\n<p>11 \u2013 <em>valia d\u2019uma correia: <\/em>qualquer coisa de pouco valor<\/p>\n<p><strong>3. CANTIGAS SAT\u00cdRICAS: Cantigas de esc\u00e1rnio e de maldizer<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o poemas sat\u00edricos que usam a <strong>s\u00e1tira indireta<\/strong> (cantigas de esc\u00e1rnio), ora a <strong>s\u00e1tira direta<\/strong> (cantigas de maldizer). Pelo seu car\u00e1ter circunstancial, as cantigas sat\u00edricas s\u00e3o consideradas inferiores \u00e0s l\u00edricas, apesar de documentarem, atrav\u00e9s da ironia, os costumes da sociedade da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cantigas sat\u00edricas revelam o mundo bo\u00eamio e marginal dos jograis, fidalgos, bailarinas; enfim, dos artistas da corte, aos quais se misturavam religiosos e at\u00e9 mesmo reis. Um mundo com um c\u00f3digo de \u00e9tica pr\u00f3prio, que admitia certa liberdade de h\u00e1bitos e costumes n\u00e3o partilhada pela sociedade em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a finalidade de fazer cr\u00edticas mordazes e com humor, muitos eram os temas das cantigas sat\u00edricas: os costumes, principalmente do clero; a covardia; a decad\u00eancia de alguns nobres; os vil\u00e3os (aqui se referem \u00e0s pessoas que moravam nas vilas medievais); o adult\u00e9rio das damas; os homens sovinas; os pobres que viviam de apar\u00eancia; as mulheres feias; os beberr\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cantigas de esc\u00e1rnio s\u00e3o aquelas que fazem a <strong>cr\u00edtica indiretamente<\/strong>, de forma sutil, sem indicar o nome da pessoa satirizada, lan\u00e7ando m\u00e3o de uma linguagem mais velada, que muitas vezes admite duplo sentido, sem deixar de lado o aspecto humor\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cantigas de maldizer fazem a <strong>cr\u00edtica rude, direta<\/strong>, mencionando o nome da pessoa criticada, usando palavr\u00f5es e, muitas vezes, enveredando pela obscenidade. Sua linguagem \u00e9 chula e n\u00e3o se utiliza de ambiguidade.<\/p>\n<p>Exemplo de cantiga de esc\u00e1rnio:<\/p>\n<p>I. Se um rapaz e uma donzela,<\/p>\n<p>Ficassem juntos na mesma cela&#8230;<\/p>\n<p>\u00d3 casal aben\u00e7oado!<\/p>\n<p>O amor tempera<\/p>\n<p>Anima o noivado:<\/p>\n<p>O t\u00e9dio se oblitera.<\/p>\n<p>II. Brincam juntos num s\u00f3 gesto<\/p>\n<p>De bocas, pernas e o resto!<\/p>\n<p>\u00d3 casal aben\u00e7oado&#8230;<\/p>\n<p>Exemplo da cantiga de maldizer:<\/p>\n<p>Eu sou o abade de Cocanha<\/p>\n<p>E o meu cap\u00edtulo s\u00e3o monges beberr\u00f5es<\/p>\n<p>E meu conselho \u00e9 a confraria dos jogadores,<\/p>\n<p>E quem me procurar na taberna ao cantar do galo,<\/p>\n<p>Sair\u00e1 de noite, liso e sem roupa,<\/p>\n<p>E cantar\u00e1, despido, o seguinte lamento:<\/p>\n<p>Socorro! Socorro!<\/p>\n<p>Quanto azar, dados malditos!<\/p>\n<p>Estamos fritos,<\/p>\n<p>Pobres e aflitos!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Maurice van Woensel. <em>Carmina Burana. <\/em>Apresenta\u00e7\u00e3o de Segismundo Spina, S\u00e3o Paulo, Ars Poetica, 1994)<\/p>\n<p>________________________________________________________<\/p>\n<p>Exerc\u00edcios:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os textos abaixo s\u00e3o de cantigas medievais e foram adaptados para o portugu\u00eas atual. Identifique cada uma de acordo com as caracter\u00edsticas das cantigas de amor, de amigo, de esc\u00e1rnio ou de maldizer.<\/p>\n<p>a) A dona que eu sirvo e que muito adoro<\/p>\n<p>mostrai-ma, ai Deus! pois eu vos imploro<\/p>\n<p>se n\u00e3o, dai-me a morte.\u00a0\u00a0\u00a0 (Bernardo de Bonaval)<\/p>\n<p>b) Trovas n\u00e3o fazeis como proven\u00e7al<\/p>\n<p>mas como Bernardo, o de Bonaval.<\/p>\n<p>O vosso trovar n\u00e3o \u00e9 natural.<\/p>\n<p>Ai de v\u00f3s, com ele e o Demo aprendestes.<\/p>\n<p>Em trovardes mal, vejo eu o sinal<\/p>\n<p>das loucas ideias em que empreendestes.<\/p>\n<p>Por isso, D. Pero, em Vila-Real,<\/p>\n<p>Fatal foi a hora em que tanto bebestes.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (D. Afonso X, o S\u00e1bio)<\/p>\n<p>c) Ai flores, ai flores do verde ramo,<\/p>\n<p>se sabedes novas do meu amado?<\/p>\n<p>Ai, Deus, onde ele est\u00e1?\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (D. Dinis)<\/p>\n<p>d) Ai, dona feia, foste-vos queixar<\/p>\n<p>de que nunca vos louvei em meu trovar;<\/p>\n<p>e umas trovas vos quero dedicar<\/p>\n<p>em que louvada de toda maneira sereis;<\/p>\n<p>tal \u00e9 o meu louvar:<\/p>\n<p>dona feia, velha e sandia!\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Jo\u00e3o Garcia de Guilhade)<\/p>\n<p>____________________________________________________________<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">Gabarito<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">a. cantiga de amor<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">b. cantiga de maldizer<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">c. cantiga de amigo<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">d. cantiga de esc\u00e1rnio<\/span><\/p>\n<p>______________________________________________________________<\/p>\n<p>ANEXO D \u2013 S\u00cdNTESE DAS CARACTER\u00cdSTICAS DAS CANTIGAS \u00a0TROVADORESCAS<\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Cantigas de amor<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Cantigas de amigo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Cantigas de esc\u00e1rnio<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Cantigas de maldizer<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">O trovador assume o eu-l\u00edrico masculino: \u00e9 o homem quem fala.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">O trovador assume o eu-l\u00edrico feminino: \u00e9 a mulher quem fala.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\"><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">O objeto \u00e9 sempre uma dama, \u201cse-nhor\u201d.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">O objeto \u00e9 o ami-go: namorado ou amante.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Os objetos s\u00e3o pessoas, costu-mes e aconteci-mentos sem reve-la\u00e7\u00e3o da identida-de da pessoa en-volvida<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">O objeto s\u00e3o pessoas, costumes e acontecimentos com identifica\u00e7\u00e3o da pessoa envol-vida<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">O objeto \u00e9 idealizado pelas suas qualidades f\u00edsicas, morais e sociais: beleza, bondade, lealdade, conheci-mento social.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">O objeto \u00e9 caracterizado pelas su-as qualidades ne-gativas: mentiroso, traidor, desleal.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Censura indireta aos v\u00edcios ou defeitos, atrav\u00e9s de ironia e sarcarmos.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Censura e ridiculariza\u00e7\u00e3o direta \u00e0 defeitos e v\u00edcios.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Expressa sentimentos de dor e m\u00e1goa por amar uma mulher inascess\u00edcel.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Expressa os sentimentos femininos de saudades pela aus\u00eancia do amigo o namorado ou amante.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Utiliza linguagem bem popular, com duplo sentido e humor\u00edstico.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Utiliza linguagem grosseira, de sentido direto e, \u00e0s vezes, obsceno.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">O cen\u00e1rio \u00e9 a na-tureza e a corte<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">O cen\u00e1rio \u00e9 o campo, o mar e a casa<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\"><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Sua origem \u00e9 pro-ven\u00e7al.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\">Teve origem na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\"><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"88\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Os principais recursos po\u00e9ticos empregados pelos trovadores s\u00e3o:<\/p>\n<p>Refr\u00e3o \u2013 o mesmo que estribilho, ou seja, a repeti\u00e7\u00e3o de um ou mais versos em cada estrofe.<\/p>\n<p>Paralelismo \u2013 repeti\u00e7\u00e3o de uma ideia j\u00e1 expressa numa estrofe anterior, com pequenas altera\u00e7\u00f5es de palavras.<\/p>\n<p>Ten\u00e7\u00f5es \u2013 cantigas em forma de di\u00e1logo<\/p>\n<p>_____________________________________________________<\/p>\n<p>LEITURA COMPLEMENTAR<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O \u201camor cort\u00eas\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sociedade t\u00e3o fechada, de estrutura medieval, o amor \u2013 o grande e eterno tema \u2013 vai ser uma manifesta\u00e7\u00e3o de vassalagem feudal, j\u00e1 que as formas de vida e de pensamento s\u00e3o tamb\u00e9m feudais. O que significa que o feudalismo engendra uma maneira de pensar feudal, como hoje o capitalismo engendra uma maneira de pensar capitalista. O amor trovadoresco, o \u201camor cort\u00eas\u201d (j\u00e1 que \u00e9 esta sua designa\u00e7\u00e3o t\u00edpica), exigia que a mulher que se cantava fosse casada, fundamentalmente porque a donzela n\u00e3o tinha personalidade jur\u00eddica, uma vez que n\u00e3o possu\u00eda nem terras, nem criados, nem dom\u00ednios, n\u00e3o era <strong>domina<\/strong> (\u201cdona\u201d). Em suma: n\u00e3o dispunha de \u201csenhorios\u201d. Ora, o poeta n\u00e3o vai prestar \u201cservi\u00e7o\u201d a uma mulher que n\u00e3o seja \u201cSenhor\u201d, e n\u00f3s encontramos extensamente o verbo <strong>servir<\/strong> como sin\u00f4nimo de \u201cnamorar\u201d, \u201cfazer a corte\u201d, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, os casamentos entre a gente nobre faziam-se por conveni\u00eancia e n\u00e3o por amor. Assim, o \u201camor\u201d era algo de que \u201csenhor\u201d dispunha para conceder ao trovador que, encontrando-se ao seu \u201cservi\u00e7o\u201d, ela achasse digno de receber o respectivo \u201cgalard\u00e3o\u201d, que podia ir ao extremo limite de favores corporais. Mas o \u201cgalard\u00e3o\u201d podia ser apenas (e era-o geralmente) a pura aceita\u00e7\u00e3o pela dama, do pleito de vassalagem do trovador.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(TORRES, Alexandre Pinheiro. <em>Antologia da poesia portuguesa. <\/em>Porto, Lello e Irm\u00e3o, 1977)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LITERATURA &#8211; ROTEIRO N\u00b0 03 1 \u2013 TEMA: Trovadorismo. Contexto hist\u00f3rico. Poesia trovadoresca e suas principais caracter\u00edsticas. 2 \u2013 PR\u00c9-REQUISITO: Ler com compreens\u00e3o. Conhecer os principais eventos hist\u00f3ricos de povos europeus, principalmente de Portugal. 3 \u2013 META: Ao final do estudo, voc\u00ea dever\u00e1 ser capaz de: interpretar textos relacionar o per\u00edodo liter\u00e1rio da l\u00edngua portuguesa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[12,14],"tags":[],"class_list":["post-448","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-literatura-brasileira","category-movimentos-e-periodos-literarios","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/448","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=448"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/448\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}