{"id":742,"date":"2013-06-21T21:56:51","date_gmt":"2013-06-21T21:56:51","guid":{"rendered":"http:\/\/portugues.camerapro.com.br\/?p=742"},"modified":"2013-06-21T21:56:51","modified_gmt":"2013-06-21T21:56:51","slug":"texto-para-interpretacao-59-o-milagre-nivel-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/?p=742","title":{"rendered":"TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 59 &#8211; O MILAGRE (N\u00edvel M\u00e9dio)"},"content":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 59 \u2013 O MILAGRE (N\u00edvel M\u00e9dio)<\/p>\n<p align=\"center\">O MILAGRE<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em id=\"__mceDel\"><!--more--><\/em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Naquela pequena cidade as romarias come\u00e7aram quando correu o boato do milagre. \u00c9 sempre assim. Come\u00e7a com um simples boato, mas logo o povo \u2013 sofredor, coitadinho e pronto a acreditar em algo capaz de minorar sua perene chatea\u00e7\u00e3o \u2013 passa a torcer para que o boato se transforme numa realidade, para poder fazer do milagre a sua esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dizia-se que ali vivera um vig\u00e1rio muito piedoso, homem bom, tranquilo, amigo da gente simples, que fora em vida um misto de sacerdote, conselheiro, m\u00e9dico, financiador dos necessitados e at\u00e9 advogado dos pobres, nas suas eternas quest\u00f5es com os poderosos. Fora, enfim, um sacerdote na express\u00e3o do termo: fizera de sua vida um apostolado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dia o vig\u00e1rio morreu. Ficou a saudade morando com a gente do lugar. E era em sinal de reconhecimento que conservavam o quarto onde ele vivera, tal e qual o deixara. Era um quartinho modesto, atr\u00e1s da venda. Um catre (porque em hist\u00f3rias assim, a cama do personagem chama-se catre), uma cadeira, um arm\u00e1rio tosco, alguns livros. O quarto do vig\u00e1rio ficou sendo uma esp\u00e9cie de monumento \u00e0 sua mem\u00f3ria, j\u00e1 que a Prefeitura local n\u00e3o tinha verba para erguer sua est\u00e1tua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E foi quando um dia&#8230; ou melhor, uma noite, deu-se o milagre. No quarto dos fundos da venda, no quarto que fora do padre, na mesma hora em que o padre costumava acender uma vela para ler seu brevi\u00e1rio, apareceu uma vela acesa.<\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 &#8211; Milagre!!! \u2013 quiseram todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E milagre ficou sendo, porque uma senhora que tinha o filho doente, logo se ajoelhou do lado de fora do quarto, junto \u00e0 janela, e pediu pela crian\u00e7a. Ao chegar em casa, depois do pedido \u2013 conta-se \u2013 a senhora encontrou o filho brincando, fagueiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Milagre!!! \u2013 repetiram todos. E o grito de \u201cMilagre!!!\u201d reboou por sobre montes e rios, vales e florestas, indo soar no ouvido de outras gentes, de outros povoados. E logo come\u00e7aram as romarias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vinha gente de longe pedir! Chegava povo de tudo quanto \u00e9 canto e ficava ali plantado, junto \u00e0 janela, aguardando a luz da vela. Outros padres, coron\u00e9is, at\u00e9 deputados, para oficializar o milagre. E quando eram mais ou menos seis da tarde, hora em que o bondoso sacerdote costumava acender sua vela&#8230; a vela se acendia e come\u00e7avam as ora\u00e7\u00f5es. Ricos e pobres, doentes e saud\u00e1veis, homens e mulheres ca\u00edam de joelhos, pedindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com o passar do tempo a coisa arrefeceu. Muitos foram os casos de doen\u00e7as curadas, de heran\u00e7as conseguidas, de triunfos os mais diversos. Mas, como tudo passa, depois de alguns anos passaram tamb\u00e9m\u00a0 as romarias. Foi diminuindo a fama do milagre e ficou, apenas, mais folclore na lembran\u00e7a do povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O lugarejo n\u00e3o mudou nada. Continua igualzinho como era, e ainda existe, atr\u00e1s da venda, o quarto que fora do padre. Passamos outro dia por l\u00e1. Entramos e pedimos ao portugu\u00eas, seu dono, que vive h\u00e1 muitos anos atr\u00e1s do balc\u00e3o, a roubar no peso, que nos servisse uma cerveja. O portugu\u00eas, ent\u00e3o, berrou para um pretinho, que arrumava latas de goiabada numa prateleira:<\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 &#8211; \u00d3 Milagre, sirva uma cerveja ao fregu\u00eas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Achamos o nome engra\u00e7ado. Qual o padrinho que pusera o nome de Milagre naquele afilhado? E o portugu\u00eas explicou que n\u00e3o, que o nome do pretinha era Sebasti\u00e3o. Milagre era apelido.<\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 &#8211; E por qu\u00ea? \u2013 perguntamos.<\/p>\n<p>&#8211; Porque era ele quem acendia a vela, no quarto do padre.<\/p>\n<p align=\"right\">(STANISLAW PONTE PRETA. <i>O melhor de Stanislaw Ponte Preta. <\/i>3<sup>a<\/sup>. Edi\u00e7\u00e3o, Rio de Janeiro, Jos\u00e9 Olympio, 1988) <i><\/i><\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"right\">__________________________________________________________________________________<\/p>\n<\/div>\n<ol start=\"1\">\n<li>Segundo o texto, o que leva o povo a acreditar no boato do milagre?<\/li>\n<li>No segundo par\u00e1grafo do texto temos a caracteriza\u00e7\u00e3o do vig\u00e1rio. Qual classe de palavras desempenha fun\u00e7\u00e3o fundamental nesse par\u00e1grafo?<\/li>\n<li>Justifique o uso dos par\u00eanteses no terceiro par\u00e1grafo.<\/li>\n<li>Um bom texto se constr\u00f3i a partir de algumas sutilezas, pequenas coloca\u00e7\u00f5es que, para um leitor desatento, passariam despercebidas. No trecho: \u201c- Milagre!!! \u2013 <b>quiseram<\/b> todos.\u201d explique por que a forma verbal em negrito (quiseram) foi usada, em vez de <b>falaram<\/b> ou <b>gritaram.<\/b><\/li>\n<li>Que fato ajudou a consolidar o \u201cmilagre\u201d?<\/li>\n<li>O texto fala de uma crian\u00e7a que estava doente e sarou em fun\u00e7\u00e3o do pedido que a m\u00e3e fez ao vig\u00e1rio. O narrador tem certeza desse fato? Explique sua resposta.<\/li>\n<li>Segundo o texto, o que foi necess\u00e1rio para oficializar o milagre?<\/li>\n<li>Em que passagem do texto temos a universaliza\u00e7\u00e3o da cren\u00e7a no milagre?<\/li>\n<li>O narrador emite um <b>ju\u00edzo de valor<\/b> a respeito do portugu\u00eas. Qual \u00e9 esse <b>ju\u00edzo de valor<\/b>?<\/li>\n<li>Observe a frase: \u201cO <b>portugu\u00eas<\/b>, ent\u00e3o, berrou&#8230;\u201d Nesse contexto, a palavra <b>portugu\u00eas<\/b> \u00e9 um substantivo. Escreva uma frase em que essa palavra seja empregada como adjetivo.<\/li>\n<li>Ap\u00f3s a leitura do conto de Stanislaw Ponte Preta, redija uma frase que sirva de \u201cmoral da hist\u00f3ria\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>__________________________________________________________________<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">Gabarito:<\/span><\/p>\n<ol start=\"1\">\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">A prontid\u00e3o para acreditar em algo que seja capaz de minorar suas dificuldades e sofrimentos.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">Os adjetivos ( piedoso, bom, tranquilo, amigo, simples, financiador ).<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">Os par\u00eanteses foram usados para inserir uma explica\u00e7\u00e3o a respeito de uma palavra de uso pouco corrente, utilizada no texto.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">O autor quis dar \u00eanfase \u00e0quilo que <b>todos queriam<\/b> ter naquele momento: algo que os levasse a ter esperan\u00e7as. Por isso o uso do verbo querer e n\u00e3o falar ou gritar.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">Uma vela sempre aparecia acesa na hora em que o vig\u00e1rio, quando vivo, costumava ler o seu brevi\u00e1rio.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">N\u00e3o. Na frase: \u201cAo chegar em casa, depois do pedido \u2013 <b>conta-se <\/b>\u2013 a senhora encontrou o filho brincando, fagueiro\u201d o uso do verbo contar seguido do pronome \u201cse\u201d indica que o sujeito \u00e9 indeterminado, isto \u00e9, n\u00e3o se pode determinar quem conta a hist\u00f3ria, portanto n\u00e3o h\u00e1 como comprovar se o fato realmente aconteceu. Al\u00e9m disso, no final do texto encontramos a explica\u00e7\u00e3o a respeito da vela que aparecia acesa na casa do padre.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">A vinda de outros padres, coron\u00e9is e at\u00e9 deputados.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">\u201cE o grito de \u201cMilagre!!!\u201d reboou por sobre montes e rios, vales e florestas, indo soar no ouvido de outras gentes, de outros povoados. E logo come\u00e7aram as romarias.\u201d<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">O narrador afirma que o portugu\u00eas era um ladr\u00e3o pois, \u201c&#8230;vive h\u00e1 muitos anos atr\u00e1s do balc\u00e3o, <b>a roubar no peso<\/b>&#8230;\u201d, embora tal fato n\u00e3o fora comprovado. O fato dele ser um comerciante que vendia materiais \u00e0 retalho \u00e9 que levou o autor a emitir essa opini\u00e3o.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">Resposta pessoal. Exemplo: O vinho portugu\u00eas \u00e9 de boa qualidade.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">Resposta pessoal.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 59 \u2013 O MILAGRE (N\u00edvel M\u00e9dio) O MILAGRE<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[5,27],"tags":[],"class_list":["post-742","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ensino-medio","category-textos-para-interpretacao","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/742\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}