{"id":784,"date":"2013-09-11T13:54:40","date_gmt":"2013-09-11T13:54:40","guid":{"rendered":"http:\/\/portugues.camerapro.com.br\/?p=784"},"modified":"2013-09-11T13:54:40","modified_gmt":"2013-09-11T13:54:40","slug":"texto-para-interpretacao-67-a-ovelha-negra-nivel-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/?p=784","title":{"rendered":"TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 67 &#8211; A OVELHA NEGRA (N\u00edvel M\u00e9dio)"},"content":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 67 \u2013 A OVELHA NEGRA (N\u00edvel M\u00e9dio)<\/p>\n<p align=\"center\"><!--more-->A OVELHA NEGRA<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Havia um pa\u00eds onde todos eram ladr\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, cada habitante sa\u00eda, com a gazua e a lanterna, e ia arrombar a casa de um vizinho. Voltava de madrugada, carregado e encontrava a sua casa arrombada.<\/p>\n<p>E assim todos viviam em paz e sem preju\u00edzo, pois um roubava o outro, e este, um terceiro, e assim por diante, at\u00e9 que se chegava ao \u00faltimo que roubava o primeiro. O com\u00e9rcio naquele pa\u00eds s\u00f3 era praticado como trapa\u00e7a, tanto por quem vendia como por quem comprava. O governo era uma associa\u00e7\u00e3o de delinquentes vivendo \u00e0 custa dos s\u00faditos, e os s\u00faditos por sua vez s\u00f3 se preocupavam em fraudar o governo. Assim a vida prosseguia sem trope\u00e7os, e n\u00e3o havia nem ricos nem pobres.<\/p>\n<p>Ora, n\u00e3o se sabe como, ocorre que no pa\u00eds apareceu um homem honesto. \u00c0 noite, em vez de sair com o saco e a lanterna, ficava em casa fumando e lendo romances.<\/p>\n<p>Vinham os ladr\u00f5es, viam a luz acesa e n\u00e3o subiam.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o durou algum tempo: depois foi preciso faz\u00ea-lo compreender que, se quisesse viver sem fazer nada, n\u00e3o era essa uma boa raz\u00e3o para n\u00e3o deixar os outros fazerem. Cada noite que ele passava em casa era uma fam\u00edlia que n\u00e3o comia no dia seguinte.<\/p>\n<p>Diante desses argumentos, o homem honesto n\u00e3o tinha o que objetar. Tamb\u00e9m come\u00e7ou a sair de noite para voltar de madrugada, mas n\u00e3o ia roubar. Era honesto, n\u00e3o havia nada a fazer. Andava at\u00e9 a ponte e ficava vendo a \u00e1gua passar embaixo. Voltava para casa, e a encontrava roubada.<\/p>\n<p>Em menos de uma semana o homem honesto ficou sem um tost\u00e3o, sem o que comer, com a casa vazia. Mas at\u00e9 a\u00ed tudo bem, porque era culpa sua; o problema era que seu comportamento criava uma grande confus\u00e3o. Ele deixava que lhe roubassem tudo e, ao mesmo tempo, n\u00e3o roubava ningu\u00e9m; assim sempre havia algu\u00e9m que, voltando para casa de madrugada, achava a casa intacta: a casa que o homem honesto devia ter roubado. O fato \u00e9 que, pouco depois, os que n\u00e3o eram roubados acabaram ficando mais ricos que os outros e passaram a n\u00e3o querer mais roubar. E, al\u00e9m disso, os que vinham para roubar a casa do homem honesto sempre a encontravam vazia; assim iam ficando pobres.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os que tinham se tornado ricos pegaram o costume, eles tamb\u00e9m, de ir de noite at\u00e9 a ponte, para ver a \u00e1gua que passava embaixo. Isso aumentou a confus\u00e3o, pois muitos outros ficaram ricos e muitos outros ficaram pobres.<\/p>\n<p>Havia ricos t\u00e3o ricos que n\u00e3o precisavam mais roubar e que mandavam roubar para continuarem a \u00a0ser ricos. Mas, se paravam de roubar, ficavam pobres porque os pobres os roubavam. Ent\u00e3o pagaram aos mais pobres dos pobres para defenderem as suas coisas contra os outros pobres, e assim institu\u00edram a pol\u00edcia e constitu\u00edram as pris\u00f5es.<\/p>\n<p>Dessa forma, j\u00e1 poucos anos depois do epis\u00f3dio do homem honesto, n\u00e3o se falava mais de roubar ou de ser roubado, mas s\u00f3 de ricos ou de pobres; e no entanto todos continuavam a ser pobres.<\/p>\n<p>Honesto s\u00f3 tinha havido aquele sujeito, e morrera logo, de fome.<\/p>\n<p align=\"right\">\u00cdTALO CALVINO. In:<i>Um general na biblioteca.<\/i> Companhia das Letras, S\u00e3o Paulo, 2001.<\/p>\n<p>\u00a0_______________________________________________________________________<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a leitura do texto, responda \u00e0s seguintes quest\u00f5es:<\/p>\n<ol start=\"1\">\n<li>A primeira frase do texto \u2013 \u201cHavia um pa\u00eds onde todos eram ladr\u00f5es.\u201d \u2013 direciona o leitor para um determinado tipo textual. Levando em conta os tipos textuais (narrativo, descritivo, argumentativo, explicativo, instrucional) como podemos classificar o texto acima?<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li>No texto, temos uma sequ\u00eancia de a\u00e7\u00f5es que se estruturam em torno de uma fato respons\u00e1vel pela mudan\u00e7a da situa\u00e7\u00e3o. Que fato narrado, respons\u00e1vel pela mudan\u00e7a da situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 essencial para o desenrolar das a\u00e7\u00f5es?<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"3\">\n<li>A palavra <b>UM<\/b> pode ser classificada como:<\/li>\n<\/ol>\n<p>. numeral cardinal: quando remete a ideia de quantidade<\/p>\n<p>. artigo indefinido: quando vem antes de um substantivo, dando ideia de indetermina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>. pronome indefinido: quando se refere a um ser de modo vago, indefinido<\/p>\n<p>De acordo com o exposto acima, classifique a palavra <b>UM<\/b> nos trechos abaixo:<\/p>\n<p>a)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cHavia <b>UM<\/b> pa\u00eds onde todos eram ladr\u00f5es.\u201d _______________________<\/p>\n<p>b)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201c&#8230; pois <b>UM<\/b> roubava o outro&#8230;\u201d _________________________________<\/p>\n<p>c)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201c&#8230; no pa\u00eds apareceu <b>UM <\/b>homem honesto.\u201d_______________________<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>No texto, h\u00e1 uma grande ocorr\u00eancia de pronomes indefinidos (algum, nada, tudo algu\u00e9m, ningu\u00e9m, pouco, todos, um). Justifique esse fato.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"5\">\n<li>Damos o nome de c\u00edrculo vicioso a uma sucess\u00e3o de ideias ou fatos que retornam sempre \u00e0 ideia ou fato inicial. Localize uma passagem do texto em que a sucess\u00e3o dos fatos forma um c\u00edrculo vicioso.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"6\">\n<li>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 express\u00e3o que serve como t\u00edtulo ao texto, responda:<\/li>\n<\/ol>\n<p>a)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 qual o sentido da express\u00e3o \u201covelha negra\u201d nesta narra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>b)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A que personagem do texto refere-se esta express\u00e3o?<\/p>\n<p>c)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 coer\u00eancia em usar essa express\u00e3o para se referir ao personagem?<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li>Se no pa\u00eds onde aconteceram os fatos havia pessoas que ficaram muito ricas por terem roubado os outros, como pode ser explicada a afirma\u00e7\u00e3o de que \u201c&#8230; no entanto todos continuavam a ser pobres.\u201d<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"8\">\n<li>O que o homem honesto poderia ter feito para n\u00e3o morrer de fome? Justifique sua resposta.<\/li>\n<\/ol>\n<p>___________________________________________________________________________________________<\/p>\n<p>Gabarito:<\/p>\n<ol start=\"1\">\n<li>Texto narrativo.<\/li>\n<li>O fato de que um homem honesto apareceu e, \u00e0 noite, ele n\u00e3o sa\u00eda de casa para roubar, mas ficava em casa fumando e lendo romances.<\/li>\n<li>a) artigo indefinido<\/li>\n<\/ol>\n<p>b) pronome indefinido<\/p>\n<p>c) numeral cardinal<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>O texto narra uma situa\u00e7\u00e3o fict\u00edcia, e os personagens envolvidos na trama n\u00e3o foram identificados pelo autor para que o leitor tenha a oportunidade de fazer uma analogia, de acordo com o conhecimento da realidade que o cerca.<\/li>\n<li>\u201cE assim todos viviam em paz e sem preju\u00edzo, pois um roubava o outro, e este, um terceiro, e assim por diante, at\u00e9 que se chegava ao \u00faltimo que roubava o primeiro.\u201d<\/li>\n<li>a) a express\u00e3o\u00a0 se refere a algu\u00e9m que n\u00e3o se ajusta \u00e0s regras existentes em uma sociedade onde todos os demais as seguem.<\/li>\n<\/ol>\n<p>b) Refere-se ao homem honesto.<\/p>\n<p>c) Levando-se em considera\u00e7\u00e3o a resposta da letra \u201ca\u201d, h\u00e1 coer\u00eancia.<\/p>\n<p>7. Todos continuavam a ser pobres de virtudes, pois o fato de possu\u00edrem bens materiais, estes foram adquiridos por meios moralmente conden\u00e1veis. Por isso o texto informa que eles continuavam pobres.<\/p>\n<p>8. Resposta pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 67 \u2013 A OVELHA NEGRA (N\u00edvel M\u00e9dio)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[5,27],"tags":[],"class_list":["post-784","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ensino-medio","category-textos-para-interpretacao","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/784\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}