{"id":863,"date":"2014-02-03T12:33:10","date_gmt":"2014-02-03T12:33:10","guid":{"rendered":"http:\/\/portugues.camerapro.com.br\/?p=863"},"modified":"2014-02-03T12:33:10","modified_gmt":"2014-02-03T12:33:10","slug":"texto-para-interpretacao-78-o-mulato-fragmento-nivel-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/?p=863","title":{"rendered":"TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 78 &#8211; O MULATO (fragmento)   N\u00edvel M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 78 \u2013 O MULATO\u00a0\u00a0\u00a0 (N\u00edvel M\u00e9dio)<\/p>\n<p>A personagem principal da obra \u201cO Mulato\u201d de Alu\u00edsio de Azevedo chama-se Raimundo Jos\u00e9 da Silva. \u00c9 um atraente e culto mesti\u00e7o de olhos azuis que afronta a sociedade maranhense por n\u00e3o perceber a sua condi\u00e7\u00e3o social. A obra foi escrita quando o autor tinha vinte anos de idade e morava no Estado do Maranh\u00e3o, em 1881, numa \u00e9poca em que o Brasil ansiava por mudan\u00e7as. A quest\u00e3o abolicionista era tema palpitante na corte, mas o Maranh\u00e3o mantinha-se como uma das prov\u00edncias mais escravistas do Brasil. Apesar da obra ser considerada do movimento Naturalista, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o perceber tra\u00e7os do Romantismo, uma vez que o enredo se desenrola numa atmosfera de mist\u00e9rio que termina em uma tr\u00e1gica hist\u00f3ria de amor. O trecho abaixo conta como o Dr. Raimundo ficou sabendo que era filho de uma escrava com um portugu\u00eas, fato que ele n\u00e3o tinha conhecimento at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more-->______________________________________________________________________________________<\/p>\n<p>Raimundo tornou-se l\u00edvido. Manoel prosseguiu, no fim de um sil\u00eancio:<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 v\u00ea o amigo que n\u00e3o \u00e9 por mim que lhe recusei Ana Rosa, mas \u00e9 por tudo! A fam\u00edlia de minha mulher sempre foi escrupulosa a esse respeito, e como ela \u00e9 toda a sociedade do Maranh\u00e3o! Concordo que seja uma asneira; concordo que seja um preju\u00edzo tolo! O senhor por\u00e9m n\u00e3o imagina o que \u00e9 por c\u00e1 a preven\u00e7\u00e3o contra os mulatos!&#8230; Nunca me perdoariam um tal casamento; al\u00e9m do que, para realiz\u00e1-lo, teria que quebrar a promessa que fiz a minha sogra, de n\u00e3o dar a neta sen\u00e3o a um branco de lei, portugu\u00eas ou descendente direto de portugueses!&#8230; O senhor \u00e9 um mo\u00e7o muito digno, muito merecedor de considera\u00e7\u00e3o, mas&#8230; foi forro \u00e0 pia, e aqui ningu\u00e9m o ignora.<\/p>\n<p>&#8211; Eu nasci escravo?!&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Sim, pesa-me diz\u00ea-lo e n\u00e3o o faria se a isso n\u00e3o fosse constrangido, mas o senhor \u00e9 filho de uma escrava e nasceu tamb\u00e9m cativo.<\/p>\n<p>&#8211; Raimundo abaixou a cabe\u00e7a. Continuaram a viagem. E ali no campo, \u00e0 sombra daquelas \u00e1rvores colossais, por onde a espa\u00e7os a lua se filtrava tristemente, ia Manoel narrando a vida do irm\u00e3o com a preta Domingas. Quando, em algum ponto hesitava por delicadeza em dizer toda a verdade, o outro pedia-lhe que prosseguisse francamente, guardando na apar\u00eancia uma tranquilidade fingida. O negociante contou tudo o que sabia.<\/p>\n<p>&#8211; Mas que fim levou minha m\u00e3e?&#8230; a minha verdadeira m\u00e3e? perguntou o rapaz, quando aquele terminou. Mataram-na? Venderam-na? O que fizeram com ela?<\/p>\n<p>&#8211; Nada disso; soube ainda h\u00e1 pouco que est\u00e1 viva&#8230; \u00c9 aquela pobre idiota de S\u00e3o Br\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8211; Meus Deus! Exclamou Raimundo, querendo voltar \u00e0 tapera.<\/p>\n<p>&#8211; Que \u00e9 isso? Vamos! Nada de loucuras! Voltar\u00e1s noutra ocasi\u00e3o!<\/p>\n<p>Calaram-se ambos. Raimundo, pela primeira vez, sentiu-se infeliz; uma nascente m\u00e1 vontade contra os outros homens formava-se na sua alma at\u00e9 a\u00ed limpa e clara; na pureza do seu car\u00e1ter o desgosto punha a primeira n\u00f3doa. E, querendo reagir, uma revolu\u00e7\u00e3o operava-se dentro dele; ideias turvas, enlodadas de \u00f3dio e de vagos desejos de vingan\u00e7a, iam e vinham, atirando-se raivosos contra os s\u00f3lidos princ\u00edpios da sua moral e da sua honestidade, como num oceano a tempestade a\u00e7ula contra um rochedo os negros vagalh\u00f5es encapelados. Uma s\u00f3 palavra boiava \u00e0 superf\u00edcie dos seus pensamentos: \u201cMulato\u201d. E crescia, crescia, transformando-se em tenebrosa nuvem, que escondia todo o seu passado. Ideia parasita, que estrangulava todas as outras ideias.<\/p>\n<p>&#8211; Mulato!<br \/>\n(Alu\u00edsio de Azevedo. O MULATO. L&amp;PM Editores, Porto Alegre, 2002)<br \/>\n\u00a0________________________________________________________________<\/p>\n<p>Assinale a \u00fanica op\u00e7\u00e3o correta a respeito do texto.<\/p>\n<p>1. O texto nos prova que o romance trata o assunto do preconceito:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) racial\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0b. (\u00a0\u00a0 ) pol\u00edtico\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c. (\u00a0\u00a0 ) religioso\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) econ\u00f4mico<\/p>\n<p>2. Fala-se de um preju\u00edzo que se deve entender como:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) sentimental\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) econ\u00f4mico\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c. (\u00a0\u00a0 ) religioso\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) social<\/p>\n<p>3. Raimundo \u00e9 filho de pai:<\/p>\n<p>a. ( \u00a0\u00a0) preto\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) mulato\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c. (\u00a0\u00a0 ) branco\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) escravo<\/p>\n<p>4. O pedido de casamento \u00e9 recusado por:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) causa da condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pretendente<\/p>\n<p>b. (\u00a0\u00a0 ) causa da condi\u00e7\u00e3o social do pretendente<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) temor \u00e0 rea\u00e7\u00e3o da sociedade<\/p>\n<p>d. (\u00a0\u00a0 ) haver outro pretendente<\/p>\n<p>5. Raimundo e Manoel eram, respectivamente:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) afilhado e padrinho<\/p>\n<p>b. (\u00a0\u00a0 ) filho e pai<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) genro e sogro<\/p>\n<p>d. (\u00a0\u00a0 ) sobrinho e tio<\/p>\n<p>6. A verdadeira m\u00e3e de Raimundo estava:<\/p>\n<p>a. (\u00a0 \u00a0) escrava\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) casada\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c. (\u00a0\u00a0 ) viva\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) morta<\/p>\n<p>7. At\u00e9 aquele momento, Raimundo era um homem:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) ambicioso\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) desonesto\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c. (\u00a0\u00a0 ) escravo\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) honesto<\/p>\n<p>8. Raimundo foi declarado livre da escravid\u00e3o na \u00e9poca de:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) seu nascimento\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) seu batismo\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c. (\u00a0\u00a0 ) sua inf\u00e2ncia\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) juventude<\/p>\n<p>9. Raimundo deve ter sido criado:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) num ambiente de riqueza<\/p>\n<p>b. (\u00a0\u00a0 ) ignorante da sua situa\u00e7\u00e3o de origem<\/p>\n<p>c. (\u00a0\u00a0 ) sabedor da sua situa\u00e7\u00e3o de origem<\/p>\n<p>d. (\u00a0\u00a0 ) num ambiente de riqueza e ignorante da sua situa\u00e7\u00e3o de origem<\/p>\n<p>10. Manoel considera Raimundo um pretendente:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) indigno\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) estranho\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c. (\u00a0\u00a0 ) amigo\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) pobre<\/p>\n<p>11. Manoel era:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) rico\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) pobre\u00a0\u00a0\u00a0 c. (\u00a0\u00a0 ) pol\u00edtico\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) rico e negociante<\/p>\n<p>12. Raimundo pediu em casamento:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) a prima\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) sobrinha\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c. (\u00a0\u00a0 ) a afilhada\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) a tia<\/p>\n<p>13. Raimundo tinha a apar\u00eancia f\u00edsica de:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) branco\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) preto\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c. (\u00a0\u00a0 ) \u00edndio\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) estrangeiro<\/p>\n<p>14. Sabendo da exist\u00eancia da m\u00e3e, a primeira atitude de Raimundo nos revela:<\/p>\n<p>a. (\u00a0\u00a0 ) \u00f3dio\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b. (\u00a0\u00a0 ) surpresa\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c. (\u00a0\u00a0 ) desespero\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d. (\u00a0\u00a0 ) descren\u00e7a<\/p>\n<p>____________________________________________________________________________<\/p>\n<p>Gabarito:<\/p>\n<p>1. A\u00a0\u00a0\u00a0\u00a02. D\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 3. C\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 4. C\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 5. D\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 6. C\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 7. D\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 8. B\u00a0\u00a0\u00a0 9. D\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 10. C\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 11. D\u00a0\u00a0\u00a0\u00a012. A\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 13. A \u00a0 \u00a0 \u00a0       14. B<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TEXTO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 78 \u2013 O MULATO\u00a0\u00a0\u00a0 (N\u00edvel M\u00e9dio) A personagem principal da obra \u201cO Mulato\u201d de Alu\u00edsio de Azevedo chama-se Raimundo Jos\u00e9 da Silva. \u00c9 um atraente e culto mesti\u00e7o de olhos azuis que afronta a sociedade maranhense por n\u00e3o perceber a sua condi\u00e7\u00e3o social. 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