{"id":876,"date":"2014-03-12T18:32:15","date_gmt":"2014-03-12T18:32:15","guid":{"rendered":"http:\/\/portugues.camerapro.com.br\/?p=876"},"modified":"2014-03-12T18:32:15","modified_gmt":"2014-03-12T18:32:15","slug":"texto-tecnico-para-interpretacao-14-aprendizagem-da-ortografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/?p=876","title":{"rendered":"TEXTO T\u00c9CNICO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 14 &#8211; APRENDIZAGEM DA ORTOGRAFIA"},"content":{"rendered":"<p>TEXTO T\u00c9CNICO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 14 \u2013<\/p>\n<p align=\"center\">APRENDIZAGEM DA ORTOGRAFIA NO PER\u00cdODO DE ALFABETIZA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Ensinar algu\u00e9m a ler e a escrever envolve defrontar-se com os problemas de alfabetiza\u00e7\u00e3o ligados ao ensino-aprendizagem da ortografia. Lembramos que estes problemas independem do m\u00e9todo que o professor utiliza. Podem ocorrer com qualquer m\u00e9todo, pois s\u00e3o relativos \u00e0 pr\u00f3pria natureza da escrita.<\/p>\n<p>A aprendizagem da l\u00edngua escrita se inicia e tem por condi\u00e7\u00e3o, a aprendizagem das letras. Antes de mais nada, a crian\u00e7a precisa entender que os sons podem ser representados por letras. Esta aprendizagem n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, pois as rela\u00e7\u00f5es entre os sons e as letras n\u00e3o s\u00e3o sempre diretas. H\u00e1 algumas rela\u00e7\u00f5es mais simples e outras mais complexas. Por isso, o professor que alfabetiza deve estar bem preparado tecnicamente, isto \u00e9, deve dominar o conhecimento b\u00e1sico do sistema fon\u00e9tico\/fonol\u00f3gico e de escrita utilizado em nossa l\u00edngua, o portugu\u00eas. De nada vai adiantar o professor saber os m\u00e9todos de alfabetiza\u00e7\u00e3o, se ele n\u00e3o domina o conhecimento do sistema fon\u00e9tico\/fonol\u00f3gico da nossa l\u00edngua. Seu trabalho de alfabetizar poder\u00e1 ser incompleto ou de dif\u00edcil compreens\u00e3o por parte da crian\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que encontramos tantas crian\u00e7as e at\u00e9 adolescente e adultos mal alfabetizados. N\u00e3o aprenderam a ler e a escrever direito por causa do professor mal preparado para realizar esse trabalho.<\/p>\n<p>A aprendizagem da ortografia deve se processar por etapas sucessivas, do mais simples para o mais complexo. Aprender a utilizar corretamente as letras \u00e9 uma tarefa penosa. Para alcan\u00e7ar o dom\u00ednio completo da ortografia, a crian\u00e7a ter\u00e1 que passar por diversas etapas \u00e0 medida que aumenta\u00a0 seu contato com a l\u00edngua escrita.<\/p>\n<p><b><span style=\"text-decoration: underline;\">1<sup>a<\/sup>. etapa<\/span><\/b><\/p>\n<p>Assim que entrar em contato com a l\u00edngua escrita, o aluno dever\u00e1 descobrir que os sons que ele fala podem ser representados por letras. Este \u00e9 o per\u00edodo b\u00e1sico da escrita. Nesta etapa, o aluno acha que a l\u00edngua escrita \u00e9 uma reprodu\u00e7\u00e3o fiel da fala. Tende, portanto, a escrever exatamente como fala.<\/p>\n<p>Nesta 1<sup>a<\/sup>. etapa, a crian\u00e7a j\u00e1 entendeu que <b>as letras s\u00e3o s\u00edmbolos que representam sons<\/b>. Concebe, por\u00e9m, a escrita como uma <b>representa\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica<\/b>.<\/p>\n<p>Uma vez que a tend\u00eancia da crian\u00e7a \u00e9 achar que se escreve como se fala, o professor deve come\u00e7ar o seu trabalho, nesta 1<sup>a<\/sup>. etapa apenas com os casos mais simples da ortografia.<\/p>\n<p>Os casos mais simples da ortografia s\u00e3o aqueles em que <b>um fonema ou som \u00e9 sempre representado pela mesma letra. <\/b>Por exemplo: o fonema \u201cb\u00ea\u201d \u00e9 representado pela letra <b>b<\/b> e esta letra sempre representar\u00e1 o fonema \u201cb\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>Outros exemplos de rela\u00e7\u00e3o simples: \/p\u00ea\/ &#8212;&#8212;- p\u00a0\u00a0\u00a0 \/t\u00ea\/ &#8212;&#8212;&#8212; t\u00a0\u00a0 \/d\u00ea\/ &#8212;&#8212;- d\u00a0\u00a0 \/f\u00ea\/ &#8212;&#8212;- f\u00a0\u00a0 \/v\u00ea\/ &#8212;&#8211; v<\/p>\n<p>Apresentando em primeiro lugar apenas as letras que est\u00e3o sempre relacionadas com o mesmo fonema, o alfabetizador estar\u00e1 agindo de acordo com a ideia que a crian\u00e7a faz acerca da ortografia.<\/p>\n<p><b><span style=\"text-decoration: underline;\">2<sup>a<\/sup>. etapa<\/span><\/b><\/p>\n<p>\u00c9 claro que n\u00e3o podemos deixar a crian\u00e7a acreditar, por muito tempo, que cada letra representa um fonema e cada fonema \u00e9 representado sempre por uma \u00fanica e mesma letra.<\/p>\n<p>Na segunda etapa da aprendizagem da ortografia, o alfabetizador dever\u00e1 levar a crian\u00e7a a compreender que <b>um mesmo fonema pode ser representado ora por uma letra, ora por outra, de acordo com a sua posi\u00e7\u00e3o na palavra.<\/b> Por exemplo: o fonema \/ i \/ pode ser representado pela letra \u201c<b>i\u201d<\/b>\u00a0 ou pela letra \u201c<b>e\u201d.<\/b> O fonema \/ i \/ \u00e9 representado pela letra \u201ce\u201d quando este fonema for \u00e1tono e est\u00e1 no final da palavra. Exemplo: leit<b>e <\/b>\u2013 doc<b>e<\/b> \u2013 dev<b>e. <\/b>\u00a0Quando o fonema \/ i \/ for t\u00f4nico, \u00e9 representado pela letra \u201c<b>i\u201d, <\/b>independente de sua localiza\u00e7\u00e3o na palavra. Exemplo: <b>i<\/b>gual \u2013 am<b>i<\/b>go \u2013 ouv<b>i<\/b>do \u2013 a\u00e7a<b>\u00ed<\/b><\/p>\n<p>O ensino do emprego das letras, de acordo com o contexto da palavra, deve ser a 2<sup>a<\/sup>. etapa no ensino da ortografia. Nesta etapa, o professor deve ajudar o alunos a perceber que <b>nem sempre escrevemos como falamos.<\/b> Muitas vezes, falamos de um jeito e escrevemos de outro.<\/p>\n<p>Exemplo: falamos:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 escrevemos:<\/p>\n<p>[ patu ]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 pato<\/p>\n<p>[ sau ]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 sal<\/p>\n<p>[ deli ]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 dele<\/p>\n<p>\u00c9 importante que o professor explique ao seu aluno que um mesmo som pode ser representado por letras diferentes de acordo com a sua posi\u00e7\u00e3o na palavra.<\/p>\n<p>Nesta etapa o professor tem de se certificar que o aluno aprendeu que:<\/p>\n<ol start=\"1\">\n<li>os sons s\u00e3o representados por letras<\/li>\n<li>existem sons que s\u00e3o representados por uma \u00fanica letra<\/li>\n<li>existem sons que s\u00e3o representados por mais de uma letra de acordo com a sua posi\u00e7\u00e3o na palavra.<\/li>\n<\/ol>\n<p><b><span style=\"text-decoration: underline;\">3<sup>a<\/sup>. etapa<\/span><\/b><\/p>\n<p>Nesta etapa, o aluno deve aprender que existem sons que podem ser representados por mais de uma letra, na mesma posi\u00e7\u00e3o dentro da palavra, sem que se saiba, antecipadamente, qual destas letras dever\u00e1 ser escrita. S\u00e3o as <b>letras rivais<\/b>. Observe os exemplos a seguir.<\/p>\n<p>O som \/z\u00ea\/, entre duas vogais, pode ser representado pelas letras <b>z, s <\/b>e <b>x.<\/b> Veja:<\/p>\n<p>\/ a<b>z<\/b>ar \/ &#8211; azar\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \/ ka<b>z<\/b>a \/ &#8211; ca<b>s<\/b>a\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \/ e<b>z<\/b>ami \/ &#8211; e<b>x<\/b>ame<\/p>\n<p>Quando temos uma palavra com o som \/z\u00ea\/, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber qual a letra que o representar\u00e1. O emprego correto das letras rivais s\u00f3 pode ser aprendido atrav\u00e9s da <b>visualiza\u00e7\u00e3o<\/b> da palavra. \u00c9 uma aprendizagem que se processa por <b>mem\u00f3ria visual<\/b>, ou seja, \u00e9 imposs\u00edvel saber a ortografia da palavra, se n\u00e3o a vimos escrita corretamente.<\/p>\n<p>Por que isto acontece? Tal situa\u00e7\u00e3o \u00e9 decorrente da origem das palavras que pode ter sido do latim ou do grego que s\u00e3o as ra\u00edzes da l\u00edngua portuguesa. Enquanto os fil\u00f3logos atuais n\u00e3o se dispuserem a fazer um estudo mais aprofundado sobre estes problemas no sentido de eliminar essas duplicidades, a exemplo do que foi feito no decorrer do s\u00e9culo XX, (quando farm\u00e1cia era escrita com ph \u2013 pharmacia) nossos alunos e professores ter\u00e3o de enfrentar mais essa dificuldade para aprender a grafia das palavras em portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Por isso, os erros no emprego de letras rivais s\u00e3o naturais e n\u00e3o devem ser supervalorizados pelo professor ao fazer uma avalia\u00e7\u00e3o. Observamos que at\u00e9 mesmo pessoas mais instru\u00eddas t\u00eam d\u00favidas quanto a escrita de algumas palavras e o melhor mesmo \u00e9 recorrer a um bom dicion\u00e1rio.<\/p>\n<p align=\"center\">CRIT\u00c9RIOS DE DIFICULDADE E PRODUTIVIDADE<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao organizar o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o, o professor deve ter o cuidado de obedecer aos <b>crit\u00e9rios de dificuldade e produtividade.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Crit\u00e9rio de dificuldade.<\/b><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vimos que o ensino da ortografia deve ser feito por etapas que v\u00e3o das letras mais simples para as mais complexas. Esta ordena\u00e7\u00e3o \u00e9 dada pelo que chamamos CRIT\u00c9RIO DE DIFICULDADE. Apresentamos, a seguir, uma sugest\u00e3o para uma gradativa apresenta\u00e7\u00e3o de dificuldades ortogr\u00e1ficas.<\/p>\n<ol start=\"1\">\n<li>Na primeira unidade de ensino s\u00f3 devem constar rela\u00e7\u00f5es simples entre fonema e letra: cada fonema, uma letra e para cada letra, um fonema.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Exemplo: \/ p\u00ea \/ &#8211; p\u00a0 ;\u00a0 \/ a \/ &#8211; a\u00a0 ;\u00a0\u00a0 \/ t\u00ea \/ &#8211; t\u00a0\u00a0\u00a0 ;\u00a0\u00a0\u00a0 \/ a \/ &#8211; a\u00a0\u00a0 =\u00a0 pata<\/p>\n<p>\/ b\u00ea \/ &#8211; b\u00a0 ;\u00a0 \/ a \/ &#8211; e\u00a0 ;\u00a0\u00a0 \/ l\u00ea \/ &#8211; l\u00a0\u00a0\u00a0 ;\u00a0\u00a0\u00a0 \/ a \/ &#8211; a\u00a0\u00a0\u00a0 =\u00a0 bala<\/p>\n<p>\/ m\u00ea \/ &#8211; m\u00a0 ; \/ u \/ &#8211; u\u00a0 ;\u00a0\u00a0 \/ d\u00ea \/ &#8211; d\u00a0 ;\u00a0\u00a0 \/ a \/ &#8211; a\u00a0\u00a0\u00a0 =\u00a0 muda<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>A apresenta\u00e7\u00e3o de duas letras que podem representar dois fonemas em algumas posi\u00e7\u00f5es da palavra e n\u00e3o em outras, deve ser feita iniciando-se pelos ambientes onde as letras n\u00e3o se confundem.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Exemplo: a letra<b> r<\/b> e o d\u00edgrafo <b>rr<\/b> s\u00e3o rivais na representa\u00e7\u00e3o do fonema \/ r\u00ea \/\u00a0 em apenas algumas posi\u00e7\u00f5es da palavra. Uma poss\u00edvel grada\u00e7\u00e3o na apresenta\u00e7\u00e3o de <b>r\u00a0 <\/b>e\u00a0 <b>rr <\/b>\u00a0\u00a0pode ser esta:<\/p>\n<p>1<sup>o<\/sup>. &#8211; \/ r\u00ea \/ representado por\u00a0\u00a0 <b>r\u00a0 <\/b>\u00a0entre duas vogais = ca<b>r<\/b>o,\u00a0\u00a0 ca<b>r<\/b>eta,\u00a0\u00a0 pa<b>r<\/b>o<\/p>\n<p>2<sup>o<\/sup>. &#8211; \/ R\u00ea \/ representado por\u00a0 <b>r<\/b>\u00a0 no in\u00edcio da palavra = <b>r<\/b>ua,\u00a0 <b>r<\/b>ato,\u00a0 <b>r<\/b>umo,\u00a0 <b>r<\/b>oda<\/p>\n<p>3<sup>o<\/sup>. &#8211; \/ R\u00ea \/ representado por\u00a0 <b>rr<\/b>\u00a0 entre duas vogais =\u00a0 mo<b>rr<\/b>o,\u00a0 ca<b>rr<\/b>o,<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>As letras que representam o mesmo som em posi\u00e7\u00f5es diferentes da palavra devem ser apresentadas da seguinte forma:<\/li>\n<\/ol>\n<p>1<sup>o<\/sup>. &#8211; as letras que s\u00e3o mais utilizadas num maior n\u00famero de palavras;<\/p>\n<p>2<sup>o<\/sup>. \u2013 as letras que s\u00e3o menos utilizadas num menor n\u00famero de palavras.<\/p>\n<p>Exemplo: o fonema \/ gu\u00ea \/ pode ser representado pela letra <b>g<\/b> (<b>g<\/b>ota) ou pelo d\u00edgrafo <b>gu<\/b> (<b>gu<\/b>erra). Deve ser ensinado primeiro a letra <b>g<\/b>, chamando a aten\u00e7\u00e3o para o detalhe que esse fonema (gu\u00ea) s\u00f3 \u00e9 representado por essa letra antes das vogais a, o, u: gato, gola, gula.<\/p>\n<p>Depois \u00e9 que se vai ensinar que esse mesmo fonema (gu\u00ea) ser\u00e1 representado pelas letras <b>gu<\/b> quando aparecer antes das vogais <b>e, i<\/b>:\u00a0 <b>gu<\/b>erra, <b>gu<\/b>ia.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>As letras que representam o mesmo fonema no mesmo ambiente (<b>letras rivais<\/b>) devem ser apresentadas individualmente, obedecendo ao <b>crit\u00e9rio de produtividade<\/b>.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Crit\u00e9rio de produtividade<\/b><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No sistema ortogr\u00e1fico, algumas letras s\u00e3o mais produtivas do que outras. Letras mais produtivas s\u00e3o aquelas com que se escreve um maior n\u00famero de palavras. Quando o professor tem que decidir a ordem de ensino de duas letras que representam o mesmo som, deve escolher primeiro aquela que possui maior produtividade.<\/p>\n<p>Como exemplo, damos as letras <b>c<\/b>\u00a0 e\u00a0 <b>qu<\/b>\u00a0 para representarem<b> <\/b>o som\u00a0 \/ k \/. Embora <b>qu<\/b>\u00a0 apare\u00e7a em palavras muito frequentes na l\u00edngua (que, porque, quilo, queda), \u00e9 com a letra\u00a0 <b>c<\/b>\u00a0 que escrevemos a maior parte das palavras com o som \/ k \/: <b>c<\/b>ola, <b>c<\/b>asa, <b>c<\/b>air, <b>c<\/b>uidar, <b>c<\/b>abo,<b> c<\/b>ubo.<\/p>\n<p>Uma possibilidade de ordena\u00e7\u00e3o das letras e seus respectivos fonemas a serem ensinados na alfabetiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 a ordem das consoantes no ABC, tendo-se o cuidado de obedecer aos crit\u00e9rios de dificuldade e produtividade.<\/p>\n<p>As vogais n\u00e3o obedecem a uma ordena\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Mas como elas fazem, basicamente, parte da s\u00edlaba na l\u00edngua portuguesa, o melhor ser\u00e1 ensin\u00e1-las primeiro, obedecendo aos crit\u00e9rios de dificuldade e produtividade e s\u00f3 depois junt\u00e1-las \u00e0s consoantes, seguindo os mesmos crit\u00e9rios. Ao se ensinar as vogais, deve-se apresentar palavras formadas apenas por vogais. Exemplo: eu, a\u00ed, oi, ui, ai.<\/p>\n<p>Ao se iniciar o ensino das vogais com as consoantes deve-se faz\u00ea-lo a partir da combina\u00e7\u00e3o CV (consoante + vogal) e com a consoante que permita a combina\u00e7\u00e3o com todas as vogais. Exemplo: a letra B permite a combina\u00e7\u00e3o com todas as vogais \u2013 ba, be, bi, bo, bu.<\/p>\n<p>Queremos, ainda, chamar a aten\u00e7\u00e3o para o n\u00famero de s\u00edlabas das palavras a serem ensinadas durante o per\u00edodo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Deve-se sempre estar atento para o crit\u00e9rio de dificuldade: sempre ir do mais simples para o mais complexo. Inicie com palavras de uma s\u00edlaba e, \u00e0 medida que os alunos forem dominando o que est\u00e1 sendo ensinado, v\u00e1 acrescentado palavras com duas, tr\u00eas ou mais s\u00edlabas. Deve-se atentar tamb\u00e9m para a acentua\u00e7\u00e3o sil\u00e1bica das palavras. Devem ser usadas palavras com acentua\u00e7\u00e3o t\u00f4nica diferente: ox\u00edtonas \u2013 vov\u00f3; parox\u00edtonas \u2013 casa; proparox\u00edtonas \u2013 \u00e1rvore. Naturalmente que essa classifica\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 ensinada posteriormente quando o aluno j\u00e1 estiver em s\u00e9ries mais adiantadas.<\/p>\n<p>Para completar nossas considera\u00e7\u00f5es acerca do ensino da ortografia, relacionamos algumas atitudes e procedimentos que o professor pode utilizar para levar seus alunos a entenderem melhor o funcionamento da ortografia em l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>1<sup>o<\/sup>. \u2013 levar o aluno a compreender o que \u00e9 escrita, sua padroniza\u00e7\u00e3o e suas fun\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p>2<sup>o<\/sup>. \u2013 ensinar as letras do alfabeto com seus nomes;<\/p>\n<p>3<sup>o<\/sup>. \u2013 ensinar as rela\u00e7\u00f5es das letras com os sons;<\/p>\n<p>4<sup>o<\/sup>. \u2013 ensinar as combina\u00e7\u00f5es entre as letras;<\/p>\n<p>5<sup>o<\/sup>. \u2013 mostrar que a escrita de uma palavra pode corresponder a diferentes pron\u00fancias;<\/p>\n<p>6<sup>o<\/sup>. \u2013 acentuar que, em alguns casos, a ortografia n\u00e3o corresponde a nenhuma pron\u00fancia. Exemplo: n\u00e3o existe som para a letra <b>h <\/b>inicial nas palavras em portugu\u00eas;<\/p>\n<p>7<sup>o<\/sup>. \u2013 deixar que a crian\u00e7a pergunte (e n\u00e3o tenha medo de faz\u00ea-lo) a ortografia correta das palavras;<\/p>\n<p>8<sup>o<\/sup>. \u2013 n\u00e3o marcar os erros ortogr\u00e1ficos cometidos com a finalidade de puni\u00e7\u00e3o, e sim, para favorecer e incentivar a corre\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios erros, levando o aluno a pesquisar a escrita correta das palavras;<\/p>\n<p>9<sup>o<\/sup>. \u2013 n\u00e3o supervalorizar o erro ortogr\u00e1fico como o \u00fanico crit\u00e9rio para medir a alfabetiza\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>10<sup>o<\/sup>. \u2013 \u00e0 medida que se for ensinando as palavras, as mesmas devem ser acompanhadas de seus significados.<\/p>\n<div>\n<p>\u00a0____________________________________________________________________<\/p>\n<\/div>\n<p>Agora, baseado no texto lido, responda \u00e0s quest\u00f5es abaixo.<\/p>\n<ol start=\"1\">\n<li>Responda: Qual a primeira etapa na aprendizagem da ortografia?<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li>Complete as frases:<\/li>\n<\/ol>\n<p>a)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A aprendizagem da l\u00edngua escrita se inicia pela aprendizagem da ____________________<\/p>\n<p>b)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os casos mais simples da ortografia s\u00e3o aqueles em que cada______________ \u00e9 representado por uma __________<\/p>\n<p>c)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O uso correto das letras ____________ constitui uma dificuldade para qualquer pessoa.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Analise a situa\u00e7\u00e3o a seguir e depois responda ao que se pede.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Uma crian\u00e7a de 1<sup>o<\/sup>. ano do Ensino Fundamental escreve corretamente palavras como <b>bola, macaco, pato<\/b>,\u00a0 mas comete erros como <b>pexe, xuva, caza.<\/b> Esta crian\u00e7a pode ser considerado alfabetizada? (\u00a0\u00a0 ) sim\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (\u00a0\u00a0 ) n\u00e3o\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Justifique sua resposta.<\/p>\n<div>\n<p>\u00a0___________________________________________________________________________________________<\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">GABARITO<\/span><\/p>\n<ol start=\"1\">\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">A primeira etapa na aprendizagem da ortografia \u00e9 aquela em que a crian\u00e7a acha que a ortografia \u00e9 uma reprodu\u00e7\u00e3o fiel da fala.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff0000;\">a) A aprendizagem da l\u00edngua escrita se inicia pela aprendizagem da ortografia<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">b) Os casos mais simples da ortografia s\u00e3o aqueles em que cada fonema \u00e9 representado por uma letra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">c) O uso correto das letras rivais constitui uma dificuldade para qualquer pessoa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 3. Sim. Esta crian\u00e7a pode ser considerada alfabetizada, pois dominou o princ\u00edpio b\u00e1sico da escrita de que os sons podem ser representados por letras.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TEXTO T\u00c9CNICO PARA INTERPRETA\u00c7\u00c3O 14 \u2013 APRENDIZAGEM DA ORTOGRAFIA NO PER\u00cdODO DE ALFABETIZA\u00c7\u00c3O<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[6,27],"tags":[],"class_list":["post-876","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ensino-tecnico","category-textos-para-interpretacao","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=876"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/876\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portuguesirado.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}